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CRYPTOCOCCUS

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CRYPTOCOCCUS
DOENÇAS INFECCIOSAS
A criptococose é uma doença de importância na saúde pública, como também na saúde dos animais, causada por uma levedura encapsulada (fungo) chamado cryptococcus.
Característica marcante apresentada é a presença da melanina, dando coloração marrom na colônia. 
É destacado a importância do uso dos EPI’S pelos profissionais em veterinária quando frente a uma agente como este, pois morte de alguns profissionais já ocorreram pelo não uso/mal uso dos equipamentos em necropsia ou para processar material por exemplo.
· Taxonomia:
É pertencente ao Reino Fungi, Filo Basidiomycota, Ordem Filobasidiales, Família Filobasidiaceae e Gênero Cryptococcus.
Há dois complexos de espécies, o complexo de espécies Cryptococcus neoformans e complexo de espécies Cryptococcus gattii. 
O complexo de espécies C. neoformans possui duas variedades: Cryptococcus neoformans variedade grubii (sorotipo A) e Cryptococcus neoformans variedade neoformans (sorotipo D).
Já o complexo de espécies C. gattii possui sorotipo B e C.
· Agente etiológico:
Fungos leveduriformes, variando de 3-8 micrometros, globosos e ovalados. Pelo mundo é conhecido por outros nomes: Tolurose, blastomicose, doença de busse e buschke.
· Fatores de virulência: Influnciam na patogenicidade do microorganismo. 
· Termotolerância:
Capacidade de crescimento em temperaturas fisiológicas, ou seja, tem diversos genes, principalmente o da “calcinerina A” que permite que se adapte a temperatura de 37°c (temperatura fisiológica). Se houver inibição desse gene, cresce somente a 24°c.
Há mais de 20.000 espécies de fungos, mas poucos estão aptos para causar doença (inferior a 0,01% aptos) justamente por essa sensibilidade a temperatura de 37°c.
· Síntese de melanina:
Se dá pela presença da enzima difenoloxidase. É importante para este fungo pois atua como um escudo protetor contra o sistema imunológico. Além disso faz proteção contra fagocitose, raios UV (conseguindo permanecer mais tempo no ambiente), se adapta a altas temperaturas, ao congelamento e descongelamento e tem resistência a fungicidas.
Aguenta climas tropicais, subtropicais e temperado devido seus fatores de virulência. 
· Cápsula mucopolissacarídica:
Atua diretamente com a celula do hospedeiro, causando mudanças imunigênicas durante a infecção que é capaz de fazer com que ele se adapte e sobreviva no hospedeiro. Uso de artificos para que muitas vezes não seja identificado ou para permanecer dentro dos macrófagos se proliferando. 
Está presente nos isolados do meio ambiente. Consegue proteger as células de uma desidratação.
O componente polissacarídeo capsular inibe a fagocitose, absorve e neutraliza anticorpos protetores, inibe a quimiotaxia de neutrófilos.
Há genes necessários para biossíntese da cápsula: CAP59, CAP60 e CAP64. A detecção de alguns destes genes pode resultar em cepas mutantes acapsulada e avirulenta.
· Produção de enzimas:
Importantes para invadir sistema do hospedeiro.
- Fosfolipase A: Permite a proliferação e sobrevivência dentro do macrófago; está relacionada ao tamanho da capsula e a habilidade de crescimento a 37°c; digere membranas celulares e promove lise celular (destrói susbstâncias surfactantes nos pulmões facilitando a adesão da levedura). Alguns estudos indicam que os Cryptococcus conseguem fazer variação no tamanho da capsula, e quanto maior ela, dificulta ação do macrófago.
- Proteinases: Evasão do sistema imunológico; degradam tecidos; destroem proteínas imunológicas que seriam essencias para a proteção do organismo.
- Ureases: Hidrolisa a ureia para amônia e carbamato, e resulta em aumento do PH, que causa injúria tecidual e permite a sobrevivência da levedura (compromete a função das células endoteliais, permitindo atravessar a barreira hematoencefálica). Desse modo, também tem predileção pelo sistema nervoso central, podendo ocorrer formação de criptococomas que são aglomerações de Cryptococcus no SN.
· Ciclo de vida:
Se tem reprodução sexuada e assexuada. A fase assexuada é anamórfica onde se verifica brotamento único ou duplo denominado de blastoconideos. A forma haploide é o que ocorre nesses casos, sendo o que está presente na maioria dos isolados clínicos e ambientais.
Já a fase sexuada ou teleomórfica é importante para questão de variabilidade genética pois permite o cruzamento de cepas de tipos sexuados mating type A e alfa, que geram os basidiosporos. É uma reprodução que permite troca de material genético. Essa troca pode gerar maior resistência a agentes antifúngicos devido alteração da virulência (pode gerar cepas cada vez mais virulentas). O cruzamento sexuado tem potencial de influenciar a trajetória evolutiva e consequentemente na maior produção de esporos infecciosos.
· Patogenia:
É adquirido por inalação de propágulos infecciosos que estão presentes no ambiente. O animal ou humano que está positivo o elimina no ambiente e do ambiente outro animal ou humano inala, havendo dessa forma a transmissão, não ocorre de forma direta.
A evolução normalmente é subaguda ou crônica, podendo demorar meses para desenvolver, pois muitas vezes o Cryptococcus fica latente dentro do organismo. O gattii está mais relacionado a indivíduos que não são imunossuprimidos, podendo ficar latente em seu organismo que está imunocompetente, e havendo imunossupressão pode vir a se desenvolver. 
Os pombos são os principais vetores, onde podem se manter vivo por período superior a dois anos em excretas desses animais. 
O curso da infecção depende muito do sistema imune do hospedeiro e da virulência da cepa. 
Em imunocomprometidos serão casos mais severos e são os que terão progressão da doença maior.
A presença de esporos infecciosos está em solos, ocos de árvores, fezes de pombos e de outros pássaros também não necessariamente só em pombos. Esses esporos são inalados, se instalam nos pulmões, destruindo a substancia surfactante para se instalar e proliferar. Além disso se prolifera dentro de macrófagos. Posteriormente atinge a corrente sanguínea causando fungemia. A partir da fungemia, tem atratividade pelo SNC, conseguindo atravessar sua barreira.
Predileção pelo SNC: O neutropismo contribui para a evasão do sistema imune do hospedeiro, não tendo ação das células do sistema imune, permanecendo ali se proliferando. O SN tem nutrientes como a tiamina, ácido glutâmico, glutamina, minerais, dopamina e carboidratos que fazem essa atração, além das catecolaminas existentes nesse SN, que serve de substrato para a enzima fenoloxidase, que a converte em melanina, protegendo o agente da atividade antioxidante.
Há três mecanismos para atravessar a barreira hematoencefálica e atingir o SNC:
- Cavalo de troia: É quando a levedura consegue transitar para outros tecidos no interior da célula do hospedeiro, não se expondo ao sistema imune, permanecendo latente no interior da célula, não é destruído. Já foi descrito em diversos fagócitos mononucleares, como macrófagos pulmonares, monócitos circulantes e micróglia. 
- Transferência lateral: Fagócitos infectados transferem a levedura para o interior de células endoteliais dos capilares da barreira hematoencefálica. O macrófago acaba sendo destruído pela grande expansão que sofre devido grande quantidade de leveduras em seu interior. 
- Direto: Células fúngicas ultrapassam sozinhas as células endoteliais e assim atingem o tecido cerebral.
· Epidemiologia:
Tem distribuição mundial (cosmopolita), presente em vários nichos como substratos orgânicos, habitats relacionados a excretas de aves e fezes de morcegos, ninhos de vespa, frutas e sucos de frutas fermentados, solo e vegetais em decomposição e ocos e casca de várias espécies de árvores. Estudos relatam já terem sido encontrados em bibliotecas. Dessa forma, presente em qualquer ambiente.
· Complexo de espécies C. neoformans:
Relatos são de fezes de pombos em ambientes, locais de aglomeração de pombos. 
É caracterizado como patógeno oportunista. 
No Brasil as regiões do sudeste e sul estão relacionados com C. neoformans variedade grubii sorotipo A mais prevalente, seguido