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Princípios do processo penal

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com a regra
probatória que dele deriva, segundo a qual o ônus da prova recai
exclusivamente sobre a parte acusadora, não se admite eventual inversão
do ônus da prova em virtude de recusa do acusado em se submeter a uma
prova invasiva.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU DA NÃO
AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ
OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
1.3 – Desdobramentos
PROVA DA MATERIALIDADE DO CRIME DE
EMBRIAGUEZ AO VOLANTE
Segundo LIMA (2020) para que seja comprovada a materialidade do
delito em questão, o meio de prova mais eficaz para aferição da dosagem
etílica é o exame de sangue, como este constitui em um método muito
invasivo, foi criado o bafômetro. O bafômetro é um aparelho de ar
alveolar tendo por finalidade estabelecer o teor alcoólico no organismo do
condutor do veículo automotor sendo necessário apenas um sopro do
motorista para fazer essa aferição.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU DA NÃO
AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ
OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
1.3 – Desdobramentos
PROVA DA MATERIALIDADE DO CRIME DE
EMBRIAGUEZ AO VOLANTE
Com isso, a modificação introduzida pela lei 11.705/08 (conhecida como
lei seca) no artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro inviabilizava a
presunção acerca do quantum de álcool consumido, sendo indispensável a
realização do “teste do bafômetro”. Acontece que à luz do princípio nemo
tenetur se detegere, o condutor do veículo não pode ser obrigado a fazer o
bafômetro, tornando tal norma ineficaz. Essa não obrigatoriedade é
pacífica na seara doutrinária, vez que é “dominante o entendimento de que
a recusa do condutor em submeter-se ao bafômetro ou a um exame de
sangue não configura crime de desobediência nem pode ser interpretada
em seu desfavor, pelo menos no âmbito criminal” (LIMA, 2020, p. 1226).
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU DA NÃO
AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ OBRIGADO A
PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
1.3 – Desdobramentos
PROVA DA MATERIALIDADE DO CRIME DE EMBRIAGUEZ AO
VOLANTE
Ademais, dada a potencial ineficácia da mencionada lei, o legislador
inovou mais uma vez com a lei 12.760/12, pois passou a prever a conduta
de dirigir com a capacidade psicomotora alterada, o que pode ser
constatado pelo “teste do bafômetro” (artigo 306, I do CTB) ou de outras
formas, por meio de testemunhas, utilização de vídeo ou outros meios de
prova admitidos, observado, por conta do princípio do contraditório, o
direito à contraprova (artigo 306, II, e § 1º do CTB).
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU DA NÃO
AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ OBRIGADO A
PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
1.3 – Desdobramentos
PROVA DA MATERIALIDADE DO CRIME DE EMBRIAGUEZ AO
VOLANTE
O STJ, por meio da sua 6ª Turma, ao julgar o REsp 1.638.451/RJ,
tendo como relatora a Ministra Maria Thereza de Assis Moura admitiu “a
realização de exame clínico realizado por oficial médico perito, ainda que
horas depois do fato delituoso, para fins de atestar que o condutor
apresentava hálito de odor etílico, com resultado positivo para a ingestão
de bebida alcoólica, embora negativo para a embriaguez”.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO
PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU
DA NÃO AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE
NINGUÉM ESTÁ OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA
SI MESMO
1.3 – Desdobramentos
PROVA DA MATERIALIDADE DO CRIME DE EMBRIAGUEZ AO
VOLANTE
O STJ, por meio da sua 6ª Turma, ao julgar o REsp 1.638.451/RJ, tendo
como relatora a Ministra Maria Thereza de Assis Moura admitiu “a realização de
exame clínico realizado por oficial médico perito, ainda que horas depois do fato
delituoso, para fins de atestar que o condutor apresentava hálito de odor etílico,
com resultado positivo para a ingestão de bebida alcoólica, embora negativo para a
embriaguez”.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU DA NÃO
AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ
OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
1.4 –Consequência da adoção do princípio da não
autoincriminação
Intervenções corporais ou provas invasivas
Por força deste princípio é que a doutrina e a jurisprudência do STF e do
STJ majoritárias vêm considerando que o acusado não está obrigado a
participar de atividades probatórias que impliquem em intervenções
corporais, como a realização de exames de DNA, grafotécnico ou de
bafômetro – este último frequentemente utilizado para a constatação do
crime de embriaguez ao volante previsto no artigo 306 do CTB.
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DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU DA NÃO
AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ OBRIGADO A
PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
1.4 –Consequência da adoção do princípio da não
autoincriminação
Intervenções corporais ou provas invasivas - Embora haja posições
minoritárias em sentido contrário, a exemplo de Eugênio Pacelli de
Oliveira (2015) e Américo Bedê Júnior e Gustavo Senna (2009) e o julgado
do RCL nº 2.040/DF do STF (Informativo nº 257), envolvendo a atriz
mexicana Glória Trevi (STF permitiu a realização de exame de DNA com a
utilização do material biológico da placenta retirada da atriz para a
investigação de crime de estupro supostamente praticado contra ela pelo
delegado da polícia federal). Ao final, constatou-se que a mesma não tinha
sido vítima do delito de estupro.
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DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO
PROCESSO PENAL
2 – DO PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO
Princípio que decorre da própria estrutura do Poder
Judiciário fixada pela Constituição Federal, a qual fixa a
divisão do mesmo em instâncias diversas, começando pelos
magistrados singulares, passando pelos respectivos tribunais a
que eles estão vinculados, pelo STJ e finalmente chegando ao
órgão supremo que é o STF.
Decorre da insatisfação da parte com uma decisão que
considera injusta, equivocada, nascendo aí a possibilidade de
revisão da mesma por uma instância superior, ou seja, por um
órgão colegiado. Consubstancia-se também na necessidade
de controle de todo e qualquer ato praticado estatal, sendo
essa característica inerente ao Estado Democrático de Direito.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO
PROCESSO PENAL
2 – DO PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO
Trata-se de um princípio constitucional implícito que decorre
do postulado da ampla defesa. E, por fim o princípio em tela
encontra-se previsto no artigo 8º, item 2, alínea h do Pacto de
São José da Costa Rica, in verbis:
“2. Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se
presuma sua inocência enquanto não se comprove legalmente
sua culpa. Durante o processo, toda pessoa tem direito, em
plena igualdade, às seguintes garantias mínimas:
h – direito de recorrer da sentença para juiz ou tribunal
superior”.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DOS PRINCÍPIOS DO PROCESSO PENAL PROPRIAMENTE
DITOS
1 – DO PRINCÍPIO DA VERDADE REAL OU MATERIAL
No processo penal, há a necessidade de se buscar a verdade
real, ou seja, a verdade objetiva. De como realmente os fatos
ocorreram, vez que aqui se encontra em jogo direitos
indisponíveis, como a liberdade, por exemplo. Daí porque o
juiz acaba tendo uma maior iniciativa pr obatória, o que é
questionável em um sistema
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