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Doenças exantemáticas

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1 SANNDY EMANNUELLY – 6º PERÍODO 2021.1 
marc – doenças exantemáticas na infância 
OBJETIVO 1: CONHECER AS PRINCIPAIS DOENÇAS 
EXANTEMÁTICAS DA INFÂNCIA, SEU DIAGNÓSTICO E 
TRATAMENTO. 
DEFINIÇÃO 
- Doença infecciosa nas quais a erupção cutânea é a 
característica dominante, mas geralmente também 
apresentam manifestações sistêmicas. 
- A análise do tipo de lesão, dos sinais e sintomas 
concomitantes e a epidemiologia permite inferir o diagnóstico 
etiológico sem a necessidade de exames laboratoriais. 
- Os eritemas são alterações vasculares transitórias 
avermelhadas/róseas com duração e apresentação variada a 
depender do elemento causal e, quando presente nas 
mucosas, essa alteração vascular é chamada de enantema. 
- Na infância é recorrente o acometimento por patologias que 
levam ao surgimento de erupções cutâneas eritematosas 
disseminadas, também conhecidas como exantema (quando 
o eritema se estende por áreas extensas) ou rash cutâneo. 
- A maioria das doenças exantemáticas são causadas por vírus. 
A grande maioria das doenças são viroses, mas também 
podem ser causadas por bactérias, outros agentes infecciosos 
ou não, como doenças reumatológicas. 
- Os principais tipos de lesões elementares dentro do contexto 
das doenças exantemáticas são: 
 
 
- Os microrganismos podem causar erupção cutânea por 
diversos mecanismos: por invasão e multiplicação direta na 
pele (varicela, herpes simples), por ação de toxinas 
(escarlatina e infecção estafilocócica), por ação 
imunoalérgica (maioria das viroses exantemáticas) ou por 
dano vascular causando obstrução e necrose da pele 
(meningococemia). 
- Com isso, pode-se dividir as apresentações exantemáticas em 
3 tipos básicos de exantema: o maculopapular (manchas 
vermelhas e manchas vermelhas elevadas – mais comum) e 
papulovesicular (manchas vermelhas que evoluem para 
pápulas, ficam elevadas e depois evoluem para vesículas- 
bolhas que estouram e viram crostas) e o petequial (decorre 
de alterações vasculares, fica roxo e preto pois há 
extravasamento sanguíneo para a pele e leva para necrose – 
não desaparece há digitopressão). 
- Estes, têm características próprias em cada doença, mas é 
possível agrupar qual está mais relacionado a determinada 
etiologia: 
 
- Das patologias listadas acima, sarampo, rubéola e varicela 
são preveníveis por vacina, o que mudou o panorama quanto 
à incidência destas doenças no Brasil já que tais vacinas fazem 
parte do esquema de imunizações preconizadas pela 
Sociedade Brasileira de Imunizações. 
- A vacina quádrupla viral protege a criança contra os vírus do 
sarampo+rubéola+caxumba+varicela e 1ª dose deve ser dada 
aos 12 meses e a 2ª dose aos 15 meses, não havendo esta 
vacina, pode ser dada a tríplice viral 
(sarampo+rubéola+caxumba) e, em administração separada, 
no mesmo dia, ser aplicada a dose da varicela. 
- Recomenda-se ainda um reforço da varicela aos 4 anos de 
idade. 
- Em caso de surto ou exposição domiciliar ao sarampo antes 
dos 12 meses de vida, a 1a dose pode ser aplicada a partir dos 
6 meses de idade, em seguida, deve ser administrada aos 12 e 
15 meses as doses previamente preconizadas. 
 
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL 
- Apesar da similaridade de alguns quadros nas doenças 
exantemáticas, outros possuem quadro clínico típico ou 
alguma peculiaridade que já permite um direcionamento 
diagnóstico. 
- Para identificar os quadros clínicos típicos e peculiaridades é 
preciso realizar uma boa anamnese que englobe: faixa etária 
da criança (doenças mais comuns em certas idades), 
calendário vacinal, tempo início e progressão do exantema, 
sazonalidade (doenças mais comuns em certos períodos), 
presença de sinais/sintomas prodrômicos e manifestações 
clínicas associadas (mucosas, febre, sintomas de vias aéreas 
superiores). 
 
2 SANNDY EMANNUELLY – 6º PERÍODO 2021.1 
- Além disso, um bom exame físico deve ser capaz de 
caracterizar bem o exantema e outras lesões em pele e 
mucosas associadas, bem como outros sinais clínicos que 
ajudam a fechar o diagnóstico. 
 
 
SARAMPO 
- O sarampo é uma doença exantemática viral extremamente 
contagiosa que pode evoluir para óbitos em crianças < 1 ano 
e desnutridas. 
- Em 2016, a OMS considerou as Américas livres da circulação 
do sarampo e, desde então o Brasil em fase de eliminação 
autóctone do vírus tanto do sarampo, quanto da rubéola. 
O sarampo é uma doença de notificação compulsória, 
devendo ser preenchida a respectiva ficha de 
Notificação/Investigação de Doenças Exantemáticas Febris 
Sarampo/Rubéola mesmo que o caso seja suspeito. Além disso, 
as respectivas Secretarias Municipais e Estaduais devem ser 
informadas no máximo em 24h do caso. 
- Sazonalidade: verão e primavera. 
- Mecanismo de transmissão: Através de secreções 
nasofaríngeas expelidas ao tossir, falar, espirrar por meio de 
aerossóis com partículas virais que ficam no ar. Gotículas. Taxa 
de ataque: 90% 
- Período de incubação e de transmissão: O período de 
incubação varia de 8-12 dias da data de exposição ao início 
do quadro exantemático. O período de transmissibilidade 
ocorre 6 dias antes e 4 dias após o exantema, sendo o pico de 
transmissão 2 dias antes e 2 dias depois do início do exantema. 
QUADRO CLÍNICO 
- No período prodrômico ocorre febre leve > 38,5 °C, tosse 
inicialmente seca, coriza, conjuntivite não purulenta, fotofobia, 
na região da orofaringe é possível notar enantema e, na altura 
do terceiro molar surgem as manchas de Koplik: manchas 
brancas/amareladas na mucosa oral. 
- Fácies sarampenta: respira pela boca, manchas 
exantemáticas. 
 
- A mancha de Koplik é um sinal patognomônico de sarampo. 
Elas surgem 1-2 dias antes do exantema e desaparecem 2-3 
dias após. 
 
- Cerca de 2-4 dias após o início do quadro intensifica-se 
aquele quadro inicial, o paciente fica prostrado e surge o 
exantema maculopapular morbiliforme, ou seja, existem áreas 
de pele livre de lesão entre as lesões. Dura 1 semana e vai 
desaparecendo e apresenta uma pequena descamação 
furfurácea. 
 
- Este exantema tem progressão cefalocaudal (região retro 
auricular (atrás do pavilhão auricular – pescoço – face – tronco 
– extremidades). 
- O sarampo pode apresentar complicações sobretudo em 
menores de 1 ano, adultos maiores de 20 anos e pessoas com 
comorbidades (desnutrição, deficiência de vitamina A ou 
imunodeficiência). 
 
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- A persistência ou retorno da febre por mais de 3 dias após o 
início do exantema deve ser um sinal de alerta. 
- Dentre as complicações a mais comum é a otite média 
aguda, mas a pneumonia é a complicação responsável por 
maior morbi/mortalidade nas crianças. 
- Além disso, algumas crianças apresentam convulsão febril 
acompanhada ou não de sinais de irritação meníngea e 
hipertensão intracraniana como sinais de encefalite após o 
sarampo, causada por um processo imunológico após a 
respectiva infecção. 
- Ocorre também uma encefalite causada pelo sarampo onde 
o vírus ao atingir o sistema nervoso central (SNC), meses após o 
sarampo, pode acarretar epilepsia focal, perda auditiva, 
progressão para coma e até mesmo óbito. 
- Outra complicação é a panencefalite esclerosante 
subaguda (PEES) a qual pode ocorrer meses e até 10 anos após 
o quadro inicial do sarampo, com piora progressiva das 
funções motoras e cognitivas, convulsões e até morte. 
DIAGNÓSTICO 
- O diagnóstico é clinico, mas todos os casos suspeitos de 
sarampo devem ser submetidos a exames sorológicos para 
identificação de IgM e IgG do vírus em amostras de soro, urina 
e swabs de naso e orofaringe. 
- Leucopenia e linfopenia, VHS e PCR normais, Fase aguda IgM 
elevados e na fase de convalescença IgG alto. 
- A identificação do vírus tem como objetivo conhecer o 
genótipo do mesmo para diferenciar um caso autóctone de 
um importado e diferenciar o vírus selvagem do vacinal, já que 
a vacina