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AFECÇÃO/DOENÇA BUCAL DA INFÂNCIA

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é o tipo mais frequente de herpes recorrente, embora lesões intrabucais possam ocorrer em palato duro ou gengiva, uma vez que as lesões recorrentes são limitadas à mucosa queratinizada (LYNCH, 2000). 
	O diagnóstico de herpes recorrente raramente apresenta dúvidas, já que a história do paciente confirma a suspeita clínica e as lesões intrabucais podem ser distinguidas de úlceras aftosas recidivantes através de sua localização anatômica (TILLISS, et al, 2002). Esta lesão se caracteriza por pequenas vesículas, rodeadas por uma área eritematosa, na pele adjacente ao contorno labial. As vesículas aparecem poucas horas após os sinais prodrômicos de prurido e formigamento na região. 
	Em pouco tempo se rompem formando uma lesão ulcerada, que em seguida forma uma crosta e geralmente cicatriza entre sete e dez dias. O período de recorrência pode ser de poucas semanas e até dias em alguns indivíduos, mas normalmente este intervalo é de meses, dependendo do grau de exposição aos estímulos individuais envolvidos (TYLDESLEY, 1995). 
	Existem controvérsias na literatura quanto à dose e ao tempo de tratamento ideais para efeito do aciclovir no tratamento de lesões de herpes em crianças, tanto na forma sistêmica quanto tópica (SASADEUSZ, et al, 1993; AMIR, et al, 1997), estando indicado para os casos mais graves que apresentam recorrências frequentes e para pacientes imunossuprimidos. 
	Agentes secantes como álcool, éter e clorofórmio têm demonstrado diminuição na duração das lesões, resultando em um processo mais rápido de cura; no entanto, por apresentarem efeitos nocivos, devem ser utilizados com precaução. Outra alternativa é o uso do laser de baixa potência, que apresentou resultados satisfatórios na diminuição do ciclo viral (MACHNIKOWSKI, et al, 1989).
LÍNGUA GEOGRÁFICA
	A língua geográfica, também denominada de eritema migratório e glossite migratória benigna, é uma condição patológica de etiologia ainda obscura, caracterizada clinicamente por áreas avermelhadas irregulares, semelhantes a úlceras, distribuídas no dorso ou borda lateral da língua e associadas com perda das papilas filiformes Essas áreas tendem a mudar de localização, formato e tamanho em minutos, horas ou na recorrência das lesões, produzindo o efeito migratório da língua geográfica que é caracterizada por períodos de exacerbação e remissão (MOTISUKI, et al, 2005).
	 É uma das lesões mais comuns observadas no exame clínico da língua das crianças (VÖRÖS-BALOG, et al, 2003; DELANEY, 1995), embora apresente baixa incidência quando comparada às outras lesões bucais (KLEINMAN, et al, 1994). O diagnóstico diferencial de língua geográfica nas crianças deve incluir candidose atrófica, trauma localizado e neutropenia grave (ASSIMAKOPOULOS, et al, 2002). Esta lesão não apresenta sintomatologia dolorosa, na maioria dos pacientes e trata-se de uma patologia benigna, sem maiores consequências. Durante o período de exacerbação as lesões podem provocar desconforto, ardor, sensação de corpo estranho e inflamação dos linfonodos submandibulares (SIGAL, et al, 1992). 
	Nestes casos, faz-se necessário apenas o controle ou tratamento sintomático, através de soluções anestésicas tópicas, anti-histamínicos e enxaguatórios bucais (FLAITZ, et al, 2000). Segundo Assimakopoulos et al. (2002), deve-se recomendar aos pacientes que evitem fatores locais que possam exacerbar tais sintomas, como os alimentos muito quentes, picantes ou ácidos e as nozes secas e salgadas.
ÚLCERA AFTOSA RECIDIVANTE
	A ulceração aftosa recidivante é classificada, de acordo com as características clínicas, em ulceração aftosa comum, periadenite mucosa necrótica recidivante ou ulceração herpetiforme. A forma mais comum e frequentemente encontrada em crianças é a ulceração aftosa comum (PORTER, et al, 2000), caracterizada por úlceras rasas, com menos de 5 mm de diâmetro, forma arredondada ou ovalada, apresentando uma pseudomembrana amarelo-esbranquiçada, envolvida por um halo eritematoso. 
	Geralmente aparecem de uma a cinco lesões, em geral em superfícies não queratinizadas, como mucosa labial e bucal e assoalho de boca. As úlceras possuem sintomatologia dolorosa e desaparecem dentro de uma ou duas semanas, sem deixar cicatrizes (KNIGHT, 2003). A etiologia da úlcera aftosa comum não é muito bem definida. 
	Alguns autores associam seu aparecimento à utilização de drogas (TACK, et al, 2002), a distúrbios sistêmicos, como a síndrome de Behçet (KRAUSE, et al, 1998), a síndrome de Sweet (NOTANI, et al, 2000), a síndrome de Crohn (RAMASWAMY, et al, 2003) e a síndrome periódica de febre (LONG, 1999), deficiências imunológicas, problemas de má absorção gastrointestinal (SCULLY, et al, 2002), trauma local, estresse (MCCARTAN, et al, 1996), deficiência de vitamina B12 (PISKIN, et al, 2002), ácido fólico e ferro (BARNADAS, et al, 1997) e sensibilidade a aditivos alimentares (NOLAN, et al, 1991).
	 O diagnóstico da ulceração aftosa comum é baseado nos aspectos clínicos e na história do paciente, sendo o local da úlcera um importante dado para o diagnóstico diferencial com a ulceração intra-oral recidivante, que é causada pelo vírus herpes simples e acomete mucosas adjacentes ao tecido ósseo, como palato e gengiva e geralmente é unilateral (FEHRENBACH, et al, 2000). 
	Investigações rotineiras de contagem de sangue puro, células vermelhas, folato, vitamina B12 e ferritina sérica podem ser recomendadas, a menos que haja fortes razões clínicas para suspeitar de uma infecção viral (SMITH, et al, 1999). Devido a sua patologia autolimitante, nos casos em que houver sintomatologia dolorosa leve e recorrência pouco frequente não há necessidade de tratamento. Porém, na presença de dor intensa, o alívio pode ser realizado, principalmente, através de corticosteróides ou imunomoduladores tópicos (TILLISS, et al, 2002; SCULLY, et al, 2003; FRAIHA, et al, 2002). 
CANDIDOSE OU CANDIDÍASE
	A Candida albicans é uma espécie de fungo encontrada em alta proporção na cavidade bucal de indivíduos saudáveis (KURNATOWSKA, 2001), podendo tornar-se patogênica diante de uma alteração sistêmica ou local, capaz de reduzir a resistência imune do hospedeiro (FEHRENBACH, et al, 2000). Dentre os fatores predisponentes se destacam a infecção pelo HIV (BARASCH, et al, 2000) e a utilização de antibióticos de amplo espectro, esteróides, corticosteróides ou drogas psicotrópicas (SAMARANAYAKE, et al, 2002; ELLEPOLA, et al, 2001). 
	Em crianças de baixa faixa etária, a candidose aguda pseudomembranosa é a infecção fúngica oral mais comum (BALDANI, et al, 2001). Clinicamente as lesões são caracterizadas por placas brancas cremosas que se desprendem, deixando uma superfície cruenta e dolorida (DELANEY, et al, 2000). Fissuras eritematosas localizadas em um dos lados da comissura labial também podem estar associadas à infecção intra-oral e são denominadas de queilite angular. O diagnóstico é realizado através das características clínicas da lesão e de testes laboratoriais, excluindo-se a possibilidade de outras lesões brancas potencialmente carcinogênicas, como as leucoplasias (AKPAN, et al, 2002). 
	A raspagem das placas, evidenciando uma superfície cruenta remanescente, é um teste preliminar importante para diferenciar a candidose de outras placas brancas intrínsecas da mucosa oral (TYLDESLEY, 1995). O tratamento recomendado inclui agentes antifúngicos tópicos ou sistêmicos (SAMARANAYAKE, et al, 2002). Estudos recentes demonstraram melhor eficácia do fluconazol em suspensão (GOINS, et al, 2002; HUTTOVA, et al, 1998). A clorexidina a 0,12% também pode ser utilizada como complemento ao tratamento antimicótico convencional, na posologia de 2x/dia, bochecho por 30 segundos (ELLEPOLA, et al, 2001).
CISTO DE ERUPÇÃO
	Bodner (2002) realizou, durante um período de dez anos, levantamento das principais lesões císticas em mandíbula e verificou que o cisto de erupção era o tipo de cisto mais prevalente em crianças com idade média de 4,7 anos. Essa lesão, localizada somente em tecido mole, é formada pelo acúmulo de fluido tissular dentro do espaço folicular

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