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caderno de processo penal II

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Faculdade Baiana de Direito 2020.2 Rachel Abreu 
CADERNO DE PROCESSO PENAL II
PROVA 01: entregar no dia 25/09
PROVA 02: entregar no dia 27/11
1ª UNIDADE
AULA 01
SUJEITOS PROCESSUAIS
1. CONCEITO: são as pessoas que se envolvem nas relações jurídica processuais; pessoas necessárias para que se possa falar em processo penal – JUIZ; ÓRGÃO ACUSADOR; ACUSADO
 
- Há sujeito processual durante a investigação? Só existem sujeitos processuais na fase da ação penal, NÃO há sujeito processual na fase de investigação 
- Quando se inicia o processo penal condenatório? Com o recebimento da denúncia ou da queixa crime. Antes disso não há sujeito processual 
- O juiz das garantias é sujeito processual? Ele atua na fase pré processual e por isso não é sujeito processual, pois sem ele é possível que a relação jurídica processual aconteça 
2. Sujeitos centrais da relação processual penal (processo penal condenatório): 
- JUIZ (da instrução e julgamento) 
- AUTOR/ÓRGÃO ACUSADOR (parte ativa, que pode ser o MP ou o querelante)
- RÉU (parte passiva, que é o acusado ou o querelado)
3 – CLASSIFICAÇÃO DOS SUJEITOS PROCESSUAIS: 
- Sujeitos processuais principais: juiz; autor; réu
- Sujeitos processuais secundários, acessórios ou colaterais: aqueles que tem algum direito no processo, mas que não são indispensáveis na relação jurídica 
- Terceiros: não tem direito processual, mas que contribuem no processo (testemunhas; perito) 
- Parte sob o ponto de vista material: a parte na infração penal/ no crime – é a vítima (sujeito passivo) e o ofensor (sujeito ativo)
- Parte sob o ponto de vista formal: se analisa o processo criminal; no polo ativo tem que se analisar quem propõe a ação (MP ou querelante) e no polo passivo (querelado ou o réu) contra quem se acusa 
4 – O JUIZ: 
- Ele representa os interesses do Estado, tanto é que se esse juiz gerar um dando por imprudência, ou negligência e acabar gerando uma indenização, essa indenização é formulada contra o Estado e o Estado poderá então entrar regressivamente contra o juiz Pessoa física 
- é o único com a capacidade de dizer o Direito
- Ele deve possuir: 
· Capacidade funcional (investidura): regulamente investido na magistratura; bacharel em direito e aprovado em concurso, com 3 anos de atividade pública, com nomeação no cargo de juiz 
· Capacidade processual (ou capacidade objetiva): a competência conforme a CF...
· Imparcialidade (capacidade subjetiva): não ter interesse pessoal com as causas que irá julgar; conseguir afastar suas concepções pessoais no momento da aplicação da lei
4.1 – GARANTIAS FUNCIONAIS DOS JUIZES: existem para que não haja nenhum tipo de influência externa na atuação dos juízes 
- INAMOVIBILIDADE: o magistrado não pode transferido de uma comarcada para outra sem seu consentimento 
- VITALICIEDADE: a função exercida é vitalícia, não há como tirar o juiz do seu cargo sem um procedimento judicial; essa garantia é obtida com 2 anos de exercício do cargo 
- IRREDUTIBILIDADE: não é possível ter a redução do salário do juiz ao longo dos anos de exercício de função 
4.2 – FUNÇÕES DOS JUÍZES: 
- Prover a regularidade do processo (art. 251 do CPP) e manter a ordem no curso dos respectivos atos, podendo, para tal fim, requisitar, a força pública
Para que o juiz exerça essas funções ele precisa praticar alguns atos: esses atos são divididos em atos de natureza jurisdicional (ordinatórios, instrutórios, finais), atos de natureza administrativa e funções anômalas.
- ATOS DE NATUREZA JURISDICIONAL: 
· ORDINATÓRIOS: aqueles para corrigir alguma falha no curso do processo; sem muita importância para o final do processo 
· INSTRUTORIOS: tem valor probatório; aqueles com o objetivo de provar algo ao longo do processo 
· FINAIS: são atos decisórios; sentenças ou decisões interlocutórias 
- ATOS DE NATUREZA ADMINISTRATIVA (OU DE POLÍCIA): atos que servem para manter a ordem durante o processo (caso alguém se exalte em uma sessão, um julgamento, o juiz pode usar da força policial para tirar essa pessoa da sala, isso é um exemplo de ato administrativo)
- FUNÇÃO ANÔMALA: é uma função não jurisdicional, que não é abtual do juiz
4.3 – IMPEDIMENTO DO JUIZ: 
· Previsão legal: o próprio CPP prevê que o juiz é parcial em algumas situações e nesses casos não poderá atuar, de forma objetiva, não importando a intenção do juiz; art. 252 CPP. 
· Rol taxativo ou exemplificativo? É um rol taxativo. 
· Se refere a fatos objetivos, relacionados ao próprio processo em curso e se configuram independentemente da vontade dos sujeitos do processo; não se analisa o elemento subjetivo do magistrado. 
· Consequência jurídica: qualquer ato praticado por um juiz impedido é um ato considerado inexistente no processo 
· Preclusão temporal? Pode se alegar esse impedimento até quando? Até após o transito em julgado da sentença penal condenatória, ou seja, em qualquer tempo no processo. 
Art. 252.  O juiz não poderá exercer jurisdição no processo em que:
I - Tiver funcionado seu cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, como defensor ou advogado, órgão do Ministério Público, autoridade policial, auxiliar da justiça ou perito; 
- Inclui-se, aqui, a figura do companheiro. 
- Em caso cível, que pode ser aplicado ao criminal, o STJ já entendeu que não gera impedimento a decisão proferida sem apreciar o mérito 
II – Ele próprio houver desempenhado qualquer dessas funções ou servido como testemunha;
- Não poderá julgar o processo o juiz que, antes de ingressar na magistratura, foi o advogado do réu ou o delegado do caso. 
- O juiz que atuou na fase pré-processual, como no deferimento de uma medida cautelar de busca e apreensão, estará impedido de, depois, atuar na fase processual? Atualmente ele pode atuar nas duas fases e não estará impedido, por conta da suspensão dos juízes da garantia 
- Previsão do art. 75 do CPP: como o juiz das garantias está suspenso, não existe essa ideia de dois juízes distintos. Muitos autores defendem que o art. 75, na sua parte inicial acabou sendo revogado, após a suspensão do juiz das garantias. 
III - tiver funcionado como juiz de outra instância, pronunciando-se, de fato ou de direito, sobre a questão;
- Meros despachos de andamento do processo também gerarão o impedimento? Não há esse impedimento 
 IV - Ele próprio ou seu cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, for parte ou diretamente interessado no feito.
- Poderá ocorrer está hipótese tanto no caso dessas pessoas serem partes interessadas no feito (como querelantes ou querelados) quanto no caso de algum interesse penal (reparação do dano causado pelo crime, por exemplo)
- Impedimentos das leis processuais cíveis podem ser aplicadas no processo penal? As hipóteses de impedimento são apenas a do art. 252, CPP e não admitem ampliação! Isso pode acontecer apenas nas hipóteses de suspeição 
- Como ocorre em caso de órgão coletivo? (art. 253, CPP) 
Art. 253.  Nos juízos coletivos, não poderão servir no mesmo processo os juízes que forem entre si parentes, consanguíneos ou afins, em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive.
- Isso acontece porque há uma tendência de haver uma votação em comum acordo. isso se aplica também para os companheiros 
4.4 – HIPOTESES DE SUSPEIÇÃO 
Art. 254.  O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes:
I - Se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer deles;
- Não haverá suspeição se houver má-fé da parte, ou seja, ela não pode criar artificiosamente uma situação que objetiva afastar o juiz do caso 
II - Se ele, seu cônjuge, ascendente ou descendente, estiver respondendo a processo por fato análogo, sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia;
- Inclui-se, aqui, o companheiro 
III - se ele, seu cônjuge, ou parente, consanguíneo, ou afim, até o terceiro grau, inclusive, sustentar demanda ou responder

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