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4ª a 8ª SEMANAS GESTACIONAIS + AGENTES TERATOGÊNICOS + MUTAÇÕES GÊNICAS E CROMOSSÔMICAS + ANORMALIDADES FETAIS + PRÉ-NATAL

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endométrio gravídico. 
 Algumas dessas substâncias têm propriedades androgênicas (masculinizantes) que 
podem afetar um feto feminino, produzindo a masculinização da genitália externa. A 
incidência de defeitos congênitos varia como hormônio e a dose. As preparações que 
devem ser evitadas são as progestinas etisterona e noretisterona. Do ponto de vista 
prático, o risco teratogênico desses hormônios é baixo. A exposição a progestinas no 
período crítico do desenvolvimento também está associada a maior prevalência de 
defeitos cardiovasculares e a exposição de fetos do sexo masculino durante esse 
período pode duplicar a incidência de hipospádias da glande. 
 Muitas mulheres utilizam contraceptivos hormonais (pílulas anticoncepcionais). Existe 
a suspeita de que contraceptivos orais que contenham progestogênios e estrogênios, 
usados nos estágios iniciais de uma gravidez não reconhecida, sejam agentes 
teratogênicos, mas os resultados de vários estudos epidemiológicos são 
contraditórios. Um estudo constatou que crianças de 13 de 19 mães, que tinham 
recebido pílulas anticoncepcionais com progestogênio-estrogênio durante o período 
crítico do desenvolvimento, exibiram a síndrome VACTERL (anomalias vertebrais, 
anais, cardíacas, traqueais, esofágicas, renais e de membros – limbs, na sigla em 
inglês). O uso de contraceptivos orais deve ser interrompido assim que houver 
suspeita ou detecção de uma gravidez devido a esses possíveis efeitos teratogênicos. 
 O dietilestilbestrol (DES), que é um composto estrogênico não esteroide sintético, é 
um teratógeno humano. Anomalias congênitas macroscópicas e microscópicas do 
útero e da vagina foram detectadas em mulheres expostasma DES no útero. Três 
tipos de lesões foram observados: adenose vaginal (doenças glandulares 
generalizadas), erosões cervicais e cristas vaginais transversas. Algumas mulheres 
jovens com idades entre 16 e 22 anos desenvolveram adenocarcinoma de células 
claras da vagina após uma história comum de exposição intrauterina a esse estrogênio 
sintético. Contudo, a probabilidade de desenvolvimento de câncer nessa idade 
precoce em mulheres expostas a DES no útero parece ser relativamente baixa. O risco 
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M3 – TUTORIA 04 – Os medos de Quitéria e Pedro 
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de câncer devido a exposição intrauterina a DES é estimado em aproximadamente 1 a 
cada 1.000. 
 Fetos do sexo masculino que foram expostos a DES no útero após tratamento 
materno antes da 11ª semana de gestação apresentaram maior incidência de 
anomalias do trato genital, incluindo cistos do epidídimo e testículos hipoplásicos (não 
desenvolvidos). Contudo, a fertilidade em homens expostos a DES no útero parece 
não ser afetada. A expressão do gene homeobox HOXA10 é alterada após a exposição 
intrauterina a DES. 
ANTIBIÓTICOS: As tetraciclinas (antibióticos de amplo espectro) atravessam a 
membrana placentária e são depositadas nos ossos e dentes do embrião em sítios de 
calcificação ativa. Doses relativamente pequenas de tetraciclina durante o terceiro 
trimestre podem produzir coloração amarelada da dentição decídua e permanente. A 
terapia com tetraciclina do quarto ao nono mês de gravidez também pode causar defeitos 
nos dentes (p. ex., hipoplasia do esmalte), coloração amarela a marrom dos dentes e 
diminuição do crescimento de ossos longos. A calcificação dos dentes permanentes 
começa ao nascimento e, com exceção dos terceiros molares, está completa por volta de 7 
a 8 anos de idade. A terapia com tetraciclina em longo prazo durante a infância pode 
afetar os dentes permanentes. 
 Surdez foi relatada em bebês de mães que foram tratadas com altas doses de 
estreptomicina e di-hidroestreptomicina como agentes antituberculose. Mais de 30 
casos de déficit auditivo e lesão do nervo vestibulo coclear (NC VIII) foram relatados 
em lactentes expostos a derivados de estreptomicina no útero. A penicilina é 
amplamente usada durante a gravidez e parece ser inofensiva para o embrião e para o 
feto. 
ANTICOAGULANTES: Todos os anticoagulantes com exceção da heparina atravessam 
a membrana placentária e podem causar hemorragia no embrião ou no feto. A varfarina e 
outros derivados cumarínicos são antagonistas da vitamina K. A varfarina é usada para o 
tratamento de doença tromboembólica e em pacientes com fibrilação atrial ou valvas 
cardíacas artificiais. A varfarina é um teratógeno conhecido. Existem relatos de lactentes 
com hipoplasia da cartilagem nasal, epífises pontilhadas e vários defeitos do SNC, cujas 
mães receberam esse anticoagulante durante o período crítico do desenvolvimento 
embrionário. O período de maior sensibilidade ocorre entre 6 e 12 semanas após a 
fecundação. A exposição no segundo e terceiro trimestres pode causar deficiência mental, 
atrofia do nervo óptico e microcefalia. A heparina não é um teratógeno e não atravessa a 
membrana placentária. 
ANTICONVULSIONANTES: Aproximadamente uma a cada 200 gestantes é epilética e 
requer tratamento comum anticonvulsivante. Entre os medicamentos anticonvulsivantes 
disponíveis, existem fortes evidências de que a trimetadiona é um teratógeno. As 
principais características da síndrome fetal da trimetadiona são retardo do crescimento 
pré e pós-natal, retardo do desenvolvimento, sobrancelhas em forma de V, orelhas de 
implantação baixa, fenda no lábio e/ou palato e defeitos cardíacos, geniturinários e de 
membros. O uso desse medicamento está contraindicado durante a gravidez. 
 A fenitoína é um teratógeno. A síndrome fetal da hidantoína ocorre em 5% a 10% das 
crianças nascidas de mães que foram tratadas com os anticonvulsivantes fenitoína ou 
hidantoína. O padrão usual dos defeitos consiste em RCIU, microcefalia, deficiência 
mental, sulcos na sutura frontal, pregas epicantais internas, ptose palpebral, ponte 
nasal larga e deprimida, hipoplasia (pouco desenvolvimento) de unhas e falanges 
distais e hérnias. 
 O ácido valproico tem sido o medicamento de escolha para o tratamento de 
diferentes tipos de epilepsia, mas o uso do ácido valproico em gestantes provoca um 
padrão de defeitos congênitos que consiste em defeitos craniofaciais, cardíacos e de 
membros e retardo do desenvolvimento cognitivo pós-natal. Também existe um 
maior risco de defeitos do tubo neural (p. ex., espinha bífida cística). O fenobarbital é 
considerado um medicamento antiepiléptico seguro para uso durante a gravidez. O 
sulfato de magnésio e o diazepam também são amplamente usados para profilaxia de 
convulsões. 
AGENTES ANTINEOPLÁSICOS: Com exceção do antagonista do ácido fólico a 
aminopterina, poucos relatos bem documentados de efeitos teratogênicos estão 
disponíveis para avaliação. Uma vez que os dados disponíveis sobre a possível 
teratogenicidade dos medicamentos antineoplásicos são inadequados, recomenda-se que 
sejam evitados, especialmente durante o primeiro trimestre da gravidez. 
 Compostos químicos para inibição tumoral são altamente teratogênicos porque 
inibem a mitose em células de divisão rápida. O uso de aminopterina durante o 
período embrionário geralmente resulta em morte intrauterina dos embriões e 20% a 
30% daqueles que sobrevivem apresentam malformações graves. Bussulfano e 6-
mercaptopurina, administrados em cursos alternados durante a gravidez, produziram 
múltiplas anormalidades graves, mas nenhum medicamento isolado pareceu causar 
defeitos importantes. 
 O metotrexato, um antagonista do ácido fólico e um derivado da aminopterina, é um 
teratógeno potente que produz defeitos congênitos maiores. Geralmente é mais usado 
como agente único ou em terapia combinada para doenças neoplásicas, mas também 
pode ser indicado em pacientes com doenças reumáticas graves, incluindo artrite 
reumatoide. Múltiplos defeitos esqueléticos e outros defeitos congênitos foram 
encontradosem uma criança de uma mãe que tentou interromper a gravidez usando 
metotrexato. 
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CORTICOSTEROIDES: Baixas doses de corticosteroides,