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RESUMO SOBRE RINOSSINUSITE

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RESUMO SOBRE RINOSSINUSITE
SINUSITE: é uma infecção supurativa dos seios paranasais, sendo frequentemente uma complicação de um resfriado comum e a rinite alérgica.
Formação dos seios nasais: Ao nascimento têm-se os seios etmoidais (pneumatizados) e os maxilares (pneumatizados até os 4 anos). Os seios frontais começam a se desenvolver aos 7 anos e só terminam o seu desenvolvimento na adolescência. Os seios esfenoidais estão presentes aos 5 anos. Os óstios que drenam os seios são estreitos (1 a 3 mm) e o fazem para o meato médio no complexo ostiomeatal. O sistema mucociliar mantém os seios estéreis.
ETIOLOGIA: Obstrução ao fluxo mucociliar, como o edema de mucosa causado pelo resfriado comum, impede a drenagem dos seios e predispõe à proliferação bacteriana. Em 90% das crianças com sinusite aguda, as bactérias responsáveis são Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae não tipável, Moraxella catarrhalis, Staphylococcus aureus e estreptococo do grupo A. 
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS MAIS COMUNS: rinorreia mucopurulenta persistente unilateral ou bilateral, congestão nasal e tosse, especialmente noturna. Sintomas menos comuns incluem voz anasalada, halitose, edema facial, dor facial com piora à palpação e cefaleia. A sinusite pode exacerbar a asma.
Nos primeiros dois ou três dias da rinossinusite viral aguda, os sintomas são obstrução nasal, dor de garganta, espirros, coriza clara e inapetência (falta de apetite), frequentemente associados com febre. Após o terceiro dia, a febre, a dor de garganta e a inapetência tendem a desaparecer, a secreção nasal fica mais espessa, podendo ficar verde ou amarela; a tosse e a obstrução nasal persistem. Este quadro pode se estender por cerca de dez dias, mas a criança melhora progressivamente.
Sintomas relacionados à rinossinusite bacteriana: 
1) Sintomas prolongados: secreção nasal abundante, obstrução nasal e tosse persistente, por mais de 12 dias. Esta forma é a mais frequente e não costuma ser acompanhada de febre.
2) Sintomas severos: desde o primeiro dia, a criança apresenta febre alta e secreção amarela ou verde abundante, ao contrário da secreção aquosa encontrada inicialmente na infecção viral.
3) Recaída: o quadro não melhora após o quinto dia; ao contrário, piora. Na evolução normal de uma infecção viral o quadro se inicia com febre, prostração e secreção aquosa e, após o quarto ou quinto dia, os sintomas costumam melhorar. Se houver uma infecção bacteriana, a febre retorna, o estado geral piora e, frequentemente, a tosse e a secreção nasal aumentam.
EXAMES LABORATORIAIS E DE IMAGEM: Cultura da mucosa nasal não é útil. Cultura de aspirado dos seios é o método diagnóstico mais preciso, porém não é prático ou necessário em indivíduos imunocompetentes.
Radiografia simples e TC podem revelar velamento do seio, espessamento da mucosa ou nível líquido. Achados anormais à radiografia não diferenciam infecção de doença alérgica; TC e RMN frequentemente mostram alterações, incluindo nível líquido, nos seios de indivíduos assintomáticos. Por outro lado, radiografias normais têm alto valor preditivo negativo para sinusite bacteriana.
DIAGNÓSTICO: geralmente é baseado na história clínica (principalmente para crianças até seis anos de idade) e exame físico presentes por mais de 10 a 14 dias, sem melhora, ou com piora dos sintomas, em comparação àqueles do resfriado comum.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: Adenoidite aguda, RSAB e rinite aguda bacteriana têm o mesmo QC e devem ser tratadas da mesma forma; Rinite alérgica em crise de agudização: a obstrução nasal é a queixa principal; Corpo estranho nasal: a obstrução nasal fétida é unilateral.
TRATAMENTO
1ª LINHA: amoxicilina (45mg/kg/dia) por 10-14 dias para rinossinusite aguda bacteriana (RSAB) não complicadas e em casos onde não haja suspeita de resistência bacteriana*. Em locais onde há alta prevalência de resistência intermediária ou alta de S. pneumoniae à amoxicilina, o tratamento indicado é de amoxicilina, na dose de 80-90mg/kg/d. Para os pacientes com doença moderada a grave, menores de dois anos, crianças que frequentam escolas ou creches, ou que foram recentemente tratadas com antibióticos podem ser tratadas com amoxicilina-clavulanato, na dose de 80-90mg/kg. Já crianças que não toleram medicamentos orais, ou que estejam com vômitos importantes, a ceftriaxona intramuscular ou endovenosa (50mg/kg/d) pode ser usada.
2ª LINHA: Macrolídeos (azitromicina) 10-30mg/kg/dia VO por 3 dias. Dose máxima de 500mg/dia. Dose máxima do tratamento 1500mg.
*Risco de resistência bacteriana (antibioticoterapia nos últimos 1 a 3 meses, frequentar creches, idade < 2 anos, altas taxas locais de resistência a antibióticos). 
Mais da metade das crianças com sinusite bacteriana aguda se recupera sem antibioticoterapia. Febre e secreção nasal devem melhorar significativamente em até 48 horas após o início do tratamento. Sintomas persistentes sugerem outra etiologia.
PREVENÇÃO: boa lavagem das mãos, para minimizar a aquisição de resfriados, e pelo tratamento da rinite alérgica.
Referências: 
https://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias/doencas/rinossinusite-na-infancia/ 
https://www.spsp.org.br/site/asp/recomendacoes/Rec78_Otorrino.pdf