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AULA 2

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A porção distal do estômago atua de maneira muito importante, tanto ao misturar o conteúdo gástrico, quanto para gerar a propulsão deste conteúdo pelo piloro em direção ao duodeno. 
As contrações peristálticas iniciam-se pelo meio do estômago e se direcionam em relação ao piloro e são fundamentais para o esvaziamento gástrico. 
O esfíncter pilórico é a junção do estômago com o duodeno (junção gastroduodenal). 
Esta região é uma área de alta pressão e de extrema importância para a regulação do esvaziamento gástrico.
Como será que o esvaziamento do estômago é regulado? 
Existem fatores que regulam e orientam este esvaziamento do quimo em direção ao intestino? 
Como isso ocorre? 
Primeiramente, é sabido que a velocidade e a intensidade com que ocorre o esvaziamento do conteúdo estomacal é regulada por sinais provenientes tanto do duodeno quanto do estômago, entretanto, devemos ressaltar que os sinais provenientes do duodeno são bem mais fortes e, consequentemente, controlam de maneira mais efetiva a velocidade com que o quimo pode ser absorvido e digerido no intestino delgado (duodeno).
Podemos citar, entre os fatores gástricos que promovem o esvaziamento, o efeito do volume alimentar gástrico e o efeito do hormônio gastrina (secretado pelo estômago) neste processo.
Já com relação aos fatores duodenais associados ao esvaziamento gástrico, podemos citar os efeitos inibitórios dos reflexos enterogástricos que possuem origem duodenal. 
Além destes, também podemos citar o feedback hormonal do duodeno, associado às gorduras (lipídios) e ao hormônio colecistocinina (CCK), estes mecanismos serão abordados mais claramente posteriormente.
Pronto! Finalmente o estômago esvaziou o seu conteúdo (quimo) no intestino delgado e assim será continuado o processo de digestão.
Vale lembrar que a maior parte da digestão e absorção dos nutrientes ocorre no intestino delgado, logo, esta estrutura é fundamental à nossa vida. 
Embora seja possível a ocorrência de ressecções em parte do intestino delgado, cirurgias que comprometem drasticamente a área de absorção deste órgão são incompatíveis com a vida.
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O intestino delgado é composto por três partes: duodeno, jejuno e íleo. 
O duodeno possui localização retroperitoneal, ou seja, encontra-se atrás do peritônio, enquanto o jejuno e o íleo são estruturas envoltas pelo peritônio e encontram- se presas pelo mesentério, a porção posterior do abdome. O comprimento do intestino delgado é de aproximadamente 3m no indivíduo vivo, mudando para aproximadamente 6m após a morte, em função da perda do tônus da musculatura lisa.
Uma vez que o quimo chegou ao intestino delgado, ele deve seguir seu caminho em direção ao intestino grosso para posterior eliminação dos restos não absorvíveis (fezes). 
Os movimentos peristálticos, assim como no restante do tubo digestório, seguem no intestino delgado, o quimo é impulsionado no intestino delgado por meio de ondas peristálticas que ocorrem em qualquer parte desta porção do intestino, e são ondas que se movem a velocidades lentas entre 0,5 a 2cm/s.
Estas ondas peristálticas são fracas e costumam cessar depois de percorrer uma distância de 3 a 5cm. Isto faz com que o quimo demore muito tempo para percorrer o intestino delgado, logo, o tempo necessário para o quimo percorrer todo o intestino delgado, ou seja, do piloro até a válvula ileocecal e entrar no intestino grosso, é de 3 a 5h.
Vale lembrar que o peristaltismo no intestino delgado é aumentado após as refeições. 
Isto é devido a uma série de fatores, tais como a entrada do quimo no duodeno, o que leva a distensão da parede do duodeno, ao reflexo gastroentérico ocasionado pela distensão estomacal, além de uma série de hormônios que modificam esta atividade peristáltica, como a gastrina, a colecistocinina (CCK), a insulina e o neurotransmissor serotonina.
Estes hormônios e a serotonina, são capazes de intensificar a motilidade gastrointestinal e são secretados durante o processo de passagem do alimento pelo tubo digestório, assim como os hormônios secretina e glucagon que são capazes de inibir a motilidade do intestino delgado.
O objetivo do peristaltismo não está somente em levar o quimo em direção ao intestino grosso (ceco), mas, também, possibilitar a distribuição do quimo em todo o intestino, sendo que o peristaltismo se torna mais intenso à medida que chega mais quimo ao duodeno.
A maior parte da digestão de nutrientes ocorre no intestino delgado. 
Mas como isso efetivamente ocorre? 
Existem células especializadas neste processo absortivo? 
Existem, sim! 
São as células do epitélio intestinal que sofreram adaptações morfofuncionais e somente são encontradas no intestino delgado. Estas adaptações são denominadas microvilosidades.
Estas microvilosidades são capazes de promover, de maneira significativa o aumento da absorção de nutrientes em virtude do aumento da área absortiva e do número de células.
Você já ouviu falar em doença celíaca ou espru celíaco ou ainda enteropatia sensível ao glúten?
Esta doença é uma enteropatia (doença dos enterócitos ou células epiteliais especializadas) ocasionada por alterações imunológicas do indivíduo e desencadeada pela ingestão de cereais que contém glúten, tais como trigo, centeio ou cevada, por indivíduos que são geneticamente dispostos a essa doença.
 
Em países onde a maioria da população é caucasiana e de ascendência europeia, esta doença pode ser relativamente comum, com uma prevalência variando entre 0,5 – 1% nesta população. 
As figuras a seguir mostram a atrofia das microvilosidades intestinais que podem aparecer nesta doença, prejudicando intensamente a absorção de nutrientes pelos indivíduos acometidos por ela.
Agora, o quimo segue seu caminho em direção ao intestino grosso.
As principais funções do intestino grosso consistem na absorção de água e de eletrólitos do quimo, visando a formação de fezes sólidas, além do armazenamento deste material fecal até que ele possa ser expelido.
Neste processo de absorção de água e eletrólitos (5 a 8 litros diários aproximadamente) ocorre, ainda, concomitantemente à secreção de muco e bicarbonato. 
O objetivo desta secreção é, através de movimentos de mistura chamados de haustrações e movimentos peristálticos, misturar o muco e o bicarbonato aos restos de alimentos não absorvidos, tornando uma massa pastosa para, assim, facilitar a eliminação desta pelas das fezes.
Reflexos denominados gastrocólicos e duodenocólicos estão envolvidos no surgimento dos movimentos peristálticos do intestino grosso, também denominados movimentos de massa. 
Estes reflexos, como o próprio nome sugere, são decorrentes da distensão tanto do estômago quanto do duodeno em decorrência da passagem do alimento.
Por fim, inicia-se o processo final da alimentação, que corresponde a defecação, que nada mais é do que a expulsão dos restos alimentares não digeridos e, consequentemente, não absorvidos. 
Entretanto, as fezes não são somente constituídas por estes restos alimentares, mas também por bactérias, sais inorgânicos, células do epitélio intestinal descamadas (mortas), além de celulose, lipídios e proteínas.
De maneira geral os movimentos de massa não são capazes de provocar nenhuma sensação associada à defecação; entretanto, a chegada de um determinado volume de fezes ao reto produz a sua distensão, o que provoca a necessidade de defecar. 
A presença dos esfíncteres anais, interno e externo, é capaz de promover o mecanismo de controle da defecação. 
O esfíncter interno do ânus não está sob controle do indivíduo, ou seja, é involuntário, enquanto o esfíncter externo encontra-se sob controle voluntário do indivíduo.
Patologias que afetam o esfíncter externo podem ocasionar incontinência fecal, tais como lesão cirúrgica ou obstétrica, prolapso retal ou até mesmo doenças capazes de causar danos aos nervos sensoriais e motores, como a neuropatia diabética, por exemplo.

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