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4ª a 8ª SEMANAS GESTACIONAIS + AGENTES TERATOGÊNICOS + MUTAÇÕES GÊNICAS E CROMOSSÔMICAS + ANORMALIDADES FETAIS + PRÉ-NATAL

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incluindo cortisona e 
hidrocortisona, não induzem fenda palatina ou qualquer outro defeito em embriões 
humanos. Devido aos riscos de hemorragia fetal e fechamento prematuro do ducto 
arterioso, anti-inflamatórios não esteroides não devem ser usados nas últimas semanas de 
gravidez. 
INIBIDORES DA ENZIMA CONVERSORA DE ANGIOTENSINA (ECA): A 
exposição do feto a inibidores da enzima conversora de angiotensina, usados como 
agentes anti-hipertensivos, causa oligoidrâmnio (quantidade insuficiente de líquido 
amniótico), morte fetal, hipoplasia dos ossos da calota craniana, RCIU, anormalidades 
cardiovasculares e disfunção renal. No início da gravidez, o risco para o embrião é 
aparentemente menor e não há indicação para encerrar a gestação. Devido à alta 
incidência de complicações perinatais graves, recomenda-se que inibidores da enzima 
conversora de angiotensina não sejam prescritos durante a gravidez. 
INSULINA E FÁRMACOS HIPOGLICEMIANTES: A insulina não é teratogênica em 
embriões humanos, exceto possivelmente na terapia do coma insulínico materno. Os 
medicamentos hipoglicemiantes (p. ex., tolbutamida) foram implicados, mas a evidência 
de sua teratogenicidade é fraca. Não há evidências convincentes de que agentes 
hipoglicemiantes orais (particularmente sulfonilureias) sejam teratogênicos em embriões. 
 A incidência de defeitos congênitos (p. ex., agenesia sacral, ausência de uma parte) 
aumenta duas a três vezes entre descendentes de mães diabéticas. Aproximadamente 
40% das mortes perinatais de lactentes diabéticos são ocasionadas por defeitos 
congênitos. Mulheres com diabetes mellitus dependentes de insulina podem diminuir de 
modo significativo o risco de terem bebês com defeitos congênitos se obtiverem um bom 
controle de sua doença antes da concepção. 
ÁCIDO RETINOICO (VITAMINA A): O ácido retinoico é um metabólito da vitamina A. 
A isotretinoína (ácido 13-cis-retinoico), que é usada para tratamento da acne cística grave, 
é um teratógeno. O período crítico para exposição parece ocorrer entre a terceira e a 
quinta semanas. O risco de aborto espontâneo e defeitos congênitos após exposição é alto. 
Os defeitos observados mais comuns são dismorfia craniofacial, microtia, micrognatia 
(mandíbulas pequenas), fenda palatina, aplasia do timo, defeitos cardiovasculares e 
defeitos do tubo neural. O acompanhamento longitudinal pós-natal de crianças expostas a 
isotretinoína no útero revelou um prejuízo neuropsicológico importante. 
 A vitamina A é um nutriente valioso e necessário durante a gravidez, mas as gestantes 
devem evitar altos níveis de vitamina A. Um maior risco de defeito congênito foi 
relatado em descentes de mulheres que receberam mais de 10.000 UI de vitamina A 
por dia. 
ANALGÉSICOS: Aspirina (ácido acetilsalicílico [AAS]) e paracet (acetaminofeno) 
costumam ser usados durante a gravidez para o alívio da febre ou da dor. Estudos clínicos 
sugerem que altas doses de analgésicos são possivelmente lesivas para o embrião ou feto. 
Embora os estudos epidemiológicos indiquem que a aspirina não é um agente 
teratogênico, altas doses devem ser evitadas, especialmente durante o primeiro 
trimestre. Uma grande pesquisa em mulheres que consumiram paracet no início da 
gravidez mostrou uma maior incidência de problemas comportamentais, incluindo o 
transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), entre seus filhos. 
FÁRMACOS TIREOIDIANOS: O iodeto de potássio em misturas para tosse e grandes 
doses de iodo radioativo podem causar bócio congênito. Os iodetos atravessam 
rapidamente a membrana placentária e interferem na produção de tiroxina. Também 
podem causar aumento da tireoide e cretinismo (interrupção do desenvolvimento físico e 
mental e distrofia dos ossos e partes moles). A deficiência materna de iodo também pode 
causar cretinismo congênito. 
 Gestantes são aconselhadas a evitar duchas ou cremes que contenham iodopovidona 
porque esta é absorvida pela vagina, entra no sangue materno e pode ser 
teratogênica. A propiltiuracila interfere na formação de tiroxina no feto e pode causar 
bócio. A administração de substâncias antitireoidianas para o tratamento de distúrbios 
maternos da tireoide pode causar bócio congênito se a mãe receber as substâncias além 
da quantidade necessária para controlar a doença. 
TRANQUILIZANTES: A talidomida é um teratógeno potente e estima-se que quase 
12.000 crianças tenham defeitos causados por esse medicamento. A manifestação 
característica é a meromelia (ausência de parte de um membro), mas os defeitos variam 
de amelia (ausência de membros), passando por estágios intermediários de 
desenvolvimento (membros rudimentares), a micromelia (membros anormalmente 
pequenos ou curtos). A focomelia (“membros de foca”), um tipo de meromelia, ocorreu 
em alguns desses indivíduos. 
 A talidomida também causou anomalias em outros órgãos, como ausência de orelhas 
externas e internas, hemangioma da face, defeitos cardíacos e anomalias dos 
sistemas urinário e alimentar. O período em que a talidomida causou essas anomalias 
congênitas foi de 20 a 36 dias após a fecundação. Esse período sensível coincide com 
os períodos críticos para o desenvolvimento das partes e órgãos afetados. 
 A talidomida atualmente é usada para o tratamento de hanseníase, mieloma múltiplo 
e várias doenças autoimunes. Ela está absolutamente contraindicada em mulheres em 
idade fértil. O problema permanece atual devido a processos legais coletivos em 
andamento. 
Maryanne Ferreira Soares 
M3 – TUTORIA 04 – Os medos de Quitéria e Pedro 
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FÁRMACOS PSICOTRÓPICOS: O lítio é a medicamento de escolha para a 
manutenção em longo prazo de pacientes com transtorno bipolar. Contudo, o lítio causa 
defeitos congênitos, principalmente no coração e grandes vasos, em lactentes cujas mães 
receberam o medicamento no início da gravidez. Embora o carbonato de lítio seja um 
teratógeno humano conhecido, a Food and Drug Administration dos EUA, declarou que o 
agente pode ser usado durante a gravidez se, “na opinião do médico, os possíveis benefícios 
superarem os possíveis riscos”. 
 Benzodiazepínicos como diazepam e oxazepam costumam ser prescritos para 
gestantes. Esses medicamentos atravessam rapidamente a membrana placentária e seu 
uso durante o primeiro trimestre de gravidez está associado a anomalias craniofaciais 
em recém-nascidos. Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) são 
usados para tratar depressão durante a gravidez. Vários relatos advertem sobre um 
maior risco de defeitos dos septos atriais e ventriculares, hipertensão pulmonar 
persistente e perturbações neurocomportamentais, incluindo distúrbios do espectro 
autista, em crianças expostas a ISRS no útero. Acredita-se que o mecanismo consiste 
no bloqueio do transporte de catecolaminas por ISRS, o que afetaria o fluxo sanguíneo 
placentário. 
DROGAS ILÍCITAS: Várias “drogas de rua” altamente populares são usadas por suas 
propriedades alucinógenas. Não há evidências de que a maconha seja um teratógeno 
humano, mas existe uma indicação de que seu uso durante os primeiros 2 meses de 
gravidez afete o crescimento fetal e o peso ao nascimento. Os padrões de sono e 
eletroencefalográfico em recém-nascidos expostos à maconha no período pré-natal foram 
alterados. 
 A cocaína é a droga ilícita mais amplamente usada entre as mulheres em idade fértil. 
Relatos que lidam com os efeitos pré-natais da cocaína incluem descolamento da 
placenta, aborto espontâneo, prematuridade, RCIU, microcefalia, infarto cerebral, 
anomalias urogenitais, perturbações neurocomportamentais e anormalidades 
neurológicas. 
 A metadona é usada durante o tratamento de abstinência do vício de morfina e 
heroína. A metadona é considerada um teratógeno comportamental, assim como a 
heroína. Foi constatado que bebês de mulheres dependentes de narcóticos mantidas 
em terapia com metadona apresentavam disfunção do SNC, menor peso ao 
nascimento e menor circunferência cefálica que os lactentes não expostos. Também 
existem preocupações