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Onchocerca volvulus

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Onchocerca volvulus 
É um filarídeo subcutâneo humano. Ele é encontrado em diversos paísese mais de 270 mil 
pessoas são cegas devido o parasitismo desse filarídeo- ONCOCERCOSE. A oncocercose é uma 
doença grave, endêmica e é um obstáculo para o desenvolvimento socioeconômico. 
A oncocercose é conhecida como “cegueira dos rios”, porque o vetor é abundante em áreas 
férteis próximas a rios. 
Biologia: 
O parasito vive enovelado em oncocercomas ou nódulos fibrosos subcutâneos. Geralmente em 
cada nódulo, há um casal dos vermes adultos. A localização dos nódulos varia: 
• México e Guatemala→ couro cabeludo 
• Venezuela, Colômbia e África→ tronco, nádegas e cotovelos 
• No Brasil→ depende da área endêmica !!! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Um casal de vermes adultos vive 14 anos. 
• Fêmeas→ 40 e 50 cm 
• Machos→ 2 a 4 cm 
 
As microfilárias não tem bainha e medem 300 micrometros 
Circulam nos linfáticos superficiais e tecido conjuntivo da pele , e também na conjuntiva 
bulbar do hospedeiro humano. Eles permanecem nesses locais por até 24 meses, não 
apresentam periodicidade e podem, em alguns casos, alcançar o sangue, sendo encontrados 
no baço, rim e sedimento urinário. 
Ciclo Biológico 
É um ciclo heteroxêmico(apresenta mais de um hospedeiro) que ocorre entre humanos e 
dípteros do gênero Similium-popularmente conhecidos como borrachudos . Os vetores no 
brasil são: S. guianense( principal), S. incrustatum( regiões de elevadas altitudes), S. 
oyapockense e S. roraimense(regiões mais baixa), S. exiguum ( regiões mais baixas e 
hipoendemicas). 
REGIÕES MONTANHOSAS 
Vetor: Similium guianense 
Nódulos: cintura para baixo 
VALES DO RIO TOOTOBI 
Vetor: Similium oyapockense 
Nódulos: tórax, pescoço,, cabeça 
As femeas dos dípteros são hematófagas, mas também sugam o liquido tissular. Ao sugar o 
líquido tissular, as femeas dos dípteros ingerem as microfilárias que irão se desenvolver até 
virar larva infectante(L3)- isso dura de 10 a 12 dias , em temperatura de 25 a 30c° e umidade 
do ar de 80%. As larvas infectantes vao ate a probósciida do vetor( aparelho sugador) e 
quando houver um repasto sanguíneo (o vetor sugar o sangue ), as larvas irão atingir um novo 
hospedeiro, originando vermes adultos no tecido subcutâneo desse novo hospedeiro- 
aproximadamente um ano após a infecção. O casal de vermes adultos vive 12 anos e a femea 
produz milhões de microfilárias, que tem vida de ate 24 meses. 
Patogenia 
As alterações provocadas pela oncocercose , causadas principalmente pelas microfilárias , 
podem variar desde pacientes assintomáticos até com lesões cutâneas e oculares graves. 
A mortalidade é maior em comunidades com prevalência de parasitados maior que 60%. As 
principais manifestações que ocorrem em um ano a três anos após a infecção são: 
ONCOCERCOMAS, ONCODERMITE/DERMATITE ONCOCERCOSA, LESOES OCULARES,LESÕES 
LINFÁTICAS e DISSEMINAÇÃO. 
1. ONCOCERCOMAS 
São nódulos subcutâneos formados por uma cápsula fibrosa que envolve os helmintos 
. O tamanho varia de alguns milímetros até 3cm ou mais de diâmetro. São bem 
limitados e geralmente são livres e móveis. No geral, nos oncocercomas são 
encontrados apenas um casal de vermes adultos, mas podem ser achados vários, e no 
tecido conjuntivo e subcutâneo adjacente são encontradas microfilárias. Enquanto os 
parasitos estão vivos, o maior problema do oncocercoma é estético. Porém, quando 
os vermes morrem, há um intenso processo inflamatório, dor , calcificação e fibrose. 
Diagnostico diferencial: nódulos e lesões dermatológicas , adenopatias. 
2. ONCODERMITE/ DERMATITE ONCOCERCOSE 
Causada pela migração das microfilárias pelo tecido conjuntivo da pele. É uma 
dermatite eczematoide( de contato), extremamente pruriginosa, e pode ser seguida 
por liquenificação, perda de pigmento e atrofia da pele. Há uma relação entre o 
numero de microfilárias e grau de reação cutânea. Ex: zonas na pele normais contem 
poucas ou nenhuma microfilária, já nas pápulas e zonas liqueneficadas há um numero 
maior de microfiláriaa, proporcional a intensidade das manifestações, já as lesões 
antigas que são representadas por fibrose e despigmentação cutânea apresentam um 
numero muito baixo das microfilárias. OBS: as manifestações cutâneas só ocorrem 
após a morte das microfilárias, pois enquanto estão vivas não há lesão na pele 
evidente. 
3. LESÕES OCULARES 
Manifestação mais grave da oncocercose. São lesões irreversíveis dos segmentos 
anterior e posterior do olho, comprometendo a visão e podendo levar à cegueira 
completa. Antes de atingir a cegueira total, podem surgir outros distúrbios como 
cegueira noturna, redução do campo visual, diminuição da acuidade visual. Com 
exceção do cristalino, todos os tecidos do olho podem ser invadidos pelas 
microfilárias. As microfilárias ao morrerem provocam na córnea a ceratite punctata 
que se agrava levando a opacificação da córnea e perda da visão. Inicialmente , 
pontos esparsos, esbranquiçados vão indicar o acometimento do olho pelas 
microfilárias. As lesões vão aumentando com o passar dos anos e com a invasão de 
novas microfilárias. As lesões oculares só aprecem em locais com alta endemia e com 
pacientes com parasitismo intenso. 
4. LESÕES LINFÁTICAS 
Pode haver infartamento dos linfonodos próximos das lesões cutâneas ricas em 
microfilárias , com adenopatias. Caso a obstrução linfática seja muito extensa pode 
haver edema linfático e fibrose nas áreas acometidas. 
5. DISSEMINAÇÃO 
As microfilárias podem cair na corrente sanguínea através do sistema linfático e ir 
para várias partes do corpo, principalmente: glomérulos renais(podendo ser 
eliminadas na urina), líquor. As consequências dessa disseminação são : reações 
inesperadas à terapêutica, vertigens, desmaios, tosse com muco e urticária. 
 
Diagnóstico 
Pode se suspeitar pela história do paciente e dados epidemiológicos. O diagnostico 
laboratorial confirma a parasitose. Por a microfilaria de O. volvulus não ser rotineiramente 
encontrada no sangue, a gota espessa não é indicada. 
Melhor método é retirada de retalho cutâneo( feagmento superficial da pele) da região 
escapular e/ou do quadril ou da região do corpo mais afetada. O retalho é retirado por um 
esclerótomo e é incubado por 30 min em solução fisiológica sobre lamina de vidroe coberto 
com lamínula. Em minutos, as microfilarias abandonam o fragmento da pele e são vistas no 
microscópio se movimentando. 
OBS: microfilárias de Mansonella ozzardi podem estar nos capilares sanguíneos do retalho, 
dificultando o diagnostico. Em duvidas, fazer coloração e observar diferenças. 
OUTROS: exames oftalmológicos, teste de Mazzotti( serve para identificar infecções 
inaparentes ou assintomáticas. Administra-se VO 50mg de dietilcarbamazina e aguarda 
algumas horas, se aparecer prurido, edema e dermatite, indicativo de oncocercose), exames 
sorológicos 
Profilaxia 
Dificil, trabalhosa, lenta. 
Tratar os parasitados adequadamente, combater o “borrachudo” com uso de inseticidas 
biodegradáveis como o Abate e Metoxyclor. Proteger o homem sadio com uso de repelentes, 
roupas adequadas. Fazer exame em indivíduos que tiveram contato prolongado com índios 
Yanomani, garimpeiros , soldados do exército e missionários. 
Tratamento 
Ivermectina→ microfilaricida 
Dietilcarbamazina→ microfilaricida 
Suramida e Amocarzine→ vermes adultos