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4ª a 8ª SEMANAS GESTACIONAIS + AGENTES TERATOGÊNICOS + MUTAÇÕES GÊNICAS E CROMOSSÔMICAS + ANORMALIDADES FETAIS + PRÉ-NATAL

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facilmente perturbado quando os tecidos e os 
órgãos encontram-se em formação. Durante esse período organogenético (4ª à 8ª 
semanas), os teratógenos podem induzir grandes defeitos congênitos. Defeitos 
fisiológicos, por exemplo, pequenos defeitos morfológicos das orelhas externas, e 
perturbações funcionais tais como retardo mental, são provavelmente resultantes da 
perturbação do desenvolvimento durante o período fetal. 
 Cada tecido, órgão e sistema do embrião possui um período crítico durante o qual seu 
desenvolvimento pode ser perturbado. O tipo de anomalia congênita produzida 
depende de quais partes, tecidos e órgãos são mais suscetíveis no momento da ação 
do teratógeno. 
o Altos níveis de radiação ionizante produzem anomalias no SNC (encéfalo e medula 
espinal) e nos olhos. 
o Infecção pelo vírus da rubéola causa anomalias nos olhos (glaucoma e catarata), 
surdez e anomalias cardíacas. 
o Fármacos tais como a talidomida induzem anomalias nos membros e outros 
defeitos, tais como anomalias cardíacas e renais. 
Maryanne Ferreira Soares 
M3 – TUTORIA 04 – Os medos de Quitéria e Pedro 
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DOSE DO FÁRMACO/DROGA OU AGENTE QUÍMICO: existe uma relação dose-
resposta para os teratógenos; entretanto, a dose utilizada em animais para produzir 
anomalias é frequentemente mais alta do que as exposições humanas. 
Consequentemente, os estudos com animais não são rapidamente aplicáveis às 
gestações humanas. Para que um fármaco seja considerado um teratógeno humano, 
deve-se observar uma relação dose-resposta, isto é, quanto maior a exposição durante a 
gravidez, mais grave é o efeito fenotípico. 
GENÓTIPO (CONSTITUIÇÃO GENÉTICA) DO EMBRIÃO: há diferenças genéticas 
na resposta a um teratógeno. A fenitoína, por exemplo, é um teratógeno humano bem 
conhecido. Entre 5% e 10% dos embriões expostos a essa medicação anticonvulsivante 
desenvolvem a síndrome fetal da hidantoína. Aproximadamente um terço dos embriões 
expostos, porém, apresenta apenas alguns defeitos congênitos e mais da metade dos 
embriões não é afetada. Parece, portanto, que o genótipo do embrião determina se o 
agente teratogênico prejudicará seu desenvolvimento. 
FÁRMACOS/DROGAS COMO TERATOGÊNICOS 
 A teratogenicidade de fármacos varia consideravelmente. Alguns teratógenos (p. ex., 
talidomida) causam comprometimento grave do desenvolvimento se administrados 
durante o período de organogênese da quarta a oitava semanas. Outros teratógenos 
causam deficiência mental, restrição do crescimento e outros defeitos se usados em 
excesso durante todo o desenvolvimento. No caso do álcool, não existe uma 
quantidade segura durante a gravidez. 
 O uso de medicamentos prescritos e vendidos sem prescrição durante a gravidez é 
surpreendentemente alto. De 40% a 90% das mulheres consomem pelo menos um 
medicamento vendido sem prescrição durante a gravidez. Um relatório feito a partir 
de uma base de dados de medicamentos prescritos mostra que gestantes podem 
receber prescrições de mais de 10 medicamentos. Vários estudos indicaram que 
algumas gestantes recebem em média quatro medicamentos, excluindo suplementos 
nutricionais, e que aproximadamente metade dessas mulheres vai recebê-los durante 
o período altamente sensível. 
 O consumo de fármacos tende a ser maior durante o período crítico de desenvolvimento 
entre tabagistas intensos e usuários de álcool. Apesar disso, menos de 2% dos defeitos 
congênitos são causados por fármacos e compostos químicos. Apenas alguns 
fármacos foram implicados positivamente como agentes teratogênicos humanos. 
 Embora apenas 7% a 10% dos defeitos congênitos sejam causados por teratógenos 
reconhecíveis (agentes ambientais), novos agentes continuam a ser identificados. As 
mulheres devem evitar todas as medicações durante o primeiro trimestre, a não ser 
que exista um motivo médico sólido para seu uso e então apenas se os medicamentos 
forem reconhecidos como razoavelmente seguros para o embrião. Embora estudos 
bem controlados de algumas drogas (p. ex., maconha) não tenham conseguido 
Maryanne Ferreira Soares 
M3 – TUTORIA 04 – Os medos de Quitéria e Pedro 
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demonstrar um risco teratogênico para os embriões, elas afetam o desenvolvimento 
do embrião (p. ex., diminuição do crescimento fetal, peso ao nascimento). 
TABAGISMO: durante a gravidez é uma causa bem estabelecida de restrição do 
crescimento intrauterino (RCIU). Apesar das advertências de que o tabagismo é nocivo 
para o embrião ou feto, algumas mulheres continuam a fumar durante suas gestações. 
Entre tabagistas intensas, o parto prematuro é duas vezes mais frequente que entre as 
mães que não fumam. Um baixo peso ao nascimento (menos de 2.000 g) é o principal 
indicador de morte infantil. 
 Em um estudo populacional caso-controle, houve um aumento modesto na incidência 
de defeitos cardíacos conotruncais e do septo atrioventricular associados ao 
tabagismo materno no primeiro trimestre. Existem algumas evidências de que o 
tabagismo materno possa causar anomalias do trato urinário, problemas 
comportamentais e RCIU. 
 A nicotina contrai os vasos sanguíneos uterinos, diminuindo o fluxo sanguíneo uterino e 
reduzindo o suprimento de oxigênio e nutrientes disponíveis para o embrião e o feto a 
partir do sangue materno no espaço interviloso da placenta. A deficiência resultante 
prejudica o crescimento celular e pode ter um efeito adverso sobre o desenvolvimento 
mental. Altos níveis de carboxiemoglobina, resultantes do tabagismo, aparecem no 
sangue materno e fetal e podem alterar a capacidade de transporte de oxigênio pelo 
sangue. Uma hipóxia fetal crônica (baixos níveis de oxigênio) pode ocorrer e afetar o 
crescimento e desenvolvimento fetais. O tabagismo materno também está associado a 
volumes encefálicos menores em lactentes pré-termo. 
ÁLCOOL: O alcoolismo afeta 1% a 2% das mulheres em idade fértil. O consumo de níveis 
moderados e altos de álcool no início da gravidez pode alterar o crescimento e a 
morfogênese do embrião ou do feto. Recém-nascidos de mães alcoólicas crônicas exibem 
um padrão de defeitos específicos, incluindo deficiência de crescimento pré e pós-natal, 
deficiência mental e outros defeitos. 
 Microcefalia (neurocrânio pequeno), fissuras palpebrais curtas, pregas epicantais, 
hipoplasia do maxilar, nariz curto, lábio superior fino, sulcos palmares anormais, 
defeitos articulares e doença cardíaca congênita também são observados na maioria 
dos lactentes. O padrão de defeitos produzido pela síndrome alcoólica fetal (SAF) é 
detectado em 1 a 2 lactentes a cada 1.000 nascidos vivos. 
 A incidência da SAF está relacionada com a população estudada. A experiência clínica 
geralmente é necessária para estabelecer um diagnóstico preciso de SAF porque os 
defeitos físicos nas crianças afetadas são inespecíficos. Mesmo assim, o padrão geral 
de aspectos clínicos é único, mas pode variar de sutil a grave. 
 Acredita-se que o uso abusivo de álcool materno seja a causa mais comum de deficiência 
mental. O consumo moderado de álcool pela mãe (30 a 60 mililitros de álcool por dia) 
pode provocar prejuízo cognitivo e problemas comportamentais. O termo efeitos 
alcoólicos fetais (EAFs) foi introduzido após o reconhecimento de que muitas crianças 
expostas ao álcool no útero não apresentavam aspectos dismórficos externos, mas 
exibiam prejuízos do neurodesenvolvimento. 
 O termo preferido para a variação dos efeitos alcoólicos pré-natais é distúrbio do 
espectro alcoólico fetal (DEAF). A prevalência do distúrbio do espectro alcoólico fetal 
na população geral pode chegar a 1%. Uma vez que o período suscetível do 
desenvolvimento encefálico se estende pela maior parte da gestação (Fig. 20-15), o 
conselho mais seguro é a abstinência total de álcool durante a gravidez. 
ANDRÓGENOS E PROGESTÁGENOS: são usados para substâncias naturais ou 
sintéticas que induzem algumas ou todas as alterações biológicas produzidas pela 
progesterona, um hormônio secretado pelo corpo lúteo dos ovários, que promove e 
mantém o