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EPIDEMIOLOGIA E MECANISMOS DE PATOGENICIDADE

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EPIDEMIOLOGIA 
E 
MECANISMOS DE PATOGENICIDADE
No mundo atual, superpopuloso e com regiões de alta densidade demográfica, em que as
viagens frequentes e a produção e distribuição em massa de alimentos e outros produtos fazem
parte do cotidiano, doenças podem se disseminar rapidamente.
Uma fonte de água ou alimentos contaminados, por exemplo, pode afetar muitos milhares de
pessoas de forma rápida. A identificação do AGENTE CAUSADOR DE UMA DOENÇA é
necessária, o que permite seu tratamento e controle. Também é importante compreender o MODO
DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA da doença. A ciência que estuda quando e
onde as doenças ocorrem e como elas são transmitidas nas populações é chamada de
EPIDEMIOLOGIA.
A epidemiologia moderna começou em meados do século XIX com três investigações, hoje
famosas.
John Snow, um médico inglês, conduziu uma série de investigações relacionadas a surtos de
cólera em Londres. À medida que a epidemia de cólera de 1848 a 1849 seguia descontrolada,
Snow analisou os registros de óbitos atribuídos à cólera, coletando informações sobre as vítimas e
entrevistando os sobreviventes que viviam nos bairros afetados. Usando toda a informação que
compilou, Snow preparou um mapa mostrando que a maioria dos indivíduos que morreram de
cólera beberam ou utilizaram água proveniente de uma bomba localizada na rua Broad; aqueles
que usaram água de outras bombas (ou beberam cerveja, como os funcionários de uma cervejaria
próxima) não contraíram a doença. Ele concluiu que a água contaminada da rua Broad era a fonte
da epidemia. Quando a bomba foi desativada e as pessoas não tiveram mais acesso à água dessa
localidade, o número de casos de cólera diminuiu significativamente.
Entre 1846 e 1848, Ignaz Semmelweis registrou meticulosamente o número de nascimentos e os
casos de morte materna no Hospital Geral de Viena. A Primeira Clínica Obstétrica havia se tornado
motivo de comentários por toda Viena em razão da taxa de mortes devido à sepse puerperal, que
afetava 13 a 18% das mães, quatro vezes mais que a Segunda Clínica Obstétrica. A sepse puerperal
(febre do parto) é uma doença nosocomial que inicia no útero como resultado do parto ou aborto e é
frequentemente causada por Staphylococcus pyogenes. A infecção se espalha pela cavidade
abdominal (peritonite) e em muitos casos se transforma em septicemia (proliferação de micróbios no
sangue). Mulheres ricas não iam à clínica, e mulheres pobres achavam que teriam melhor chance de
sobrevivência se fizessem o parto em outro lugar antes de irem ao hospital. Observando os dados,
Semmelweis identificou um fator comum entre as mulheres ricas e pobres que haviam dado a luz
antes de irem à clínica: elas não eram examinadas por estudantes de medicina, que passavam as
manhãs dissecando cadáveres. Em maio de 1847, ele ordenou que todos os estudantes de medicina
lavassem as mãos com hipoclorito de cálcio antes de entrarem na sala de parto. A partir dessa
iniciativa, a taxa de mortalidade diminuiu para menos de 2%.
Os trabalhos de Snow e Semmelweis resultaram em mudanças que diminuíram a incidência de doenças,
embora o conhecimento sobre as causas das doenças infecciosas fosse limitado. A maioria dos médicos
acreditava que os sintomas que observavam eram a causa da doença, e não seu resultado. O trabalho de
Koch e a teoria dos germes para explicar a origem das doenças demorariam ainda 30 anos para acontecer.
Um epidemiologista não apenas determina a etiologia de uma doença, mas também identifica outros
fatores possivelmente importantes e padrões associados às pessoas afetadas. Uma parte essencial do
trabalho do epidemiologista consiste na preparação e análise de dados como idade, sexo, ocupação, hábitos
pessoais, nível socioeconômico, histórico de imunizações, presença de outras doenças, história comum de
indivíduos afetados (como comer o mesmo alimento ou visitar o mesmo consultório médico), etc. Também é
importante para a prevenção de surtos futuros o conhecimento do o local onde um hospedeiro suscetível
entrou em contato com o agente infeccioso. Além disso, o epidemiologista considera o período de ocorrência
da doença, seja este de forma sazonal (para indicar se a doença é prevalente durante o verão ou o inverno) ou
de forma anual (para indicar os efeitos da imunização ou uma doença emergente ou re-emergente).
Um epidemiologista também se preocupa com os vários métodos de controle de uma
doença. As estratégias para controlá-las incluem o uso de drogas (quimioterapia) e vacinas
(imunização). Outros métodos incluem controle de reservatórios humanos, animais ou
inanimados, tratamento de água, escoamento apropriado de esgotos (no caso de doenças
entéricas), acondicionamento frio, pasteurização, inspeção de alimentos, cozimento adequado
(no caso de doenças transmitidas por alimentos), nutrição adequada para favorecer o
fortalecimento das defesas do hospedeiro, mudanças nos hábitos pessoais e triagem de sangue
para transfusões e de órgãos para transplantes.
Esses gráficos fornecem informações que indicam se a doença é esporádica ou epidêmica e, no
caso de ser epidêmica, como pode ter se disseminado. Estabelecendo a frequência de uma doença
em uma população e identificando os fatores responsáveis por sua transmissão, o epidemiologista
pode fornecer aos médicos informações importantes para determinar o prognóstico e o tratamento de
uma doença.
Os epidemiologistas também podem avaliar se uma doença está sendo efetivamente controlada
em uma comunidade – por um programa de vacinação, por exemplo. Finalmente, os epidemiologistas
podem fornecer dados que auxiliam a avaliação e o planejamento de ações de cuidados de saúde em
uma comunidade.
Os epidemiologistas usam três tipos básicos de investigação ao analisar a ocorrência de uma
doença: descritiva, analítica e experimental.
EPIDEMIOLOGIA DESCRITIVA
A epidemiologia descritiva envolve a COLETA DE TODOS OS DADOS QUE DESCREVEM A
OCORRÊNCIA DE UMA DOENÇA EM ESTUDO. Informações relevantes normalmente incluem dados sobre
os indivíduos afetados, assim como o local e o período no qual a doença ocorreu.
A pesquisa de Snow sobre a causa da epidemia de cólera em Londres é um exemplo de epidemiologia
descritiva. Esses estudos normalmente são RETROSPECTIVOS (analisando o período pregresso, depois que
o episódio já se encerrou). Em outras palavras, o epidemiologista busca no passado a causa e a origem da
doença.
A busca da causa da síndrome do choque tóxico é um exemplo de um estudo retrospectivo relativamente
recente. Na fase inicial de um estudo epidemiológico, análises retrospectivas são mais comuns que análises
prospectivas (que analisam o período futuro), em que o epidemiologista escolhe estudar um grupo de pessoas
que estão livres de uma determinada doença. Doenças subsequentes que surjam no grupo são então
registradas por um dado período. Estudos prospectivos foram usados para os testes da vacina Salk, contra
pólio, em 1954 e 1955.
EPIDEMIOLOGIA ANALÍTICA
A epidemiologia analítica estuda UMA DOENÇA EM PARTICULAR PARA DETERMINAR SUA
CAUSA MAIS PROVÁVEL. Esse estudo pode ser feito de duas formas. No método de CASO CONTROLE,
o epidemiologista procura por fatores que possam ter precedido a doença. Um grupo de pessoas que têm a
doença é comparado a um grupo de pessoas livres da doença.
Por exemplo, um grupo com meningite e um sem a doença são pareados por sexo, idade, condição
socioeconômica e localização. As estatísticas são comparadas para determinar quais dos possíveis fatores
– genéticos, ambientais, nutricionais e assim por diante – podem ser responsáveis pela meningite.
Pelo MÉTODO DE COORTES, o epidemiologista estuda duas populações: uma que teve contato com
o agente causador da doença e outra que não teve contato (ambos os grupos são chamados de coorte).
Por exemplo, a comparação de um grupo composto por pessoas que receberam transfusões
sanguíneas e outro de pessoas que não receberam pode revelar uma

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