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História das políticas públicas de saúde no Brasil

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Universidade Federal do Rio de Janeiro 
Campus Macaé 
Enfermagem 
Angie Martinez 
Antecedentes: Início do século XX até 1930 
✓ Já tem uma ação do governo voltada para a 
preservação da saúde das pessoas, visando garantir 
comércio e proteger a mão de obra, que na época era 
uma mão de obra voltada à agricultura – importação 
e exportação. Havia intervenções do Estado 
principalmente para garantir a saúde dos 
trabalhadores. 
✓ A situação sanitária e econômica do país, que 
dependia muito da importação e exportação de bens 
agrícolas, vinha sofrendo por conta das epidemias 
que aconteciam na época, já que a questão sanitária 
ainda era precária. O Brasil apenas saia da colônia e 
entrava na república, com doenças como febre 
amarela, malária, a peste, tuberculose... todas as 
quais afetavam a mão de obra. 
✓ Ao afetar a mão de obra, afetava também na 
produção, além da importação/exportação, já que 
assim que os navios atracavam em solo brasileiro, 
muitos dos tripulantes vindos de outros países 
acabavam adoecendo. Essas pessoas suscetíveis 
doença ficavam doentes e era necessário colocá-los 
em quarentena, a qual era realizada no RJ em Ilha 
Grande – existiam hospitais chamados Lazaretos 
específicos para as quarentenas. Pela origem agrícola 
do produto, eles acabavam estragando/passando da 
validade, o que gerava déficit e prejuízos à 
economia. 
✓ Diante desse panorama, as ações da época estavam 
voltadas para o saneamento e medidas preventivas, 
como a vacinação – mais comum a partir de 1900 e 
1910, quando os programas foram intensificados, 
muito atrelado ao desenvolvimento da ciência e 
avanços da microbiologia, principalmente pelo 
instituto de Pasteur na França. 
✓ No Brasil, à época, em 1897, foi criado uma 
Diretoria, o que seria hoje um tipo de ministério de 
saúde. Contudo, ele não estava formado 
especificamente para a saúde, era uma diretoria de 
portos, que dentro dela na parte de fiscalização dos 
portos existia a Diretoria Geral de Saúde Pública – 
analogia ao Ministério da Saúde atual. 
✓ Esse período é chamado de Sanitarismo 
Campanhista – ações verticalizadas, ou seja, com um 
objetivo específico, na tentativa de proteger a mão 
de obra e a saúde dessas pessoas trabalhadoras – 
protegendo também as políticas de comércio. 
Sanitarismo campanhista 
✓ O nome destaque desse tipo de ação é Oswaldo 
Cruz, médico sanitarista que atua nesse momento, 
trazendo uma atuação diferente da comum no país, 
por meio de ações coercitivas, militares... 
✓ Oswaldo Cruz assume a Diretoria Geral de Saúde 
Pública se propondo a erradicar a peste, a malária, a 
febre amarela e a tuberculose. A tuberculose não foi 
possível erradicar até os dias de hoje – é passível de 
controle e tratamento atualmente, mas permanece 
endêmica, bem como a Lepra/Hanseníase. 
✓ O. C. estudou no instituto Pasteur, aprende esses 
novos avanços da microbiologia e retorna ao Brasil 
em1902, quando o presidente era Rodrigues Alves. 
É convidado a assumir o cargo e se propõe a 
reorganizar o sistema de saúde. 
✓ Junto ao Oswaldo, Rodrigues Alves traz o Pereira 
Passos – engenheiro e arquiteto, para reestruturar a 
capital (Rio de Janeiro), o qual faz o famoso 
movimento Bota Baixo, para alargar as ruas, 
reformar a estrutura arquitetônica urbana do centro 
da cidade. Ele acaba com os cortiços, expulsa os 
moradores... conhecida como a tentativa de trazer a 
Bela Époque ao Brasil – busca trazer ares europeus 
ao país, que era uma miscigenação; o objetivo é 
embranquecer a população. 
✓ A reformulação na área da saúde e no setor de 
arquitetura e urbanismo, gerou uma revolta. Isso 
porque O.C. formou um exército, delegacias de 
saúde, policiais sanitários – uma estrutura militar, 
sem a conscientização da saúde, nem a educação em 
saúde. Não havia respeito pela população. 
Entravasse nas casas, vacinavam as mulheres e 
crianças, invadiam os lares para desinfetar... A 
cidade era dividida em distritos sanitários e cada um 
tinha sua delegacia. 
✓ Em 1904 surge uma revolta – Revolta da Vacina. 
Não é uma revolta exclusivamente à vacina, era uma 
junção de problemas sociais e insatisfação pela 
conjuntura, que culminou com a vacinação 
obrigatória contra a varíola, por isso possui esse 
História das Políticas Públicas de Saúde 
no Brasil 
Universidade Federal do Rio de Janeiro 
Campus Macaé 
Enfermagem 
Angie Martinez 
nome em relação à vacina. Aconteceram levantes 
populares durante esse período. 
✓ O.C. tenta erradicar a peste e paga às pessoas para 
matar os ratos da rua. 
✓ A atuação do OC não foi fácil, já que teve muitas 
ações problemáticas e era aborrecido pela população, 
principalmente pelos mais humildes e que sofreram 
maiores impactos. O General Mata Mosquito, como 
era chamado, conseguiu alguns feitos na frente da 
DGSP – entre elas, a erradicação da Febre Amarela 
(1907) na capital federal (RJ). Ganha um prêmio 
internacional em Berlim por tal feitio (1909). A 
partir desse reconhecimento, é nomeado diretor do 
instituto soroterápico federal (como era chamado à 
época), que no final se torna instituto Oswaldo Cruz 
(FioCruz). 
✓ Com essa evolução, havia concomitantemente o 
início do Sanitarismo Rural, onde se começou a 
olhar para os sertões. 
Sanitarismo Rural 
✓ Há dois médicos que atuavam no instituto 
soroterápico: Arthur Neiva e Belisário Penna. Eles 
foram até os sertões para tentar entender o porquê do 
adoecimento das pessoas naquelas regiões. 
✓ Lembrando que o país tinha um olhar para a saúde 
pública diferenciado nos grandes centros, e que o 
interior ficava abandonado. Não muito diferente do 
que ainda acontece na atualidade. Os centros de 
saúde com maior aporte de saúde e as cidades mais 
afastadas abandonadas. Atualmente há algumas 
intervenções realizadas (Programa Mais Médicos), 
mas continua sendo um desafio, pois muitos 
profissionais não gostam de ir para essas regiões 
longes. 
✓ Nessa expedição eles fazem um relatório (1916), no 
mesmo período em que se publicam contos do Jeca 
Tatu, com uma visão de que a população era 
preguiçosa, quando na realidade sofriam por 
inúmeras doenças parasitárias, por exemplo, e as 
atividades laborais ficavam prejudicadas, por conta 
dessa incidência. 
✓ Em 1918 ocorre uma grande epidemia o país – 
Epidemia de Gripe Espanhola, onde se percebeu que 
o modelo de atenção à saúde do Brasil não era 
adequado para atender uma grande parcela da 
população. Foi no final da segunda guerra mundial, 
não tinham leitos, faltavam profissionais de saúde, a 
capacitação era muito precária – nem se quer havia 
escolas de enfermagem, apenas algumas iniciativas 
de instrução de enfermeiros, como a escola do 
hospício dos alienados, mas que não funcionavam 
adequadamente. Viu-se a necessidade de reformular 
o modelo de saúde. 
✓ Cria-se o Departamento Nacional de Saúde Pública, 
DNSP (1920). A antiga diretoria é extinta. Chefiado 
por Carlos Chagas, faz uma reformulação e elabora 
um código sanitário – chamada de Reforma Carlos 
Chagas – médico sanitarista que atuou junto à 
fundação Rockfeller na saúde pública. 
✓ Trabalhando junto à fundação nos EUA, Chagas 
pôde ver como foi a reformulação no exterior, com a 
elaboração do relatório que estabelece como 
deveriam ser também as escolas de enfermagem – 
era um modelo de saúde pública, diferenciando o 
modelo de ensino de enf da Inglaterra. 
✓ A DNSP verá a necessidade de criar uma forma de 
exercer saúde pública, com grande foco na educação 
em saúde. Nessa diretoria que se cria o curso de 
visitadoras em saúde – escola de enfermagem, onde 
formam as visitadoras que trazem outra abordagem 
para a saúde, mais educacional, de instruir à 
população a forma correta de lidar com essas 
situações. 
✓ Antes da escola, Chagas cria um serviço de 
enfermeiras de saúde pública dentro do DNSP, a 
partir do qual se vê a necessidade de enfermeiras