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Segurança de Sistemas Operacionais Window e Linux - Livro-Texto Unidade IV

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Unidade IV
Unidade IV
7 INTRODUÇÃO AO SISTEMA OPERACIONAL GNU/LINUX
Neste tópico, faremos uma breve apresentação do sistema operacional GNU/Linux. Entenderemos 
um pouco do seu histórico, da motivação para a sua criação e de como funciona o seu processo 
de desenvolvimento, que não está baseado em uma empresa específica. Falaremos sobre a importância do 
projeto GNU e das licenças GPL e sobre o que significa um software ser considerado livre. Posteriormente, 
discorreremos a respeito do que é uma distribuição do GNU/Linux.
Abordaremos, também, a questão da documentação do sistema, explorando algumas ferramentas 
úteis para explicar o funcionamento dos comandos e das suas peculiaridades. Contemplaremos itens 
relativos ao mecanismo de segurança do GNU/Linux e exporemos o mecanismo de autenticação e o 
mecanismo de controle de acesso.
7.1 Projeto GNU e Linux
O que normalmente chamamos de sistema operacional GNU/Linux (ou simplesmente Linux) é, 
na realidade, uma coleção de diferentes projetos que são utilizados de forma integrada. Um sistema 
operacional é um software incrivelmente complexo, formado por diversas partes e diversos programas 
que se complementam. Por uma questão de praticidade, costumamos chamar de Linux toda essa coleção 
de ferramentas e projetos, mas, se formos cuidadosos, iremos perceber que estamos falando de várias 
coisas diferentes.
Lembremos da teoria de sistemas operacionais, que o kernel, ou núcleo, representa o “coração” 
do sistema operacional. Existem vários núcleos disponíveis no mercado, sendo um deles o Linux 
propriamente dito.
Não podemos utilizar um kernel de forma isolada: é necessário que existam outros programas para 
que um computador possa ser utilizado, como programas fundamentais para a cópia ou a remoção de 
arquivos, além de editores de texto, interfaces gráficas e navegadores para a internet, por exemplo.
O projeto GNU tinha como objetivo original desenvolver um sistema operacional que fosse 
completamente livre. Por “liberdade”, o projeto GNU tinha em mente as quatro ideias (ou liberdades 
fundamentais) expostas a seguir (STALLMAN, 2020):
1 Deve haver liberdade de utilização, ou seja, qualquer pessoa deve ser livre para executar um 
programa da forma que ela quiser. Dessa forma, uma empresa não deve ser capaz de restringir o 
usuário em relação à maneira como ele queira executar um programa nem de restringir quem executa 
o programa em si.
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SEGURANÇA DE SISTEMAS OPERACIONAIS (WINDOWS / LINUX)
2 O código-fonte de um programa deve estar disponível para estudo, a fim de que possamos 
entender como um programa funciona, fazer modificações ou melhorias ou transportá-lo para outras 
plataformas, entre outras possibilidades.
3 Devemos ser livres para copiar um programa quantas vezes quisermos e “darmos” esse programa 
para outras pessoas.
4 Baseados na ideia exposta no item 2, se modificarmos um programa, deveremos ser livres para 
distribuir o programa modificado livremente.
Vale notar que, frequentemente, as liberdades são numeradas a partir do zero, mas, aqui, vamos 
começar do número 1.
Um programa que apresente uma licença de uso que respeite essas quatro liberdades é chamado de 
software livre pelo projeto GNU. Esse projeto visava produzir um sistema operacional em que todos os 
programas que fizessem parte da sua estrutura fossem livres e dessem liberdade total aos seus usuários.
Devemos ter em mente que essa tarefa é longuíssima. Fabricantes de software investem fortunas 
para produzir apenas uma fração do que o projeto GNU tinha o objetivo de fazer. Mesmo assim, com a 
ajuda de colaboradores distribuídos pelo mundo todo, muitos deles sem nenhuma forma de pagamento, 
o projeto GNU foi produzindo aos poucos as peças desse grande quebra-cabeça, fazendo programas 
como utilitários para a cópia e a remoção de arquivos e compiladores, entre muitos outros.
O desenvolvimento do kernel mostrou-se muito mais complexo do que originalmente se pensava, e 
esse foi um desafio para o projeto GNU durante um bom tempo. Contudo, alguns anos após a origem 
do projeto GNU, o programador finlandês Linus Torvalds começou a trabalhar em um kernel que 
iria ser chamado de Linux. Além disso, Linus resolveu utilizar a licença do projeto GNU, a GPL, para 
lançar o seu kernel.
Assim, a peça que faltava para o projeto GNU, o kernel, foi encontrada. Tornava-se possível haver um 
sistema operacional completo pelo uso dos diversos programas providos pelo projeto GNU, com o Linux 
como kernel. Esse sistema operacional é chamado de GNU/Linux, mas, frequentemente, as pessoas usam 
apenas a terminologia Linux, por simplificação.
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Unidade IV
 Saiba mais
Para saber mais sobre o projeto GNU, acesse o site:
gnu.org
O site da Free Software Foundation também é bem interessante:
fsf.org
Para saber mais sobre software livre, podemos encontrar vários textos 
na seguinte página:
GNU. Filosofia do Projeto GNU. [s.d.]. Disponível em: https://www.gnu.
org/philosophy/philosophy.html. Acesso em: 17 set. 2020.
7.1.1 Um breve histórico do Linux
Vimos que o sistema operacional GNU/Linux utiliza o Linux como seu kernel. O desenvolvimento do 
Linux nasceu de uma necessidade: Linus Torvalds, o criador do Linux, queria usar um sistema operacional 
similar ao Unix no seu computador pessoal.
É interessante termos em mente o contexto no qual o Linux foi escrito, especialmente com relação 
aos sistemas operacionais disponíveis no final da década de 1980 e no início da década de 1990 nos 
computadores pessoais. O principal sistema operacional de microcomputadores ainda era o MS-DOS. 
Esse sistema operacional já mostrava limitações para os computadores da época, especialmente por 
causa das restrições no uso de memória e da ausência do recurso de multitarefas (execução simultânea 
de processos), ao menos na sua configuração padrão.
Por outro lado, os computadores pessoais haviam evoluído muito no que se refere às suas estruturas. 
Um microprocessador lançado pela Intel em 1985, o 80386, era uma máquina poderosa, de 32 bits e 
com recursos avançados (para a época) de gerenciamento de memória. Contudo, o sistema operacional 
não explorava todos os recursos disponíveis.
Linus queria utilizar na sua máquina um sistema operacional similar ao sistema Unix, usado, na 
ocasião, em computadores maiores e mais caros. Na época, existia um sistema operacional chamado 
de Minix, escrito pelo pesquisador Andrew Tanenbaum, mas esse sistema operacional era limitado 
e mais voltado para pesquisa. Linus chegou a sugerir mudanças e melhorias no Minix, que foram 
rejeitadas por Tanenbaum.
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Os demais Unix da época ou eram muito caros ou estavam em meio a uma disputa legal com relação 
ao seu uso, devido a problemas de copyrights. Esse contexto estimulou Linus a começar a escrever o Linux.
Um aspecto interessante do desenvolvimento do Linux é o de que ele é aberto: Linus optou por 
compartilhar o código-fonte com quem estivesse interessado, de forma gratuita. Além disso, ele utilizou 
a licença GPL, o que permitiu que seu uso e sua cópia pudessem ser feitos de maneira livre. Muitas 
pessoas, do mundo todo, passaram a trabalhar com o kernel do Linux juntamente com Linus, o que 
gerou uma verdadeira rede internacional de colaboradores.
Nesse ponto, temos uma espécie de feliz coincidência: o projeto GNU dispunha de diversas 
ferramentas básicas para um sistema operacional, mas não tinha um kernel. Ao mesmo tempo, Linus 
tinha um kernel, mas não tinha as ferramentas. Dado que ambos os projetos eram abertos, a sua junção 
foi um passo natural e extremamente proveitoso.
Contudo, é preciso considerarmos que a simples disponibilização de um kernel e de programas ainda 
não é suficiente. É necessário integrar todas as aplicações em um conjunto coeso. Bibliotecas utilizadas 
por várias aplicações devem ser agrupadas e colocadas em locais convenientes e compartilhados. 
Deve ser criado um modelo de configuração. É necessário implantar
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