Apocalipticos e Integrados
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Apocalipticos e Integrados

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ou econômico se vê m país, prescindindo
com a totalidade dos cidadâos de u
áxios níveis intelectuais, tem que recorrer aos mo~
dos v massa, e sofre as regras inevi-
das de comunicação de
táveis da "adequação à média . A culturoa áe�h náade
rópria de uma democracia pop�ar com
p as grandes polêmicas olíticas se desenvol-
Ivlao, onde d estórias em qua
p drinhos�
vem por meio de cartazes e uma típica
tôda a cultura artística da União Soviética é
todos os défeitos de uma cultura
cultura de massa, com conservantismo estéticó, o

de massa, entre os quais o d a recusa das pro-
nivelamen o do gôsto pela mé ia� ao ue o p'ú-
t não correspondem � q
postas estilísticas que aternalista da comunicaçáo
blico já espera, a estrutura p
dos valores. de massa na verdade,
b) A execrada cultura ' cultura supe-
não tomou o lugar de uma fantasmática ssas enormes,
rior; simplesmente se difundiu junto a ma
não tinham acesso aos bens de cul-
que, tempos atrás, sôbre o presente c�
tura. O excesso de infarmaçãoa é recebido por
histór c uma
prejuízo da consciência ue tempos atrás
parte da humanidade, q � ' na tolná jada
ortan ,
formações sôbre o presente �e e � da�á sociada), e não
de uma inserção responsável na não ser sob
canheclmentos históricos, a
era dotada de noções acêrca de mitologias
forma de esclerosadas
tradicionaislg. cidadão de um país mo-
Quando imaginamos o
revista ilustrada natícias sôbre a
derno lendo numa pmerica", in·
"Mass Culture in
(17) Cf. BERNARD ROSENBERG, t ure", in:
Mass Culture, op. cit. Society and Its Cu�a dreams
a~ cultura de massa úbre e�~difícil por elas so�`faz 4uem
9
exalta coD,
ue a existência pé gunta 9ue geralmente nunc bomem grego. Mas de
evoluídas?" � a uilibrio interno do i5 � negavam di'
são os e9u�· ·" ·�"am ofendidos poz ·u·6~·- -
dos, ainda 9ue"sej
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#estrêla de cinema e informaçõés sôbre Michelangelo,
não devemos campará-lo ao humanista antigo, moven-
da-se com límpida autonamia pelos vários campos do
cagnoscível, mas ao trabalhador braçal, ou ao pequeno
artesão de alguns séculos atrás, excluída da fruição dos
bens culturais. O qual, embora pudesse na igreja ou
no palácio comunal, contemplar abras de pintura,

apreciava-as, contudo, com a mesma superficialidade
com que o leitor moderno lança um olhar distraído à
repradução em côres da obra célebre, mais interessado
no·s particulares anedótìcos do que nas complexos va-
lores formais. Portanto, o homem que assobia Beethoven
porque o ouviu pelo rádio já é um homem que, embora
no simples nível da melodia,'se aproximou de Beethoven
(nem se pode negar que, já nesse nível, se manifesta,
em medida simplificada, a legalidade formal que rege
nos autras níveis, harmônico, contrapantístico etc., a
obra inteira do musicista), ao passo que uma experiên-
cia do gênero� era, outrara, privativa das classes abas-
tadas, entre cujos representantes, muitíssimos, provà-
velmente, embora submetendo-se ao ritual do cancêrto,
fruíam a música sinfônica no mesmo l7ível de super-
ficialidade. Citam-se, a propósito, as cifras impressio-
nantes de música válida difundida, hoje em dia, pelo
rádio e pelos discas, e perguntamo-nos se essa acumu-
laçâo de informação musical não se terá resolvido, em
muitos casos, em estímulo eficaz para aquisições cultu-
rais autênticas (e quantos de nós não realizaram sua
formação musical, justamente através do estímulo dos
canais de massa?)'�.
c) É verdade que os mass media propõem, ma-
ciça e indiscriminadamente, vários elementos de infor-
mação, nos quais não se distingue o dado válido do de
(19) Reportemo-nos às páBinas talvez demasiado otimistas mas
tambóm cheias de bom senso de Eeic LAnnneee, "I1 culto pooolare
della cultura popolare", in: L'America si giudica da sé Milão, Bompiani
1962: "O aparecimento do disco em microssulco mudou completamente
o nível do repertório dos concertos e revolucionou as normais idéias do
escutar, até em relação aos compositores maiores .. . É tão fácil
comprar e não ler um livro em edição barata quanto um encadernado.
Mas a terrível beleza da abundãncia está em induzir-nos a escolher
Descobrirmos que a disponibilidade anula as outras desculpas.
O � livro que ali está, na prateleira, Brita para ser lido e se não o con-
seguimos ler, isso significa talvez que não o tenhamos achado interes-
sante. Yode mesmo chegar o momenta em que confessemos a nós mesmos
que o D. Quixote (ou outro livro qualquer) não nos interessa, e esse é
o princípio da sabedoria".
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#pura curiosidade ou de entretenimento; mas negar que
êsse acúmulo de in f ormação possa resolver-se em f or-
maçâo significa professar uma concepção um tanto
pessimista da natureza humana, e nãa acreditar que

um acúmulo de dados quantitativos, bombardeando de
estímulos as inteligências de uma grande quantidade
de pessoas, não possa resolver-se, para algumas, em
mutação qualitativa2o. Além dissa, êsse gênero de re-
futações tem um bom jôgo nas mãos, porque põe a
nu a ideologia aristocrática dos críticos dos mass me-
dia; e demonstra como é perigosamente igual à daque-
les que lamentam os habi:antes do vale de Ossola,
despojados da velha masseira de lenho robusto e da
mesa "de franja" que os antiquários substituíram por
uma esquálida mobi ia de alumínia e fórmica, sem le-
varem em conta que essa esquálida moblia, lavável e
grosseiramente. festiva, leva uma possibilidade de higie-
ne a casas onde a antiga mobília de madeira, pesada
e carunchada, não constituía, de modo algum, um ele-
mento de educação do gôsto; e que a valorização da-
quela mobília tradicional não passa de uma deformação
estética da nassa sensibilidade, que agara considera em
têrmas de apreciada antiguidade aquilo que, sem o ad-
vento da mesa de fórmica, teria continuada a ser um
miserável exemplo� de cotidiana indigência.
d) À objeção, porém, de que a cultura de massa
também difunde produtos de entretenimenta, que nin-
guém ousaria julgar positivos (estórias. em quadrinhos
de fundo erótico, cenas de pugilato, programas. de TV
de perguntas e respostas que representam um apzlo
aos instintos sádicos do grande público), replica-se
que, desde que o mundo é munda, as multidões ama-
ram as circenses; e parece natural que, em mudadas
condições de produção e difusão, os duelos de gladia-
dores, as lutas dos ursos et similia tenham sido substi-
tuídos por outras formas de entretenimento deterior,
que todos vituperam mas que não deveriam ser con-
(20) �sse aspecto tornou-se aBora pacífico a proPósito das discussões
sôbre o fen8meno televisional. Como contribuição para uma discussão
nesse sentido citaremos juntamente com o livro de Mannucci o de
A�RInNo BeLLorro, La televisione inutile Milão Comunità 1%2' e as
nossas intervenções, tais como "Verso ana civiltà della visione?" in:
Televisione e Cultura, op. cit. e "TV: Bli effetti e i rimedi', in: Sipra,
fevereiro de 1963.
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#sideradas como um sinal partícular da decadência dos
costumes2x.
e) Uma homogeneização do gôsto contribuiria,
no fundo, para eliminar, em certas níveis, as diferen-

ças de casta, para unificar as sensibilidades nacionais,
desenvolveria funções de desco�ngestionamento antico~
lonialista em muitas partes da globo22.
f ) A divulgação dos conceitos sob forma de
digest evidentemente teve funções de estímulo, dado
que os nossos tempos assistiram ao fenômeno definido,
ha América do Norte, como a "revolução dos paper-
backs", au seja, a difusão em enormes quantidades de
obras culturais validíssimas, a preços muito baixos e
em edição integral.
g) É verdade que a difusão dos bens culturais,
mesmo os mais válidos, quando se torna intensiva, em-
bota as capacidades receptivas. Trata-se, porém, de um
fenômeno de "consumo" do valar estético ou cultural
comum a tôdas as épacas, salvo que hoje se realiza em
dimensões macroscópicas. Também no século passado,
quem tivesse ouvido, muitas vêzes em seguida, uma
dada composição teria acabado por habituar o ouvido