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RESUMO OAB DIREITO CONSTITUCIONAL

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Direito Constitucional - OAB/RJ | Yasmim Martins de Magalhães | 2021.1
DIREITO CONSTITUCIONAL – OAB/RJ	
	CONTEÚDO
	QUESTÕES
	1. HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS
	
	2. PODER CONSTITUINTE
	
	3. APLICAÇÃO DAS NORMAS NO TEMPO
	
	4. DIREITOS INDIVIDUAIS E COLETIVOS
(Art. 5º, caput, incisos I, II, IV ao VIII, X ao XIII, XVII ao XIX, XXII ao XXVI, XXXIII e LXVIII a LXXIII da CRFB/88)
	
	5. DIREITOS POLÍTICOS
(Art. 14, §4º a 7º + Art. 15 da CRFB/88)
	
	6. DIREITO DE NACIONALIDADE
	
	7. REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS
(Art. 21, 22, 24 da CRFB/88)
	
	8. ORGANIZAÇÃO DO ESTADO
	
	9. ESTATUTO DOS CONGRESSISTAS
(Art. 58, §3º + Arts. 49, 51 e 52, 53, 55 e 56 da CRFB/88)
	
	10. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: TEORIA GERAL
(Art. 97, 102, I, alínea “a”, art. 103-A + art. 3º Lei 11.417; Art. 102, III, alíneas “a” até “d” da CRFB/88; Art. 948 e 949 do NCPC; e SVº 10 STF)
	
	11. INTERVENÇÃO
(Art. 34 a 36 da CRFB/88)
	
1. HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS
A Teoria Geral do Direito apresenta como uma das principais características da norma jurídica seu fundamento de vigência. Um dos elementos que compõe esse fundamento é a hierarquia normativa entre os diversos dispositivos jurídicos. Esta hierarquia foi celebrada por Hans Kelsen, para quem norma hierarquicamente superior é aquela que fundamenta a norma inferior. 
O fundamento de vigência, dentro dessa Teoria, é um pressuposto de validade do Estado de Direito, no que se refere à sua organização e regulação das suas atividades, no qual o Estado se submete as leis por ele criadas.
Buscou-se, partindo do pressuposto de que a Constituição Federal é a norma suprema do ordenamento, se existe hierarquia entre normas infraconstitucionais. Concluiu-se, existe hierarquia entre órgãos e servidores da Administração, conquanto as espécies normativas estejam no mesmo nível hierárquico, já que recebem fundamento de validade, tanto no aspecto formal quanto material, da Carta Política.
O princípio da hierarquia normativa é aquilo determinado pelo ordenamento jurídico. Conforme Alfonso Ruiz Miguel, um determinado tipo de norma é superior, igual ou inferior a outro tipo de norma quando assim o é considerado pelo ordenamento jurídico em questão, explícita ou implicitamente, cuja consequência é o dever dos órgãos criadores das normas inferiores acatarem o estabelecido nas normas superiores. 
Destarte, o princípio da hierarquia normativa, não necessariamente, virá explícito em uma norma do ordenamento jurídico. Quando se manifesta de forma implícita, cabe aos órgãos e operadores do direito a sua determinação por meio da interpretação. 
Da mesma forma em que não há hierarquia entre duas normas que pertencem ao mesmo nível, entre dois órgãos que integram a mesma pessoa jurídica encontrando-se no mesmo nível, não há hierarquia entre eles. Há relações fundamentais na posição que ocupam esses órgãos no escalonamento das atribuições e responsabilidades. As relações são paritárias, as quais sobressaem no sentido de coordenação, ao se pensar na atuação conjunta dos dois órgãos. 
A hierarquia ocorre quando há diferença na posição dos órgãos no escalonamento estrutural, conforme Odete Medauar, de tal modo que aquele superior, nas relações com os subordinados, exercem poderes, configurando-se uma relação de supremacia-subordinação. A hierarquia existe entre órgãos inseridos na mesma estrutura interna da mesma pessoa jurídica. Para a autora, no ordenamento jurídico brasileiro, “pode-se dizer que a hierarquia é vínculo que ocorre entre órgãos da Administração direta ou no interior de cada entidade da Administração indireta”. 
Desta forma, a hierarquia entre órgãos é inerente à estrutura administrativa desconcentrada que, pode ser visualizada como tipo de vínculo entre órgãos e como tipo de vínculo entre servidores. As normas elaboradas por esses órgãos, que tenham força jurídica, possuem uma relação de hierarquia conforme a posição que ocupa o órgão emissor da norma. 
Todavia, o princípio da hierarquia normativa não está expresso em nenhuma norma constitucional brasileira, sendo, portanto, uma criação doutrinária. Pois, ao analisar, sem muita detença, verifica-se que todas as normas infraconstitucionais são do mesmo nível hierárquico, estando abaixo, apenas, da Constituição Federal de 1988. Porém, ressalta-se, o Supremo Tribunal Federal conferiu aos tratados internacionais sobre direitos humanos, ratificados entre 1988 e 2004, caráter supralegal.
2. PODER CONSTITUINTE
O Poder constituinte é aquele capaz de criar, modificar, revisar e revogar algo na Constituição Federal. O povo é titular do poder constituinte, sendo exercido por seus representantes do povo. O Poder constituinte é dividido em poder constituinte originário - 1° grau, e poder constituinte derivado - 2° grau.
I. Poder constituinte originário (1° Grau)
É aquele que cria uma nova Constituição Federal. pode ser dividido em dois tipos: 
- Histórico - Sendo este, o primeiro de todos, a CF de 1824.
- Revolucionário - São todas as Constituições Federais, posteriores ao histórico. 
I.I. Características do Poder constituinte Originário:
a) Inicial - Instaura uma nova ordem, não existe antes dele, qualquer outro poder. 
b) Ilimitado - Não é limitado pelo direito anterior.
c) Autônomo - Tem autonomia para instaurar uma nova Constituição Federal.
d) Incondicionado - Não esta limitado a qualquer regra de forma ou de matéria. 
e) Permanente - Não se esgota com a Constituição Federal, podendo elaborar uma nova CF.
I.II. O Poder Constituinte Originário, pode ser:
Outorgado - São as constituições impostas pelo governante, sem a participação do povo. Ex: CF de 1824.
Promulgadas - São as constituições que possuem participação do povo, porque são elaboradas pelos representantes do povo. Ex: CF 1988.
II. Poder Constituinte Derivado (2° Grau)
É o poder que deriva do poder constituinte originário. Existem 3 tipos de poder constituinte derivado, pode ser reformador, decorrente e revisor:
II.I. Poder Constituinte Derivado Reformador 
Tem por competência modificar a Constituição Federal, sendo realizadas por emendas constitucionais. O poder competente para reformar a Constituição Federal, é o congresso nacional. As regras estão impostas no art. 59 a 60 da CF.
II.II. Poder Constituinte Derivado Recorrente
 
E aquele que elabora e reforma a Constituição do Estados. Cada estado possui a sua própria CF, e o poder competente para elaborar e reformar a CF Estadual, é das Assembleias Legislativas de cada estado. Pode ser dividido em: 
- Inicial - é aquele que elabora uma nova CF Estadual, é chamado de poder constituinte derivado recorrente inicial.
- Revisão - é aquele que reforma a CF estadual, é chamado de poder constituinte derivado recorrente de revisão estadual. 
OBSERVAÇÕES:
O Distrito Federal não tem Constituição Estadual, e sim Lei Orgânica do Município, que é aprovada pela Câmara do Distrito Federal. Esta lei, será elaborada e reformada pelo poder constituinte derivado recorrente.
Os Municípios também são regidos por Lei Orgânica do Município, nos termos do ART. 29 da CF. O poder competente é da Câmara Municipal, será elaborada e reformada pelo poder constituinte derivado recorrente.
A lei orgânica do município fica limitada a Constituição Federal e a Constituição Estadual, nos termos do ART. 11 do ADCT CF.
II.III. Poder Constituinte Derivado Revisor
É aquele que revisa a Constituição Federal, mediante regras mais simplificadas. É a necessidade de realizar uma revisão da Constituição Federal, 5 anos após a sua promulgação, nos termos do art. 3° ADCT, e pode ser realizada apenas uma vez.
OBSERVAÇÃO: 
Mutação Constitucional - É a mudança da interpretação de um dispositivo constitucional.
Temos como exemplo o art. 5º, XI CF, in verbis:
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;
Quando a Constituição surgiu, o conceito de