A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
6 pág.
Psicopatia e Lei Brasileira

Pré-visualização | Página 1 de 2

O TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ANTISSOCIAL E A LEI BRASILEIRA
O transtorno de personalidade antissocial é um transtorno de personalidade reconhecido pela Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da saúde (CID-10). Embora seja dado como um transtorno, no sistema jurídico, essa condição é alvo de um grande dilema quanto a questão de culpabilidade e imputabilidade, em específico ao que se refere ao artigo 26 do Código Penal. 
Sabe-se que não há uma lei específica que dê suporte a essas pessoas. Com isso, falta para elas um tratamento capaz de analisar se seus crimes são imputáveis, ou semi-imputável ou que procedimento oferecer a eles, se é possível ou não a reinserção social.
Esse dilema tentará ser compreendido através desse trabalho, de forma que se dissecará a relação do transtorno de personalidade antissocial com a questão jurídica que se coloca quanto ao proceder do artigo 26 do Código Penal Brasileiro.
1. O TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ANTISSOCIAL 
Os indivíduos com personalidade antissocial, também conhecidos como sociopatas ou psicopatas, possuem a habilidade de mentir, trapacear, roubar, manipular e agredir os outros. Quando são expostos ao crime que cometeram, demonstram pouco ou nenhum remorso por terem causado danos e sofrimentos aos que estão ao seu redor. 
Muitas questões são levantadas quanto a imputabilidade de um criminoso que apresente este transtorno, como a regeneração dele, as características que o difere de outros, os aspectos psicológicos e jurídicos que possam ou não o condenar e se esta pessoa pode ser reinserida ao convívio social. 
O desenvolvimento desse transtorno é multifatorial, mas parece ter causas principalmente genéticas. O ambiente no qual o indivíduo se desenvolve também oferece uma parcela de contribuição no desenvolvimento do transtorno. 
O psicopata é considerado bastante inteligente. E, embora não seja uma característica sua, pode demonstrar uma certa empatia, mas com o intuito final de manipular o outro. Percebe as emoções do outro, mas não consegue se conectar com elas. Utilizam de várias ferramentas, a fim de se beneficiar de maneira manipulativa e dissimulada das situações e das pessoas.
2. ETIOLOGIA DO TRANSTORNO DE PERSONALIDADE 
Não é correto afirmar que uma pessoa já nasce com esse transtorno, ou se a sua origem se dá devido a problemas de socialização, ou apenas genético. Robert Hare, psicólogo canadense, diz que ninguém nasce sendo um psicopata, mas nasce sim com tendências para a psicopatia, que podem ou não aflorar ao longo da existência do indivíduo.
	De acordo com a Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde (CID 10), as pessoas portadoras de psicopatia, são conceituadas como portadoras de “Transtorno da Personalidade Antissocial”, apresentando grave perturbação da constituição caracterológica e das tendências comportamentais do indivíduo, envolvendo várias áreas da personalidade, e geralmente está ligada a ruptura pessoal e social. Aparece geralmente no final da infância ou na adolescência e permanece na vida adulta.
O ambiente pode influenciar em alguns casos no desenvolvimento. Assim as crianças podem apresentar comportamento favorável a desenvolver o transtorno, para que ele não se desenvolva é necessário que o ambiente em que essa criança está inserida seja saudável, com valores morais e éticos adequados. Mas, em muitos casos não há solução, e como a sociedade tem uma visão que a criança é inocente e pura, normalmente não se acredita que elas possam fazer barbaridades contra outras pessoas, sendo muito difícil diagnosticar uma criança com transtorno de personalidade antissocial, o que se costuma ressaltar são suas tendências que são reconhecidas no transtorno de conduta, até que se atinja a maioridade e estabeleça a evolução do seu transtorno. 
3. O INDIVÍDUO COM TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ANTISSOCIAL E A VIOLÊNCIA
	Como já foi dito antes, há fatores genéticos e ambientais que contribuem para o desenvolvimento do Transtorno da personalidade antissocial, e são esses fatores os responsáveis por determinar se o indivíduo será violento ou agir de modo criminoso. Em alguns casos, já na infância a criança apresenta perversidade com animais, falta de afeto para com a família e são mentirosas, chegando até a cometerem atos bárbaros, não sentem medo de serem pegos, as punições não são eficientes pois não aprendem e as execuções de seus crimes geralmente segue um modo operante, desafiando a lei por serem extremamente inteligentes, zombam das autoridades e sempre deixam pistas de seus crimes, justamente por confiarem de que nunca serão pegos.
4. CULPABILIDADE E IMPUTABILIDADE
A culpabilidade é compreendida como uma prática antijurídica realizada por um indivíduo e condenada pela sociedade. No estado da culpabilidade, investiga-se o sujeito deve ou não deve ser punido pelo crime cometido.
Já a imputabilidade diz respeito a capacidade de entendimento do agente que conduz o ato de delito, se ele no ato cometido estava em suas condições normais, em termos físicos, psíquicos e biológicos. A partir do momento em que se detecta a ausência de imputabilidade, a pessoa necessariamente deve possuir um transtorno mental, ou um desenvolvimento mental incompleto, ou desenvolvimento mental retardado, ou ainda, estar em embriaguez proveniente de uma força maior.
Nesse sentido, o Código Penal via artigo 26 versa que: é isento de pena o agente que, por doença mental, ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. (BRASIL, 2013). 
Importante ressaltar que a imputabilidade deve ser provada por perícia técnica, e até mesmo pode ser reduzida, a depender das condições em que se comete o crime. 
Nesse sentido, no que se refere aos indivíduos com Transtorno de Personalidade Antisssocial (vulgo psicopatas), o TJ/MG se posiciona a respeito da questão da imputabilidade e culpabilidade: 
TJ/MG Decisão: O relativamente incapaz não se beneficia da causa de isenção de pena; apenas terá sua pena diminuída de acordo com o art. 26 do CP. “Os psicopatas, as personalidades psicopáticas, os portadores de neuroses profundas etc. em geral... têm capacidade de entendimento e determinação, embora não plena. Estão na mesma categoria legal os que possuem o desenvolvimento mental incompleto, mas que atingiram certo grau de capacidade psíquica de entendimento e autodeterminação de acordo com as regras sociais” [...] ((MINAS GERAIS, Tribunal de Justiça, Recurso em sentido estrito n.1.0407.04.005118-4/001, Relator: Renato Martins, 2009).
	No entanto, não há um consenso no que se refere a condução da jurisprudência nesse tipo de caso. Para alguns juristas a redução de pena é algo facultativo e até mesmo semi-imputável já que eles não respondem totalmente por seus atos, enquanto para outros tais indivíduos deveriam responder plenamente, já que os mesmos podem possuir discernimento de suas ações.
5. CASOS MIDÍATICO E AS IMPLICAÇÕES JURÍDICAS
5.1 CASO DE CARLOS SUDFEL
Carlos Sudfel (mais conhecido como Cadu) é um indivíduo de classe média, sempre estudou em ótimas escolas e nunca apresentou histórico de agressividade ou abuso.
Em determinada circunstância ele se uniu a Glauco, um amigo e fundador do instituto Céu de Maria para a realização de um ritual da seita Santo Daime, cujo elemento principal da reunião consiste no consumo de chá com ervas alucinógenas. Após esse ritual, ele passou a ter um comportamento extremamente bizarro e agressivo.
Cadu atirou em Glauco, ameaçou a irmã do mesmo e depois fugiu, passando dois dias escondidos na mata. Há relatos que depois de fugir, tenha furtado um carro, furou um bloqueio policial e trocou tiros com policiais na fronteira Ponte da Amizade, em Foz de Iguaçu.
A princípio, Cadu foi diagnosticado com esquizofrenia, quando então se submeteu a um tratamento em uma clínica psiquiátrica em Goiânia, onde mora sua família. Em 2013, ele voltou para casa. Mas logo