Apocalipticos e Integrados

Apocalipticos e Integrados

Disciplina:Metodologia de Pesquisas1164 materiais18601 seguidores

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ou econômico se vê m país, prescindindo 
com a totalidade dos cidadâos de u 
áxios níveis intelectuais, tem que recorrer aos mo~ 
dos v massa, e sofre as regras inevi- 
das de comunicação de 
táveis da "adequação à média . A culturoa áe�h náade 
rópria de uma democracia pop�ar com 
p as grandes polêmicas olíticas se desenvol- 
Ivlao, onde d estórias em qua 
p drinhos� 
vem por meio de cartazes e uma típica 
tôda a cultura artística da União Soviética é 
todos os défeitos de uma cultura 
cultura de massa, com conservantismo estéticó, o 



de massa, entre os quais o d a recusa das pro- 
nivelamen o do gôsto pela mé ia� ao ue o p'ú- 
t não correspondem � q 
postas estilísticas que aternalista da comunicaçáo 
blico já espera, a estrutura p 
dos valores. de massa na verdade, 
b) A execrada cultura ' cultura supe- 
não tomou o lugar de uma fantasmática ssas enormes, 
rior; simplesmente se difundiu junto a ma 
não tinham acesso aos bens de cul- 
que, tempos atrás, sôbre o presente c� 
tura. O excesso de infarmaçãoa é recebido por 
histór c uma 
prejuízo da consciência ue tempos atrás 
parte da humanidade, q � ' na tolná jada 
ortan , 
formações sôbre o presente �e e � da�á sociada), e não 
de uma inserção responsável na não ser sob 
canheclmentos históricos, a 
era dotada de noções acêrca de mitologias 
forma de esclerosadas 
tradicionaislg. cidadão de um país mo- 
Quando imaginamos o 
revista ilustrada natícias sôbre a 
derno lendo numa pmerica", in· 
"Mass Culture in 
(17) Cf. BERNARD ROSENBERG, t ure", in: 
Mass Culture, op. cit. Society and Its Cu�a dreams 
 
a~ cultura de massa úbre e�~difícil por elas so�`faz 4uem 
9 
exalta coD, 
ue a existência pé gunta 9ue geralmente nunc bomem grego. Mas de 
evoluídas?" � a uilibrio interno do i5 � negavam di' 
 
são os e9u�· ·" ·�"am ofendidos poz ·u·6~·- - 
dos, ainda 9ue"sej 
 
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#estrêla de cinema e informaçõés sôbre Michelangelo, 
não devemos campará-lo ao humanista antigo, moven- 
da-se com límpida autonamia pelos vários campos do 
cagnoscível, mas ao trabalhador braçal, ou ao pequeno 
artesão de alguns séculos atrás, excluída da fruição dos 
bens culturais. O qual, embora pudesse na igreja ou 
no palácio comunal, contemplar abras de pintura, 



apreciava-as, contudo, com a mesma superficialidade 
com que o leitor moderno lança um olhar distraído à 
repradução em côres da obra célebre, mais interessado 
no·s particulares anedótìcos do que nas complexos va- 
lores formais. Portanto, o homem que assobia Beethoven 
porque o ouviu pelo rádio já é um homem que, embora 
no simples nível da melodia,'se aproximou de Beethoven 
(nem se pode negar que, já nesse nível, se manifesta, 
em medida simplificada, a legalidade formal que rege 
nos autras níveis, harmônico, contrapantístico etc., a 
obra inteira do musicista), ao passo que uma experiên- 
cia do gênero� era, outrara, privativa das classes abas- 
tadas, entre cujos representantes, muitíssimos, provà- 
velmente, embora submetendo-se ao ritual do cancêrto, 
fruíam a música sinfônica no mesmo l7ível de super- 
ficialidade. Citam-se, a propósito, as cifras impressio- 
nantes de música válida difundida, hoje em dia, pelo 
rádio e pelos discas, e perguntamo-nos se essa acumu- 
laçâo de informação musical não se terá resolvido, em 
muitos casos, em estímulo eficaz para aquisições cultu- 
rais autênticas (e quantos de nós não realizaram sua 
formação musical, justamente através do estímulo dos 
canais de massa?)'�. 
c) É verdade que os mass media propõem, ma- 
ciça e indiscriminadamente, vários elementos de infor- 
mação, nos quais não se distingue o dado válido do de 
(19) Reportemo-nos às páBinas talvez demasiado otimistas mas 
tambóm cheias de bom senso de Eeic LAnnneee, "I1 culto pooolare 
della cultura popolare", in: L'America si giudica da sé Milão, Bompiani 
1962: "O aparecimento do disco em microssulco mudou completamente 
o nível do repertório dos concertos e revolucionou as normais idéias do 
escutar, até em relação aos compositores maiores .. . É tão fácil 
comprar e não ler um livro em edição barata quanto um encadernado. 
Mas a terrível beleza da abundãncia está em induzir-nos a escolher 
Descobrirmos que a disponibilidade anula as outras desculpas. 
O � livro que ali está, na prateleira, Brita para ser lido e se não o con- 
seguimos ler, isso significa talvez que não o tenhamos achado interes- 
 
sante. Yode mesmo chegar o momenta em que confessemos a nós mesmos 
que o D. Quixote (ou outro livro qualquer) não nos interessa, e esse é 
o princípio da sabedoria". 
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#pura curiosidade ou de entretenimento; mas negar que 
êsse acúmulo de in f ormação possa resolver-se em f or- 
maçâo significa professar uma concepção um tanto 
pessimista da natureza humana, e nãa acreditar que 



um acúmulo de dados quantitativos, bombardeando de 
estímulos as inteligências de uma grande quantidade 
de pessoas, não possa resolver-se, para algumas, em 
mutação qualitativa2o. Além dissa, êsse gênero de re- 
futações tem um bom jôgo nas mãos, porque põe a 
nu a ideologia aristocrática dos críticos dos mass me- 
dia; e demonstra como é perigosamente igual à daque- 
les que lamentam os habi:antes do vale de Ossola, 
despojados da velha masseira de lenho robusto e da 
mesa "de franja" que os antiquários substituíram por 
uma esquálida mobi ia de alumínia e fórmica, sem le- 
varem em conta que essa esquálida moblia, lavável e 
grosseiramente. festiva, leva uma possibilidade de higie- 
ne a casas onde a antiga mobília de madeira, pesada 
e carunchada, não constituía, de modo algum, um ele- 
mento de educação do gôsto; e que a valorização da- 
quela mobília tradicional não passa de uma deformação 
estética da nassa sensibilidade, que agara considera em 
têrmas de apreciada antiguidade aquilo que, sem o ad- 
vento da mesa de fórmica, teria continuada a ser um 
miserável exemplo� de cotidiana indigência. 
d) À objeção, porém, de que a cultura de massa 
também difunde produtos de entretenimenta, que nin- 
guém ousaria julgar positivos (estórias. em quadrinhos 
de fundo erótico, cenas de pugilato, programas. de TV 
de perguntas e respostas que representam um apzlo 
aos instintos sádicos do grande público), replica-se 
que, desde que o mundo é munda, as multidões ama- 
ram as circenses; e parece natural que, em mudadas 
condições de produção e difusão, os duelos de gladia- 
dores, as lutas dos ursos et similia tenham sido substi- 
tuídos por outras formas de entretenimento deterior, 
que todos vituperam mas que não deveriam ser con- 
(20) �sse aspecto tornou-se aBora pacífico a proPósito das discussões 
sôbre o fen8meno televisional. Como contribuição para uma discussão 
nesse sentido citaremos juntamente com o livro de Mannucci o de 
A�RInNo BeLLorro, La televisione inutile Milão Comunità 1%2' e as 
nossas intervenções, tais como "Verso ana civiltà della visione?" in: 
Televisione e Cultura, op. cit. e "TV: Bli effetti e i rimedi', in: Sipra, 
fevereiro de 1963. 
 
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#sideradas como um sinal partícular da decadência dos 
costumes2x. 
e) Uma homogeneização do gôsto contribuiria, 
no fundo, para eliminar, em certas níveis, as diferen- 



ças de casta, para unificar as sensibilidades nacionais, 
desenvolveria funções de desco�ngestionamento antico~ 
lonialista em muitas partes da globo22. 
f ) A divulgação dos conceitos sob forma de 
digest evidentemente teve funções de estímulo, dado 
que os nossos tempos assistiram ao fenômeno definido, 
ha América do Norte, como a "revolução dos paper- 
backs", au seja, a difusão em enormes quantidades de 
obras culturais validíssimas, a preços muito baixos e 
em edição integral. 
g) É verdade que a difusão dos bens culturais, 
mesmo os mais válidos, quando se torna intensiva, em- 
bota as capacidades receptivas. Trata-se, porém, de um 
fenômeno de "consumo" do valar estético ou cultural 
comum a tôdas as épacas, salvo que hoje se realiza em 
dimensões macroscópicas. Também no século passado, 
quem tivesse ouvido, muitas vêzes em seguida, uma 
dada composição teria acabado por habituar o ouvido