Apocalipticos e Integrados

Apocalipticos e Integrados

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apresentados in Almanacco Bom- 



piani 1%3, dedicado a La civiltd dell'immagfne (v. o ensaio Apontamentos 
sBbre a Televisrto). 
 
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; 
# 
mulas"; os produtos da arte são antologizados e ca- 
municados em pequenas doses. 
h) Em todo caso, também os pradutos da cul- 
tura superiar são prapostos numa situação de com- 
pleto nivelamento com outras produtas de entreteni- 
mento; num semanário ilustrado, a reportagem sôbre 
um museu de arte vem equiparada ao mexerico sôbre 
o casamento da estrêlas. 
i) Por isso, os mass media encorajam uma visão 
passiva e acrítica do munda. Desencoraja-se a esfôrço 
pessoal pela posse de uma nova experiência. 
j) Os mass media encorajam uma imensa in- 
formação sôbre a presente (reduzem aos limites de uma 
crônica atual sôbre o presente até mesmo as eventuais 
reexumações do passado), e assim entorpecem tôda 
eonsciência histórica". 
k) Feitos para a entretenimento e o lazer, são 
estudados para empenharem ùnicamente o nível super- 
ficial da nossa atençãa. De saída, viciam a nossa ati- 
tude, e par isso�, mesmo uma sinfonia, ouvida atravês 
de um disco� ou do rádia, será fruída do modo mais 
epidérmica, camo indicação de um motivo assobiável, 
e não como um organisma estético a ser penetrado em 
profundidade, mediante uma atenção exclusiva e fiello. 
l) Os mass media tendem a impor símbolos e 
mitos pela fácil universalidade, criando "tipos" pran- 
tamente reconhecíveis e reduzem, par issa, ao mínimo, 
a individualidade e o caráter concreto não só de nas- 
sas experiências camo de nossas imagens, através das 
quais devemos realizar experiênciasll. 
(8) Ainda sôbre isso, cf. MAcDoNALu; e também ENxIco FuLcHI- 
GNoNI, "La resposabilità della mezza cultura", in' Cultura e sottocultura, 
op. cit. Uma análise da "composição" de uma revista middle brow como 
Paris Match é feita por CLAUDE FRiRE, "Un programme chargé", in: 
Comm"nications 1%3 2. 
(9) Cf. a tese de CoIIEN-SéAr s8bre o Almanacco Bompiani, op. cit. 
(10) "A cultura de massa faz dos clássicos não obras a serem com- 
preendidas, mas produtos a serem consumidos" H�NNArt AREN�7', "So- 
ciety and Culture", in: Culture jor thc Millions?, op. cit.; onde se reto- 



ma em profundidadc o argumento clássico de Adorno sôbre o rádio como 
responsável por ter transformado a Quinta Sinfonia de Beethoven em 
tema de assobio. 
( 11 ) Esse foi um do. aspectos mais estudados. Lembraremos 1 divt, 
de EDGAR MORIN, MllãO, MOndadOrl, 1%3; FRANCESCO ALBERONI, L'élÌte 
.eenm porrre, Milão, Vita e Pensicro, 1%3; LEo HANoEL, La boursc des 
vedette.r c VIoLETTE MoRIN, "Les alympiens", in: Communtcatlons, op. 
cit. Cf., também, as obras agora clássicas (e não estritamente críticas, 
mas assim mesmo de útil consulta) sôbre os "tipos" dos comics, como 
Couc.roN WAuGtt, Thc Comics, New Ynrk, Macmillan, 1947, e S HBcxER, 
Comic Arr in America, New York, Sìmon and Schauster, 1960: bem 
COmO CARLO DELLA CoRrE, I tumetti, Milão, Mondadori, 1%1. 
 
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# para tanto trabalham sôbre opiniões co- 
j muns, sôbre endaxa, e assim funcionam como uma 
" contínua reafirmação do que já pensamos. Nesse sen- 
tido, desenvolvem sempre uma açâo socialmente con- 
servadoral2. 
Por isso se desenvolvem, ainda quando apa- 
rentam ausência de preconceitos, sob o signo do mais 
absoluto conformismo, no campo dos costumes, dos 
valores culturais, dos princípios sociais e religiosos, das 
tendências políticas. Favorecem projeções em mod� 
los "oficiais"'3 
o ) Os mc�ss media apresentam-se, portanto, co- 
mo o instrumenta educativo típico de uma so�ciedade 
de fundo paternalista, mas na superfície, individualista 
e democrática, e substancialmente tendente a produzir 
modelos humanos heterodirigidos. Vistos em maior 
profundidade, p arecem uma típica "sup�restrutura de 
um regime capitalista , usada para fins de contrôle e 
planificação coata das consciências. Co:n efeito, apa- 
rentemente, êles põem à disposição os frutos da cultura 
superior, mas esvaziados da ideologia e da crítica que 
os animava. Assumem os modos exteriores de uma 
cultura po�pular, mas., ao invés de crescerem espon- 
tâneamente de baixo, são impastos de cima (e da cul- 
tura genuìnamente popular não possuem nem o s �, 
nem o humor, nem a vitalíssima e sã vulgaridade . 
Como contrôle das massas, desenvolvem uma função, 
ue, em certas circunstâncias históricas, tem cabido às 
deologias religiosas. Mascaram essa sua funçâo de 
classe, manifestando-se, pelo contrário, sab o aspectc 
(12) E exemplar nesse sentido a investiBação de Lxt,e W SstxNNON 
"The Opinions of Little Orphan Annic and Her Friends" in: Mass cultura 



S 
. cit.; onde anafisando durante um ano as situa ões e os caracterc 
op uadrinhos, nêles individua a claríssima idw 
de uma popular estbria em 9 á citadas d 
I ·, logia maccartista. Veia ágs S'bre aõ fúnçá obras como as 1 
Waugh e Becker not c conservadora ou mesmo con 
formadora da estória em 4uadrinhos Terry and the Ptrates, durante 
último conflito. rsuadir de 9ue "h 
(13) A função dos mass medta serfa a de nos pe 
do no mundo 6 belfssimo" Essa a tese desenvolvida em nfvel de extn 
olémica, por Fedcle D'Amico no seu La televtstone e tl pro)cs,rc 
ma p atore 1�38 
Battilocchto (aBora em 1 cast della musira Milão II SaBHi 
ue no fundo repete a definição dada poi Ernest v �odcó p �nsfvd 
i' á ideologia dominante dos medla' "1. TBdas as coisas s 
"A Dissent from the �n�nsn 
2. t8das as coisas sã�rr�he dMtlltons?( op. cit.). Que isso seja inegáv� 
Society" in: Culture Í f sta ões mais tlpfca foi o 9� 
s e vistosas 
pelo menos quanto ãs mani e ç 8 iorno (aBo 
tentamos mostrar com o nosso Fenomenolo ta dt Mike Bong 
in Dtario Mintmo, Milão, Mondadori, 1%3). 
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#positivo da cultura típica de uma sociedade do bem- 
-estar, onde todos têm as mesmas ocasiões de cultura, 
em condi·es de perfeita igualdadel4. 
Cada uma das proposições arraladas é subscri- 
tável e documentável. Cabe perguntar se o panorama 
da cultura de massa e sua problemática terão sido 
exauridos por êsse rol de imputações. E a propósito, 
será mister recorrer aos "defensores" do sistema. 
 
 
 
Defesa da cultura de massa 
 
Cumpre dizer, antes de mais nada, que, dentre os 
que demonstram a validade da cultura de massa, mui- 
tos são os que desenvalvem um discurso simplista, de 
dentro do sistema, sem nenhuma perspectiva crítica, e 
não raro ligados aos interêsses dos produtores. Típico é 
o caso de Ernst Dichter, que no seu Estratégia do De- 
sejo desenvolve uma apaixonada apologia da publici- 
dade, tendo co�mo fundo uma "filosofia" otimista do 
incremento das experiências, que nada mais é que o 
mascaramento ideológico de uma estrutura econômica 



precisa, fundada, sôbre o consumo, para a consumol5. 
Em outras casos, temos, pelo contrário, estudiosos do 
costume, sociólogos e críticos, aos quais não devemos, 
certamente, imputar um otimismo que Ihes permita ver 
mais longe que seus adversários "apocalípticos". Se 
nos pomos em guarda contra o fervor de um David 
Manning White ou de um Arthur Schlesinger (firme 
em suas. posiçôes de um reformismo demasiado ilumi- 
nista), não podemos descurar de muitos dos levanta- 
mentas de Gilber Seldes, de Daniel Bell, de Edward 
Shilds, Eric Larrabee, Georges Friedmann e outroslb. 
Também aqui, procuramos elaborar um cadastro das 
proposições. 
a) A cultura de massa não é típica de um re- 
gime capitalista. Nasce numa sociedade em que tôda 
a massa de cidadãos se vê participando, com direitos 
(14) CP. pOr eX. RENATO SOLMI, "Tv e cultura di massa", in: 
Passato e Présente, abril dc 1959. 
(15) Cf. a nota que lhe reservamos na p. 377. (V. nota da p. 29.) 
(16) Para uma espócie de "ponto" geral s8bre o debate prb e 
contra, V. Gaonces FxIsoi,�snNrr, "Culture pour les millions?", in: Com- 
munlcations, op. cit. 
 
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# dos consumos da fruição das 
da vida pública, ' ual uer sn- 
g , es; nasce inevitàvelmd vez que um grupo 
i uais ente em q q 
comunicaçõ 
ciedad e de tipo industrial · Caum organismo político 
de poder, uzna associação livre, 
na contingência de camunicar-se