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FILOSOFIA-E-POLITICAS-EDUCACIONAIS

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1 
 
SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 3 
2 INTRODUÇÃO À FILOSOFIA ..................................................................... 4 
3 CONCEPÇÕES DE HOMEM ...................................................................... 7 
3.1 Concepção metafísica .......................................................................... 8 
3.2 Concepção naturalista .......................................................................... 8 
3.3 Concepção histórico social ................................................................... 8 
4 A TRANSFORMAÇÃO DO HOMEM ATRAVÉS DA FILOSOFIA ............... 9 
5 PERÍODOS DA FILOSOFIA ..................................................................... 13 
5.1 A busca de uma explicação ................................................................ 14 
6 FILOSOFIA OCIDENTAL .......................................................................... 16 
7 FILOSOFIA PRÉ-SOCRÁTICA ................................................................. 18 
8 FILOSOFIA CLÁSSICA............................................................................. 20 
9 FILOSOFIA MEDIEVAL ............................................................................ 22 
10 FILOSOFIA MODERNA ......................................................................... 24 
11 ÉTICA .................................................................................................... 25 
11.1 A Ética na Filosofia ............................................................................. 26 
12 MORAL .................................................................................................. 27 
13 POLÍTICAS EDUCACIONAIS ................................................................ 28 
14 AS POLÍTICAS DA INFÂNCIA E DA ADOLESCÊNCIA NO BRASIL .... 31 
15 INCLUSÃO: ESCOLA PARA TODOS ................................................... 35 
16 AS REFORMAS DA EDUCAÇÃO: POLÍTICAS DE RESULTADOS E O 
MODELO DE MERCADO.......................................................................................... 39 
16.1 Quadro I: Médias a serem atingidas pelas escolas públicas no IDEB e 
no PISA até 2021 ................................................................................................... 46 
 
2 
 
17 O IDEB NO CONTEXTO DAS AVALIAÇÕES EM LARGA ESCALA NAS 
ESCOLAS PÚBLICAS BRASILEIRAS ...................................................................... 48 
18 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................... 52 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
1 INTRODUÇÃO 
Prezado aluno! 
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante 
ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - 
um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma 
pergunta , para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum 
é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a 
resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas 
poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em 
tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa 
disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das 
avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que 
lhe convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser 
seguida e prazos definidos para as atividades. 
 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
2 INTRODUÇÃO À FILOSOFIA 
 
Fonte: Google.com 
 
De acordo com SCARIOTTO (2007) a filosofia trata da realidade não a partir 
de recortes, mas do ponto de vista da totalidade. A visão da filosofia é de conjunto, de 
entendimento do problema, não de modo parcial, mas relacionando cada aspecto 
observado outros do contexto em que está inserido. A Filosofia não faz juízos de 
realidade, como a ciência, mas juízos de valor. Isto significa que filosofar é ir além do 
que é, é buscar entender como deveria ser, julgar o valor da ação, ir em busca do 
significado Filosofia propriamente surge quando um pensar torna-se objeto de uma 
reflexão. Podemos então conceituar a filosofia como uma reflexão sobre os problemas 
que a realidade apresenta. 
“A filosofia não é, de modo algum, uma simples abstração independente da 
vida. Ao contrário ela é a própria manifestação humana e sua mais alta 
expressão(...) A filosofia traduz o sentir, o pensar e o agir do homem. 
Evidentemente, o homem não se alimenta da filosofia, mas sem dúvida 
nenhuma, com a ajuda da filosofia” (BRANGATTI,1993, apud 
SCARIOTTO,2007, p.12). 
Este ramo do conhecimento que pode ser caracterizado de três modos: seja 
pelo conteúdo ou temas tratados, seja pela função que exerce na cultura, seja pela 
forma como trata tais temas. Com relação aos conteúdos, contemporaneamente, a 
Filosofia trata de conceitos como o bem, beleza, justiça, verdade. Mas, nem sempre 
a Filosofia tratou de temas selecionados, como os indicados acima. Inicialmente, na 
 
5 
 
Grécia, a Filosofia tratava de todos os temas, já que até o séc. XIX não havia uma 
separação entre ciência e filosofia, incorporava todo o saber (SENEDA, 2009). 
No entanto, a Filosofia inaugurou um modo novo de tratamento dos temas a 
que passa a se dedicar, determinando uma mudança na forma de conhecimento do 
mundo até então vigente. A filosofia em sua trajetória histórica procura resposta as 
questões percebidas e a cada época são respondidas a partir de diferentes reflexões 
que constituem correntes ou escolas de pensamentos. Platão (427-347a.C) e 
Aristóteles (384-322 a.C) deram à filosofia uma de suas melhores definições. Eles 
viram a filosofia como um discurso admirado e espantado com o mundo. A filosofia 
faz, na concepção tradicional que aparece em Platão e Aristóteles, ou seja, põe certas 
perguntas que nos obrigam a olhar o banal como não mais banal. A filosofia, então, é 
o vocabulário com o qual desbanalizamos o banal. Tudo com o qual estamos 
acostumados torna-se motivo para uma suspeita, tudo que é corriqueiro fica sob o 
crivo de uma sentença indignada, e então deixamos de nos aceitar como 
acostumados com as coisas que até então estão estávamos acostumados. 
A maioria das definições de filosofia são razoavelmente controversas, em 
particular quando são interessantes ou profundas. Esta situação deve-se em 
parte ao fato de a filosofia ter alterado de forma radical o seu âmbito no 
decurso da história e de muitas das investigações nela originalmente 
incluídas terem sido mais tarde excluídas (ARANHA, 1996, apud 
SCARIOTTO,02007, p.12). 
Velasco e Braga (2014) afirma que a filosofia consiste em pensar sobre o 
pensamento. Isto permite-nos sublinhar o caráter de segunda ordem da disciplina e 
tratá-la como uma reflexão sobre gêneros particulares de pensamento, formação de 
crenças e de conhecimento, sobre o mundo ou porções significativas do mundo. Uma 
definição mais pormenorizada, mas ainda assim incontroversa e abrangente, é que a 
filosofia consiste em pensar racional e criticamente, de modo mais ou menos 
sistemático sobre a natureza do mundo em geral (metafísica ou teoria da existência), 
a justificação de crenças (epistemologia ou teoria do conhecimento), e a conduta de 
vida a adaptar (ética ou teoria dos valores). 
Cada um dos três elementos listados possui uma contraparte não filosófica, da 
qual se distingue pelo seu modo de proceder explicitamente racional e crítico e pela 
sua natureza sistemática. Todos nós temos uma concepção geral sobre a natureza 
do mundo em que vivemos e do lugar que nele ocupamos. A metafísica interroga-se 
 
6 
 
sobre ospressupostos que sustentam acriticamente estas concepções recorrendo a 
um conjunto organizado de crenças (VELASCO; BRAGA, 2014). 
[...] ocasionalmente, duvidamos e questionamos crenças, não só as nossas 
como as alheias, e fazemos com mais ou menos sucesso sem possuirmos 
uma teoria acerca do que fazemos”. (CHAUÍ, 1985, apud SCARIOTTO,2007, 
p.14). 
Também orientamos as ações com vista a objetivos e fins que valorizamos. A 
ética, ou filosofia moral, no sentido mais inclusivo, pretende articular, de uma forma 
racional e sistemática, as regras ou princípios subjacentes. (Na prática, a ética tem-
se restringido aos aspectos morais da conduta e, em geral, tem tendência para ignorar 
a maioria das ações que praticamos em virtude de critérios de eficiência ou prudência, 
como se fossem demasiado básicos para justificarem um exame racional) 
(SCARIOTTO, 2007). 
Os primeiros filósofos reconhecidos, os pré-socráticos, eram sobretudo 
metafísicos preocupados em estabelecer as características essenciais da 
natureza no seu todo. Platão e Aristóteles escreveram penetrantemente 
sobre metafísica e ética; Platão sobre o conhecimento; Aristóteles sobre 
lógica (dedutiva), a técnica mais rigorosa para justificar crenças; estabeleceu 
as suas regras de uma forma sistemática e manteve intacta a sua autoridade 
durante mais de 2000 anos. Na Idade Média, ao serviço do cristianismo, a 
filosofia apoiou-se primeiramente na metafísica de Platão, e em seguida na 
de Aristóteles, com o propósito de defender crenças religiosas. No 
Renascimento, a liberdade de especulação metafísica ressurgiu; na sua fase 
tardia, com Bacon e, de um modo mais influente com Descartes e Locke, 
dirigiu-se para a epistemologia com o objetivo de ratificar e, tanto quanto 
possível, acomodar a religião e os novos desenvolvimentos das ciências 
naturais (CUNHA,1992, apud SCARIOTTO,2007, p.15). 
Ainda de acordo com o autor diferentes partes da filosofia, e diferentes 
elementos que compõem nossa visão de mundo, deveriam integrar-se. Sendo assim, 
conceitos à primeira vista muito distanciados podem vir a afetar de modo vital outros 
conceitos que envolvem mais de perto a vida diária. A filosofia merece ser valorizada 
por si própria, e não por seus efeitos indiretos de ordem prática. E a melhor maneira 
de assegurarmos esses bons efeitos práticos é nos dedicarmos em encontrar a 
verdade, buscando-a desinteressadamente. 
 
 
7 
 
3 CONCEPÇÕES DE HOMEM 
Fonte: Google.com 
 
O que é o homem? É esta a primeira e principal pergunta da filosofia. (...) Se 
pensamos nisto, a própria pergunta não é uma pergunta abstrata ou “objetiva”. Nasceu 
daquilo que refletimos sobre nós mesmos e sobre os outros e queremos saber, em 
relação do que refletimos e vimos, o que somos e em que coisa nós podemos tornar, 
se realmente ou dentro de que limites somos “artífices de nós próprios”, da nossa vida, 
do nosso destino. E isto queremos sabe-lo hoje, nas condições dadas hoje, pela vida 
“hodierna “e não por uma vida qualquer e de qualquer homem (RODRIGUES, 2015). 
Toda concepção de mundo e forma de agir partem de uma ideia de homem. As 
teorias humanísticas sustentam-se procurando compreender um conceito de homem. 
Por isso é importante nas práxis educativas que se tenha claramente tematizada a 
questão antropológica. 
Selecionamos, então, como temática primeira de nossos encontros as 
concepções de homem, de modo bastante sucinto, mesmo porque o ser-humano, o 
animal que pensa, é o grande garimpeiro de uma longa atividade de escavação que é 
a filosofia. São destacados três principais enfoques antropológicos: a concepção 
metafísica, a cientificista ou naturalista e a histórico social, dos quais apresentamos 
alguns tópicos. 
A semente que germina produz ramos, folhas, flores e frutos. O pensamento 
que pensa produz conhecimentos e falas diversas. Produz o conhecimento 
que calcula (as ciências), imagina (as artes) e confia (a fé). E produz a 
filosofia. (BUZZI, 199, apud BRANCO, 2004, p. 7). 
 
8 
 
3.1 Concepção metafísica 
De acordo com Siviani (2007), a existência humana no mundo está na questão 
do ser, na unidade e na multiplicidade. A essência caracteriza cada coisa. A essência 
humana é um modelo a ser atingido. Educação vista como processo de 
aperfeiçoamento, desenvolvimento das potencialidades do indivíduo. O fim da 
educação é desenvolver, em cada indivíduo, toda a perfeição de que ele seja capaz. 
Nesta concepção, a educação é centrada no interior do indivíduo e o modelo de 
homem é determinado a priori. 
3.2 Concepção naturalista 
Costa (2004), propõe que Descartes, Loocke, Galileu e Newton criaram novas 
teorias sobre o conhecimento e que até hoje orientam a ciência e pesquisas 
científicas, pois desenvolveram o método científico. A ciência percebe regularidades 
na natureza e o homem procura encontrar as regularidades que marcam seu 
comportamento. A educação inspira-se numa metodologia que enfatiza a rigorosa 
programação dos passos para se adquirir o conhecimento (behaviorismo/psicologia 
comportamentalista). Tentativa de adequar a metodologia das ciências humanas ao 
método das ciências da natureza (experimentação, controle e generalização). 
Contrapõem-se às teorias humanistas. 
3.3 Concepção histórico social 
A crítica ao mecanicismo newtoniano e ao empirismo de Locke e a primazia do 
sentimento sobre a razão, faz com que importantes pensadores passem a conceber 
uma nova visão antropológica, a histórico-social, amparada no romantismo alemão. 
Rousseau desloca o centro do processo educacional do mestre para o aluno. Visão 
de homem está no sentimento (o coração ou consciência moral); destaca dois níveis: 
natureza e sociedade. Hegel: concebe o ser como processo, como movimento, como 
virá a ser (filosofia do devir). O homem passa a ser como ser-no-tempo. 
Desenvolvimento do Espírito (COSTA, 2004). 
 
9 
 
Marx: o mundo material é anterior ao espírito, e este deriva daquele. Os homens 
se definem pela produção e pelo trabalho coletivo. O homem deve ser compreendido 
como um ser real, concreto, situado em um contexto histórico-social. Privilegia-se o 
processo, a contradição e o caráter social do se fazer homem. A pedagogia 
contemporânea busca o homem como pessoa ou ser social numa interação entre 
sujeito e sociedade (COSTA, 2004). 
4 A TRANSFORMAÇÃO DO HOMEM ATRAVÉS DA FILOSOFIA 
Fonte: Google.com 
 
Costa (2004) afirma que o homem é um ser que interroga a vida, e deve 
interrogá-la continuamente. O modo de perguntar difere de homem para homem, mas 
o próprio enigma sempre permanece. A resposta do homem ocorre dentro de um 
determinado contexto histórico. 
“Todos os homens desejam naturalmente saber. Muitos, contudo, se perdem 
nesta tarefa ao longo da vida, talvez por desconhecerem um caminho”. 
(ARISTÓTELES 384-322 a C. apud SCARIOTTO,2007, p.15). 
É preciso buscar conceituar a filosofia de forma simples e existencial, 
compreender o que ela é, e verificar o seu significado para a vida humana. A filosofia 
está associada tanto ao saber teórico quanto à sabedoria prática. De fato, o sucesso 
da filosofia teórica não nos oferece qualquer garantia de que seremos filósofos no 
sentido prático ou de que agiremos e sentiremos de modo correto sempre que nos 
envolvermos em determinadas situações práticas. A filosofia se manifesta como uma 
forma de entendimento que tanto propicia a compreensão de sua existência, em 
 
10 
 
termos de significado, como oferece um direcionamento para sua ação. A filosofia é o 
campo de entendimento que, quando nos apropriamos dele, nos percebemos 
refletindo sobre a cotidianidade dos seres humanos: Desde as coisas mais simples 
até as mais complexas. O ato de filosofar não é unicamente um processo individual, 
mas também um processo que possui uma contrapartida social (COSTA, 2004). 
Ao colocar-se na posição de que o homem, ser da natureza, constitui entre 
muitos outros cósmicos, físicos,biológicos, um agente da transformação do universo, 
a filosofia situou na experiência de campo e processo dessas contínuas 
metamorfoses. Não agimos por agir. Agimos por certa finalidade, que pode ser mais 
ampla ou restrita; as finalidades mais amplas são aquelas que se referem ao sentido 
da existência, busca o bem da sociedade, lutar pela emancipação dos oprimidos, e 
assim por diante (SCARIOTTO, 2007). 
Isso porque está certo que a vida só tem sentido se vivido em função de valores 
dignos e dignificantes. Todos têm uma forma de compreender o mundo, ninguém age 
no escuro, sem saber onde vai ou porque vai. Só se pode agir a partir de um 
esclarecimento do mundo e de uma realidade. Todos vivem de uma concepção do 
mundo, agem e se comportam de acordo com uma significação inconsciente que 
emprestam a vida. E neste sentido que podemos dizer que todo homem e filósofo. 
Todos temos uma filosofia de vida, ou seja, nos orientamos por valores implícitos 
(inconsciente) ou explícitos (conscientes) (SCARIOTTO, 2007). 
Quando falamos em filosofia de vida queremos dizer que esse direcionamento 
diário inconsciente pode ocorrer da massificação, do senso comum, que adquirimos e 
acumulamos espontaneamente. Não é possível viver sem pensar, uma das 
características do homem e a necessidade, de não só conhecer a natureza a fim de 
poder transformá-la pelo trabalho, mas a necessidade de compreender-se a si mesmo 
(SCARIOTTO, 2007). 
Não há, portanto, vida humana consciente de si mesma sem reflexão filosófica, 
sem reflexão crítica sobre o real, considerado em sua totalidade. A filosofia vai 
coincidir com que se chama de processo de consciência ou conscientização, tanto no 
sentido do tempo como no julgamento (Reflexão Crítica). Não existe um modelo de 
homem, é impossível existir um homem padrão, um modelo que todos deveriam seguir 
à risca. O que existe é uma condição humana que resulta do conjunto das relações 
humana, de sua vocação como homem (SCARIOTTO, 2007). 
 
11 
 
 
Este último ponto é importante, pois afasta qualquer tentativa de estabelecer 
a existência de uma natureza humana fixa e imutável, ou de estabelecer 
distinções entre os homens com base em qualquer aspecto extrínseco, como 
a raça, a cor, ou religião (HUSSERL,1965, apud SCARIOTTO,2007, p.19). 
Ainda de acordo com o autor o homem, como os outros seres vivos, também 
se esforça para se preservar, numa das coisas que difere dos outros organismos é 
que produz os meios para sua existência, reorganizando e modificando os recursos 
naturais disponíveis. Age dirigido por finalidades conscientes, para responder aos 
desafios da natureza e para sobrevivência. 
O homem, ao colocar-se no mundo, estabelece uma ligação entre o sujeito 
que quer conhecer e o objeto a ser conhecido. O sujeito se transforma 
mediante o novo saber e o objeto também se transforma, pois, o 
conhecimento lhe dá sentido (COTRIN, 1993, apud SCARIOTTO, 2007, 
p.19). 
O homem é um agente transformador da natureza, e a natureza é o resultado 
dessa transformação. Ao atuar através de sua atividade produtiva sob a natureza, pelo 
trabalho cuidando de prover sua existência mediante a apropriação e incorporação 
dos recursos naturais transformados, o homem não estabelece apenas relações 
individuais com a natureza. Ao mesmo tempo em que estabelece relações técnicas 
de produção, vai instaurando relações interindividuais, relações com os outros 
homens. Cria a estrutura social. O homem se descobre e se afirma no mundo, não 
como um mero objeto integrante da realidade total, mas como sujeito no qual essa 
realidade se transfigura (SCARIOTTO, 2007). 
Ao interpretar e transformar a realidade, o homem se encontra com outros 
seres humanos envolvidos na mesma tarefa, é o que chamamos de confronto com 
outros sujeitos. Na medida em que alguém fala e acolhe a palavra do outro realiza o 
reconhecimento mais profundo outro como sujeito. No instante em que o homem 
reconhece o outro e com ele dialoga em busca de um sentido para o mundo para a 
existência, nasce à história (SCARIOTTO, 2007). 
Dar um sentido ao mundo no diálogo das consciências, é existir plenamente 
como homem e, portanto, existir plenamente como sujeito do processo 
histórico (HUSSERL,1965, apud SCARIOTTO, 2007, p.20). 
 
12 
 
Na medida de nossas forças, construímos, uma filosofia e a ela nos 
acomodamos, tão bem como tão mal, em nossa ânsia e inquietação de compreender 
e de pacificar o espírito. Quando a ciência vai refazendo o mundo e a onda de 
transformação alcança as peças mais delicadas da existência humana, só quem vive 
à margem da vida, sem interesse e sem paixões, sem amores e sem ódios, pode julgar 
que dispensa uma filosofia. Só com uma vida profundamente superficial podemos não 
sentir as solicitações diversas e antagônicas das diferentes fases do conhecimento 
humano, e os conflitos e perplexidades atordoantes da hora presente (SCARIOTTO, 
2007). 
Aprender concepções e verdades que engessam o processo de ação e reflexão 
diante do mundo e de sua própria existência, é desta que filosofia transforma o 
homem. Contudo, boa parte da filosofia volta-se mais para o modo pelo qual 
conhecemos as coisas do que propriamente para as coisas que conhecemos, sendo 
essa uma segunda razão pela qual a filosofia parece carecer de conteúdo 
(RODRIGUES, 2015). 
No entanto, discussões a respeito de um critério definitivo de verdade podem 
determinar, na medida em que recomendam a aplicação de um dado critério, quais as 
proposições que na prática deliberamos serem verdadeiras. Não é tarefa da filosofia 
investigar intenções ocultas e preexistentes da realidade, mas interpretar uma 
realidade carente de intenções, mediante a capacidade de construção de figuras, de 
imagens a partir dos elementos isolados da realidade; ela levanta as questões, cuja 
investigação exaustiva é tarefa das ciências; uma tarefa à qual a filosofia permanece 
continuamente vinculada, porque sua intensa luminosidade não conseguiria inflamar-
se em outro lugar a não ser contra essas duras questões (RODRIGUES, 2015). 
Ainda de acordo com o autor a filosofia tem exercido, por mais que ignoremos 
isso, uma admirável influência indireta até mesmo sobre a vida de gente que nunca 
ouviu falar nela. Indiretamente, tem sido destilada através de sermões, da literatura, 
dos jornais e da tradição oral, afetando assim toda a perspectiva geral do mundo. Em 
grande parte, foi através de sua influência que se fez da religião cristã o que ela é 
hoje. Devemos originalmente a filósofos ideias que desempenharam papel 
fundamental para o pensamento em geral, mesmo em seu aspecto popular, como, por 
exemplo, a concepção de que nenhum homem pode ser tratado apenas como um 
 
13 
 
meio ou a de que o estabelecimento de um governo depende do consentimento dos 
governado. 
No âmbito da política, a influência das concepções filosóficas tem sido 
expressiva. É inegável que a influência da filosofia sobre a política pode às vezes ser 
nefasta: os filósofos alemães do século XIX podem ser parcialmente 
responsabilizados pelo desenvolvimento de um nacionalismo exacerbado que 
posteriormente veio a assumir formas bastante deturpadas. Todavia, não resta dúvida 
de que essa responsabilidade tem sido frequentemente muito exagerada, sendo difícil 
determiná-la exatamente, o que se deve ao fato de aqueles filósofos terem sido 
obscuros (RODRIGUES, 2015). 
Contudo, Scariotto, (2007), salienta que se uma filosofia de má qualidade pode 
exercer influência nefasta sobre a política, com as filosofias de boa qualidade pode 
ocorrer o contrário. Não há meios de impedir tais influências sendo, portanto, 
extremamente oportuno que dediquemos especial atenção à filosofia com o intuito de 
constatar se concepções que exerceram alguma influência foram mais positivas do 
que nefastas. 
Uma boa filosofia, ao influenciar favoravelmente a política, pode gerar uma 
prosperidade incapazde ser alcançada sob a égide de uma filosofia inferior 
(HUSSERL,1965, apud SCARIOTTO, 2007, p. 22.). 
5 PERÍODOS DA FILOSOFIA 
 
Fonte: Google.com 
 
14 
 
De acordo com Nascimento (2017), a filosofia tem dois objetivos importantes. 
Em primeiro lugar, tenta dar ao homem uma visão unificada do universo em que vive. 
Em segundo lugar, procura fazer com que a pessoa tenha um pensamento mais 
crítico, ao aguçar sua capacidade de raciocinar com clareza e precisão. A filosofia é 
como uma tentativa geralmente obstinada de pensar com clareza. Um filósofo é uma 
pessoa que pensa com maior profundidade e obstinação do que as outras. O termo 
filosofia origina-se de duas palavras gregas, philo e sophia, que, reunidas, significam 
amor à sabedoria. 
Em Sócrates e Platão, existe uma contraposição entre sabedoria e filosofia. 
A sabedoria perfeita é própria de Deus, que é o sábio por excelência. Os 
homens são filósofos, isto é, amantes ou aficcionados à sabedoria. Estão em 
busca do saber, guiam-se pela procura do saber, embora nunca o terão 
plenamente. (GOMES, 2001, apud BRANCO, 2004, p. 9). 
 
A filosofia possui um grande valor para as pessoas que vivem nesse mundo 
complicado. Muitas delas não têm fundamentos ou crenças que norteiem suas vidas. 
A filosofia pode fornecer-lhes uma estrutura racional, com a qual podem pensar. Ao 
aceitar uma determinada corrente filosófica, o homem tem possibilidade de começar 
a buscar certos objetos e dirigir seu comportamento. Por exemplo, um estoico tenta 
dominar suas emoções; um epicurista busca a felicidade através do prazer; o 
racionalista tenta chegar ao conhecimento através da razão; o cristão luta pela 
salvação através da graça e dos ensinamentos de Jesus Cristo (BRANCO, 2004). 
De acordo com o autor supracitado cada conjunto de crenças leva a um 
determinado modo de pensar e a um comportamento diferente. A filosofia também 
examina fundamentos de outros estudos. Pergunta ao cientista social o que acredita 
ser a natureza do homem. Indaga ao físico por que utiliza o método científico. A 
filosofia procura organizar as conclusões das várias ciências para mostrar os diversos 
modos como estão relacionadas. 
5.1 A busca de uma explicação 
O homem primitivo não começou filosofando, assim como o homem medieval 
não podia ainda fazer Ciência. Sua mente primitiva se sentia estimulada a explicar 
uma Natureza totalmente desconhecida. Recém-vindo de uma evolução biológica 
 
15 
 
surpreendente, sua mente era, diante das coisas, um papel em branco onde iria 
escrever seus mitos. O mito surge da necessidade consciente e inconsciente que o 
homem tem de explicar seu meio e seus problemas desconhecidos. Depois da 
explicação, sente-se como que dono da situação. Apossa-se intelectualmente do fato. 
(BRANCO, 2004). 
Quando o homem surgiu na Terra, tudo era incógnito e, por conseguinte, sua 
imaginação começou a criar explicações numa função existencial de dar sentido a seu 
meio. Estas explicações primitivas recebem a denominação de mitos. O mito, ainda 
hoje, é uma constante da mente humana. Mito é um contexto explicativo feito para 
esclarecer um fato até então desconhecido. O mito pode ser definido como uma 
narrativa imaginária que estrutura e organiza de forma criativa as crenças culturais 
Relato mitológico é aquela elaboração de natureza poética, literária, moral, que se faz 
sobre um mito ou algum fato de natureza literária ou histórica (BRANCO, 2004). 
Sobre a mitologia o autor referenciado afirma que é o conjunto dos relatos 
mitológicos, podendo incluir alguns mitos de determinado povo. O mito, em suma, é o 
pensamento anterior à reflexão mais crítica. Nasceu de uma atitude primária diante 
das coisas, sem rigor racional e sem crítica pessoal. Isto seria característica do 
momento seguinte: o filosófico. Platão e Aristóteles assinalam como princípio da 
filosofia o desejo de saber, inato no ser humano, excitado pela admiração e 
curiosidade frente aos fenômenos da natureza. 
É característico do filósofo o estado de ânimo da admiração, pois outro não é 
o princípio da filosofia. E não estabeleceu mal a genealogia aquele que disse 
que Íris (a filosofia) é filha de Thaumante (a admiração). (PLATÃO, (Platão, 
TEETETO, 155 apud BRANCO, 2004, p. 10). 
A reflexão, a meditação ativa e a razão crítica viriam interpretar o mundo mítico 
e elaborar um outro tipo de explicação: a filosófica. O mito ocupa todos os espaços da 
vida humana e faz do mundo uma celebração de sonho e de delírio. Os demais 
conhecimentos se enraízam no mito e são modulações de sua força. É sempre a 
experiência mítica que entusiasma a filosofia e a ciência. E hoje é ainda ela que 
comanda a produção e o uso das máquinas e dos aparelhos técnicos. (BRANCO, 
2004). 
 
16 
 
6 FILOSOFIA OCIDENTAL 
 
Fonte: pixers.be 
De acordo com Severino (2006) a filosofia ocidental pode-se entendida como o 
estudo racional e crítico dos princípios básicos da compreensão. Divide-se quase 
sempre em quatro ramos principais: metafísica (O que é real?), epistemologia (Como 
se sabe? O que é verdade?), ética (Qual é a natureza do bom, do religioso?) E estética 
(Qual é a natureza do belo?). Contudo, diversos compêndios costumam relacionar os 
principais campos de domínio da filosofia, além dos já relacionados, ainda a teoria do 
conhecimento, a filosofia política, a filosofia da história, a história da filosofia, a filosofia 
da linguagem, a lógica e a filosofia aplicada. Para um maior entendimento, observa-
se as definições de cada campo: 
Ontologia ou metafísica: conhecimento dos princípios e fundamentos últimos 
de toda a realidade, de todos os seres. 
 Lógica: conhecimento das formas gerais e regras gerais do pensamento 
correto e verdadeiro, independentemente dos conteúdos pensados; regras para a 
demonstração científica verdadeira; regras para pensamentos não-científicos; regras 
sobre o modo de expor os conhecimentos; regras para verificação da verdade ou 
falsidade de um pensamento, etc. (SEVERINO, 2006) 
 Epistemologia: análise crítica das ciências, tanto as ciências exatas ou 
matemáticas, quanto as, naturais e as humanas; avaliação dos métodos e dos 
 
17 
 
resultados das ciências; compatibilidades e incompatibilidades entre as ciências; 
formas de relações entre as ciências, etc. (SEVERINO, 2006). 
Teoria do conhecimento ou estudo das diferentes modalidades de 
conhecimento humano: o conhecimento sensorial ou sensação e percepção; a 
memória e a imaginação; o conhecimento intelectual; a ideia de verdade e falsidade; 
a ideia de ilusão e realidade; formas de conhecer o espaço e o tempo; formas de 
conhecer relações; conhecimento ingênuo e conhecimento científico; diferença entre 
conhecimento científico e filosófico, etc. (SEVERINO, 2006). 
Ética: estudo dos valores morais (as virtudes), da relação entre vontade e 
paixão, vontade e razão; finalidades e valores da ação moral; ideias de liberdade, 
responsabilidade, dever, obrigação, etc. (SEVERINO, 2006). 
Filosofia política: estudo sobre a natureza do poder e da autoridade; ideia de 
direito, lei, justiça, dominação, violência; formas dos regimes políticos e suas 
fundamentações; nascimento e formas do Estado; ideias autoritárias, conservadoras, 
revolucionárias e libertárias; teorias da revolução e da reforma; análise e crítica das 
ideologias (SEVERINO, 2006). 
Filosofia da História: estudo sobre a dimensão temporal da existência humana 
como existência sócio-política e cultural; teorias do progresso, da evolução e teorias 
da descontinuidade histórica; significado das diferenças culturais e históricas, suas 
razões e consequências (SEVERINO, 2006). 
Filosofia da arte ou estética: estudo das formas de arte, do trabalho artístico; 
ideia de obra de arte e de criação; relação entre matéria e forma nas artes; relação 
entre arte e sociedade, arte e política, arte e ética (SEVERINO, 2006). 
Filosofia da linguagem: a linguagemcomo manifestação da humanidade do 
homem; signos, significações; a comunicação; passagem da linguagem oral à escrita, 
da linguagem cotidiana à filosófica, à literária, à científica; diferentes modalidades de 
linguagem como diferentes formas de expressão e de comunicação. (SEVERINO, 
2006). 
História da Filosofia: estudo dos diferentes períodos da Filosofia; de grupos de 
filósofos segundo os temas e problemas que abordam; de relações entre o 
pensamento filosófico e as condições econômicas, políticas, sociais e culturais de uma 
sociedade; mudanças ou transformações de conceitos filosóficos em diferentes 
 
18 
 
épocas; mudanças na concepção do que seja a Filosofia e de seu papel ou finalidade. 
(SEVERINO, 2006). 
O autor ainda afirma que os dois tipos fundamentais de investigação filosófica 
são a filosofia analítica, que é o estudo lógico dos conceitos, tratando o assunto tão 
amplo e globalizador que se torna impossível a experimentação, e a filosofia sintética, 
que é a organização dos mesmos num sistema unificado, onde a mente se volta para 
as minudências, os pormenores, a gênese do assunto, seus aspectos reais em 
oposição a seus aspectos aparentes. 
Para os gregos clássicos, o termo filosofia significa a busca do conhecimento 
por si próprio e abrange todas as áreas do pensamento especulativo. Daí o estudo da 
filosofia no mundo de hoje – a filosofia aplicada – envolver às mais diversas áreas: 
filosofia da ciência, filosofia da arte, filosofia da educação, filosofia da matemática, 
filosofia política, filosofia do direito, etc. Filosofia da Educação: A tarefa da filosofia é 
interrogar o mundo para interpretá-lo; à Filosofia da Educação cabe refletir 
criticamente a ação pedagógica, examinar a concepção de homem, os valores, os 
pressupostos do conhecimento, avaliar currículos, etc. (SEVERINO, 2006). 
 
7 FILOSOFIA PRÉ-SOCRÁTICA 
 
Fonte: netmundi.org 
 
19 
 
De acordo com Morais (2010) a pré-socráticos são os filósofos anteriores a 
Sócrates que viveram na Grécia por volta do século VI a.C., considerados os criadores 
da filosofia ocidental. Essa fase, que corresponde à época de formação da civilização 
helênica, se caracteriza pela preocupação com a natureza e o cosmo. 
Como é possível que as coisas mudem e desapareçam e, apesar disto, a 
natureza continue sempre a mesma? A Terra está repleta de espécies. A 
água se transforma em vapor. A matéria viva se transforma em pó e neste 
surgem as plantas para alimentar outros seres vivos...? (TELES, 1988, apud 
BRANCO, 2004, p. 12). 
A filosofia pré-socrática inaugura uma mentalidade baseada na razão e não 
mais no sobrenatural e na tradição mítica. As escolas jônicas, eleática, atomista e 
pitagórica são as principais do período. Os físicos da Jônia, como Tales de Mileto 
(625-546 a.C), Anaximandro (611-547 a.C), Anaxímenes, (570-547 a.C) e Heráclito4 
(544-480 a.C), procuram explicar o mundo pelo desenvolvimento de uma natureza 
comum a todas as coisas e em eterno movimento. Heráclito afirma a estrutura 
contraditória e dinâmica do real. Para ele, tudo está em constante modificação. Daí 
sua frase "Não nos banhamos duas vezes no mesmo rio", já que nem o rio nem quem 
nele se banha são os mesmos em dois momentos diferentes da existência. (MORAIS, 
2010). 
Os pensadores de Eléa, como Empédocles (483-430 a.C), Parmênides (530-
460 a.C) e Anaxágoras (499-428 a.C), ao contrário, dizem que o ser é unidade e 
imobilidade e que a mutação não passa de aparência. Para Parmênides, o ser é ainda 
completo, eterno e perfeito. Já Zenon (510-? A.C) conceituou os paradoxos lógicos 
(no campo da lógica e da matemática designa uma conclusão aparentemente 
contraditória derivada de uma proposta com premissas válidas), enigmas intelectuais 
que filósofos e lógicos de todas as épocas posteriores tentariam resolver. O interesse 
dos eleáticos pelo problema da coerência racional propiciou o desenvolvimento da 
ciência da lógica (MORAIS, 2010). 
Os atomistas, como Leucipo e Demócrito (460-370 a.C), (a quem se atribui o 
primeiro esboço mais completo de um materialismo determinista) sustentam que o 
Universo é constituído de átomos eternos, indivisíveis e infinitos reunidos 
aleatoriamente (BOCAYUVA, 2010). 
 
20 
 
Por volta de fins do século V a.C., os sofistas passaram a ter um importante 
papel na evolução das cidades - estado gregas. A famosa máxima de Protágoras (490-
410 a.C), “o homem é a medida de todas as coisas”, é representativa da atitude 
filosófica desta escola. Os sofistas, como Protágoras e Górgias (485-380), são 
educadores pagos pelos alunos. Pretendem substituir a educação tradicional, 
destinada a preparar guerreiros e atletas, por uma nova pedagogia, preocupada em 
formar o cidadão da nova democracia ateniense. Com eles, a arte da retórica – falar 
bem e de maneira convincente a respeito de qualquer assunto – alcança grande 
desenvolvimento (BOCAYUVA, 2010). 
 Pitágoras (582-500 A. C) afirma que a verdadeira substância original é a alma 
imortal, que preexiste ao corpo e no qual se encarna como em uma prisão, como 
castigo pelas culpas da existência anterior. O pitagorismo representa a primeira 
tentativa de apreender o conteúdo inteligível das coisas, a essência, prenúncio do 
mundo das ideias de Platão (BOCAYUVA, 2010). 
8 FILOSOFIA CLÁSSICA 
 
Fonte: netmundi.org 
De acordo com Piovezan (2008) talvez a maior personalidade filosófica da 
história tenha sido Sócrates (470-399 A.C). Sua contribuição não foi uma doutrina 
sistemática, e sim um método de reflexão, a maiêutica, e um estilo de existência. 
Enfatizou a necessidade de um autoexame analítico das crenças de cada um, de 
 
21 
 
definições claras para os conceitos básicos, e de um levantamento racional e crítico 
dos problemas éticos. 
Platão (427-347 a.C), pensador mais sistemático do que Sócrates, baseou sua 
filosofia em sua teoria das ideias, ou doutrina das formas. Seu conceito do bem 
absoluto — que é a ideia mais elevada e engloba todas as demais — foi uma das 
principais fontes das doutrinas religiosas – panteísta e mística – na cultura ocidental. 
(PIOVEZAN, 2008). 
Aristóteles (384-322 a.C), considerado o mais ilustre discípulo de Platão, e, 
juntamente com ele, os mais profundos e influentes pensadores do mundo, definiu os 
conceitos e princípios básicos de inúmeras ciências teóricas, como a lógica, a biologia, 
a física e a psicologia. Ao estabelecer os rudimentos da lógica como ciência, 
desenvolveu a teoria da inferência dedutiva, representada pelo silogismo e por um 
conjunto de regras, fundamentando o que viria a ser o método científico. Esboçou um 
sistema orgânico da natureza que foi adotado por muitos teólogos cristãos, judeus e 
muçulmanos na Idade Média (PIOVEZAN, 2008). 
Com a democracia em Atenas, o governo procura formar cidadãos 
participativos nas atividades da polis, homens políticos e habilitados a participar do 
processo democrático, por meio da Paidéia (formação integral do homem). A filosofia 
passa a valorizar, a refletir sobre o homem, diminuindo o interesse pela natureza. Do 
século IV a.C. ao desenvolvimento da filosofia cristã no século IV, o epicurismo, o 
estoicismo, o ceticismo e o neoplatonismo foram as principais escolas filosóficas do 
mundo ocidental. O interesse pela ciência natural declinou ainda mais durante este 
período e essas escolas se preocuparam principalmente com a ética e a religião; a 
salvação e a felicidade passam a ser vistas como possíveis de alcançar de forma 
individual e subjetiva (PIOVEZAN, 2008). 
 
 
22 
 
9 FILOSOFIA MEDIEVAL 
 
Fonte: slideshare.net 
Durante o declínio da civilização greco-romana, os filósofos ocidentais 
abandonaram a investigação científica da natureza e a busca da felicidade no mundo 
e passaram a se preocupar com o problema da salvação em outro mundo melhor. Por 
volta do século III, o cristianismo já se havia estendido às classes mais cultas do 
ImpérioRomano. 
Santo Agostinho (354-430) conciliou, juntamente com outros padres da Igreja 
(de onde originou o nome de filosofia patrística, dado ao período), a ênfase dada pelos 
gregos à razão com a insistência dos romanos nas emoções religiosas dos 
ensinamentos de Cristo e dos apóstolos, gerando um sistema de pensamento que se 
transformou na própria doutrina do cristianismo da época. Em grande parte, graças a 
sua influência, o pensamento cristão foi platônico em espírito até o século XIII. 
(SANTOS, 2015). 
 O estadista do século VI Boécio reavivou o interesse pelos pensamentos grego 
e romano, especialmente pela lógica e a metafísica aristotélicas. No século IX, o 
monge irlandês Johannes Scotus Erigena (810-877) propôs uma interpretação 
panteísta do cristianismo, identificando a Trindade divina com o Uno, o Logos e a Alma 
universal do neoplatonismo. Separa-se a filosofia da teologia. A filosofia é chama da 
“serva “da teologia. Procura-se conciliar fé e razão, característica fundamental da 
filosofia tomista, chamada escolástica (ministrada nas escolas cristãs – catedrais e 
 
23 
 
conventos), mais tarde nas universidades. No século XI, essa corrente de pensamento 
filosófico ressurgiria com vigor, fruto do crescente encontro entre as diferentes regiões 
do mundo ocidental e o despertar do interesse pelas culturas desconhecidas, que 
culminaria no Renascimento (SANTOS, 2015). 
Os filósofos muçulmanos, judeus e cristãos interpretaram e esclareceram os 
escritos de Platão, Aristóteles e outros sábios gregos, tentando conciliar a filosofia 
com a fé religiosa e dar às próprias crenças religiosas pilares racionais. Surgiu a 
escolástica, cujo método foi dialético ou discursivo. O interesse pela lógica do discurso 
levou a importantes avanços, tanto em lógica quanto em teologia (SANTOS, 2015). 
Avicena (980-1037), médico, filósofo, astrônomo e físico árabe do século XII, 
integrou o neoplatonismo e as ideias aristotélicas à doutrina religiosa muçulmana. O 
teólogo francês Pedro Abelardo (1079-1142) propôs um compromisso entre realismo 
e nominalismo, que ficou conhecido como conceitualismo. O jurista hispano-árabe 
Averroes contribuiu para que a ciência e o pensamento aristotélico tivessem grande 
influência no mundo medieval, graças a seus lúcidos e eruditos comentários sobre a 
obra de Aristóteles. 
Porém, a maior figura intelectual da Era Medieval foi, sem dúvida, São Tomás 
de Aquino (1225-1274), que uniu a ciência aristotélica e a teologia agostiniana num 
amplo sistema de pensamento, que se transformaria na filosofia escolástica 
autorizada da Igreja católica. Aquino elabora a síntese entre o cristianismo e o 
pensamento aristotélico, estabelecendo os fundamentos filosóficos para a teologia 
cristã (SANTOS, 2015). 
 
 
24 
 
10 FILOSOFIA MODERNA 
 
Fonte: revistahcsm.coc.fiocruz.br 
De acordo com Andrade (2017) a partir do século XV, a filosofia moderna tem 
estado caracterizada por uma contínua interação entre sistemas de pensamento, 
fundada em uma interpretação mecanicista e materialista do universo, e os que se 
baseiam na fé no pensamento humano como única realidade última. Esta interação 
reflete o efeito crescente das descobertas científicas e das transformações políticas 
na especulação filosófica. À religiosidade medieval, a filosofia moderna apresenta-se 
leiga, profana, crítica e encontra na razão sua fundamentação. 
O autor ainda afirma que para compreender a si e o mundo, o homem moderno 
debruça-se ainda mais sobre o conhecimento: quer entender a sua própria capacidade 
de entender, de conhecer. A teoria do conhecimento pode ser entendida como a 
investigação acerca das condições do conhecimento verdadeiro. Conhecer é 
representar cuidadosamente o que é exterior à mente, a representação é o processo 
pelo qual a mente torna presente diante de si a imagem, a ideia ou o conceito de 
algum objeto 
Portanto, para que exista conhecimento será necessária a relação entre dois 
elementos básicos: um sujeito conhecedor (nossa consciência, nossa mente) e um 
objeto (a realidade, o mundo, os fenômenos). Só haverá conhecimento se o sujeito 
conseguir apreender o objeto, isto é, conseguir representa-lo mentalmente. É possível 
 
25 
 
o conhecimento verdadeiro ou tudo é incerteza? Na realidade, o conhecimento é a 
fabricação do ideal sobre a terra (ANDRADE, 2017) 
11 ÉTICA 
 
Fonte: riooportunidadesdenegocios.com.br 
De acordo com Silva (2016) ética, princípios ou pautas da conduta humana, 
também denominada filosofia moral. Como ramo da filosofia, é considerada uma 
ciência normativa. Os valores morais estão presentes nos mais diferentes atos de 
nossa vida. Para tudo estabelecemos prioridades a partir de valores. Ética pode ser 
entendida, então, como reflexão sobre o comportamento moral (bem/mal – 
justo/injusto). 
(...) a Ética observa o comportamento humano e aponta seus erros e desvios, 
além de formular os princípios básicos a que deve subordinar-se a conduta 
do homem; e, a par de valores genéricos e estáveis, a Ética é ajustável a 
cada época e circunstância. (ACQUAVIVA, 2002, apud SILVA, 2016, p. 27). 
Ética de acordo com o autor supracitado é a ciência do comportamento moral 
do homem em sociedade, aproximando-se da Moral. Isto porque ética e moral têm a 
mesma origem. Portanto, pode-se concluir que a ética tem o sentido de higidez, de 
irrepreensibilidade, de correção, de postura moral. 
 
26 
 
11.1 A Ética na Filosofia 
Uma das configurações atribuídas à palavra Ética é de cunho filosófico. Nesse 
sentido, Ética, enquanto parte da Filosofia, refere-se a uma reflexão a respeito da 
moral, relacionada ao meio social em que está inserido o indivíduo. Assim, ela 
impulsiona o exercício crítico e reflexivo das bases moralistas, na busca da elucidação 
dos fatos morais. Desta forma, é notável que a Ética, na Filosofia, não oferece um 
código de normas, apenas incentiva o homem, como ser racional e social, a praticar 
o senso crítico e auto avaliativo, em suas atitudes e modo de agir (PEDR, 2014). 
A ética não pode prescrever conteúdos ao agir, nem pode instrumentalizá-lo; 
não é seu papel fornecer soluções concretas ao agir humano. A ética precisa 
contar com a capacidade de os indivíduos encontrarem saídas plausíveis, 
racionais para o seu agir. A ética filosófica (formal e universalista) não pode, 
paternalisticamente, dizer o que o indivíduo deve fazer, prescrevendo ações; 
ela não pode se constituir em um receituário para a conduta cotidiana dos 
indivíduos, nem servir de desculpa para justificar seu agir mediante motivos 
puramente externos. A justa medida requerida pela ética não é extraída por 
intermédio de fórmula alguma; ela é medida qualitativamente, por isso requer 
mediania. (CENCI, 2002, apud SILVA, 2016, p. 30). 
Este é o principal pilar da diferenciação entre Moral e Ética, pois, para ela, toda 
moral é normativa, enquanto designada a ditar aos sujeitos os padrões de conduta, 
assim como os valores e costumes das sociedades das quais participam. Já a ética 
não é necessariamente normativa, e vem, em seguida, sistematizando a subdivisão 
de ética em normativa e não normativa, sendo que, normativa seria a ética de deveres 
e obrigações; e não normativa, seria a ética que tem como objeto de estudo as ações 
e paixões humanas, embasadas no ideal da felicidade, de acordo com o critério da 
relação razão - vontade – liberdade (SILVAA , 2016). 
(...) entre as tarefas da ética como filosofia moral são essenciais as que 
seguem: 1) elucidar em que consiste o moral, que não se identifica com os 
restantes saberes práticos (com o jurídico, o político ou o religioso), ainda 
esteja estreitamente conectado com eles; 2) tentar fundamentar o moral; ou 
seja, inquirir as razões para que haja moral ou denunciar que não as há. 
Distintos modelos filosóficos, valendo-se de métodos específicos, oferecem 
respostas diversas, que vão desde afirmar a impossibilidadeou inclusive a 
indesejabilidade de fundamentar racionalmente o moral, até oferecer um 
fundamento; 3) tentar uma aplicação dos princípios éticos descobertos aos 
distintos âmbitos da vida cotidiana. (CORTINA, 2010, apud SILVA, 2016, p. 
31). 
 
27 
 
Seria responsabilidade da Ética a definição da figura do agente ético e de suas 
atitudes, que corresponde ao sujeito consciente, que sabe o que são suas ações, 
sendo livre para escolher o que faz, e responsável pelas consequências de seus atos. 
E, neste mesmo sentido, o sujeito, desde que em perfeito estado de juízo, já possui a 
ideia do que é certo ou errado, em suas atitudes, orientados pelos códigos de conduta 
da sociedade em que vive, que definem como fazer (SILVA, 2016). 
12 MORAL 
 
Fonte: asemananews.com.br 
Silva (2016), propõe que a expressão moral deriva da palavra romana mores, 
com o sentido de costumes, conjunto de normas adquiridas pelo hábito reiterado de 
sua prática. São regras de conduta que regulamentam o comportamento do indivíduo 
na sociedade, garantindo o funcionamento, a estabilidade e a possibilidade de 
transformação da própria sociedade. 
A moral deriva da necessidade comum aos indivíduos de se relacionarem, 
buscando o bem para a coletividade, podendo ser definida, também, como 
um conjunto de normas e regras, que tem a finalidade reguladora das 
interações entre os indivíduos, dividindo o mesmo espaço, em um mesmo 
tempo. (VÁZQUEZ,1984, apud SILVA, 2016, p. 34). 
A moral, dessa forma, consiste em um dado histórico mutável e dinâmico, que 
evolui conforme as transformações políticas, econômicas e sociais, tendo em vista 
 
28 
 
que a existência de princípios morais estáticos seria impossível. É a parte subjetiva 
da ética, que ordena o comportamento humano para consigo mesmo, além de 
englobar os costumes, obrigações, maneiras e procedência do homem, em convívio 
com os demais. Assim, a moral é compreendida na forma de uma conduta voluntária, 
isenta de pressões externas ao indivíduo, acrescida de uma listagem de normas de 
ação específica, estando então, implícita em códigos, normatizações e leis, que 
regulamentam a ação do ser humano, em meio social (SILVA, 2016). 
Torna-se oportuno ressaltar que o objeto da Ética é a moral, vista como um dos 
aspectos do comportamento humano. É a moralidade positiva, é o conjunto de regras 
de comportamento e formas de vida, através das quais tende o homem a realizar o 
valor do bem. Sob essa vertente, moral e ética significam algo muito semelhante, 
sendo que a distinção conceitual existente não elimina o uso corrente das duas 
expressões como intercambiáveis (SILVA, 2016). 
 
13 POLÍTICAS EDUCACIONAIS 
 
Fonte: medium.com 
As políticas educacionais fazem parte do grupo de políticas públicas sociais do 
país. Dessa forma, constituem um elemento de normatização do Estado, guiado pela 
sociedade civil, que visa garantir o direito universal à educação de qualidade e o pleno 
desenvolvimento do educando (LIBÂNEO, 2016). 
https://blog.unyleya.edu.br/insights-confiaveis/afinal-voce-sabe-o-que-sao-politicas-publicas/
 
29 
 
No entanto, construir uma política pública eficiente, principalmente na área 
educacional, não é nada fácil. Com o intuito de servir para todos os cidadãos, cada 
qual com suas necessidades e anseios, as políticas educacionais precisam, 
obrigatoriamente, abranger uma série de variáveis. A sociedade é dinâmica e, por 
isso, a compreensão da função do Estado e das necessidades educacionais também 
muda ao longo dos anos. As políticas públicas de educação geralmente estão 
associadas aos momentos históricos de um país e do mundo e à interpretação de 
poder de cada época (LIBÂNEO, 2016). 
No Brasil, elas são estabelecidas por um processo pedagógico nacional, no 
qual são discutidas as temáticas necessárias para garantir uma educação de 
qualidade, e apoiadas pela legislação. Exigem, ainda, a participação da sociedade 
como um todo — educadores, alunos, pais e governo. Normalmente, as políticas 
educacionais têm origem nas leis votadas pelo Poder Legislativo nas esferas federal, 
estadual e municipal, embora membros do Poder Executivo também possam propor 
ações nessa área. Aos cidadãos cabe participar dos conselhos de políticas públicas, 
que são espaços de discussão de demandas. (LIBÂNEO, 2016). 
Dessa forma, as políticas educacionais podem ser entendidas como um meio 
de construção de valores e conhecimentos que possibilitam o pleno desenvolvimento 
do educando, incluindo sua capacidade de se comunicar, compreender o mundo ao 
seu redor, defender suas ideias e exercer a cidadania. Ao estabelecer modelos 
educacionais concebidos pelos cidadãos e pelo governo, essas políticas públicas 
viabilizam a criação de uma sociedade apta para trabalhar, questionar e contribuir com 
o crescimento da nação — por isso, são de extrema importância para o país 
(FERREIRA, 2015). 
Políticas públicas são ações de Governo, portanto, são revestidas da 
autoridade soberana do poder público. Dispõem sobre “o que fazer” (ações), 
“aonde chegar” (metas ou objetivos relacionados ao estado de coisas que se 
pretende alterar) e “como fazer” (estratégias de ação) (RODRIGUES, 2010, 
apud FERREIRA, 2015, p. 03). 
Embora haja distinção entre as práticas da política e da educação, estas se 
articulam, tendo influência no projeto de sociedade que se pretende implantar, ou que 
está em curso, em cada momento histórico, ou em cada conjuntura, projeto este que 
corresponde ao referencial normativo global de uma política (FERREIRA, 2015). 
 
30 
 
[...] a educação depende da política no que diz respeito a determinadas 
condições objetivas como a definição de prioridades orçamentárias que se 
reflete na constituição- consolidação-expansão da infraestrutura dos serviços 
educacionais etc.; e a política depende da educação no que diz respeito a 
certas condições subjetivas como a aquisição de determinados elementos 
básicos que possibilitem o acesso à informação, a difusão das propostas 
políticas, a formação de quadros para os partidos e organizações políticas de 
diferentes tipos, etc. (SAVIANI, 1986, apud GRACIANO, 2017, p.15). 
Dentro do projeto de sociedade do modo de produção capitalista, marcado pela 
contradição, as políticas sociais simbolizam as forças antagônicas da luta de classes. 
A classe dominante, que detém os modos de produção, beneficia-se do poder para 
explorar a classe trabalhadora, utilizando-se das políticas como: 
“[...] formas de manutenção da força de trabalho econômica e politicamente 
articuladas para não afetar o processo de exploração capitalista e dentro do 
processo de hegemonia e contra-hegemonia da luta de classes” (FALEIROS, 
1991, apud GRACIANO, 2017, p.15). 
A melhoria da qualidade de ensino e a equidade educacional deveriam ser um 
dos principais objetivos da educação, mas dentro da contradição capitalista, direito de 
acesso não significa direito à permanência e/ou a ensino de qualidade. Para melhor 
compreendermos as políticas educacionais no contexto da sociedade neoliberal 
estruturamos o texto em três tópicos. O primeiro trata a respeito das Políticas da 
Infância e da Adolescência no Brasil contemplará a história das políticas, uma vez que 
para desvelarmos a influência neoliberal em nossas políticas precisamos 
compreender as relações estabelecidas entre os fenômenos sociais, políticos e 
econômicos durante a história da educação em nosso País e sua relação com o 
contexto mundial (GRACIANO, 2017). 
Na sequência discute-se a inclusão educacional, no qual abordar a relação 
existente entre exclusão e desigualdade social, bem como a influência do currículo 
para instrumentalização e transformação da escola em um ambiente inclusivo. Por 
fim, intentamos demonstrar que investir em qualidade para a educação não é 
prioridade para a classe dominante, por esse motivo a lógica neoliberal de 
meritocracia e individualismo tem sido disseminado no espaçoescolar, deixando aos 
professores o desafio de perceber suas nuances impedindo sua difusão (GRACIANO, 
2017). 
 
31 
 
14 AS POLÍTICAS DA INFÂNCIA E DA ADOLESCÊNCIA NO BRASIL 
 
Fonte: Google.com 
 
Graciano (2017) salienta que a noção de infância que adotamos em nossos 
dias, como período peculiar de nossas vidas, não é um sentimento inerente à condição 
humana, e sim, uma construção social que teve um olhar particular ao findar da Idade 
Média. Neste período já se percebia a fragilidade e limitações no conceito de criança, 
modificando assim os cuidados e as concepções acerca das mesmas. Essa mudança, 
associada a outros fatores, dentre eles as modificações econômicas e da família fez 
com que se tornasse necessário o desenvolvimento de políticas públicas de 
atendimento à infância. 
Dentre as principais influências nas transformações sociais e políticas no 
desenvolvimento da história dos direitos humanos e da defesa da educação 
popular encontram-se os pensadores dos séculos XVII e XVIII, com suas 
ideias acerca dos direitos naturais, inerentes à condição humana. Que 
culminaram com a ênfase nos direitos a liberdade e a igualdade, difundidos 
pela corrente de pensamento racionalista. É importante compreender que 
esse direito diz respeito ao aspecto valorativo da pessoa (DALLARI, 1994, 
apud GRACIANO, 2017, p.16). 
Ainda de acordo com o autor a expansão da industrialização e a ascensão do 
capitalismo trouxe a necessidade de inserção da mulher e das crianças no mundo do 
trabalho, para auxiliarem na complementação da renda da família. As crianças não 
eram alfabetizadas, pois além da extensa rotina de trabalho, que girava em torno de 
14 horas diárias, não tinham direito ou oportunidade de acesso à educação escolar. 
 
32 
 
Na contramão dos interesses do Estado a classe trabalhadora começou a reivindicar 
o direito à educação para sua prole, encontrando dificuldades, pois de acordo com o 
pensamento dominante: “Qualquer um a não ser que seja idiota sabe que as classes 
baixas precisam ser mantidas na pobreza ou nunca serão industriosas”. 
Acontecimentos importantes nessa luta também foram as revoluções 
burguesas, ocorridas nos séculos XVII e XVIII, na Holanda, Inglaterra e 
França, sendo que esta última teve seus ideais de “Liberdade, Igualdade e 
Fraternidade” difundidos por todo o mundo (DALLARI, 1994, apud 
GRACIANO, 2017, p.16). 
Para a classe dominante a educação popular implicava em risco, pois ensinaria 
as classes populares a pensar. Mas mesmo diante da ameaça, a necessidade de mão-
de-obra qualificada para manter as indústrias tornou a escola necessária, desde que 
se detivesse a ensinar o básico para a melhoria da produtividade. Por interessar a 
elite dominante, os ideais de cidadania advindos das revoluções burguesas foram 
difundidos durante o século XIX, legitimando os princípios liberais pautados no tripé 
burguês. Nesse momento histórico, nem todos os homens eram cidadãos ativos, ou 
seja, com direitos iguais de decisão. O poder econômico e político centrava-se na 
burguesia (GRACIANO, 2017). 
Já no Brasil a história das políticas da infância e adolescência teve início no 
período em que ainda era colônia de Portugal (1500-1822), tendo sua estrutura 
econômica e política vinculada a metrópole portuguesa, sendo o poder mantido por 
meio da união entre os representantes da corte e da igreja católica. Das primeiras 
preocupações com o cuidado das crianças desprovidas de recursos originaram-se as 
casas de recolhimento, fundadas pelos jesuítas, com a finalidade de cuidar das 
crianças índias, batizando-as e preparando-as para o trabalho. 
Com a cultura escravocrata surgiram novas dificuldades relacionadas as 
crianças, uma vez que o custo de sua criação era maior do que a importação de mão 
de obra escrava adulta. Sendo o problema agravado pelos filhos ilegítimos nascidos 
dos senhores com suas escravas ou índias (relações estas consideradas imorais), 
predestinando essas crianças ao abandono. Para sanar o problema, em 1726 foi 
proposto a estratégia de coletar esmolas na comunidade para acudir e internar essas 
crianças, sendo instalada em 1726, na Bahia a “Roda dos Expostos”, grande roda 
 
33 
 
giratória para onde eram levadas às crianças abandonadas, mantendo os pais no 
anonimato (GRACIANO, 2017). 
Durante os séculos XIX e XX a ideologia de caridade foi substituída pela 
ideologia filantrópica com a criação dos primeiros "institutos de atenção à criança". 
Sendo fundado em 1899, o Instituto de Proteção e Assistência à Infância no Rio de 
Janeiro, pelo Dr. Arthur Moncorvo Filho e o Instituto Disciplinar de São Paulo, criado 
em 1902. O Estado passou a ter papel ativo no atendimento a crianças e adolescentes 
privados de assistência que deveriam então submeter-se às suas determinações, para 
que não ameaçassem a sociedade, mas a família era responsabilizada pelo abandono 
(GRACIANO, 2017). 
Em 1927 instituiu-se o primeiro Código de Menores que tratou de questões 
referentes a higiene da infância, bem como da delinquência, estabelecendo sobre a 
infância vigilância pública, classificando os menores em abandonados e delinquentes. 
Em 1941 o Estado interviu com a instalação de serviços de atendimento aos 
menores (SAM - Serviço de Assistência ao Menor e a FUNABEM - Fundação 
Nacional do Bem-Estar do Menor), objetivando que as crianças e 
adolescentes provenientes de famílias “despreparadas”, incapazes ou 
inexistentes tivessem uma educação adequada, tornando-se responsável 
pela assistência e proteção à infância (MARCÍLIO, 1998, apud GRACIANO, 
2017, p.17). 
 
Ao findar da Segunda Guerra Mundial a necessidade de combater injustiças, 
despertou o desejo de uma nova ética social. Este aspecto fez com que as nações se 
organizassem na Assembleia Geral em 1948, que originou a Declaração Universal 
dos Direitos Humanos, base de uma ideia que hoje tem extraordinária importância 
para toda a humanidade – a de democracia(GRACIANO, 2017). 
Assegurar os direitos e liberdades, bem como medidas progressivas de 
caráter nacional e internacional, que devem ser promovidas por meio do 
ensino e da educação é um ideal comum entre indivíduos e instituições 
(VIEIRA, 2001, apud GRACIANO, 2017, p.17). 
Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a instrução elementar 
e gratuita é um direito de todos, podendo os pais escolherem o gênero de instrução 
que será ministrada a seus filhos. No Brasil, o período do pós-guerra foi marcado pela 
luta em prol da universalização do ensino primário. O interesse pelo acesso à 
educação fez emergir campanhas de alfabetização para as massas, intensificando a 
 
34 
 
cobrança de ações para prover recursos financeiros e fundamentar a política nacional 
de educação (GRACIANO, 2017). 
Em 1959 a Organização das Nações Unidas - ONU proclamou a Declaração 
Universal dos Direitos da Criança. Esta Declaração foi o marco do avanço 
das “conquistas da infância”, pois, pela primeira vez na história a criança 
passou a ser vista como “prioridade absoluta e sujeito de Direitos” 
(MARCÍLIO, 2006, apud GRACIANO, 2017, p.19). 
Em 1964 a Lei 4.513 estabelece a PNBEM - Política Nacional do Bem-Estar do 
Menor, propondo que o assistencialismo seja executado pela FUNABEM – Fundação 
Nacional do Bem-Estar do Menor, intentando que a política de bem-estar de crianças 
e adolescentes assumisse um caráter nacional. Surgindo ao findar dos anos de 1970 
um movimento social com visão diferenciada a respeito das crianças e adolescentes, 
mostrando ser a prática de confinamento das instituições perversa e ineficaz 
(GRACIANO, 2017). 
A década de 1990 marcou a luta pelo direito a educação para todos por meio 
da Declaração Mundial de Educação Para Todos. A estreita relação apresentada entre 
pobreza, analfabetismo e desigualdade social levou os países participantes da 
conferência a estabelecer metas para a ampliação da escolarização. Neste período 
no Brasil, passoua vigorar o Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA, Lei n° 
8.069/90 este teve como fundamento os princípios adotados pela Doutrina de 
Proteção Integral, defendida pela Organização das Nações Unidas e pela Declaração 
Universal dos Direitos da Criança, de 1959 — crianças e adolescentes passaram a 
ser projetados como sujeitos em desenvolvimento, tendo direito à proteção integral 
devendo ser-lhes assegurados oportunidades e facilidades, para facultar seu 
desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade 
e de dignidade. De acordo com o artigo 227 de nossa Constituição Federal: 
É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao 
adolescente, com prioridade absoluta, o direito à vida, à saúde, à 
alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à 
dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, 
além de colocá-los à salvo de toda forma de negligência, discriminação, 
exploração, violência, crueldade e opressão. (BRASIL, 1988, apud 
GRACIANO, 2017, p.20). 
Como reflexo lógico há imposição do dever ao Estado, à família e à sociedade 
de assegurar-lhes acesso a todos os bens da vida considerados fundamentais ao seu 
 
35 
 
bem-estar presente e futuro e de destinar-lhes proteção integral, mantendo-os a salvo 
de toda e qualquer negligência, discriminação, violência, crueldade, opressão e 
exploração. Cabendo a família, a comunidade, a sociedade e ao Poder Público 
assegurar, que isso esses direitos sejam cumpridos (GRACIANO, 2017). 
No âmbito da educação as décadas de 1990 e 2000 trouxeram em seu bojo 
propostas educacionais apoiadas por organismos internacionais (Banco Mundial e 
UNESCO) e políticas sociais nacionais para todos os níveis de ensino: a Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB 9394/96, o Plano Nacional de 
Educação (2001), a implementarão do Fundo de Manutenção de Desenvolvimento do 
Ensino Fundamental - FUNDEF (1996). 
15 INCLUSÃO: ESCOLA PARA TODOS 
 
Fonte: neuroconecta.com.br 
A escolarização brasileira aumentou significativamente no século XX, sendo 
parte integrante da vida de todos os indivíduos e tendo importante papel para a 
inserção social. O sucesso e/ou fracasso do indivíduo determinam sua inserção nos 
grupos sociais (SILVA, CARVALHO, 2017). 
A maneira mecânica e instrucionista como o currículo se organiza, com 
grande volume de matérias e conteúdos associada a ministração reprodutiva, 
tem trazido resultados insatisfatórios, sendo que “essa barbaridade, 
condenada frontalmente pelas atuais teorias de aprendizagem, não é, porém, 
 
36 
 
questionada, porque se tornou cultura. Está na alma da escola e do professor” 
(DEMO, 2004, apud GRACIANO, 2017, p.21). 
Apesar do fracasso escolar ser um dos maiores focos de estudo e discussão, 
ele ainda não foi eficazmente solucionado no país. Se o fracasso escolar é um 
elemento resultante da integração de várias forças que englobam o espaço 
institucional (a escola), o espaço das relações (vínculos do ensinante e aprendente), 
a família e a sociedade em geral, estão diante de um novo desafio. Aos educadores 
cabe não somente aceitar, mas compreender e incluir os alunos que apresentam 
dificuldades de aprendizagem e familiares, auxiliando na formação de sujeitos críticos 
com perspectivas de futuro. Atualmente ainda temos alicerçados a noção de que a 
escola é um espaço de ensino, mas antes de tudo de promoção da justiça social, o 
que traz a emergência de redefinição de sua função social (SILVA, CARVALHO, 
2017). 
Em busca da conquista de uma melhor qualidade de vida para todos faz-se 
necessário que as situações de exclusão sejam eliminadas e que as 
discussões para a elaboração das políticas sociais públicas contemplem a 
importância “das comunidades locais e regionais” (MAZZOTTA, 2005, apud 
GRACIANO, 2017, p.21). 
Nesse sentido, os principais documentos legais e normativos oficiais a partir da 
Constituição Federal como a Lei Federal no. 7853/89 (dispõe sobre a Política Nacional 
para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência), Lei no. 9394/96 (institui a Lei 
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), Decreto Federal no. 3298/99 
(Regulamenta a Lei 7853/89 e Institui a Política Nacional para a Integração da Pessoa 
Portadora de Deficiência), Lei no. 10.172, de 09 de janeiro de 2001 (aprova o Plano 
Nacional de Educação), Resolução CNE no. 02, de 11 de setembro de 2001 (institui 
as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica), tratam da 
inclusão de pessoas com necessidades educativas especiais (SILVA, CARVALHO, 
2017). 
Inclusão significa ‘escola para todos’, Direito que toda criança possui e que 
requer empenho e articulação de todas as instâncias da sociedade. Educação 
Inclusiva exige o atendimento de Necessidades Especiais, não apenas dos 
portadores de deficiências, mas de todas as crianças. Implica trabalhar com 
a diversidade, de forma interativa - escola e setores sensíveis. Deve estar 
orientada para o acolhimento, aceitação, esforço coletivo e equiparação de 
oportunidades de desenvolvimento. Requer que as crianças portadoras de 
necessidades especiais saiam da exclusão e participem de classes comuns. 
Para isso, é necessário um diagnóstico cuidadoso que levante as 
 
37 
 
necessidades específicas de cada criança. (SCOTTO, 2005, apud 
GRACIANO, 2017, p.22). 
Apesar da aparente preocupação da Legislação em encontrar caminhos que 
tornem possível a prática da inclusão, esta não é a única esfera que precisa mover-
se neste sentido, pois seu sucesso também depende da mobilização da escola em 
trabalhar, esta diversidade. Isso pode ser feito por meio da incorporação da 
diversidade como eixo central da tomada de decisões, no projeto pedagógico, visando 
atender a todos alunos da comunidade, otimizando espaços e recursos. O currículo é 
um forte instrumento para que isso venha a ser alcançado, devendo esse ser amplo, 
flexível e aberto, abrangendo os aspectos cognitivos, afetivos e sociais (LEONARDO, 
2008). 
A educação de qualidade é um direito de todos, mas para que seja possível, 
precisa-se de práticas pedagógicas que estimulem o desenvolvimento da criatividade 
e do espírito crítico, que rompam com o pragmatismo dos conteúdos não limitando-se 
a perspectiva informativa e minimalista, que abrange somente o ensino da leitura, da 
escrita e das operações matemáticas simples, como é de interesse da classe 
dominante, por ser essa prática mais do que suficiente para o papel que delas se 
espera: o de subordinados (LEONARDO, 2008). 
É fundamental que os alunos oriundos das classes populares sejam 
instrumentalizados para a leitura crítica da sociedade e possível transformação do 
mundo em que vivem. Para isso o currículo precisa ser reestruturado, a fim de 
contribuir com uma sociedade inclusiva, solidária e participativa, privilegiando valores, 
atitudes e conhecimentos do aluno, numa atitude preocupada em se opor aos valores 
competitivos, pautados na visão mercantilista e empresarial que atuam naturalizando 
o individualismo, o conformismo, a competição, a indiferença e, consequentemente, a 
exclusão (LEONARDO, 2008). 
No contexto da sociedade capitalista em que predomina-se a meritocracia, a 
desigualdade torna-se positiva e natural e o currículo não prevê a 
necessidade dos socialmente em desvantagem, consolidando a exclusão 
daqueles que não se encaixam nos comportamentos apregoados pela 
ideologia dominante, tendo se transformado nas últimas décadas em um 
instrumento do apartheid social instituído pelas elites, legitimada por alguns 
educadores e agravada pela falta de mobilização da sociedade civil em prol 
de uma escola pública de qualidade (CORTELLA , 2001, apud GRACIANO, 
2017, p.23). 
 
38 
 
Cabe à escola integrar-se à comunidade a qual pertence, e fazer do currículo o 
grande articulador do trabalho pedagógico com o contexto social e cultural dos seususuários. É de extrema importância no processo de inclusão a conscientização de que 
todos são pessoas que possuem diferenças e singularidades. Ao passo que há 
necessidades educacionais comuns, independentes da condição social, cultural e 
pessoal (que geralmente fazem parte do currículo escolar), há também uma bagagem 
pessoal, da qual fazem parte crenças, visão do mundo e interesses distintos, inerentes 
à cultura de origem do aluno (LEONARDO, 2008). 
Entretanto não podemos incorrer no erro de aceitar o relativismo, mas é 
preciso defender valores e princípios que possam assegurar o 
desenvolvimento de todos os indivíduos, integrando as diferentes culturas e 
garantindo o acesso a um currículo comum (SACRISTÁN, 2002, apud 
GRACIANO, 2017, p. 23). 
Se a pretensão é educar para a autonomia e para a liberdade faz-se necessário 
que essas necessidades individuais, diferenças e diversidades sejam diagnosticadas 
e trabalhadas de forma a permitir ao aluno os meios de acesso ao currículo, 
respeitando o tempo de cada aluno e a capacidade de assimilação individual, não o 
privando do conhecimento, mas procurando estratégias de ensino diferenciadas para 
atingir os objetivos propostos no currículo (SILVA, CARVALHO, 2017). 
Os problemas que apresentam para o currículo escolar a igualdade, a 
autonomia, a liberdade, as diferenças entre os seres humanos o sujeito, etc., 
não se esgotam na escolha de conteúdos de aprendizagem, porque são 
conceitos carregados de significados que vão informar o discurso, as políticas 
e as práticas educativas para todos os níveis (SÁCRISTÁN, 2002, apud 
GRACIANO, 2017, p.24). 
É também importante ressaltar que as transformações no ensino perpassam 
pela prática educativa, da qual o professor é parte integrante. O que implica em 
repensarmos a formação docente, preparando e conscientizando o professor desses 
processos, para alcançarmos uma inclusão social efetiva e a melhoria da qualidade 
da educação (SILVA, CARVALHO, 2017). 
 
 
39 
 
16 AS REFORMAS DA EDUCAÇÃO: POLÍTICAS DE RESULTADOS E O MODELO 
DE MERCADO 
 
Fonte: /theintercept.com 
Segundo Dantas e Jesus (2003), no final da década de 1970 surgem nos países 
desenvolvidos atividades que demandam produtividade e eficiência em meio às 
práticas sociais. A globalização e o desenvolvimento tecnológico são fatores que 
nortearam os rumos da sociedade e ocasionaram mudanças significativas nas 
práticas cotidianas das pessoas e das instituições públicas e privadas. O acesso e a 
aceitação de um novo modelo social significaram rupturas com o que até então estava 
estabelecido e proporcionou aos países em desenvolvimento e os subdesenvolvidos 
a tentar se adaptarem a esses novos modelos para ter acesso ao conhecimento, ao 
comércio e a lógica mercantilista. A recente reestruturação de sistemas educacionais 
pode ser explicada de forma correta recorrendo-se ao entendimento da globalização. 
Desse modo, para compreender como se deu o desenvolvimento das reformas 
nas políticas educacionais, faz-se necessário analisar o processo da globalização e a 
sua relação com a educação no contexto social. A partir do fenômeno da globalização, 
a educação foi tomando novos rumos e consequentemente, a influência desta incidiu 
em várias consequências, entre elas, políticas educacionais formuladas por empresas 
multilaterais que visavam à formação dos sujeitos para a atuação no mercado de 
trabalho, à mão de obra barata, desqualificada, à procura do lucro e, assim, 
ressignificando o papel social da educação (DANTAS, JESUS, 2003). 
 
40 
 
A “globalização” é frequentemente considerada como representando um 
inelutável progresso no sentido da homogeneidade cultural, como um 
conjunto de forças que estão a tornar os estados-nação obsoletos e que pode 
resultar em algo parecido com uma política mundial, e como refletindo o 
crescimento irresistível da tecnologia da informação. (DALE, 2004, apud 
SILVA, 2019, p. 262). 
De acordo com Peroni, Caetano e Lima (2017) a globalização está voltada para 
a homogeneização da cultura em que os estados-nação perdem sua força, sua 
contribuição na sociedade e, por sua vez, o crescimento da tecnologia da informação 
colaborou para o fenômeno da globalização e da homogeneização das culturas. Na 
abordagem denominada de “Agenda Globalmente Estruturada para a Educação”, 
destaca-se que a globalização “é vista como sendo construída através de três 
conjuntos de atividades relacionadas entre si, econômicas, políticas e culturais”. 
A globalização é um conjunto de dispositivos político-econômicos para a 
organização da economia global, conduzido pela necessidade de manter o 
sistema capitalista, mais do qualquer outro conjunto de valores. A adesão aos 
seus princípios é veiculada através da pressão económica e da percepção do 
interesse nacional próprio (DALE, 2004, apud SILVA, 2019, p. 263). 
A manutenção do sistema capitalista como elemento principal da globalização, 
pois por meio do capitalismo a economia global cresce acentuadamente. Dessa forma, 
pode-se inferir que a globalização perpassa por interesses que estão voltados para o 
crescimento socioeconômico do país. Assim, a educação é o principal setor afetado 
por este fenômeno, a fim de assegurar que as pessoas inseridas no âmbito escolar, 
tenham uma formação pautada nos interesses da lógica da economia e do mercado 
(PERONI, CAETANO, LIMA, 2017). 
A globalização, longe de ser consensual, é um vasto e intenso campo de 
conflitos entre grupos sociais, Estados e interesses hegemónicos, por um 
lado, e grupos sociais, Estados e interesses subalternos, por outro; e mesmo 
no interior do campo hegemónico há divisões mais ou menos significativas. 
(SANTOS, 2002, apud SILVA, 2019, p. 263). 
Nesse sentido, a globalização é um fenômeno complexo, instituído por conflitos 
e por interesses de diversos grupos hegemônicos e subalternos da sociedade, 
configurando-se em um campo de lutas, de tensões, de entraves e de dilemas, em 
que cada grupo tem seus interesses e seus objetivos na estruturação de uma política 
governamental. Assim, o processo de globalização mostra que estamos perante um 
fenômeno multifacetado com dimensões econômicas, sociais, políticas, culturais, 
 
41 
 
religiosas e jurídicas interligadas de modo complexo (PERONI, CAETANO, LIMA, 
2017). 
A partir da década de 1990, no Brasil, aconteceram algumas mudanças nas 
quais ocasionaram um novo modelo de sociedade por meio da concepção política do 
neoliberalismo. O modelo neoliberal tem como princípio possibilitar que as pessoas 
tenham autonomia para desenvolverem suas atividades educativas, de saúde e de 
lazer sem o auxílio do Estado, pois até então havia uma defesa de que o Estado seria 
o provedor das ações básicas para os cidadãos (PERONI, CAETANO, LIMA, 2017). 
Após a implantação das políticas neoliberais no contexto brasileiro, muitas 
rupturas aconteceram, mudando as ações dos cidadãos no cenário político e social 
no Brasil. As práticas neoliberais surgiram no Brasil com intensidade no mandato de 
Fernando Collor de Melo (1990-1992) e se consolidaram nos mandatos de Fernando 
Henrique Cardoso (1995-2003) que apresentam à sociedade brasileira uma nova 
concepção política que tem como principal fator um Estado mínimo com práticas do 
voluntariado para a sociedade civil e um Estado Avaliador, por meio da implantação 
de políticas que favorecem aos empresários e ao mercado financeiro (DANTAS, 
JESUS, 2003). 
Após a vivência das práticas neoliberais na sociedade brasileira surgiram 
diversos fenômenos que evidenciaram as consequências dessa política na esfera 
social, entre elas destacam-se o fracasso reiterado das tentativas de estabilização da 
economia e controle da inflação, retração econômica, aumento das desigualdades, 
violência urbana e a má qualidade de vida para a população menos favorecida. As 
desigualdades sociais, a falta de oportunidade de emprego, de lazer, de saúde e de

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