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MANUAL DE REPRESENTAÇÃO TEMÁTICA 2014 1

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ramo do conhecimento, como a classificação das 
plantas de Linné (ou Lineu) e a classificação para bibliotecas médicas de 
Cunningham. 
 
As classificações filosóficas surgem quando os filósofos percebem que há uma 
hierarquia entre causas e princípios e, portanto, uma hierarquia e uma relação 
entre as ciências que os estudam. Assim, eles resolveram esquematizar essas 
hierarquias (PIEDADE, 1977). 
 
Aristóteles teve maior prestígio entre os filósofos, apesar de alguns autores 
 
 
Carl Von Linné – 
Botânico, médico e 
zoólogo sueco, foi o 
pai da moderna 
taxonomia, 
desenvolveu as 
bases para o 
esquema moderno 
de nomenclatura 
binomial. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Representação Temática 
 Competência 01 
destacarem Platão como o primeiro filósofo a realizar uma classificação. 
Depois de Aristóteles, o filósofo inglês Francis Bacon, que viveu entre os 
séculos XVI e XVII, ganha evidência entre os bibliotecários, pela influência em 
várias outras classificações como a de Harris, Dewey, Classificação Decimal 
Universal e a classificação da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. 
Bacon dividiu as ciências de acordo com as faculdades humanas: a memória, a 
imaginação, e a razão (PIEDADE, 1977). 
 
Em memória, Bacon faz uma relação com a história dividindo-a entre História 
Natural, História Civil e História Sagrada. A imaginação produziria a poesia, 
dividida em narrativa, dramática e parabólica. A razão criaria a Filosofia, 
dividida em natural, humana e teologia. 
 
No século XIX, Augusto Comte é o principal representante desse tipo de 
sistema. Para ele, as ciências foram divididas em abstratas (fundamentais) e 
concretas (derivadas). Nas abstratas, eram estudadas as leis gerais, 
independente dos seres concretos. Nas concretas, estudavam os seres, 
considerados em sua complexidade concreta (PIEDADE, 1977). Comte parte 
das ciências mais simples, abstratas e independentes, para as mais complexas 
e dependentes, dividindo-as em: 
 
Matemática Química 
Astronomia Biologia 
Física Sociologia 
Moral 
 
As classificações bibliográficas têm por base os assuntos tratados nos 
documentos para, assim, ordená-los em uma coleção. Pela sua complexidade, 
essas classificações exigem (PIEDADE, 1977, p. 59): 
 
1. Uma classe que reúna as obras sobre todos os assuntos, subdividida pela 
forma do documento; 
2. Subdivisões de forma, aplicáveis aos vários assuntos; 
 
 
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Técnico em Biblioteca 
 Competência 01 
3. Uma notação, isto é, um conjunto de símbolos para representar os assuntos 
e permitir a ordenação lógica dos documentos; 
4. Um índice, para facilitar a consulta. 
 
1.4 Como Classificar 
 
Para iniciar o processo de classificação de um livro, o classificador deverá 
estar atento a tudo que possa fornecer subsídios para conhecer o seu assunto. 
Lentino (1971) nos dá treze possibilidades, que podem oferecer essas 
informações, são elas: 
 
1. Título – não é critério determinante, pois alguns títulos podem enganar. O 
livro “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Holanda, poderia levar ao 
classificador a determinar sua localização na área de Botânica, mas o 
conteúdo faz referência à Sociologia. 
2. Subtítulo – alguns deles são explicativos e podem definir algo que o título 
não diz. 
3. Nota de Série – muitas vezes, ela é fundamental para a classificação. 
4. Prefácio – quando o livro é dotado de um prefácio, e este, for escrito pelo 
próprio autor, será mais fácil elucidar o assunto em questão. 
5. Introdução – muitas vezes são longas e o classificador, na ânsia de 
terminar, despreza-a. Isso não deve acontecer. 
6. Título do encadernador – por exemplo, uma coletânea de folhetos de Rui 
Barbosa foi encadernada. A nova capa ganhou o título de Jurídica, levando ao 
classificador a inseri-lo na área de Direito. Dentre outras coisas, ele também 
era jurista. 
7. Tabelas de Conteúdo – é uma lista dos cabeçalhos do assunto contido no 
livro, e vem no seu início. 
8. Índice – Quando os itens anteriores não são suficientes, o índice pode ser 
de grande ajuda para o classificador. 
9. Bibliografia – são localizadas no fim dos capítulos, do livro ou em rodapés. 
10. Tópicos Marginais – informações extras contidas em livros antigos. 
11. Nome do Autor e sua atividade – quando título e outras pistas não são o 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Representação Temática 
 Competência 01 
bastante para se traçar o assunto do livro, a atividade do autor ou a sua 
origem podem ajudar. 
12. Orelhas do Livro – é comum elas trazerem pistas do assunto do livro. 
13. Fontes externas – quando se esgotarem todas as possibilidades, o 
classificador poderá se valer de livros de referências, que podem dar pistas 
para a classificação. 
 
Depois de examinar o livro e determinar o assunto, deve-se localizá-lo no 
índice. Sendo esse assunto novo, é necessário, então, procurar a divisão e 
subdivisão para estabelecer uma ordem na coleção. Ao final, é escolhido o 
número de chamada, tendo o cuidado para não repetir com outro título. Feito 
isso, só restará a construção dos assuntos secundários e a inserção no 
catálogo. 
 
Além disso, a decisão de como classificar um livro deve, ainda, obedecer a 
algumas regras, as principais são (LENTINO, 1971): 
 
1. O livro deve ser classificado pelo seu primeiro assunto e, depois, pela 
forma, exceto em literatura, quando [a] forma tem preferência. Ex: Filosofia 
de Arte classifica-se em Arte, e História da Filosofia em Filosofia. O livro “Os 
Lusíadas” fala da história de Portugal, mas sua classificação deve ser Literatura 
(poesia), pois a forma é predominante. 
2. Colocar o livro onde for mais útil ao leitor. 
3. Quando o livro tratar de dois ou mais assuntos, colocá-lo onde for mais 
útil, avaliado pela característica da biblioteca. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Exemplo: um livro 
de higiene escolar, 
numa biblioteca de 
educação, irá para 
educação, 
enquanto que 
numa biblioteca 
médica ou de 
higiene, irá para 
higiene, fazendo-se, 
em ambas, 
referências para o 
outro assunto. 
(LENTINO, 1971) 
 
 
 
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Técnico em Biblioteca 
 Competência 02 
2.COMPETÊNCIA 02 | CONHECER OS TIPOS DE CLASSIFICAÇÃO 
BIBLIOGRÁFICA: CDD E CDU 
 
Nesta competência, faremos um estudo mais aprofundado dos dois tipos de 
classificações bibliográficas mais utilizadas no mundo, suas diferenças e 
especificidades. 
 
2.1 Conceitos 
 
Vamos estudar um pouco mais sobre as classificações CDU e CDD, caro (a) 
aluno (a)? 
 
De acordo com o modo de apresentação dos assuntos e a estrutura da 
classificação, essas classificações podem ser: enumerativas, analítico-
sintéticas ou semi-enumerativas. 
 
As classificações enumerativas buscam indicar todos os assuntos e todos os 
ajustes possíveis entre eles e oferecer os símbolos que os representam, 
prontos para serem empregados. 
 
As classificações analítico-sintéticas oferecem listas dos assuntos, 
acompanhadas de símbolos, e permitem ao classificador a possibilidade de 
combinar os símbolos para representar os assuntos compostos. Por isso, são 
chamadas também de classificações em facetas ou classificações facetadas. 
 
As classificações semi-enumerativas são aquelas que recorrem, em parte, à 
fusão (combinação de símbolos) para a constituição dos símbolos, destinados 
a representar os assuntos compostos, mas, outras vezes, oferecem símbolos 
prontos para esses assuntos (PIEDADE, 1977). 
 
Ranganathan diverge um pouco da distinção acima, apresentando cinco tipos 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Representação Temática 
 Competência 02 
de sistemas de classificações bibliográficas: 1. Sistemas enumerativos; 2. 
Sistemas quase enumeratitvos; 3. Sistemas quase facetados; 4. Sistemas 
rigidamente facetados e 5. Sistemas livremente facetados ou analítico-
sintéticos. 
 
Os sistemas enumerativos incidem

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