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Direitos Humanos

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Direitos Humanos 
Conceito: O conjunto de direitos e garantias assegurados nas declarações e tratados 
internacionais de direitos humanos. Conjunto de direitos considerado indispensável 
para vida humana pautada na liberdade, igualdade e dignidade. “Dá-se o nome de 
liberdades públicas, de direitos humanos ou individuais àquelas prerrogativas que tem 
o indivíduo em face do Estado.” 
Das categorias e Gerações de Direitos Humanos 
As dimensões ou gerações de DH: A doutrina menciona 3 dimensões clássicas dos DH: 
Liberdade, Igualdade e Fraternidade. 
LIBERDADE: protege os direitos civis e políticos individuais (liberdade, vida e 
segurança); 
IGUALDADE: protege os direitos econômicos, sociais, culturais e trabalhistas; 
FRATERNIDADE: também conhecida como “princípio da solidariedade”, protege os 
direitos difusos como meio ambiente, consumidor e desenvolvimento. 
A Classificação dos direitos humanos quanto a natureza dos mesmos restou 
fragmentada em dois campos que os próprios tratados internacionais criaram uma 
classificação: a existência de direitos civis e políticos, por um lado e de direitos 
econômicos, sociais e culturais por outro. 
Direitos Civis e Políticos: em regra são direitos relacionados à vida, liberdade e 
participação política dos cidadãos. Também em regra exigem uma atitude negativa dos 
Estados, que não podem coibir a liberdade e nem proibir a manifestação política de 
seus nacionais. Mas, em alguns momentos impõe aos Estados certos deveres positivos, 
como a promoção de eleições periódicas pelos Estados (art. 25 do PDCP). 
Direitos Econômicos, Sociais e Culturais: são os denominados direitos sociais, como 
direito à alimentação, saúde, educação e habitação, que por sua vez, obrigam os 
Estados a exercerem prestações positivas, isto é, deverão proporcionar aos cidadãos 
serviços e bens públicos destinados ao cumprimento de condições materiais 
suficientes de existência. 
Há também prestações negativas como a não interferência no direito à sindicalização 
(art. 8º do PIDCP). 
Uma classificação tradicional dos direitos humanos é aquela que os divide em gerações 
ou dimensões segundo a doutrina mais atual. 
Direitos de 1º Dimensão ou Geração: nasceu nas revoluções burguesas dos séculos 
XVII E XVIII e envolvem os direitos de autonomia, defesa e participação, possuindo 
característica de distribuição de competências entre o Estado e o indivíduo. 
Essa geração refere-se aos direitos civis e políticos, também chamados de direitos de 
liberdade. As liberdades públicas negativas que buscavam a abstenção estatal, a não 
interferência do poder público na esfera dos interesses privados. 
Direitos de 2º Dimensão ou Geração: Decorrente dos movimentos sociais do século 
XIX e XX, demandavam um papel ativo e interventivo do Estado. Também considerados 
direitos prestacionais, alcançam os direitos econômicos, sociais e culturais pautados 
pelo direito da igualdade. 
Direitos de 3º Dimensão ou Geração: São os denominados direitos de solidariedade 
ou direitos globais, que incluem o direito ao desenvolvimento, o direito a um ambiente 
sadio e ecologicamente equilibrado, o direito à paz, o direito à autodeterminação dos 
povos e o direito de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. São 
denominados os direitos transindividuais. 
Direitos de 4º Dimensão ou Geração: são os direitos decorrentes da globalização 
política e que correspondem à fase de institucionalização do Estado Social. Direitos dos 
povos. 
5º Dimensão Futuro dos Indivíduos – Paz Universal. 
6º Dimensão Futuro dos Indivíduos – Acesso à água. 
CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS HUMANOS 
INERÊNCIA: os DH pertencem a todos os seres humanos; são inerentes aos seres 
humanos. 
UNIVERSALIDADE: não importa a raça, a cor, o sexo, a origem, a condição social, a 
língua, a religião ou opção sexual; 
TRANSNACIONALIDADE: não importa o local em que esteja o ser humano; 
INDIVISIBILIDADE: os DH não são fracionados; implica em unicidade, assegurando não 
ser possível se reconhecer apenas alguns direitos humanos (atenção aos direitos 
sociais). 
UNIVERSALISMO X RELATIVISMO CULTURAL 
A concepção universal dos direitos humanos delineada pela Declaração Universal de 
1948 e reafirmada pela Declaração de Viena de 1993 sofreu e ainda sofre fortes 
resistências dos adeptos do movimento do relativismo cultural. 
Para os relativistas, a noção de direito está estritamente relacionada ao sistema 
político, econômico, cultural, social e moral vigente em determinada sociedade. 
Segundo os relativistas cada cultura possui o seu próprio discurso acerca dos direitos 
fundamentais, que está relacionado às específicas circunstâncias culturais e históricas 
de cada sociedade. Nesse sentido, acreditam os que se filiam ao relativismo cultural, 
que o pluralismo cultural impede a formação de uma moral universal, tornando-se 
necessário que se respeitem as diferenças culturais apresentadas por cada sociedade, 
bem como seu peculiar sistema moral. 
No olhar relativista há o primado do coletivismo. Isto é, o ponto de partida é a 
coletividade, e o indivíduo é percebido como parte integrante da sociedade. Já na ótica 
universalista, há o primado do individualismo. O ponto de partida é o indivíduo, sua 
liberdade e autonomia (a dignidade humana como elemento individualista), para que, 
então, se avance na percepção dos grupos e das coletividades. 
INTERDEPENDÊNCIA: muitas vezes para o exercício de um dir. humano, passa-se 
obrigatoriamente pelo anterior de outra geração/dimensão. 
INDISPONIBILIDADE: o ser humano não pode abrir mão, dispor de um direito humano, 
por ser inerente a ele e nem os Estados podem suprimi-los, a partir do momento que 
os reconhece. 
IMPRESCRITIBILIDADE: um direito humano não prescreve por decurso de prazo. 
Atualmente a majoritária jurisprudência do STJ está aplicando a imprescritibilidade dos 
direitos humanos. 
PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. INDENIZAÇÃO. 
REPARAÇÃO DE DANOS MATERIAIS E MORAIS. REGIME 
MILITAR. DISSIDENTE POLÍTICO PRESO NA ÉPOCA DO 
REGIME MILITAR. TORTURA. DANO MORAL. FATO 
NOTÓRIO. NEXO CAUSAL. NÃO INCIDÊNCIA DA 
PRESCRIÇÃO QUINQUENAL - ART. 1º DECRETO 
20.910/1932. IMPRESCRITIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL 
Nº 1.165.986 - SP (2008/0279634-1) RELATOR: MINISTRO 
LUIZ FUX. Julgado em 16/11/2010. 
 
INDIVIDUALIDADE: podem ser exercidos por apenas um indivíduo. 
COMPLEMENTARIEDADE: os direitos humanos devem ser interpretados em conjunto, 
não havendo hierarquia entre eles. 
INVIOLABILIDADE: esses direitos não podem ser descumpridos por nenhuma pessoa 
ou autoridade. 
IRRENUNCIABILIDADE: são irrenunciáveis estes direitos. 
INTERRELACIONARIEDADE: os direitos humanos e os sistemas de proteção se inter-
relacionam, possibilitando às pessoas escolher entre o mecanismo de proteção global 
ou regional não havendo hierarquia entre eles. 
HISTORICIDADE: estão vinculados ao desenvolvimento histórico e cultural do ser 
humano. 
VEDAÇÃO DO RETROCESSO OU DO REGRESSO: uma vez estabelecidos os direitos 
humanos, não se admite o retrocesso visando sua limitação ou diminuição. 
PREVALÊNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA: na solução de um caso concreto deve 
prevalecer a norma mais benéfica para a vítima da violação dos direitos humanos. 
A TUTELA INTERNACIONAL DA PESSOA HUMANA E SEUS TRÊS EIXOS DE PROTEÇÃO 
DIREITO INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS: proteção do ser humano em 
todos os aspectos, englobando direitos civis e políticos, direitos sociais, econômicos, 
culturais e os direitos transindividuais. 
DIREITO INTERNACIONAL DOS REFUGIADOS: age na proteção do refugiado, desde a 
saída do seu local de residência, concessão do refúgio e seu eventual término. 
O DIREITO INTERNACIONAL HUMANITÁRIO 
Foca na proteção do ser humano na situação específica dos conflitos armados 
(internacionais ou não internacionais – guerras civis). 
É também conhecido como o direito internacional da guerra, pois precede a própria 
formação do direito