Apocalipticos e Integrados

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Disciplina:Metodologia de Pesquisas1.167 materiais19.822 seguidores

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generalidade 
(o Garôto, o Velho), na qual permanecerão até o fim, 
justamente para sublinhar a impressão de que não são 
indivíduos, mas Valores Universais - e que, portanto, 
através dêles, está o leitor fruindo uma experiência de 
ordem filosófica, uma revelação profunda da realidade. 
The Undefeated tem 57 páginas, O Velho e o Mar,140, 
mas tem-se a impressão de que, no primeiro, diz-se me- 
nos do que aquilo que acontece, e no segundo ocorre 
o contrário. O segundo conto não só procede contìnua- 
mente beirando a falsa universalidade, mas desencadeia 
o que MacDonald denomina de "constant editorializing" 
(o aue nada mais é que aquêle pôr a publicidade do 
produto no produto, que já salientamos na "obra bela 
e aprazível" de Ogier, o Dinamarquês) : num certo 
ponto, Hemingway coloca na bôca do protagonista a 
seguinte fras.e: "Sou um velho estranho", e MacDonald 
comenta, desapiedadamente: "Pois não diga, meu ve- 



lho, prove". Fica claro o que um leitor médio encan- 
tra num conto dêsse tipo; os modos exteriores de um 
 
Hemingway da primeira fase (um Hemingway ainda 
indigesto e arredio), mas diluídos, reiterados até que não 
sejam mais assimilados; a hipersensibilidade de Manuel 
Garcia, agora afeito ao azar, é sugerida, representada por 
aquêle perceber a presença hostil do empresário inabor- 
dável, do outro lado da porta fechada; o azar do velho é 
explicado ao leitor estimulando-lhe a hipersensibilidade 
com o acenar, até o exaurimento da emoção, daquela ve- 
la que parece "a bandeira de uma derrota perene" (e que 
é irmã de leite do silêncio encantado e dos submissos re- 
flexos revoluteando pelo quarto de Brunilde, no primeiro 
 
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#trecho examinado) . Fique bem claro, todavia, que o 
leitor médio não perceberia plenamente a fôrça persua- 
siva daquela vela-vexilo, se uma metáfora do gênero 
não lhe evocass.e confusamente à memória metáforas 
análo as, nascidas em outros contextos poéticos, mas 
g pela tradição literária. Estabelecido 
agora adquiridas , 
o curto-circuito mnemônico, experimentada a impressão 
e a impressão de gue a impressão seja "poética , o jô- 
o está feito. O leitor está cônscio de haver consumido 
arte e de ter, através do rosto da Beleza, contemplado 
a Verdade. Então Hemingway é, verdadeiramente, um 
autor para todos e merecerá o Prêmio Nobel (que, 
não por acaso, também foi entregue a Pearl Buck, como 
sugere MacDonald). 
Há representações da condição humana, nas quais 
essa condição é levada aos limites de tamanha genera- 
lidade que tudo quanto se apreende à sua volta é bom 
para todos os usos como para nenhum; o fato de que 
se dê a informação travestindo-a de exgeriência estética, 
reafirma-lhe a substancial falsidade. Voltam à mente as 
referências. de Broch e Egenter à mentira e à vida re- 
duzida à mentira. Na verdade, nesses casos, o Mid- 
cult toma a forma de Kitsch na sua lata expressão, 
e exerce função de puro consôlo, torna-se estímulo para 
evasões acríticas, faz-se ilusão comerciável. 
Mas, se aceitamos a análise de MacDonald, deve- 
mos estar atentos aos matizes que o problema assume, 
justamente em virtude de suas intuições penetrantes. 
Porque então o Midcult manifesta algumas característl- 



cas que nem sempre, camo neste caso, caminham ne- 
cessàriamente juntas. O trecho lido é um exemplo de 
Midcult porque: 1 ) toma de empréstimo processos da 
van uarda e adapta-os para confeccionar uma pnsg- 
gem com reensível e desfrutável por todos; 2) em re a 
processos quando já conhecidos, divulgados, gas- 
êsses ) constrói a mensagem como pro- 
tos, consumi�os� 3 5 tran- 
vocação de efeitos; 4) vende-a como Arte; ) 
qüiliza o ró rio consumidora, c ltura�de modoe qer 
g p ue 
realizado um encontro com , 
êle não venha a sentir outras inquietações. 
Ora essas cinco condições encontram-se em todo 
produto de Midcult, au reúnem-se aqui nuxna síntese 
articularmente insidiosa? Se faltar alguma dessas con- 
dições, ainda teremos Midcult? O próprio MacDonald, 
 
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#ao :ndicar outros exemplos de Midcult, parece vacilar 
entre acepções diversas que dão cobertura ora a um ora 
a vários dos cinco itens arrolados. Assim, é Midcult a 
Revised Standard Version of the Bible, publicada sob 
a égide da Yale Divinity School, versão que "destrói 
um dos maiores monumentos da prosa inglêsa, a versão 
do Rei Jaime, a fim de tornar o texto `claro e signifi- 
cativo para o público hodierno', o que é o mesmo que fa- 
zer em pedaços a Abadia de Westminster para com os 
fragmentos construir Disneylândia": e nesse caso, está 
claro que o que importa a MacDonald é o fato estético, 
não lhe interessando em absoluto o problema de uma 
maior aproximação do público médio às sagradas escri- 
turas (projeto que, uma vez acatado como necessário, 
torna bastante plausível a operação da Yale D�ivinity 
School). Nesse caso, o Midcult identifica-se com a divul- 
gação (ponto 1 ), que, portanto, em si, é má. 
É Midcult o Clube do Livro do Mês, pelo fato de 
difundir obras "médias" à Pearl Buck, e assim vender 
como arte o que, pelo contrário, não passa de ótima 
mercadoria de consumo ( ponto 4 e 5 ) . É Midcult a 
Nossa Cidade, de Wilder, que emprega uma característi- 
ca contribuição da vanguarda, o efeito brechtiano de 
alienação, para fins consoladbres e hipnóticos, e não 
para envolver o espectador num processo crítico (pon- 
to 3 ) . Mas depois aparecem como exemplos de Midcult 
os produtos de um design médio, que divulga em ob- 



jetos de uso comum as velhas descobertas do Bauhaus 
(ponto 2), e aqui não vemos por que deva o fate irritar 
o crítico, visto que os projetistas do Bauhaus projeta- 
vam justamente formas de uso comum que se deveriam 
ter difundido em tados os níveis sociais. Claro está 
que, a propósito dos objetos de design, a polêmica po- 
deria versar sôbre o fato de que êsses modelos adqui- 
riam sentido nas intenções dos projetistas, só se inse- 
ridos num contexto urbanístico e social profundamente 
transformado; e que, realizados como puros instrumen- 
tos de consumo, isolados do seu contexto ideal, adqui- 
rem um significado bem pobre. Pesa, porém, sôbre 
MacDonald a suspeita de que o simples fato da divul- 
gação é que o irnta. O fato é que, para êle, a dialética 
entre vanguarda e produto médio coloca-se de modo 
bastante rígido e unidirecional (a passagem entre Alto 
e Médio está em entrogia constante. . . ), e no seu 
 
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#ao ;ndicar outros exemplos de Midcult, parece vacilar 
entre acepções diversas que dão cobertura ora a um ora 
a vários dos cinco itens arrolados. Assim, é Midcult a 
Revised Standard Version of the Bible, publicada sob 
a égide da Yale Divinity School, versão que "destrói 
um dos maiores monumentos da prosa inglêsa, a versão 
do Rei Jaime, a fim de tornar o texto `claro e signifi- 
cativo para o público hodierno', o que é o mesmo que fa- 
zer em pedaços a Abadia de Westminster para com os 
fragmentos construir Disneylândia": e nesse caso, está 
claro que o que importa a MacDonald é o fato estético, 
não lhe interessando em absoluto o problema de uma 
maior aproximação do público médio às sagradas escri- 
turas (projeto que, uma vez acatado como necessário, 
torna bastante plausível a operação da Yale D�ivinity 
School). Nesse caso, o Midcult identifica-se com a divul- 
gação (ponto 1 ), que, portanto, em si, é má. 
É Midcult o Clube do Livro do Mês, pelo fato de 
difundir obras "médias" à Pearl Buck, e assim vender 
como arte o que, pelo contrário, não passa de ótima 
mercadoria de consumo ( ponto 4 e 5 ) . É Midcult a 
Nossa Cidade, de Wilder, que emprega uma característi- 
ca contribuição da vanguarda, o efeito brechtiano de 
alienação, para fins consoladbres e hipnóticos, e não 
para envolver o espectador num processo crítico (pon- 
to 3 ) . Mas depois aparecem como exemplos de Midcult 
os produtos de um design médio, que divulga em ob- 



jetas de uso comum as velhas descobertas do Bauhaus 
(ponto 2), e aqui não vemos por que deva o fate irritar 
o crítico, visto que os projetistas do Bauhaus projeta- 
vam justamente formas