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Hipertensão Arterial

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Hipertensão Arterial
Fatores de risco
A. Idade
A Pressão Arterial - PA aumenta linearmente com a idade;
O risco relativo de desenvolver Doença Arterial Coronariana - DAC associado ao aumento da PA não diminui com o avanço da idade e, o risco absoluto aumenta marcadamente.
B. Gênero e Etnia
A prevalência global em homens e mulheres não sugere que o gênero seja um fator de risco para hipertensão;
Contudo é mais prevalente em mulheres afrodescendentes;
Apresentam maior prevalência e gravidade - fatores étnicos e/ou socioeconômicos;
No Brasil predominam os miscigenados, que podem diferir dos afrodescendentes.
C. Fatores Socioeconômicos 
Nível socioeconômico mais baixo está associado a maior prevalência e fatores de risco para elevação da PA;
Hábitos dietéticos (sal e álcool), maior Índice de Massa Corpórea, menor acesso à saúde, e nível educacional são possíveis fatores associados.
D. Sal 
O excesso contribui para a ocorrência de hipertensão;
Existe relação entre aumento da PA e avanço da idade, em populações com maior ingestão de sal;
O brasileiro consome cerca de 12g/dia, o dobro do recomendado;
Redução do consumo de sal para não mais de 6g 
sal/dia (4 colheres de café rasas de sal = 4g + 2g de sal próprio dos alimentos), redução aproximada na Pressão Arterial Sistólica –PAS de 2 a 8 mm Hg.
E. Obesidade 
O excesso de massa corporal é fator predisponente para a Hipertensão Arterial - HA, podendo ser responsável por 20 a 30% dos casos;
A perda de peso acarreta redução da PA, redução aproximada na PAS de 5 a 20 mm Hg para cada 10kg de peso reduzido;
A manutenção do índice de massa corporal entre 18,5 e 24,9 kg/m2 é o ideal;
A circunferência da cintura não deve ser superior a 102cm para homens e, 88cm para mulheres. 
F. Álcool 
O consumo elevado aumenta a PA; 
O consumo de bebida alcoólica fora de refeições aumenta o risco de HA independente da quantidade ingerida;
Reduzir consumo a 30g/dia (homens), 15g/dia (mulheres), redução aproximada na PAS de 2 a 4 mm Hg;
Consumo máximo tolerado:
· Cerveja - 2 latas = 700ml ou 1 garrafa= 650 ml;
· Vinho - 2 taças de 150ml ou 1 taça de 300ml;
· Uísque, vodca, aguardente - 2 doses de 50ml ou 3 doses de 30ml.
G. Sedentarismo
O sedentarismo aumenta a incidência de HA;
Sedentários têm risco aproximado 30% maior de desenvolver hipertensão que os ativos;
Há relação inversa entre quantidade total de atividade física e incidência de hipertensão arterial;
A prática regular de exercícios aeróbicos (caminhada, corrida, ciclismo, dança, natação) reduz a pressão arterial;
Todo adulto deve realizar pelo menos 30 minutos (para emagrecer, fazer 60 minutos) de atividades físicas moderadas, de forma contínua ou acumulada em pelo menos de 3 a 5 vezes por semana;
Os exercícios resistidos (musculação) também reduzem a pressão arterial na população geral, mas têm resultados controversos em hipertensos;
A atividade física contribui para o controle de outros fatores de risco.
Outros fatores:
A presença de fatores de risco ocorre mais comumente de forma combinada - predisposição genética e fatores ambientais podem contribuir para agregação de fatores de risco em famílias com estilo de vida pouco saudável;
Obesidade aumenta a prevalência da associação de múltiplos fatores de risco.
Situações especiais:
A. Anticoncepcionais Orais
Aumentam o risco de hipertensão (se surgir obriga sua interrupção, instituindo outro método contraceptivo);
Contraindicados em hipertensas com mais de 35 anos e fumantes;
Evitar em portadoras de síndrome metabólica.
B. Terapia de Reposição Estrogênica
Não está contraindicada em hipertensas, mas é contraindicado em mulheres de alto risco Cardiovascular – CV;
Não deve ser utilizada para proteção CV;
Monitorar a PA, devido a possibilidade de elevação;
Via transdérmica parece ser a melhor opção.
Interatividade
No Brasil, a Hipertensão Arterial – HA faz parte do grupo das principais doenças crônicas não transmissíveis – DCNTs, entre elas temos as neoplasias, o Diabetes Mellitus, as doenças cardiovasculares e respiratórias, que correspondem a 72% dos óbitos anuais, atingindo principalmente as camadas da população de mais baixa renda e escolaridade. Constituem fatores de risco para HA, exceto: 
a) Prática regular de atividade física.
b) Obesidade.
c) Tabagismo.
d) Sal.
e) Sedentarismo.
A prática de atividade física regular e, um dos fatores de prevenção da HA e, não fator de risco.
Conhecimento, controle e tratamento
Individuos adultos
· 50,8% sabiam ser hipertensos;
· 40,5% estavam em tratamento;
· 10,4% tinham PA controlada;
· Idade avançada, obesidade e baixo nível educacional mostraram-se associados a menores taxas de controle.
Diagnóstico e classificação
1. Medida da Pressão Arterial
A medida da PA deve ser realizada em toda avaliação de saúde, por médicos das diferentes especialidades e, demais profissionais da área de saúde, todos devidamente treinados;
O método mais utilizado para medida da PA na prática clínica é o indireto, com técnica auscultatória esfigmomanômetro de coluna de mercúrio ou aneroide, ambos calibrados;
Todos aparelhos devem ser testados e devidamente calibrados a cada seis meses
2. Rotina de diagnóstico e seguimento 
Na primeira avaliação, as medidas devem ser obtidas em ambos os membros superiores e, em caso de diferença, utiliza-se sempre o braço com maior valor de pressão para as medidas subsequentes;
Em cada consulta, deverão ser realizadas pelo menos três medidas, com intervalo de um minuto entre elas, sendo a média das duas últimas considerada a pressão arterial do indivíduo;
A posição recomendada é a sentada. A medida nas posições ortostática e supina deve ser feita pelo menos na primeira avaliação em todos os indivíduos e, em todas as avaliações em idosos, diabéticos, alcoolistas e/ou em uso de anti-hipertensivos.
3. Preparo do Paciente para a Medida da PA
a) Explicar o procedimento ao paciente;
b) Repouso de pelo menos 5 minutos em ambiente calmo;
c) Evitar bexiga cheia;
d) Não praticar exercícios físicos 60 a 90 minutos antes;
e) Não ingerir bebidas alcoólicas, café ou alimentos e, não fumar 30 minutos antes;
f) Manter pernas descruzadas, pés apoiados no chão, dorso recostado na cadeira e estar relaxado;
g) Remover roupas do braço no qual será colocado o manguito;
h) Posicionar o braço na altura do coração (nível do ponto médio do esterno ou 4º espaço intercostal), apoiado, com a palma da mão voltada para cima e o cotovelo ligeiramente fletido;
i) Solicitar para que não fale durante a medida.
4. Medida Residencial da Pressão Arterial – MRPA
É o registro da PA por método indireto, com 3 medidas pela manhã e 3 à noite, por 5 dias, realizado pelo paciente ou pessoa treinada;
Permite a obtenção de grande número de medidas de PA de modo simples, eficaz e pouco dispendioso;
São consideradas anormais as médias de PA acima de 135/85 mm Hg.
Indicações:
· Identificação e seguimento do hipertenso do avental branco;
· Identificação de hipertensão mascarada;
· Avaliação da terapêutica anti-hipertensiva.
5. Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial – MAPA
É o registro por método indireto e intermitente durante 24h enquanto o paciente realiza suas atividades habituais;
Estudos indicam que este método é superior à medida casual da PA em predizer eventos CV fatais como infarto do miocárdio e, o Acidente Vascular Encefálico - AVE;
São consideradas anormais as médias de PA acima de 130/80 mm Hg nas 24h, 135/85 mm Hg na vigília e, 120/70 mm Hg no sono.
Indicações:
Suspeita de hipertensão do avental branco;
Avaliação da eficácia terapêutica anti-hipertensiva:
a) Quando a PA casual permanecer elevada, apesar da otimização do tratamento anti-hipertensivo para diagnóstico de HA resistente ou efeito do avental branco;
b) Quando a PA casual estiver controlada e houver indícios da persistência ou da progressão de lesão de órgãos-alvo.
· Avaliação de normotensos com lesão de órgãos-alvo;
· Avaliação de sintomas, principalmente hipotensão.
Classificação da PA (>18 anos)
· Ótima - < 120 < 80 (mmHg);
· Normal - < 130 < 85 (mmHg);
· Limítrofe – 130 – 139/85 –