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4 Teoria da conduta

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Teoria da conduta
 			O conceito analítico de crime (crime é a ação, típica, antijurídica e culpável) serve para possibilitar a aplicação da lei de forma previsível e técnica, resultando em mais segurança para todos. 
			O conceito analítico tem seu início pela ação (nullum crimen sine conducta – não há crime sem conduta).
			O conceito de ação deve servir para:
1. Classificar os tipos de crimes (culposos ou dolosos, omissivos ou de ação, consumado ou tentado, autoria ou participação)
2. Definir o quê devemos entender por ação humana, excluindo comportamentos que devem ser julgados fora do direito penal.
 			O melhor conceito de conduta foi cunhado por Claus Roxin. Para este autor a conduta é a manifestação da personalidade humana. A conduta engloba todo comportamento, positivo ou negativo, que expresse a personalidade do sujeito. Isso significa que é conduta toda manifestação física que decorre da vontade do agente e não é conduta a ação física que não decorre de sua vontade (Assim, é ação apertar um gatilho porque tenho vontade de fazê-lo e não é conduta o caminhar do sonâmbulo ou o movimento da perna quando o médico bate com o martelinho no joelho). Por outro lado, não é conduta o pensamento que não se expressa através de ação física. 
	Essa ideia de conduta é válida. Por um lado consegue abranger todas as formas de classificação que conhecemos (condutas omissivas, ativa, culposas, dolosas, consumadas e tentadas), por outro lado, ela viabiliza a distinção entre ações atribuíveis a uma pessoa e condutas que a pessoa desenvolve sem que seja expressão de sua personalidade (sonambulismo, ato reflexo). Por fim, deixa bem certo que o pensamento não é punível (cogitationis poenam nemo patitur - Os pensamentos não implicam punição).
			Não são expressão da personalidade, e, portanto, não são ações: o atuar em coação física irresistível (por exemplo: deixar de socorrer quando se está amarrado), os atos reflexos (o motorista que sofre um ataque epilético e acaba atropelando alguém) e, por fim, o atuar em estado de inconsciência (atuar drogado, atuar hipnotizado)
 Ação e omissão
A conduta pode ser realizada através de: ação ou de omissão.
 			A ação: é espécie de conduta que implica atuação, movimento, fazer. Os tipos penais de ação descrevem uma atuação (ex. roubar, matar, invadir).
			A omissão própria: é conduta que implica em um não fazer aquilo que o tipo penal determina. Nos crimes omissivos próprios o tipo penal descreve uma omissão, um deixar de realizar atividade que seria necessária para evitar que o bem jurídico tutelado fosse destruído, ou exposto à risco de ser destruído. Bem por isso é que os tipos penais omissivos normalmente começam com a expressão “Deixar de”.
			Omissão imprópria ou crime comissivo por omissão: Os tipo penais comissivos (tipo penais que descrevem ações, por exemplo, “matar alguém”) por vezes podem ser realizados através de uma omissão (deixar de alimentar uma criança até que ela morra de fome), nesses casos chamamos o crime de comissivos por omissão (ou crime de omissão imprópria). Para delimitar quem pode praticar esta modalidade de crime criou-se a teoria do garante. Garante é aquele que tem a responsabilidade de evitar o resultado. A responsabilidade de evitar o resultado incumbe a quem tem que atuar porque a lei assim o determina (o pai deve proteger o filho, assim se o deixa morrer de forme é como se o tivesse matado), porque assumiu a obrigação de evitar o resultado em virtude de um contrato (a enfermeira do hospital deve aplicar o medicamento que evita a morte porque assumiu o contrato de trabalho no hospital que estabelece como uma de suas obrigações ministrar o medicamento) ou porque, tendo causado o risco, tem obrigação de prover a segurança (quem leva criança para nadar, precisa cuidar para evitar o afogamento).
 			Então: os tipos penais (descrição da conduta efetuada na lei):
1. Ou descrevem uma ação (Tipos Comissivos),
2. Ou descrevem uma omissão (Tipos Omissivos).
 			As condutas que se subsumirão (subsumir é se adequar, corresponder, ao tipo) a esses tipos podem ser:
1. Ações comissivas (se subsumem aos tipos de que descrevem ações, tipos comissivos)
2. Ações comissivas por omissão, ou também denominadas omissivas impróprias (estas espécies de ações se subsumem aos tipos que descrevem ações, tipos comissivos, mas são realizadas através de uma omissão: o pai deixa de alimentar o filho. Como tinha obrigação de agir, essa omissão equivale a uma ação)
3. Omissões próprias (esta espécie se subsume aos tipos omissivos. O indivíduo não presta socorro, por isso, essa conduta se subsume ao tipo de omissão de socorro, art. 135 do CP).
Resultado
 			O resultado é aquilo que advém da ação. O resultado é a consequência da ação.
			A omissão não gera resultado. A omissão simplesmente não evita o resultado que é consequência natural. Portanto, a omissão é um não agir, quando existia o dever de agir para evitar o resultado.
			O resultado pode ser de duas espécies:
1. Resultado jurídico. Resultado jurídico é a violação da norma. Portanto, todo crime tem resultado jurídico (todo crime é uma violação da norma).
2. Resultado naturalístico. Resultado naturalístico é a alteração do mundo exterior, fenomênico (por exemplo, quando puxo o gatilho, deflagro o projétil, atinjo a vítima, ela morre, causei alteração no mundo exterior) Logo, existem crimes que não causam alteração do mundo exterior (na injúria, modalidade de crime que se perfaz quando alguém insulta, xinga, a outrem, nada no mundo é alterado) e crimes que causam alteração no mundo exterior.
			Tomando-se por base o resultado naturalístico podemos classificar os crimes em:
a. Materiais: o tipo penal exige que o resultado naturalístico ocorra para que se tenha o crime por consumado (ex. art. 121 do CP).
b. Formais: o tipo penal até prevê o resultado, mas não exige que o resultado ocorra para que haja a consumação do crime (ex. art. 158 do CP)
c. De Mera Conduta: o tipo penal descreve somente uma ação, não descreve o resultado naturalístico. Basta para a consumação do crime que o agente realize a conduta (ex. art. 140 do CP).
 			 Nos crimes que possuem resultado naturalístico, ou seja, que descrevem uma alteração no mundo exterior, fenomênico, há uma ação e um resultado. Os dois (ação e resultado) são ligados pelo nexo causal.
			Para definir quem é autor do crime material, precisamos identificar quem deu causa àquele resultado (que é previsto no tipo).
			São três as principais teorias acerca da relação de causalidade (que definem o nexo causal):
1. Teoria da equivalência das condições. Criada por Von Buri, em 1863. É uma teoria claramente naturalística, ligada ao mundo dos fatos, explica como os eventos ocasionaram, sem ter a preocupação de discutir a responsabilidade moral pela causação deles. Segundo esta teoria, não há diferença entre causas ou condições, condições e causas se equivalem. Então, todas as causas que, de qualquer forma, em qualquer momento, contribuíram para a ocorrência do resultado (também chamado de evento) podem ser entendidos como causadoras deste resultado. 
 			O problema dessa teoria é que é ilimitada. Através dela pode-se chegar à conclusão que também é causador do crime quem fabricou a arma utilizada no crime, ou também que é causador do crime quem industrializou o metal com o qual foi fabricado a arma. Essa ausência de limitação é defeito que torna necessário estabelecer algum critério limitador, apto a indicar quem, de fato, atuou para realizar o crime.