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Pós Datismo

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GESTAÇÃO PÓS-TERMO 
 
DEFINIÇÃO 
Gestação que ultrapassa 42 semanas ou 294 dias calculados a partir do primeiro dia da última menstruação. Está relacionado 
a maiores taxas de morbidade e mortalidade perinatal. Duração da gestação: 
 Gestação a termo: (1) Termo precoce: 37 0/7 semanas até 38 6/7 semanas. (2) Termo completo: 39 0/7 semanas até 40 
6/7 semanas. (3) Termo tardio: 41 0/7 semanas até 6/7 semanas. 
 Gestação pós-termo: acima de 42 semanas. 
 Gestação pré-termo: menor que 37 semanas. 
 
ESTABELECIMENTO DA IDADE GESTACIONAL 
DUM. Coletar história menstrual, uso de anovulatórios, correlação AU/IG, data do HCG, toque bimanual, percepção dos 
primeiros movimentos fetais (primigesta com 20 semanas, multíparas com 17-19 semanas). 
 Regra de Nageale: soma-se 7 dias ao dia da DUM e subtra-se 3 do mês. 
 USG precoce: CCN (comprimento cabeça-nádegas) entre 7-10 semanas e DBP (diâmetro biparietal) entre 18-22 semanas. 
 
FATORES DE RISCO E ETIOLOGIA 
Na maioria das vezes a causa é desconhecida. 
 Maternos: (1) antecedente de gravidez pós-termo – aumenta 50% a probabilidade de repetir na gestação subsequente. 
(2) Nuliparidade. (3) Feto masculino. (4) Obesidade. (5) Idade materna avançada. (6) História pessoal materna do 
nascimento após o parto. (7) Mulheres brancas correm maior risco em comparação com outras raças e etnias. 
 Fetais: (1) Situações que alterem a produção fetal de hormônios envolvidos no parto. (2) Anencefalia. (3) Hipoplasia de 
suprarrenais. 
 
MORBIDADE E MORTALIDADE 
 Macrossomia fetal: devido à maior duração do crescimento intra-uterino, os fetos pós-termo tendem a ser maiores que 
os fetos a termo e têm maior incidência de macrossomia (≥ 4500 gramas: 2,5 a 10% pós-termo versus 0,8 a 1% a termo). 
A macrossomia aumenta os riscos de várias sequelas adversas, incluindo progressão anormal do trabalho de parto, parto 
cesáreo, parto vaginal assistido, distocia de ombro, lesão de nascimento materno/fetal/neonatal, hemorragia pós-parto 
e problemas metabólicos neonatais. 
 Síndrome da dismaturidade fetal: está relacionada com disfunção placentária. É o crescimento fetal e placentário 
inadequado após 41 semanas. Ocorre alteração degenerativa placentária crescente com oxigenação fetal-placentária 
deficiente com incidência progressiva de líquido meconial, unidade fetal-placentária gradualmente lesada e índice 
aumentado de sofrimento fetal e mortes perinatais. Nesse caso, os órgãos protegidos são cérebro, coração e suprarrenal. 
Os mais susceptíveis a diminuição da perfusão são TGI, rins, pulmões e pele. 
 Estágio 1: pele seca, quebradiça e descamada, unhas longas e cabelo em abundância, ausência de vérnix, aparência 
de desnutrido, fáscies alerta. 
 Estágio 2: todas as características do estágio 1 + mecônio verde, sofrimento fetal ou anóxia. 
 Estágio 3: todas as características do estágio 1 e 2 + mecônio amarelado e mortalidade perinatal. 
 Mortalidade: a taxa de mortalidade perinatal ≥ 42 semanas de gestação é o dobro da taxa a termo, aumentando quatro 
vezes em 43 semanas e cinco a sete vezes em 44 semanas. Neonatos nascidos com ≥ 41 semanas de gestação 
apresentam um terço a mais de risco de mortalidade neonatal do que neonatos nascidos a termo com 38 a 40 semanas 
de gestação. No entanto, a taxa absoluta de morte fetal e neonatal é baixa. 
 
RISCOS DA GESTAÇÃO PÓS-TERMO 
Natimorto, anomalias, sofrimento fetal, aspiração de mecônio, instabilidade térmica, hipoglicemia, sequelas neurológicas. 
 
POR QUE NÃO INTERROMPER TODAS AS GESTAÇÕES COM SUSPEITA DE PÓS-TERMO? 
 A IG não é precisa e o feto pode ser menos maduro do que se acredita. 
 É difícil identificar quais fetos irão morrer ou ter morbidade elevada. 
 A grande maioria dos fetos evolui bem. 
ÍNDICE DE BISHOP 
PONTOS 0 1 2 3 
Dilatação 0 1-2 3-4 5-6 
Apagamento 0-30 40-50 60-70 80 
Altura apresentada -3 -2 -1/0 +1/+2 
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 A indução do TP nem sempre tem sucesso. 
 A cesárea eleva a morbimortalidade materna. 
 
MANEJO DA GESTAÇÃO PÓS-TERMO 
A recomendação mais utilizada é a interrupção da 
gestação com 41 semanas. O Colégio Americano de 
Obstetras e Ginecologistas recomenda a indução do 
parto após 42 semanas, mas considera a indução em 
41+0 a 42+0 semanas razoável. 
 Interrupção com 41 semanas: colo favorável (índice 
de Bishop > 9), induzir com ocitocina. Se o colo é 
desfavorável (índice de Bishop < 4), prepara-lo com 
misoprostol e após induzir com ocitocina. O misoprostol é um análogo da PgE1 que provoca dissolução das fibras de 
colágeno e aumenta a água na submucosa do colo. 
 Conduta expectante: deve-se iniciar a partir de 41 semanas. Avaliar o bem-estar fetal 2 vezes por semana até o parto, 
alteração dos exames ou até IG pré-definida (42 semanas). Avaliar: (1) Perfil biofísico fetal. (2) Volume de índice de 
líquido amniótico. (3) Movimentos fetais pela gestante (critérios de Neldhan). 
 Perfil Biofísico Fetal (PBF): exame realizado a partir do USG. Define o risco de óbito no curso natural. 
 Volume do líquido amniótico: (1) ILA (índice de líquido amniótico): somatório dos maiores bolsões verticais 
distribuídos nos quatro quadrantes uterinos. ILA normal é de 8-18cm. (2) Medida do maior bolsão de líquido 
amniótico. 
 Contagem dos movimentos fetais: menos de 3 movimentos fetais em 1 hora de observação. Se alterado, realizar PBF 
e ILA. 
 
TABELA: COMPONENTES E SEUS SCORES DO PBF 
VARIÁVEL SCOR
E 2 
SCORE 
0 
Movimentos Respiratórios 
fetais 
Presença de pelo menos 30 segundos 
de movimento respiratório fetal 
sustentado 
em 30 minutos de observação. 
Menos de 30 segundos de 
movimentos respiratórios fetais em 
30 minutos de 
observação. 
Movimentos fetais Três ou mais movimentos fetais em 30 
minutos de observação; movimentos 
de 
membros e tronco simultaneamente. 
Dois ou menos movimentos em 30 
minutos de observação. 
Tônus fetal Pelo menos um episódio de 
movimentação de um membro fletido 
para estendido e rápido retorno a 
flexão. 
Feto na posição semi/total extensão 
com nenhum retorno ou retorno 
lento; ausência de movimento fetal 
contado 
como ausência de tônus. 
Reatividade fetal Coração acelerado duas vezes ou mais 
pelo menos 15 bpm e durando pelo 
menos 15 segundos e associado com 
movimento 
fetal em 20 minutos. 
Nenhuma aceleração ou menos de 
duas acelerações do coração do feto 
em 20 minutos de observação. 
Volume do líquido amniótico Bolsa de líquido amniótico que mede 
pelo menos 1 cm em dois
 planos 
perpendiculares. 
A maior medida da bolsa de líquido 
amniótico mede menos de 1 cm em 
dos 
planos perpendiculares. 
Consistência Duro Médio Amolecido x 
Posição do colo Posterior Médio Anterior x 
 
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TABELA: SCORE DO PBF MODIFICADO. INTERPRETAÇÃO E MANEJO DA GRAVIDEZ. 
PBF INTERPRETAÇÃO MANEJO RECOMENDADO 
10 Bebê não-asfixiado Nenhuma indicação de intervenção fetal. Reavaliar 
semanalmente, exceto se for paciente com DMG. 
Nesses casos, reavaliar 2x/semana. 
8/10 com líquido 
normal 8/8 
Bebê não-asfixiado Nenhuma indicação de intervenção fetal. Reavaliar de 
acordo com o protocolo para determinada IG. 
8/10 com diminuição do 
líquido amniótico 
Suspeitar de asfixia crônica no bebê. Parto. 
6 Provável asfixia fetal - Se o líquido amniótico estivar normal  parto. 
- Se líquido normal > 36 semanas com colo favorável 
 Parto. 
- Se < 36 semanas ou lecitina-esfingomielina, repetir o 
teste em 24 horas. Se o teste estiver com o mesmo 
resultado  Parto. Se repetir o teste por > 6 
Observar e repetir o protocolo. 
4 Provável Asfixia fetal Repetir o teste no mesmo dia. Se PBF ≤ 6  Parto. 
0-2 Asfixia fetal muito provável. Parto. 
 
AVALIAÇÃO INTRAPARTO NO PÓS-DATISMO 
 CTG: cardiotocografia: exame que serve para monitorar a FC fetal e as contrações uterinas. É um exame simples e não- 
invasivo e está indicado para gestantes de risco habitual a partir das 41 semanas para avaliação da possibilidade de 
indução de parto. 
 Amniotomia: ruptura artificial do saco amniótico.