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CONTABILIDADE RURAL

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CONTABILIDADE RURAL
CAPÍTULO 1 – Introdução à Contabilidade de Custos!
O sucesso de uma empresa rural depende basicamente do seu gerenciamento técnico e administrativo, pois essas habilidades tornarão o uso dos fatores de produção (terra, máquinas, capital, trabalho) disponíveis e mais eficientes, dependendo do grau de conhecimento do gestor.
Os principais elementos com os quais o administrador deve conviver são: o planejamento, o controle de processos, as decisões, as avaliações de resultados e o melhor emprego possível de recursos, a fim de tornar máxima a satisfação de seus clientes e o lucro para sua empresa. Ainda devemos acrescentar a todos esses itens as responsabilidades sociais e ambientais.
Nesse contexto, insere-se os custos na agropecuária com suas características distintas da maioria dos produtos, por conta dos fatores climáticos e de outros elementos.
A nomenclatura ou o termo “custos” se refere aos fatores utilizados para produzir algum bem. Normalmente, essa quantidade de fatores é traduzida em moeda para que tenhamos um formato padronizado e mensurável, de modo que todos possam interpretar com maior facilidade os dados organizados.
Receitas: os recebimentos monetários oriundos de vendas de mercadorias ou serviços correspondem geralmente às receitas.
Desembolsos: o desembolso é uma representação muito generalista nos sistemas contábeis. O termo significa ou representa qualquer saída monetária do caixa para um pagamento qualquer, então um desembolso engloba uma despesa, um gasto, um custo ou ainda um pagamento de um investimento.
Despesas: todos os bens consumidos para obtenção de receitas são chamados de despesas.
Perdas: o termo perdas é muito simples de conceituar, ele representa os desembolsos anormais de contingência de acidentes, incêndios, produtos perdidos por deterioração, validade etc.
Investimentos: a diferença entre um investimento e uma despesa está pautada principalmente no uso do bem ou serviço adquirido ou fator de produção.
Ganhos e lucros: os ganhos, da mesma forma que as perdas, podem ser enquadrados em eventos inesperados ou que estejam fora das atividades produtivas, como aplicações financeiras. Os lucros já são decorrentes da atividade em si, ou seja, derivam das receitas subtraídas das despesas, investimentos e impostos, ou também podemos dizer que os lucros são o resultado do valor de receitas totais deduzidas dos custos totais.
Custos: é a soma dos gastos incorridos e necessários para a aquisição, conversão e outros procedimentos necessários para trazer os estoques a sua condição e localização atuais, e compreende todos os gastos incorridos na sua aquisição ou produção, de modo a colocá-los em condições de serem vendidos, transformados, utilizados na elaboração de produtos ou na prestação de serviços que façam parte do objeto social da entidade, ou realizados de qualquer outra forma”.
Os custos são divididos em: Diretos ou Indiretos e Fixos e Variáveis.
Além dos conceitos apresentados anteriormente, faz-se necessário entender também as definições de Exaustão, Amortização e Depreciação.
A contabilidade gerencial de custos trata do tema por meio de técnicas contábeis que são as mesmas aplicadas na contabilidade fiscal. A contabilidade fiscal é aquela utilizada pelos contadores para relatar ao fisco o nosso patrimônio e a nossa renda. Já a contabilidade gerencial busca a gestão como propósito, portanto a contabilidade é a mesma, a diferença são os propósitos de uma ou de outra.
Os contadores utilizam dados provenientes das receitas, das despesas e do patrimônio físico das pessoas e das empresas para elaborar seus relatórios dentro de uma sistemática legal. Os administradores utilizam, entre outros elementos (ou ao menos deveriam utilizar), os mesmos dados (receitas, despesas e patrimônio) como uma das formas de auxiliá-los nas decisões, medir resultados de operações e corrigir rumos que estão em desacordo com o esperado para suas metas e objetivos de resultado de seus acionistas e clientes.
A assertividade nas decisões administrativas guarda uma forte relação com os critérios utilizados para tomar decisões, e a contabilidade de custos pode fornecer alguns critérios, tornando-se assim uma importante fonte para tomadas de decisão na administração. Tratando de dados de custos, apresentamos os principais elementos implicados na qualidade de uma decisão:
a) Veracidade dos dados.
b) Quantidade de dados.
c) Organização dos dados.
d) Conhecimentos do analista ou administrador
A veracidade significa a exatidão, a fidelidade dos reais acontecimentos, sem desvios de qualquer natureza ou o mínimo de desvios possíveis. A aproximação de 100% da realidade só acontece se os líderes carregam esse princípio na sua condução da gestão, do contrário, desastres administrativos podem ocorrer. Por exemplo, relatórios de séries de vendas, que não identificam devidamente os produtos, podem gerar pedidos de compra equivocados, tanto em compras excessivas como em compras insuficientes.
No agronegócio, especialmente nas atividades rurais, a veracidade total de dados é extremamente difícil de obter. Nesse mesmo contexto podemos citar, como causa da dificuldade na coleta de dados com veracidade, o desconhecimento (por parte de muitos administradores) da importância dos dados e a falta de expertise adequada para tanto. Cabe ao gestor comandar esses processos de coleta com eficiência, tanto no campo como fora dele.
Sobre o segundo elemento, a quantidade de dados, absolutamente, não quer dizer que, de posse de poucos dados, não se consiga apoiar decisões. Por exemplo, um administrador pode ter apoio para analisar os custos com energia elétrica de posse das últimas 12 contas de luz da empresa, implicando em 12 valores discriminados mensalmente.  A questão é: Para as decisões que precisamos tomar, os dados que possuímos apresentam temporalidade suficiente?
Neste sentido, primeiro capítulo podemos discorrer a respeito dos ciclos produtivos na agropecuária. Um ciclo produtivo refere-se ao tempo necessário para transpor um produto desde a sua fase inicial até a fase de produto pronto para a venda.
É o caso da fabricação de um queijo, que vai desde o recebimento da matéria-prima, depois a sua maturação e, finalmente, a sua venda e recebimento, que pode levar dois anos ou mais.
No caso de um vinho fino, esse tempo pode ser multiplicado. Em uma produção de hortaliças, o ciclo leva por volta de 60 a 90 dias. Na pecuária de bovinos de corte, um ciclo desde a concepção de uma matriz (fêmea) até a engorda de seu produto (um animal pronto para o abate), dependendo do sistema produtivo adotado, pode levar de dois a seis anos.
Assim, as coletas de dados que visam medir resultados de custos de produção e outros elementos importantes, como determinadas rubricas, devem levar em consideração o importante elemento do ciclo produtivo do bem em questão.
Dentro do tema da quantidade de dados podemos resumir que temos maior confiabilidade de dados brutos na medida em que os dados se apresentam de maneira verossímil e em quantidades adequadas. Assim, se um gerente possui séries de dados de vários anos de atividades, ele geralmente terá nos seus relatórios e nas suas decisões uma condição superior em relação àquele gestor com menores quantidades de dados, desde que os seus dados sejam fidedignos.
A afirmação anterior obedece ao princípio de que uma maior quantidade de dados tende a fornecer uma expressão mais próxima da realidade, pois guarda consigo as variações decorrentes de diferentes contextos temporais. Por exemplo, a avaliação da sazonalidade nas vendas somente será verificada com precisão nos casos em que existam coletas de dados (mais de um ano) para tomar como base a repetição de quedas e aumentos nas vendas de maneira repetida durante mais de um ciclo de produção. Neste caso, quanto maior o número de anos descritos nos dados, maior será a confiabilidade na descrição de alguma sazonalidade nas vendas.
O que pode ficar registrado, nesta altura, é que os padrões de organização – ou as formas contábeis de ordenar
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