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Bloqueadores de canais de calcio

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MARIANA AFONSO COSTA 
FARMACOLOGIA E SINALIZADORES CELULARES – AULA 05 
Bloqueadores De Canais De Cálcio 
CÁLCIO NAS CÉLULAS MUSCULARES 
 Na ativação do sistema nervoso simpático, induz 
e é induzido pelo SRAA. Dessa forma, o controle da 
hipertensão, que possui uma grande ativação do sistema 
nervoso simpático em sua essência, vai envolver 
mecanismos que diminuem esse processo, como por 
exemplo os bloqueadores de canais de cálcio. 
 O cálcio induz a contração da célula muscular. A 
célula muscular possui canais de Na+ e Ca+2, ambos 
sensíveis a voltagem. Além disso, na célula em repouso, 
na membrana do reticulo sarcoplasmático há canais de 
cálcio capazes de abrir/fechar para que uma molécula 
de IP3 se ligue a eles, e outros canais de Ca, chamados 
receptores de Rianodina, que se abrem para ligar com o 
Ca+2 que está no citoplasma. 
Quando os canais de cálcio da membrana se 
abrem, o Ca entra na célula e quando os canais do 
retículo se abrem, mais Ca entra na célula, assim, esse 
aumento de cálcio no citoplasma induz a contração da 
musculatura, seja ela lisa, cardíaca ou esquelética. 
Posteriormente o cálcio é conduzido para fora 
da célula ou pela bomba de Ca+2 e Na+ – na membrana 
plasmática – que, na medida que o sódio entra na célula 
ela joga o cálcio para fora para restaurar o estado de 
repouso, ou pela bomba de cálcio na membrana do 
retículo que bombeia o cálcio de volta para o reticulo. 
Ambos contribuem para o relaxamento da célula. 
 Outra forma de promover a contração muscular, 
é através da ligação de receptores de angiotensina II 
(receptor AT1), que, são receptores acoplados a 
proteína G que produzem DAG – responsáveis por abrir 
os canis de cálcio, possibilitando a entrada de Ca na 
célula – e IP3 – que se liga aos receptores de IP3 no 
retículo liberando mais cálcio ao citoplasma – induzindo 
a contração do musculo. 
 
BLOQUEADORES DE CANAIS DE CÁLCIO – BCC 
 : Bloqueiam os canais de 
cálcio dependentes de voltagem (canais lentos de 
cálcio tipo L). 
 : 
 : dihidropiridínicos 
(nifedipina, amlodipina) – bloqueiam 
preferencialmente os músculos lisos dos vasos 
diminuindo a RSVP. 
 : fenilalquilamina 
(verapamil) – bloqueiam preferencialmente os 
músculos cardíacos diminuindo inotropismo, 
cronotropismo, dromotropismo e o consumo 
de oxigênio. 
 : benzotiazepina (diltiazen) 
– bloqueia ambos, menos intensamente. 
 
 Esses efeitos farmacológicos são dependentes 
da frequência, dose e dependência do medicamento. 
 : dependentes da dose 
 Hipotensão arterial; 
 “Flushing”, constipação e retenção urinaria; 
 Cefaleia e tontura; 
 Edema maleolar; 
 Taquicardia reflexa (dihidropiridínicos), angina 
 Insuficiência Cardíaca (diminui o débito 
cardíaco) 
 Bradicardia intensa; 
 Bloqueios atrioventriculares (IAM,p.e) 
 os BCCs são 
metabolizados pela CYP 3A4. 
 Com fármacos estimulam a CYP – diminui o 
efeito dos BBCs: rifampicina, carbamazepina, 
hipérico (erva de São João) 
 Com fármacos que inibem a CYP – aumento do 
efeitos dos BBCs: antibióticos (macrolídeos e 
imidazóis), agentes antirretrovirais 
 Verapramil com uso crônico inibe a CYP: 
interfere na meia vida de outro medicamentos 
– aumenta a ação das estatinas (sinvastatina, 
atorvastatia). Além disso inibe a glicoproteína P 
(Pgp) promovendo a maior circulação de 
digoxina, ciclosporina e lioeramida. 
 : 
 Hipertensão Arterial (nifedipina); 
 Insuficiência Coronariana – angina (verapamil); 
 Arritmias cardíacas (diltiazen); 
 Interrupção do trabalho de parto prematuro 
(nifedipina); 
 Profilaxia da enxaqueca (2ª escolha).CÉ 
 LUL : Insuficiência Cardíaca 
Congestiva (ICC). 
CÉLULAS MIOCÁRDICAS CONTRATEIS – Inotropismo 
 Depois do aumento de cálcio no citoplasma das 
células miocárdicas, ele se liga a troponina C mudando a 
tropomiosina de lugar possibilitando o deslizamento da 
actina e miosina um sobre o outro. Isso aumenta a força 
de contração (inotropismo) e o consumo de oxigênio do 
miocárdio para exercer a contração muscular. 
 : 
 Redução da força de contração do miocárdio. 
 Redução do consumo de oxigênio do miocárdio. 
CÉLULAS DO SISTEMA DE CONDUÇÃO - Dromotrópico 
 Nas células musculares cardíacas condutoras do 
nó sinusal, nó atrioventricular, feixe de Hiss e seus 
ramos e das fibras de Purkinje. 
 Para que essas células conduzam o impulso, ela 
necessitam da entrada do cálcio, e com a entrada do 
cálcio há a despolarização da célula que, no próximo 
impulso, há o aumento da despolarização pelo 
“acúmulo” de cálcio. 
 O bloqueio do canal de cálcio gera o aumento 
do intervalo entre os impulsos – 
despolarizações/repolarizações seguidas. A condução do 
impulso fica mais lento. 
 : 
 No nó sinusal: redução da frequência cardíaca 
(diminuição do cronotropismo). 
 No nó atrioventricular: redução da velocidade de 
condução (diminuição do dromotropismo). 
CÉLULAS DA MUSCULATURA LISA VASCULAR 
 Logo abaixo do endotélio dos vasos sanguíneos 
do coração, há musculo liso – túnica média. Se esse 
musculo contrai, diminuindo o calibre do vaso = 
vasoconstrição, e, se ele relaxa = vasodilatação. 
 O cálcio na musculatura lisa se liga com a 
calmodulina, que, no citoplasma promove a fosforilação 
da miosina pela quinaze o que provoca o seu 
acoplamento com a actina, que com ATP muda de forma 
provocando a contração. O aumento do cálcio no 
citoplasma aumenta o tônus na musculatura, 
provocando vasoconstrição. 
 : 
 Vasodilatação – redução da RSVP, principalmente 
nas arteríolas (parede muscular da arteríola é 
maior que da vênula). 
 Diminuição do inotropismo e do consumo de 
oxigênio pelo miocárdio (musculo cardíaco).