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4ª a 8ª SEMANAS GESTACIONAIS + AGENTES TERATOGÊNICOS + MUTAÇÕES GÊNICAS E CROMOSSÔMICAS + ANORMALIDADES FETAIS + PRÉ-NATAL

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o Data da última menstruação (DUM), para o cálculo da idade da gravidez e da época 
provável do parto. 
o Ultrassonografia transvaginal de primeiro trimestre (11-13+6 semanas). Atualmente, 
costuma ser oferecido o Modelo Piramidal de assistência pré-natal como o mais 
importante da gravidez: certifica ou corrige a idade menstrual (datação), 
diagnostica gravidez gemelar, identifica algumas malformações, rastreia 
aneuploidias, prediz toxemia e parto pré-termo. 
No primeiro trimestre, estima-se a idade da gravidez pela medida do comprimento 
cabeçanádega (CCN) do embrião, com precisão de ± 5 dias. Após 14 semanas, a idade da 
gestação é calculada pela medida do diâmetro biparietal (DBP) ou do comprimento do 
fêmur (CF), com precisão de ± 10 dias. 
o DNA fetal livre no sangue materno (cffDNA): realizado com 9 semanas de gestação, 
rastreia aneuploidias, diagnostica o sexo fetal e determina o Rh fetal. 
o Sexagem fetal, realizado a partir de 9 semanas da gravidez, é o teste-padrão no 
sangue materno por meio da técnica de biologia molecular (PCR). O exame baseia-
se na identificação de partes do cromossomo Y do feto. A taxa de acerto é de 99% 
e o teste, na verdade, não diagnostica gravidez; assim, se a mulher não estiver 
grávida, o resultado apontará falsamente uma menina, pois apenas constatará a 
ausência do DNA masculino 
o Peso e pressão arterial (PA) 
Maryanne Ferreira Soares 
M3 – TUTORIA 04 – Os medos de Quitéria e Pedro 
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o Ausculta fetal com o sonar-Doppler é positiva entre 10 e 12 semanas; com o 
estetoscópio de Pinard, somente após 20 semanas. 
o Exames complementares essenciais: 
 Urina (EAS e cultura para rastrear bacteriúria assintomática) 
 Grupo sanguíneo e fator Rh 
 Hemograma completo (rastrear anemia) 
 Glicemia de jejum (estudo HAPO, 2008) 
 Reações sorológicas: sífilis (VDRL), toxoplasmose, HIV, hepatite B (HBsAg) 
 Rastreamento de clamídia e gonococo [Centers for Disease Control (CDC), 2010] 
 Citologia cervicovaginal 
o Identificação da mulher que necessita de cuidados adicionais 
o Exame das mamas visando à promoção do aleitamento não está mais indicado na 
gravidez. 
Feito o exame inicial, a gestante retornará após 1 semana, com as análises clínicas 
solicitadas, quando lhe será prescrita eventual medicação e as instruções sobre a dieta 
a ser seguida. 
 Consultas subsequentes: serão mensais até 32 semanas; quinzenais, de 32 a 36 
semanas; e semanais, de 36 semanas até o parto. A cada consulta, serão avaliados: 
peso, PA, batimentos cardiofetais (bcf) e fundo do útero. Constituem consultas 
especiais: 
o 20 a 24 semanas: ultrassonografia abdominal morfológica, para avaliar as 
estruturas fetais, localizar a placenta e avaliar o Doppler das artérias uterinas. 
Aconselha-se, nessa oportunidade, medir o colo uterino pela ultrassonografia 
transvaginal, visando à predição do parto pré-termo 
o 24 a 28 semanas: teste oral de tolerância à glicose de 75 g (TOTG-75), para o 
diagnóstico de diabetes melito gestacional (DMG), interpretado de acordo com o 
estudo HAPO-2008 
o 26 a 32 semanas: a grávida deve ser conscientizada do significado do movimento 
fetal 
o 28 semanas: repetir a dosagem da hemoglobina e ministrar a primeira dose da 
imunoglobulina anti-D para mulheres Rh-negativo não sensibilizadas com fetos 
Rh-positivo (cffDNA); repetir o VDRL 
o 35 a 37 semanas: cultura vaginorretal para estreptococo do grupo B (GBS) 
o 36 semanas: determinar a posição fetal; para fetos em apresentação pélvica 
(confirmada pela ultrassonografia), oferecer a versão externa 
o 41 semanas: propor o descolamento das membranas e a indução do parto. 
 No contexto atual, frente aos desafios citados, o Ministério da Saúde, com os 
objetivos de qualificar as Redes de Atenção Materno-Infantil em todo o País e reduzir 
a taxa, ainda elevada, de morbimortalidade materno-infantil no Brasil, institui a Rede 
Cegonha. 
 A Rede Cegonha representa um conjunto de iniciativas que envolvem mudanças: (i) no 
processo de cuidado à gravidez, ao parto e ao nascimento; (ii) na articulação dos 
pontos de atenção em rede e regulação obstétrica no momento do parto; (iii) na 
qualificação técnica das equipes de atenção primária e no âmbito das maternidades; 
(iv) na melhoria da ambiência dos serviços de saúde (UBS e maternidades); (v) na 
ampliação de serviços e profissionais, para estimular a prática do parto fisiológico; e 
(vi) na humanização do parto e do nascimento (Casa de Parto Normal, enfermeira 
obstétrica, parteiras, Casa da Mãe e do Bebê). 
 A Estratégia Rede Cegonha tem a finalidade de estruturar e organizar a atenção à 
saúde maternoinfantil no País e será implantada, gradativamente, em todo o 
território nacional. O início de sua implantação conta com a observação do critério 
epidemiológico, da taxa de mortalidade infantil, da razão da mortalidade materna e 
da densidade populacional. Desta forma, a Rede Cegonha conta com a parceria de 
estados, do Distrito Federal e de municípios para a qualificação dos seus 
componentes: pré-natal, parto e nascimento, puerpério e atenção integral à saúde da 
criança e sistema logístico (transporte sanitário e regulação). 
Os princípios da Rede Cegonha são: 
o humanização do parto e do nascimento, com ampliação das ppler baseadas em 
evidência; 
o organização dos serviços de saúde enquanto uma rede de atenção à saúde (RAS); 
o acolhimento da gestante e do bebê, com classificação de risco em todos os pontos 
de atenção; 
o vinculação da gestante à maternidade; 
o gestante não peregrina; o� realização de exames de rotina com resultados em 
tempo oportuno. 
Podem ser instituídas ações específicas quanto aos hábitos e ao estilo de vida: 
o Orientação nutricional visando à promoção do estado nutricional adequado tanto 
da mãe como do recém-nascido, além da adoção de práticas alimentares 
saudáveis; 
o Orientações sobre os riscos do tabagismo e do uso rotineiro de bebidas alcoólicas 
e outras drogas; 
o Orientações quanto ao uso de medicamentos e, se necessário mantê-los, 
realização da substituição para drogas com menores efeitos sobre o feto; 
o Avaliação das condições de trabalho, com orientação sobre os riscos nos casos de 
exposição a tóxicos ambientais; 
o Administração preventiva de ácido fólico no período pré-gestacional, para a 
prevenção de anormalidades congênitas do tubo neural, especialmente nas 
Maryanne Ferreira Soares 
M3 – TUTORIA 04 – Os medos de Quitéria e Pedro 
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mulheres com antecedentes desse tipo de malformações (5mg, VO/dia, durante 60 
a 90 dias antes da concepção); 
o Orientação para registro sistemático das datas das menstruações e estímulo para 
que o intervalo entre as gestações seja de, no mínimo, 2 (dois) anos. 
Em relação à prevenção e às ações que devem ser tomadas quanto às infecções e a 
outras doenças crônicas, são consideradas eficazes as investigações para: 
o Rubéola e hepatite B: nos casos negativos, deve-se providenciar a imunização 
previamente à gestação; 
o Toxoplasmose: deve-se oferecer o teste no pré-natal; 
o HIV/Aids: deve-se oferecer a realização do teste anti-HIV, com aconselhamento 
pré e pósteste. Em caso de teste negativo, deve-se orientar a paciente para os 
cuidados preventivos. Já em casos positivos, deve-se prestar esclarecimentos 
sobre os tratamentos disponíveis e outras orientações para o controle da infecção 
materna e para a redução da transmissão vertical do HIV. Em seguida, deve-se 
encaminhar a paciente para o serviço de referência especializado; 
o Sífilis: nos casos positivos, deve-se tratar as mulheres e seus parceiros para evitar a 
evolução da doença, fazer o acompanhamento de cura e orientá-los sobre os 
cuidados preventivos para sífilis congênita. 
Para as demais DST, nos casos positivos, deve-se instituir diagnóstico e tratamento no 
momento da consulta (abordagem sindrômica) e orientar a paciente para a sua 
prevenção. Deve-se também sugerir a realização de exame de eletroforese de 
hemoglobina se a gestante for negra e