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8 LITERATURA - Sorôco Sua mãe Sua filha

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Por que ele nem olhou o trem partir? 
59. O que ele vai fazer agora que elas se foram? Como ele vai reagir? Vai ficar aliviado como as 
pessoas imaginavam? 
60. Como as pessoas que estavam na estação vão reagir? 
 
 
 
 
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Só ficou de chapéu na mão, mais de barba quadrada, surdo — o que nele mais espantava. O 
triste do homem, lá, decretado, embargando-se de poder falar algumas suas palavras. Ao sofrer 
o assim das coisas, ele, no oco sem beiras, debaixo do peso, sem queixa, exemploso. 
E lhe falaram: — "O mundo está dessa forma..." 
Todos, no arregalado respeito, tinham as vistas neblinadas. De repente, todos gostavam demais 
de Sorôco. (7:33 - 8:05) 
 
61. As suas hipóteses quanto ao sentimento de Sorôco sobre a partida da mãe e da filha foram 
confirmadas? 
62. As pessoas ficaram felizes com a partida das mulheres? 
63. Por que as pessoas começaram a gostar mais de Sorôco? 
64. O que vai acontecer agora? Como você acha que essa história termina? 
 
 
Ele se sacudiu, de um jeito arrebentado, desacontecido, e virou, pra ir-s'embora. Estava 
voltando para casa, como se estivesse indo para longe, fora de conta. Mas, parou. Em tanto que 
se esquisitou, parecia que ia perder o de si, parar de ser. Assim num excesso de espírito, fora de 
sentido. (8:06 - 8:26) 
 
65. Por que Sorôco parou? O que aconteceu com ele? 
66. O que você acha que Sorôco vai fazer? 
 
 
 
 
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E foi o que não se podia prevenir: quem ia fazer siso naquilo? Num rompido — ele começou a 
cantar, alteado, forte, mas sozinho para si — e era a cantiga, mesma, de desatino, que as duas 
tanto tinham cantado. Cantava continuando. (8:27 - 8:43) 
 
67. Sorôco fez o que você imaginou que ele ia fazer? 
68. Por que Sorôco começou a cantar? O que aconteceu com ele? 
69. Como as pessoas vão reagir? O que vão pensar ou sentir com o canto do Sorôco? 
 
A gente se esfriou, se afundou — um instantâneo. (8:44 - 8:47) 
 
70. O que você acha que as pessoas vão fazer? 
 
 
A gente... E foi sem combinação nem ninguém entendia o que se fizesse: todos, de uma vez, de 
dó do Sorôco, principiaram também a acompanhar aquele canto sem razão. E com as vozes tão 
altas! Todos caminhando, com ele, Sorôco, e canta que cantando, atrás dele, os mais de detrás 
quase que corriam, ninguém deixasse de cantar. Foi o de não sair mais da memória. Foi um 
caso sem comparação. 
A gente estava levando agora o Sorôco para a casa dele, de verdade. A gente, com ele, ia até 
aonde que ia aquela cantiga. (8:48 - 9:40) 
 
71. O que aconteceu? 
72. Por que as pessoas cantaram com Sorôco? 
 
 
 
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73. O que você acha que isso significa? 
74. Aquela cantiga iria até onde? O que quer dizer “A gente, com ele, ia até aonde que ia aquela 
cantiga”? 
75. As pessoas fizeram o que você pensou que elas iam fazer? 
76. Esse foi o fim que você imaginou para a história? 
 
PARTE III - Refletindo com o texto 
 
1. A partir do conto de Guimarães Rosa, vamos refletir sobre alguns aspectos do que foi visto? 
a) Qual é o tema central dessa história? 
A temática central da história se relaciona à “loucura” ou àquilo que era considerado como “louco” 
à época da narrativa, quando foi publicada em 1962, no livro Primeiras Estórias. 
 
b) Qual foi o tratamento sugerido para os “problemas” relacionados às duas mulheres? 
Para resolver os transtornos de “loucura” apresentados pela mãe e pela filha de Sorôco, 
recomendou-se a internação delas em uma instituição psiquiátrica. 
 
c) Que elementos caracterizavam as duas mulheres como “loucas”? 
Em relação à filha, a forma como ela se vestia era considerada “matéria de maluco” (“Assim com 
panos e papéis, de diversas cores, uma carapuça em cima dos espalhados cabelos, e enfunada em 
tantas roupas ainda de mais misturas, tiras e faixas, dependuradas virundangas: matéria de 
maluco.”). Quanto à mãe, a apatia em seu comportamento também preocupava Sorôco ("Ela não faz 
nada, seo Agente..." — a voz de Sorôco estava muito branda: — "Ela não acode, quando a gente 
chama..."). Além disso, a cantoria inesperada das duas mulheres na estação também configurava um 
indício dessa “loucura”. 
 
d) Você acha que a mãe e a filha de Sorôco eram realmente “loucas”? Por quê? 
Professor(a), esta resposta vai variar de acordo com as percepções dos alunos sobre o texto. Pode-se 
levantar a discussão sobre comportamentos que fogem do “padrão” esperado das pessoas, que 
acabam sendo taxadas como “anormais”, “loucas”. “diferentes”. Mas o texto aponta que elas são 
loucas e, por isso, estavam sendo levadas para Barbacena, cidade de Minas Gerais cujo epíteto é 
"Cidade dos Loucos" devido à quantidade de instituições psiquiátricas que funcionavam por lá (como 
o Hospital Colônia, fundado em 1903), sendo que algumas delas se tornaram referências nacionais. 
No entanto, condições desumanas no tratamento de pacientes foram descobertas e tornadas públicas 
a partir dos anos 1960. 
 
e) O que você acha do tratamento que as duas mulheres receberam? Como essas mulheres 
seriam tratadas hoje? 
A internação em manicômios foi por muito tempo o tratamento dado para pessoas consideradas 
loucas. Hoje em dia sabemos que há muitos outros tratamentos com remédios ou variadas terapias. 
Não há uma resposta certa ou errada. Os alunos vão se posicionar e buscar argumentos que sustentem 
o posicionamento escolhido por eles. 
 
 
 
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f) O conto faz alguma crítica à forma como nossa sociedade tratava a loucura? 
Sim, a loucura foi apresentada como uma situação sem tratamento e que perturbava a vida das 
pessoas “normais”. Mas, por outro lado, as pessoas acabaram se solidarizando com a dor de Sorôco, 
o que relativiza essa visão da sociedade como perversa. 
 
Explorando o vídeo 
 
1. O que a música te lembra? A música de fundo influencia as emoções de quem assiste? 
O filme se inicia com uma música instrumental animada, com percussão, flauta e cordas. Logo o ritmo 
se torna um baião, com um triângulo mais marcante. Quando surgem os personagens principais, a 
música se torna mais dramática, intensa e triste - inclusive com a interrupção da percussão. Ao falar 
da filha, uma flauta se torna alegre, animada, acompanhando inclusive as notas musicais que 
aparecem na animação. Logo a música retoma o ritmo nordestino, com maior complexidade (com 
piano e chocalho). Quando a narração menciona "enterro", uma marcha fúnebre é rapidamente 
tocada, mas logo em seguida a música continua. Quando Sorôco é descrito, a música se torna 
novamente mais dramática, enfatizando violinos e outros instrumentos de corda. Quando a filha e a 
mãe chegam ao trem, a música é interrompida. A cantoria da filha, no entanto, faz com que a flauta 
animada retorne, mais uma vez acompanhada pela partitura no vídeo. Quando a mãe começa a 
cantar, mais instrumentos passam a compor esse trecho alegre. A proximidade da partida do trem 
interrompe mais uma vez a música, que retorna dramática, intimista, só com um violão e violino. 
Quando a cantoria da mãe e da filha, já no interior do trem, é mencionada mais uma vez, a flauta 
retoma de novo o ritmo mais alegre, logo silenciado pela solidão de Sorôco, cujos sentimentos são 
enfatizados por um violão solitário, intimista, em seguida acompanhado por instrumentos de corda. 
O momento final do conto traz de novo o tom alegre da música, o baião. 
 
2. Como é a paisagem que aparece no vídeo? Que vegetação é aquela? Qual é o clima daquele 
lugar? O que te leva a pensar assim? Onde você acha que se passa a história? 
A paisagem é seca, com poucas plantas, clima árido, quente. É a paisagem do sertão, podendo se 
referir tanto ao norte de Minas Gerais quanto ao interior da Região Nordeste do Brasil. As cores do 
vídeo remetem a uma vegetação escassa, ao calor