Apocalipticos e Integrados

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Disciplina:Metodologia de Pesquisas1164 materiais18601 seguidores

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entre grupos humanos, 
então é possível estabelecer tanto a natureza da mensagem como o có- 
digo s8bre o qual ela repousa, sem fazec referência a elementos estra- 
nhos à mensagem, como quem emite e quem recebe. Isso era o que 
pretendíamos no primeiro volume ao sublinhar o potencial de informação 



diverso constitufdo por uma mensagem de feliz aniversário, conforme 
viesse ela de um amigo ou do presidente do conselho dos ministros da 
 
URSS (onde a recepção de um dado número de "bits", informacionahnente 
deduzíveis com base num normal código Morse, válido objetivamente 
em qualquer circunstãncia, e portanto traduzíveis eletr8nicamente em 
têrmos de unidades físicas, é, ao contrário, historicizada e situacionali- 
zada, devendo ser avaliada segundo o equipamento do sistema de as- 
sunções com que o receptor decodifica a mensagem). Além do mais, 
o insistir s6bre a teoria da comunicação permite-nos reportar as mesmas 
análises informacionais à� pesquisas esttntturalistas de ordem lingãfstica. 
Inspiramo-nos, de fato, para t8da a análise que se segue, nos estudos de 
Ronann Jexoesow e, em particular, na antologia de escritos (publicados, 
originàriamente, em várias línguas) aos cuidados de Nicolas Ruwet com 
o título Essais de Iinguistique gfnfrale, Paris, Editions de Minuit, 1%3. 
 
91 
# Também na teoria da informação, a emissão de 
uma mensagem compreensível se baseia na existência 
de um sistPma de possibilidades previsiveis, num siste- 
ma de classificações que servirá de base para conferir 
um valor e um significado aos elementos da mensagem: 
e êsse sistema é o próprio código, �nquanto conjunto 
de regras de transformação, convencionalizadas de pon- 
ta a ponta, e reversíveis. 
Na mensagem lingüística, o código é constituído 
pelo sistema de instituições convencionalizadas que é 
a lingua. A língua, enquanto código, estabelece a rela- 
ção entre um significante e o seu significado ou - se 
quisermos - entre um símbolo e o seu referente, bem 
como o conjunto das regras de combinação entre os 
vários significantesl�. Dentro de uma língua, estabele- 
cem-se escalas sucessivas de autonomia para o autor 
de mensagens: "na combinação de traços distintivos 
em fonemas, a liberdade de quem fala é nula; o códi- 
go já estabeleceu tôdas as possibilidades utilizáveis na 
língua em questão. A liberdade de combinar os fonemas 
em palavras é circunscrita [estabelecida pelo léxico] e li- 
mitada à situação marginal da criação de palavras. Na 
formação das frases, a partir das palavras, as constri- 
ções de quem fala são menores. Finalmente, na combi- 
nação das frases em enunciados, a ação das regras cons- 
tritivas da sintaxe detém-se, e a liberdade de cada pes- 
soa ctue fala se enriquece substancialmente, embora 
convenha não esquecer o número dos enunciados es- 
tereótiposl7". 



Cada signo lingüístico compõe-se de elementos 
 
constituintes e surge em combinação com outros signos: 
é um contexto, e insere-se num contexto. Mas é esco- 
lhido para ser colocado num contexto através de um 
trabalho de seleção entre têrmos alternativos. Assim, 
cada receptor que venha a compreender uma mensa- 
(16) Naturalmente entende-se "língua" na acepção saussuriana como 
"um produto social da faculdade da linguagem e um coniunto de conven- 
çôes necessárias, adotadas pelo corpo social para permitir o exercício dessa 
faculdade entre os indivíduos" (Cours de linBuistique générale). "Em 
ç oç ossibi- 
McKay, a palavra-chave da teoria da comunica ão E a n Ho e e B áças à 
Iidades preordenadas: a lingúlstica diz a mesma coisa.. i 
elaboração dos problemas de codificação feita pela teoria da comunicação 
a dicotomia saussuriana entre língua e palavra pode receber uma nova 
formulação, muito mais precisa, que Ihe confere umdpô�o��n�caç ór pode 
Recìprocamente na lingllística moderna a teor a 
encontrar informações bastante ricas sôbre a estruturaJ kobson�aop· c�b 
aspectos múltiplos e complexos do código lingúístico" ( a 
p. 90, e, em geral, o capítulo V ) . 
(17) Op. cit., p. 47. 
 
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#gem, entende-a camo comúiruição de partes constituin- 
tes (frases, palavras, fonemas: que podem ser cambina- 
dos ou sob forma de concatenação ou de concorrência, 
segundo se estabeleçam num contexto ambíguo ou 
linear), selecionndas naquele repertório de tôdas as 
possíveis partes constitumtes, que é o cádigo ( e, no 
caso, a língua em questão). ·Portanto, o receptor deve 
continuamente reportar as signos que recebe não só ao 
código como ao contextols. 
Sublinhemos, como lembra Jakobsan, que "o có- 
digo não se limita ao que os engenheiros chamam de 
a conteúdo puramente cognitivo do discurso' [e, por- 
tanto, o seu aspecto semântico] : a estratificação esti- 
lística dos símbalos léxicos, camo as pretensas varia- 
ções livres, tanto na sua constituição como nas suas 
regras de cambinação, são `previstas e preparadas' elo 
códigol�". p 
Mas se o código concerne a um sistema de orga- 
nização que vai além da ordenação dos significados 
cumpre não esquecer que a noção de cóãigo também 
concerne a um sistema da organização que está aquém 
do nível dos significados, aquém da mesma organização 



fonológica pela qual a língua distingue, no discurso 
oral, aquela série finita de unidades informativas ele- 
mentares que são os fanemas (organizados num sistema 
de opasições binárias). A própria psicologia aproveita 
a teoria da informação para descrever os processos 
de recepção em nível sensorial como recepção de uni- 
dades informativas; e os pro�cessas de coordenação 
dêsses estímulos-informações cnmo decodificação de 
mensagens baseada num código. Que êsse código seja 
considerado fisiològicamente inato ou cvlturalmente 
adquirido (reproduzindo ou não o código objetivo, 
baseados no qual os estímulas se canstituíam ern formas 
antes mesmo de serem recebidos e decodificados como 
mensagens), eis um problema que exarbita do nosso 
discurso. O fato é que a noção de código deverá ser 
(g187 Op cit., pp 48-49. Aqui entretanto parece-nos quc Jakobson 
distig ue nìtidamente demais a ordem da sele ão 
códi o e portanto às referências semânticas daçmensagem � daeó dem da 
combinação - como referência ao contexto, e portanto k cstrutura sintã- 
tica da mensagem. Evidentemente, tambóm a estrutura sintática obedece 
a uma sórie de prescrições devidas ao código e essas 
1 que ç 
nam um arranjo sintático ta conferem um luga prescn oes determi- 
r definido aos vários 
têrmos selecionados· portanto, tambóm a referência ao contexto implica 
uma referência ao cbdigo, e a referência à estrutura sintática auxilia a 
compreensão semãntica. 
I197 Op. cle.. P. 91. 
 
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#tomada também nessa acepção, no momento em que 
nos preparamos para definir a mensagem poética, visto 
que nela há que avaliar também a percepção da men- 
sagem enquanto organização concreta de estimulos 
sensoriais. Esse recurso ao código perceptivo adquirirá 
depois tanto maior valor quanto mais se passar da 
consideração de mensagens que revestem precisas fun- 
ções significativas (como a mensagem lingüística) para 
mensagens, como a plástica au a sonora, de onde 
emerge sobretudo a necessidade de uma decodificação 
em nível perceptivo, dada a maior liberdade que existe 
nos níveis de organização mais complexa, não cons- 
trangidos pelas malhas de códigos institucionalizados 
camo a língua. 
Esclarecido êsse ponto, voltemos a examinar a 
relação mensagem-recepção, em nível língüístico. 



O receptor encontra-se, pois, diante da mensagem, 
em enhado num ato de interpretação que consistelnessqen- 
cia mente numa decodificação. Na medida e ue 
o autor exigir que a mensagem seja decodificada, de 
modo a dar um significado unívaco e preciso, exata- 
mente correspondente a tudo quanto pretendeu comu- 
nicar, introduzirá êle na própria mensagem elementos de 
refôrço, de reiteração, que ajudam a restabelecer sem 
e uívoco seja as referências semânticas dos têrmos, 
sj a as relações sintáticas entre êles: a mensagem será, 
assim, tanto mais unívoca quanto mais redundante, e 
os significadas