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MANUAL DE REPRESENTAÇÃO TEMÁTICA 2014 1

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e processos da classificação, analisando a evolução e a aplicação 
da classificação; 2. Conhecer os tipos de classificação bibliográfica: CDD e 
CDU; 3. Entender os princípios e notações da CDD e CDU; 4. Organizar o 
acervo de acordo com os temas: categorização do conhecimento. Através 
delas, faremos observações utilizando imagens, quadros e tabelas para 
demonstrar, na prática, como representar um assunto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Representação Temática 
 Competência 01 
1.COMPETÊNCIA 01 | CONHECER FUNDAMENTOS E PROCESSOS DA 
CLASSIFICAÇÃO, ANALISANDO EVOLUÇÃO E A APLICAÇÃO DA 
CLASSIFICAÇÃO 
 
Quando, pela primeira vez, nos deparamos com uma coleção de livros, em 
uma biblioteca, não entendemos como os livros estão organizados em cada 
lugar. Apenas conseguimos observar números e letras em suas lombadas, mas 
que à primeira vista não significam nada para nós, não é caro (a) aluno (a)? 
Esse conjunto de números e letras faz parte de uma representação artificial 
dos conteúdos dos livros e é exatamente esse processo que vamos conhecer 
os fundamentos e a evolução. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1 – Estante de livros organizados e etiquetados de acordo com uma 
classificação 
Fonte: Verruga na gordura (2012) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 2 – Exemplo de etiqueta com notação do sistema de classificação 
Fonte: Wordpress (2012) 
 
 
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Técnico em Biblioteca 
 Competência 01 
O ser humano é, naturalmente, um classificador, executando esse processo de 
maneira inconsciente. “É um processo mental, habitual ao homem, pois 
vivemos automaticamente classificando coisas e ideias, a fim de compreendê-
las e conhecê-las” (PIEDADE, 1977, P. 8). A partir da própria organização social 
em classes, usando critérios de função social, o homem foi se separando e se 
organizando. Com o desenvolvimento da oralidade e da escrita, esse ser 
adquiriu o poder de representar através de sons e símbolos, coisas, ideias e 
sentimentos. 
 
1.1 Histórico 
 
Há registros históricos de pseudo classificações do século VI a. C. na Assíria, 
onde, na Biblioteca de Assurbanipal, quando a informação ainda era gravada 
em tabletes de argila, havia uma divisão bem simples entre aqueles 
destinados às ciências da terra e os das ciências do céu (PIEDADE, 1977). 
 
No século III a. C. Calimacus (ou Calímaco), chefe da Biblioteca de Alexandria e 
considerado o primeiro bibliotecário, elaborou um catálogo denominado 
Pinakes, onde havia uma divisão da coleção pelo tipo de escritores (PIEDADE, 
1977): 
 
1. Poetas: 
 
 Épicos 
 Cômicos 
 Trágicos 
 Ditirambos 
 
2. Legisladores 
 
3. Filósofos 
 
 Geométricos 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Representação Temática 
 Competência 01 
 Matemáticos 
 
4. Historiadores 
 
5. Oradores 
 
6. Escritores de Tópicos Diversos 
 
Na era medieval, o processo de ordenação dos livros torna-se mais 
diversificado, ordenando-os por tamanho, ordem alfabética dos autores e em 
ordem cronológica (PIEDADE, 1977). 
 
A classificação, como prática consciente, nasce da necessidade de organizar 
um conjunto de coisas, de acordo com critérios, sejam eles simples como 
cores, tamanhos, formatos ou mais elaborados como o conteúdo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3 - Aristóteles 
Fonte: Wikipédia (2012) 
 
A primeira tentativa de classificação do conhecimento de que se tem notícia 
foi desenvolvida por Aristóteles, que vigorou por aproximadamente, 2000 
anos (entre 300 a. C. e 1600 d. C.). Essa classificação dividia a ciência em três 
partes: 
 
 Teórica (visando o conhecimento de si – matemática, física e metafísica); 
 Prática (buscando o conhecimento como um guia de conduta, cujo 
 
 
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Técnico em Biblioteca 
 Competência 01 
propósito é a ação – ética, política, economia e retórica); 
 Produtiva (tendo como propósito a criação de um produto – poesia e 
artes). 
 
Aristóteles estabeleceu os princípios que nortearam os sistemas de 
classificação, chamando de categorias ou predicáveis as classes gerais, essas 
seriam dez, classificadas ainda como gêneros supremos ou dez essências, 
sendo elas: 
 
1. Substância (homem, cachorro, pedra, etc.); 
2. Qualidade (azul, virtuoso, etc.); 
3. Quantidade (grande, comprido, dois quilos, etc.); 
4. Relação (mais pesado, escravo, duplo, etc.); 
5. Duração (ontem, 1070, de manhã, etc.); 
6. Lugar (aqui, Brasil, no pátio, etc.); 
7. Ação (correndo, cortando, falando, etc.); 
8. Paixão ou Sofrimento (derrotado, cortado, etc.); 
9. Maneira de ser (saudável, febril, etc.); 
10. Posição (horizontal, sentado, etc.). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 4 – Johannes Gutenberg 
Fonte: imprensasociedade.blogspot.com.br 2012 
 
No século IV, o filósofo grego Porfírio desenvolveu uma classificação do 
conhecimento baseada no princípio da oposição, chamada de classificação 
dicotômica onde, para cada ramo do conhecimento, havia outro de oposição. 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
Representação Temática 
 Competência 01 
Um dos instrumentos conhecidos dessa classificação é a Árvore de Porfírio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5 – Estrutura da Árvore de Porfírio 
Fonte: http://educacao.uol.com.br/biografias/porfirio.jhtm (2012) 
 
A partir do advento da imprensa, no século XV, quando Gutenberg desenvolve 
uma tecnologia denominada de prensa móvel, ocorre a chamada explosão 
bibliográfica, e a necessidade de organizar todo o conjunto de obras torna-se 
fundamental. 
 
No século XVI, Konrad Von Gesner publica a obra Bibliotheca Universalis, 
considerada por Edward Edwards a primeira classificação bibliográfica. 
Baseando-se no trivium e quadrivium, considerava a filosofia como sendo a 
totalidade do conhecimento, apresentando para ela 21 subdivisões (PIEDADE, 
1977): 
 
FILOSOFIA 
 Ciências preparatórias 
 Necessárias 
 Sermoniais 
 1. Gramática e filologia 
 2. Dialética 
 3. Retórica 
 
 
 10 
Técnico em Biblioteca 
 Competência 01 
 4. Poética 
 Matemática 
 5. Aritmética 
 6. Geometria, Ótica, etc. 
 7. Música 
 8. Astronomia 
 9. Astrologia 
 Ornamentais 
 10. Adivinhação e Mágica 
 11. Geografia 
 12. História 
 13. Artes Mecânicas 
 Substanciais 
 14. Filosofia Natural 
 15. Metafísica 
 16. Moral 
 17. Economia 
 18. Política civil e Militar 
 19. Jurisprudência 
 20. Medicina 
 21. Teologia cristã 
 
No século XIX, surge a Classificação de Melvil Dewey, inspirada na divisão do 
conhecimento humano de William Harris, que se baseava na inversão da 
classificação de Francis Bacon. A classificação de Dewey será vista com mais 
detalhes mais adiante. Veja o quadro comparativo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 
Representação Temática 
 Competência 01 
Francis Bacon 
(1605) 
 
Inversão 
 
Harris 
(1870) 
Dewey 
(1876) 
Faculdades 
Mentais 
Classes 
 
 
Classes 
 
Classes 
 
Memória 
 
História 
Natural 
Civil 
Filosofia 
 
Ciências 
Filosofia 
Religião 
Ciências sociais e 
políticas 
Ciências Naturais 
Generalidades 
Religião 
Ciências Sociais 
Imaginação 
 
Poesia 
Narrativa 
Dramática 
Parabólica 
Poesia 
 
Artes 
Belas Artes 
Poesia 
Ficção 
Literatura 
Miscelânea 
Belas Artes 
Literatura 
Razão 
 
Filosofia 
Divina 
Natural 
Humana 
Teologia 
História 
 
História 
Geografia e viagens 
História Civil 
Biografia 
Miscelânea 
História 
Geografia e viagens 
Biografia 
História /Civil 
Figura 6– Quadro comparativo entre classificações 
Fonte: Piedade, 1977, p. 65. 
 
O sistema criado por Dewey foi pioneiro no uso de números decimais para 
classificação dos documentos, utilizando-os para comportar muitas divisões. 
Nele, o conhecimento encontra-se dividido em 10 classes. Cada uma delas 
podendo ser subdivididas diversas vezes. 
 
Classe 000 Obras gerais 
Classe

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