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Princípios do processo penal

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DO PROCESSO PENAL
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EXPRESSOS
7 – DO PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL
7.1 – Da previsão
Artigo 5º, incisos XXXVII e LIII, CF, que assim estabelecem:
“XXXVII – não haverá juízo ou tribunal de exceção.
LIII – ninguém será processado nem sentenciado senão pela
autoridade competente”.
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7 – DO PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL
7.2 – Considerações Iniciais
No âmbito do processo penal, o julgador ao atuar em determinado feito deve ser aquele
previamente escolhido por lei ou pela Constituição. Dessa forma, veda-se o Tribunal ou
Juízo de Exceção, que seria criado ou escolhido após a ocorrência de um crime ou para o
julgamento de determinado caso concreto ou de uma determinada pessoa.
O princípio do juiz natural consiste no direito que cada cidadão possui de conhecer
antecipadamente a autoridade jurisdicional que irá processar e julgá-lo caso venha a praticar
um fato delitivo (LIMA, 2020).
Aury Lopes Jr (2020) afirma com seus ensinamentos que a garantia do juiz natural é
portadora de um tríplice significado: “a) somente os órgãos instituídos pela Constituição
podem exercer jurisdição; b) ninguém poderá ser processado e julgado por órgão instituído
após o fato; e, c) há uma ordem taxativa de competência entre os juízes pré-constituídos,
excluindo-se qualquer alternativa deferida à discricionariedade de quem quer que seja”
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7.3 – Conclusões acerca do princípio do Juiz Natural
A) o princípio do juiz natural pressupõe a existência de um órgão julgador técnico e isento
(imparcial), com competência estabelecida na própria Constituição e nas leis de organização
judiciaria de modo a impedir que ocorra julgamento arbitrário ou de exceção;
B) A finalidade precípua do princípio em tela é garantir a imparcialidade do magistrado que
irá julgar o fato delitivo. Insta mencionar também que o aludido princípio não impede a
criação de Varas Novas e a consequente remessa dos autos a este novo juízo, pois, nessa
hipótese, a medida é válida para toda a coletividade, não atingindo um réu específico; e,
C) as justiças especiais não são Tribunais de Exceção, pois a competência das mesmas já se
encontra limitada pela CF e antes mesmo da prática do ato delituoso, com isso, não viola o
princípio do juiz natural. Como também a competência por prerrogativa de função é
delimitada pela norma constitucional e por tal razão não viola o princípio em comento.
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7.4 – Questões Pontuais:
1 - Criação ex post factum, fora das estruturas do Poder Judiciário, como poderes
específicos para julgar um caso já ocorrido.
Atribuição de sua competência com base em fatores específicos e, normalmente,
segundo critérios discriminatórios (raça, religião, ideologia, etc). Duração limitada no
tempo. Procedimento célere e, normalmente, não sujeita a recurso. Escolha dos integrantes
sem observância dos critérios gerais para a investidura dos magistrados e sem assegurar-lhes
a necessária independência. Também é Tribunal de Exceção aquele criado ad personam, isto
é, com vistas ao julgamento específico de uma determinada pessoa ou grupo de pessoas,
mesmo que para fatos futuros. (Vedados)
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7.4 – Questões Pontuais
2 – Regras de Proteção que derivam do princípio do Juiz Natural
- A – Só podem exercer jurisdição os órgãos instituídos pela Constituição;
- B – Ninguém pode ser julgado por órgão instituído após o fato (juiz de exceção); e,
-C – Entre os juízos pré-constituídos vigora uma ordem taxativa de competências que
exclui qualquer alternativa deferida à discricionariedade de quem quer que seja. A
distribuição da competência tem que adotar critérios objetivos.
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7.4 – Questões Pontuais
3 – Lei modificadora da competência e sua possível aplicação imediata
aos processos em andamento
Lei que altera regras de competência tem aplicação imediata alcançando,
salvo se não tiver sentença de mérito, os processos em curso na primeira instância.
Pois, não incidirá, segundo os Tribunais Superiores nos processos em andamento
na segunda instância. Observar o HC 76.510/SP = STF = 2ª Turma.
Ex: Criação de uma vara especializada em tribunal do júri.
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7.4 – Questões Pontuais
4 – Convocação de juízes de primeiro grau para substituir desembargadores
Previsão Legal: artigo 118 da LOMAN – LC 35/79 e artigo 4º da lei 9.788/99.
Critério para a convocação dos juízes = decisão da maioria absoluta dos
desembargadores dos Tribunais.
Sobre essa questão, assim se posicionou o STJ: “(...) não ofende o princípio do juiz
natural a convocação de juízes de primeiro grau para, nos casos de afastamento eventual do
desembargador titular, compor o órgão julgador do respectivo Tribunal, desde que
observadas as diretrizes legais federais ou estaduais, conforme o caso. Precedentes do STF e
do STJ.
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8 – DO PRINCÍPIO DA JURISDICIONALIDADE
A garantia da jurisdicionalidade deve ser encarada como um mecanismo que visa
orientar a inserção do juiz no marco institucional da independência, pressuposto
da imparcialidade, o qual deverá nortear sua relação com as partes processuais e
com o próprio processo (LOPES JR, 2020). Dessa forma, tem-se que o acesso à
função jurisdicional do Estado é de suma importância para garantir a efetividade
dos direitos fundamentais.
No processo penal têm-se a analise dos Direitos Fundamentais (como direito à liberdade, a
inviolabilidade domiciliar) que poderão ser quebrados em uma investigação policial.
Cabe ao Poder Judiciário “a proteção dos direitos fundamentais de todos e de cada
um, ainda que para isso tenha que adotar uma posição contrária à opinião da
maioria” (LOPES JR, 2020). É crível que neste contexto o magistrado possui a
nobre função de proteger o indivíduo e reparar injustiças cometidas e absolver o
acusado quando não existirem no processo provas plenas e legais de sua culpa.
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8 – DO PRINCÍPIO DA JURISDICIONALIDADE
Defende-se que cabe ao magistrado buscar a máxima eficácia da norma para a
parte mais débil da relação processual. Neste ínterim, observa-se que no momento
da prática delituosa a vítima é a parte débil, portanto, recebe por parte do Estado a
tutela penal. Já no processo penal instaurado, percebe-se que o mais débil passa a
ser o réu, pois frente ao poder acusatório estatal acaba sofrendo com “a violência
institucionalizada do processo e, posteriormente da pena” imposta (LOPES JR,
2020).
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8 – DO PRINCÍPIO DA JURISDICIONALIDADE
8.1 – Garantia da Imparcialidade do órgão julgador OU do
juiz
Este importantíssimo princípio está consagrado expressamente no artigo 8º, 1, do
Pacto de São José da Costa Rica, válido no Brasil como norma supralegal (abaixo
da CF e acima da legislação ordinária) após o julgamento pelo STF do RE
466.343/SP e do HC 87.585/TO – Informativo nº 531.
No âmbito interno vislumbra-se que o mesmo está implícito no texto
constitucional, decorrendo do princípio constitucional expresso do juiz natural,
com a finalidade de complementá-lo, afinal de contas o magistrado pode até estar
investido na jurisdição, mas mesmo assim não ser imparcial na sua atuação,
motivo pelo qual o Código de Processo Penal prevê hipóteses de impedimento
(arts. 252 e 253) e suspeição (artigo

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