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Princípios do processo penal

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em quaisquer órgãos do Poder Judiciário. A lei 11.689/2008 passou a
prever expressamente que o silêncio do acusado não pode ser utilizado como
argumento de autoridade sob pena de nulidade do julgamento conforme
determinação do artigo 478, II, CPP. Sendo essa causa nulidade absoluta do
Júri.Antes da mencionada lei, se o crime fosse inafiançável, a presença do acusado
era obrigatória na sessão do JÚRI. Depois, a presença do acusado não é mais
obrigatória, independentemente da natureza do delito.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU DA NÃO
AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ OBRIGADO A
PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
1.3 – Desdobramentos
b) Direito ao silêncio no Tribunal do Júri e sua utilização como argumento de
autoridade = No Tribunal do Júri, o réu também tem esse direito, o qual pode ser
utilizado em quaisquer órgãos do Poder Judiciário. A lei 11.689/2008 passou a
prever expressamente que o silêncio do acusado não pode ser utilizado como
argumento de autoridade sob pena de nulidade do julgamento conforme
determinação do artigo 478, II, CPP. Sendo essa causa nulidade absoluta do
Júri.Antes da mencionada lei, se o crime fosse inafiançável, a presença do acusado
era obrigatória na sessão do JÚRI. Depois, a presença do acusado não é mais
obrigatória, independentemente da natureza do delito.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO 
PROCESSO PENAL ( III)
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO
PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU
DA NÃO AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE
NINGUÉM ESTÁ OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA
SI MESMO
1.3 – Desdobramentos
c) Direito à mentira ou inexigibilidade de dizer a verdade
Acerca dessa matéria, verifica-se a existência de duas correntes doutrinárias. A
primeira defendida por Luiz Flávio Gomes (apud Lima, 2020) entende que o
indivíduo (suspeito ou réu) tem direito à mentira, sendo este um dos
desdobramentos do princípio do nemo tenetur se detegere. A segunda corrente
doutrinária apontada por Lima (2020) entende que a mentira é um comportamento
imoral e anti-ético, o qual não pode ser incentivado pelo Direito, mesmo o delito de
perjúrio (quando o indiciado/réu mente) não sendo punido pelo Brasil, o réu não
possui o direito à mentira.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO
PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU
DA NÃO AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE
NINGUÉM ESTÁ OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA
SI MESMO
1.3 – Desdobramentos
c) Direito à mentira ou inexigibilidade de dizer a verdade
Como não existe o crime de perjúrio no Brasil, o indivíduo/sujeito ativo do delito
não será punido por ter mentido, então sobre essa ótica pode-se afirmar que por
conta do princípio da não auto-incriminação existiria por parte do acusado a
inexigibilidade de dizer a verdade, e, que em muitas situações essa seria uma forma
encontrada pelo indivíduo para se defender, ou seja, para exercer a sua autodefesa.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU DA NÃO
AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ
OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
1.3 – Desdobramentos
d) Nemo tenetur se detegere e a prática de novos delitos
Nenhum direito poderá ser utilizado como escudo protetor para atividades
ilícitas (MORAES, 2012). Essa premissa leva-nos a defender que o
princípio em tela não poderá ser utilizado como forma do acusado praticar
novos delitos no intuito de se defender encobrindo práticas delitivas
anteriores, como é o caso da fraude processual (artigo 347, CP) onde o
sujeito visa alterar o cenário do crime no intuito de dificultar o trabalho da
perícia oficial. Isso ficou bem latente no caso do Casal Nardoni onde este
adulterou o local do cometimento do delito como forma de induzir os
peritos a erro.
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DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU DA NÃO
AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ
OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
1.3 – Desdobramentos
d) Nemo tenetur se detegere e a prática de novos delitos
A defesa do casal alegou que os réus não poderiam ser processados
ou condenados pela fraude processual, pois ninguém é obrigado a produzir
prova contra si mesmo. Essa situação não faz nenhum sentido, e, assim
julgou a 5ª Turma do STJ: “(...) o direito à não auto-incriminação não
abrange a possibilidade de os acusados alterarem a cena do crime,
inovando o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, para, criando
artificiosamente outra realidade, levar peritos ou o próprio juiz a erro de
avaliação relevante (...) (STJ, 5ª Turma, HC 137.206/SP, Rel. Min.
Napoleão Nunes Maia Filho, j. 01/12/2009, DJe 01/02/2010).
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DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU DA NÃO
AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ
OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
1.3 – Desdobramentos
d) Nemo tenetur se detegere e a prática de novos delitos
Além da fraude processual, tem-se também a conduta da falsa
identidade prevista no artigo 307 do Código Penal, conduta
extremamente comum. Na parte do interrogatório do acusado
será visto que o mesmo é composto de duas partes, a primeira
acerca sobre a qualificação do réu, e, nesta parte todas as
perguntas deverão ser respondidas obrigatoriamente pelo
indivíduo, onde este não poderá exercitar o seu direito ao
silêncio. E, na segunda parte de tal ato serão feitas perguntas
acerca do fato delitivo, onde aqui o réu poderá se manter
calado exercitando o seu direito ao silêncio.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU DA NÃO
AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ
OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
1.3 – Desdobramentos
d) Nemo tenetur se detegere e a prática de novos delitos
Pois bem. Na primeira parte do seu interrogatório e para evitar que seja
reconhecido por conta de outros processos, o interrogado fornece uma
outra qualificação para dificultar a atividade dos órgãos estatais
encarregados da persecutio criminis. NESTE CASO, O RÉU
RESPONDERÁ PELA CONDUTA PREVISTA NO ARTIGO 307 DO
CÓDIGO PENAL. Com isso, o réu não tem o direito de falsear a sua
identidade. Não pode mentir na sua qualificação sendo esta uma
orientação dos Tribunais Superiores. A Súmula 522 do STJ assim prevê:
“A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é
típica, ainda que em situação de alegada autodefesa” (Terceira Seção,
aprovada em 25/03/2015, DJe 06/04/2015).
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DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO PROCESSO PENAL
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AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ
OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
1.3 – Desdobramentos
e) Direito de não praticar qualquer comportamento ativo que possa incriminá-
lo
Por força do direito de não produzir prova contra si mesmo, doutrina e
jurisprudência têm adotado o entendimento de que não se pode exigir um
comportamento ativo do acusado, caso dessa conduta puder resultar a não
auto-incriminação.
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DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU DA NÃO
AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ
OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
1.3 – Desdobramentos
f) Direito de não produzir nenhuma prova invasiva
É aquela que retira vestígios do corpo humano. No processo penal,
firmada a relevância do princípio da presunção de inocência,
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