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Princípios do processo penal

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PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO 
PROCESSO PENAL (INÍCIO)
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL 
(INÍCIO)
1 – Considerações Iniciais
Os princípios para Messa (2017, p. 121) são “os alicerces de uma ciência,
funcionando como diretriz, linhas mestras ou grandes nortes do sistema
jurídico, auxiliando na compreensão e na orientação das regras”. Para
Nucci (2008, p. 80), o princípio é, portanto, “um postulado que se irradia
por todo o sistema de normas”.
Insta esclarecer que o regime jurídico processual penal é formado por
normas jurídicas de direito público, gênero do qual princípios e regras são
espécies, os quais, por sua vez, não se confundem:
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
ITENS PRINCÍPIOS REGRAS
Colidência e solução Colisão. A solução é a ponderação
de valores.
Conflito. A solução é o critério
hierárquico, cronológico ou especial.
Objeto Multiplicação de situações. Caso concreto.
Grau de abstração e determinação Elevado grau de abstração. São
vagos e indeterminados.
Reduzido grau de abstração. São
específicas.
Natureza e Característica Fundamento das regras e exigências
de justiça.
Têm aplicação direta no caso
concreto e possuem como conteúdo
uma conduta ou uma estrutura.
Convivência Coexistência: permitem ponderar os
bens e valores – mandados de
otimização.
Umas excluem as outras; exigem o
tudo ou o nada – mandados de
determinação
Concretização Possuem vários graus de
concretização.
São cumpridas ou não.
Conteúdo Questões de valor e validade. Somente validade.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
NORMAS-PRINCÍPIOS E NORMAS-REGRAS
Norma: gênero. Para Humberto Ávila (2012) é o produto da
interpretação. Não é texto de lei. É o que se extrai do dispositivo legal.
Sistema jurídico equilibrado se dá com a conjugação das normas princípios
e das normas regras.
Normas-princípios: características: 1) genéricas. 2) abstratas. 3) podem ser
implícitas. 4) estabelecem programas. 5) são combináveis pelo princípio
da proporcionalidade em caso de colisão. 6) as normas princípios uma vez
sendo aplicadas de forma discricionária gera insegurança jurídica.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
Normas-regras:
Características:
1) Específicas (regulamentam uma situação específica).
2) Impõem, proíbem ou permitem algo.
3) Cuidam de uma situação específica. O legislador
previamente imagina uma situação e o intérprete vai
utilizar a regra para regular um caso específico.
4) São escritas (porque a regra adotava no brasil é o civil
law- o direito positivado). Não serão implícitas. Advém de
um texto normativo.
5) Na colisão de normas regras não existe ponderação e
nem proporcionalidade. Depende do caso e dos tipos de
lei.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DIMENSÕES DOS PRINCÍPIOS
OBJETIVA = o princípio funciona como um vetor legislativo e
como um vetor interpretativo. É a dimensão a estabelecer
limitações. Como vetor legislativo, o princípio indica para o
legislador elaborar a norma regra em consonância com a
norma princípio. Dessa forma, tem uma importante função
orientadora. Como vetor interpretativo, deve o intérprete
interpretar a regra com base nas normas-princípios.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DIMENSÕES DOS PRINCÍPIOS
SUBJETIVA = a norma princípio estabelece uma posição
jurídica de vantagem em favor daquele para qual ela é
dirigida. Esse é o aspecto subjetivo. É direcionado ao sujeito
de direitos, portanto, não guarda relação com orientações
para o legislador e nem para o intérprete. É uniforme na
doutrina que diante da dimensão subjetiva dos princípios,
pode-se falar na existência de uma função normativa dos
princípios jurídicos.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
CARACTERÍSTICAS DOS PRINCÍPIOS
o Complementariedade: os princípios devem ser interpretados de forma 
conjunta;
o Poliformia: os princípios são mutáveis para se adaptarem às novas 
realidades sociais;
o Vinculabilidade: os princípios vinculam o poder público e o particular;
o Normatividade jurídica: os princípios têm qualidade de norma jurídica;
o Transcendência: os princípios fixam diretrizes;
o Objetividade: os princípios não geram direitos subjetivos (apenas são 
direcionados, na sua versão subjetiva, aos sujeitos de direitos);
o Dimensão Axiológica: os princípios protegem um valor, têm conteúdo 
ético e expressam ideal de justiça;
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
CARACTERÍSTICAS DOS PRINCÍPIOS
o Primariedade jurídica: os princípios funcionam como ponto 
de partida para a elaboração das normas;
o Primariedade lógica: os princípios são ideias básicas da 
ordem jurídica;
o Caráter deontológico: os princípios estabelecem o que é 
devido (ético).
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EXPLÍCITOS DO PROCESSO
PENAL:
1 - PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DA INOCÊNCIA OU DO ESTADO DE INOCÊNCIA
OU DA SITUAÇÃO JURÍDICA DA INOCÊNCIA OU DA NÃO CULPABILIDADE –
ARTIGO 5º, LVII, CF.
Art 5º, LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de
sentença penal condenatória;
Trânsito em julgado: esgotamento das vias recursais (não cabe mais recursos).
Consiste no direito de não ser declarado culpado, senão após o trânsito
em julgado de sentença penal condenatória (ou, na visão do STF – HC
126.292 e ADC’S 43 e 44 e ARE 964.246 RG/SP -, após a prolação de
acórdão condenatório por Tribunal de 2ª Instância), ao término do devido
processo legal, em que o acusado tenha se utilizado de todos os meios de
prova pertinentes para a sua defesa (ampla defesa) e para a destruição
da credibilidade das provas apresentadas pela acusação (contraditório).
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
1 - Princípio da Presunção da Inocência ou do Estado de Inocência ou
da Situação jurídica da inocência ou da não culpabilidade – artigo 5º,
LVII, CF.
Está previsto no artigo 5º, inciso LVII, CF e na CADH (Convenção
Americana dos Direitos Humanos – Pacto de São José da Costa Rica –
artigo 8º, §2º).
A CADH também assegura o direito ao duplo grau de jurisdição. A culpa
seria legalmente comprovada quando fosse exercitado o direito ao duplo
grau de jurisdição. Argumento também empregado pelo STF.
➢Se a condenação fosse confirmada na segunda estância, através do
exercício do duplo grau de jurisdição, o sujeito perderia a presunção de
inocência.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
1.1– Dimensão de atuação do princípio da presunção de inocência
A doutrina costuma afirmar que o referido princípio atua em duas dimensões: dimensão
interna ao processo e dimensão externa ao processo (jornalismo).
A dimensão interna abarca: 1) Regra probatória (regras fundamentais) e 2) Regra de
tratamento.
O que esse princípio veda é considerar o sujeito CULPADO sem antes ter o trânsito em
julgado.
1 – REGRA PROBATÓRIA:
A – ÔNUS PROBATÓRIO = O ônus da prova, via de regra, cabe à acusação (MP). Tendo em
vista que o réu, o indiciado, o suspeito, o investigado é presumidamente inocente, este estado
de inocência será alterado no caso em que o titular da ação penal consegue provar o
contrário. Importante exceção ao ônus ocorrerá nos casos em que o réu alegar excludente de
ilicitude ou de culpabilidade, pois a ele caberá a incumbência de demonstrar o ocorrido.
Ademais, não se pode olvidar que a defesa também possuirá o ônus de provar as causas de
extinção da punibilidade previstas no artigo 107 do CP ou a presença de circunstâncias que
mitiguem a pena a ser imposta pelo Estado-Juiz.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
2 – REGRA DE TRATAMENTO: esse princípio não impede que o magistrado decrete uma
prisão preventiva ou temporária ou medidas cautelares diversas da prisão.
Excepcionalidade das prisões cautelares: Por ser presumidamente inocente, o indivíduo só
deve ser levado ao cárcere se existirem motivos cautelares para tanto, os quais deverão ser
apontados pelo magistrado ao decretar a medida extrema de restrição à liberdade que é a
prisão. Por exemplo, ao decretar uma prisão preventiva o juiz deverá verificar se os
requisitos para a decretação da mesma estão preenchidos,

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