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Direitos Humanos

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internacional dos direitos humanos. Surge a partir da iniciativa do 
suíço Henri Dunant que, após presenciar o massacre e a desumana situação de feridos 
na Batalha de Solferino (1859), ocorrida em solo italiano, decide criar a Cruz Vermelha 
e iniciar uma campanha internacional para a proteção dos militares feridos e doentes. 
Com o sucesso obtido na sua empreitada em 1864 foi aprovada a primeira Convenção 
de Genebra. 
A 1º Convenção de Genebra, sucederam-se diversas outras: 
1) Segunda Convenção de Genebra – 1907, que visou a proteção de feridos, enfermos 
e náufragos das forças armadas do mar; 
2) Terceira Convenção de Genebra – 1929, que instituiu regime jurídico e proteção dos 
prisioneiros de guerra; 
3) Quarta Convenção de Genebra – 1949, que revisou as convenções anteriores e 
acrescentou a proteção em relação aos civis, inclusive em territórios ocupados. 
Às Convenções de Genebra, seguiram-se três protocolos: 
A) Protocolo I de 1977 – proteção das vítimas dos conflitos armados internacionais, 
considerando que conflitos armados contra dominação colonial, ocupação estrangeira 
ou regimes racistas devem ser considerados como conflitos internacionais; 
B) Protocolo II de 1977 – proteção de vítimas em conflitos armados não internacionais 
(guerras civis); 
C) Protocolo III de 2007 – adiciona o emblema do cristal vermelho ao lado da cruz 
vermelha e do crescente vermelho. 
Assim, o Direito Humanitário não visa impedir a guerra, mas tão somente 
regulamentar o uso da força e da violência uma vez que o conflito armado é 
deflagrado. 
Princípios de Direito Internacional Humanitário: 
A) Princípio da Humanidade: De acordo com esse princípio, a dignidade humana deve 
ser preservada por mais precária e gravosa que seja a situação; 
B) Princípio da Necessidade: os bens civis devem ser respeitados e não podem ser 
alvos de ataques e retaliações; 
C) Princípio da Proporcionalidade: as partes devem utilizar de seus recursos bélicos de 
forma proporcional a superar e vencer a parte adversa, rejeitando-se um malefício 
superior aos ganhos militares pretendidos. 
O COMITÊ INTERNACIONAL DA CRUZ VERMELHA (CICV) 
A principal entidade responsável pelo monitoramento do cumprimento do direito 
internacional humanitário pelos Estados é o CICV, em realidade, uma organização 
independente e não-governamental cujo status e prerrogativas são reconhecidos nas 
próprias Convenções de Genebra. 
O CICV visa defender e amparar as vítimas de guerras e catástrofes naturais, além de 
auxiliar no contato com familiares e na busca por desaparecidos. 
Embora não prevejam um órgão internacional voltado para aplicação de sanções, os 
tratados que compõem o direito internacional humanitário podem ser invocados 
perante a CIJ e o TPI. 
Deste modo, o desenvolvimento do direito internacional humanitário é considerado 
como um dos precedentes históricos para a internacionalização dos direitos humanos. 
O DIREITO INTERNACIONAL DOS REFUGIADOS 
O direito internacional dos refugiados também decorre de um “Convenção de 
Genebra”, que, a não ser pelo nome, não se identifica com aquelas relacionadas ao 
direito internacional humanitário. 
O principal instrumento do direito internacional dos refugiados é a Convençãodas 
Nações Unidas sobre o Estatuto dos Refugiados, adotada em 28/07/1951 e com 
vigência a partir de 22/04/1954. 
Essa Convenção definia o que se compreendia como refugiado e ao mesmo tempo 
estipulava regras para a sua proteção e a concessão de asilo político pelos Estados-
membros. Contudo, ela possuía uma grave limitação de tempo: somente se aplicava 
aos refugiados em relação a eventos ocorridos antes de 1º de janeiro de 1951. A esse 
condicionamento denominou-se “reserva temporal”. 
Após um período de discussões internacionais, foi elaborado o Protocolo relativo ao 
Estatuto dos Refugiados que entrou em vigor em outubro de 1967. Com esse 
protocolo, deixaram de existir limitações geográficas e temporais para o 
reconhecimento do status de refugiado a determinadas categorias de pessoas, 
buscando-se agora conferir efetiva proteção a todos aqueles que se deslocam em 
razão de uma crise política. 
Refugiado: é todo o indivíduo que, em decorrência de fundados temores de 
perseguição, seja relacionado a sua raça, religião, nacionalidade, associação a 
determinado grupo social ou opinião política e também por fenômenos ambientais, 
encontra-se fora de seu país de origem e que, por causa dos ditos temores, não pode 
ou não quer regressar a ele. 
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) foi criado em 
1949 e é órgão integrante do Sistema da ONU responsável por garantir e assegurar 
aos refugiados a observância dos seus direitos e por monitorar e acompanhar os 
movimentos de refugiados no globo. 
No Brasil, o direito dos refugiados foi regulamentado pela Lei nº 9.474/1997, que 
também criou o Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), órgão colegiado 
vinculado ao Ministério da Justiça. 
De acordo com o art. 1º dessa lei, será reconhecido como refugiado todo indivíduo 
que: 
Art. 1º Será reconhecido como refugiado todo indivíduo que: 
I - devido a fundados temores de perseguição por motivos de raça, religião, 
nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas encontre-se fora de seu país de 
nacionalidade e não possa ou não queira acolher-se à proteção de tal país; 
II - não tendo nacionalidade e estando fora do país onde antes teve sua residência 
habitual, não possa ou não queira regressar a ele, em função das circunstâncias 
descritas no inciso anterior; 
III - devido a grave e generalizada violação de direitos humanos, é obrigado a deixar 
seu país de nacionalidade para buscar refúgio em outro país. 
Art. 2º Os efeitos da condição dos refugiados serão extensivos ao cônjuge, aos 
ascendentes e descendentes, assim como aos demais membros do grupo familiar que 
do refugiado dependerem economicamente, desde que se encontrem em território 
nacional. 
O direito dos refugiados visa defender o ser humano em uma de suas condições mais 
fragilizadas: quando encontra-se desvinculado de sua terra natal e em ameaça de 
violência (seja física, psicológica ou econômica) caso a ela retorne. 
SISTEMA DE DIREITOS HUMANOS 
AFIRMAÇÃO HISTÓRICA DOS DIREITOS HUMANOS 
1- CILINDRO DE CIRO (539 AC, BABILÓNIA) 
Em 539 a.C., os exércitos de Ciro, O Grande, o primeiro rei da antiga Pérsia, 
conquistaram a cidade da Babilônia. Mas foram as suas ações posteriores que 
marcaram um avanço muito importante para o Homem. Ciro libertou os escravos, 
declarou que todas as pessoas tinham o direito de escolher a sua própria religião, e 
estabeleceu a igualdade racial. Estes e outros decretos foram registados num cilindro 
de argila na língua acádica em escrita cuneiforme. 
O Cilindro de Ciro como é hoje conhecido, foi descoberto em 1879 e a ONU traduziu o 
seu conteúdo em 1971 para todas as suas línguas oficiais. O Cilindro de Ciro é 
considerado a primeira declaração de direitos humanos, ao permitir que os povos 
exilados na Babilônia regressassem à suas terras de origem. 
O Cilindro de Ciro (declaração de boa governança) foi agora reconhecido como a 1º 
carta de direitos humanos do mundo. Está traduzido nas 6 línguas oficiais da ONU e é 
análogo aos quatro primeiros artigos da Declaração Universal dos 
Direitos do Homem. 
A IDADE MÉDIA E A IDADE MODERNA 
Na idade média o poder dos governantes era ilimitado, pois era fundado na vontade 
divina (Clero e a nobreza). 
Surgimento dos primeiros movimentos de reivindicação de liberdades a determinados 
estamentos, como a Declaração das Cortes de Leão adotada na Península Ibérica em 
1188 (Reino de Espanha) e a Magna Carta inglesa de 1215. 
A Carta Magna (1215) foi possivelmente a influência inicial mais significativa no amplo 
processo histórico que conduziu o constitucionalismo ocidental hoje conhecido. Em 
1215 depois de que o Rei João Sem-terra da Inglaterra violou