Apocalipticos e Integrados
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Apocalipticos e Integrados

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estabelecermos as modalidades dis-
tintivas de uma mensagem artística. E por comodidade.
examinemos, antes de mais nada, a natureza da men-
sagem lingüística - visto que das experiências sôbre
tal tipo de mensagens derivam as mais válidas aqui
ções de uma moderna teoria da comunicaçãol5. A men-

sagem lingüística constitui, de fato, um modêlo de co-
municação que também pode ser empregado para de-
finir outras formas comunicativas.
Os fatôres fundamentais da eomunicação são o
autor, o receptor, o tema da mensagem e o código a
que a mensagem faz referência.
( 15 ) Quanto à análise que se segue recomendamos o capftulo
Ahertura e teoria da inJormação do nosso Obra Aberta (op. cit). Mas
os elementos de uma teoria da informação, de que lançaremos mão, estão
aqui integrados no âmbito de uma teoria da comunicação. Essa enfati-
zação estava presente também no nosso texto precedente, mas aqui pre-
tendemos torná-la mais explícita, dado que, naquele local, nossa ten-
dência era falar de modo genérico s8bre a teoria da informação e mesmo
encará-la conjuntamente com uma teoria da comunicação A teoria da
informação é aplicável a uma definição de mensagem bastante ampla,
que compreende também os fen8menos do mundo físico. Nesse sentido,
pode estabelecer, com meios puramente objetivos a quantidade de infor-
mação oferecida por uma mensagem considerada como estrutura auto-
-suficiente. Do momento em que essa mensagem se compõe de elementos
que constituem símbolos comunicativos empregados entre grupos humanos,
então é possível estabelecer tanto a natureza da mensagem como o có-
digo s8bre o qual ela repousa, sem fazec referência a elementos estra-
nhos à mensagem, como quem emite e quem recebe. Isso era o que
pretendíamos no primeiro volume ao sublinhar o potencial de informação
diverso constitufdo por uma mensagem de feliz aniversário, conforme
viesse ela de um amigo ou do presidente do conselho dos ministros da
URSS (onde a recepção de um dado número de "bits", informacionahnente
deduzíveis com base num normal código Morse, válido objetivamente
em qualquer circunstãncia, e portanto traduzíveis eletr8nicamente em
têrmos de unidades físicas, é, ao contrário, historicizada e situacionali-
zada, devendo ser avaliada segundo o equipamento do sistema de as-
sunções com que o receptor decodifica a mensagem). Além do mais,
o insistir s6bre a teoria da comunicação permite-nos reportar as mesmas
análises informacionais à� pesquisas esttntturalistas de ordem lingãfstica.
Inspiramo-nos, de fato, para t8da a análise que se segue, nos estudos de
Ronann Jexoesow e, em particular, na antologia de escritos (publicados,
originàriamente, em várias línguas) aos cuidados de Nicolas Ruwet com
o título Essais de Iinguistique gfnfrale, Paris, Editions de Minuit, 1%3.
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# Também na teoria da informação, a emissão de
uma mensagem compreensível se baseia na existência
de um sistPma de possibilidades previsiveis, num siste-
ma de classificações que servirá de base para conferir
um valor e um significado aos elementos da mensagem:
e êsse sistema é o próprio código, �nquanto conjunto

de regras de transformação, convencionalizadas de pon-
ta a ponta, e reversíveis.
Na mensagem lingüística, o código é constituído
pelo sistema de instituições convencionalizadas que é
a lingua. A língua, enquanto código, estabelece a rela-
ção entre um significante e o seu significado ou - se
quisermos - entre um símbolo e o seu referente, bem
como o conjunto das regras de combinação entre os
vários significantesl�. Dentro de uma língua, estabele-
cem-se escalas sucessivas de autonomia para o autor
de mensagens: "na combinação de traços distintivos
em fonemas, a liberdade de quem fala é nula; o códi-
go já estabeleceu tôdas as possibilidades utilizáveis na
língua em questão. A liberdade de combinar os fonemas
em palavras é circunscrita [estabelecida pelo léxico] e li-
mitada à situação marginal da criação de palavras. Na
formação das frases, a partir das palavras, as constri-
ções de quem fala são menores. Finalmente, na combi-
nação das frases em enunciados, a ação das regras cons-
tritivas da sintaxe detém-se, e a liberdade de cada pes-
soa ctue fala se enriquece substancialmente, embora
convenha não esquecer o número dos enunciados es-
tereótiposl7".
Cada signo lingüístico compõe-se de elementos
constituintes e surge em combinação com outros signos:
é um contexto, e insere-se num contexto. Mas é esco-
lhido para ser colocado num contexto através de um
trabalho de seleção entre têrmos alternativos. Assim,
cada receptor que venha a compreender uma mensa-
(16) Naturalmente entende-se "língua" na acepção saussuriana como
"um produto social da faculdade da linguagem e um coniunto de conven-
çôes necessárias, adotadas pelo corpo social para permitir o exercício dessa
faculdade entre os indivíduos" (Cours de linBuistique générale). "Em
ç oç ossibi-
McKay, a palavra-chave da teoria da comunica ão E a n Ho e e B áças à
Iidades preordenadas: a lingúlstica diz a mesma coisa.. i
elaboração dos problemas de codificação feita pela teoria da comunicação
a dicotomia saussuriana entre língua e palavra pode receber uma nova
formulação, muito mais precisa, que Ihe confere umdpô�o��n�caç ór pode
Recìprocamente na lingllística moderna a teor a
encontrar informações bastante ricas sôbre a estruturaJ kobson�aop· c�b
aspectos múltiplos e complexos do código lingúístico" ( a
p. 90, e, em geral, o capítulo V ) .
(17) Op. cit., p. 47.
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#gem, entende-a camo comúiruição de partes constituin-
tes (frases, palavras, fonemas: que podem ser cambina-
dos ou sob forma de concatenação ou de concorrência,
segundo se estabeleçam num contexto ambíguo ou
linear), selecionndas naquele repertório de tôdas as
possíveis partes constitumtes, que é o cádigo ( e, no
caso, a língua em questão). ·Portanto, o receptor deve
continuamente reportar as signos que recebe não só ao
código como ao contextols.
Sublinhemos, como lembra Jakobsan, que "o có-
digo não se limita ao que os engenheiros chamam de
a conteúdo puramente cognitivo do discurso' [e, por-
tanto, o seu aspecto semântico] : a estratificação esti-
lística dos símbalos léxicos, camo as pretensas varia-
ções livres, tanto na sua constituição como nas suas
regras de cambinação, são `previstas e preparadas' elo
códigol�". p
Mas se o código concerne a um sistema de orga-
nização que vai além da ordenação dos significados
cumpre não esquecer que a noção de cóãigo também
concerne a um sistema da organização que está aquém
do nível dos significados, aquém da mesma organização
fonológica pela qual a língua distingue, no discurso
oral, aquela série finita de unidades informativas ele-
mentares que são os fanemas (organizados num sistema
de opasições binárias). A própria psicologia aproveita
a teoria da informação para descrever os processos
de recepção em nível sensorial como recepção de uni-
dades informativas; e os pro�cessas de coordenação
dêsses estímulos-informações cnmo decodificação de
mensagens baseada num código. Que êsse código seja
considerado fisiològicamente inato ou cvlturalmente
adquirido (reproduzindo ou não o código objetivo,
baseados no qual os estímulas se canstituíam ern formas
antes mesmo de serem recebidos e decodificados como
mensagens), eis um problema que exarbita do nosso
discurso. O fato é que a noção de código deverá ser
(g187 Op cit., pp 48-49. Aqui entretanto parece-nos quc Jakobson
distig ue nìtidamente demais a ordem da sele ão
códi o e portanto às referências semânticas daçmensagem � daeó dem da
combinação - como referência ao contexto, e portanto k cstrutura sintã-
tica da mensagem. Evidentemente, tambóm a estrutura sintática obedece
a uma sórie de prescrições devidas ao código e essas
1 que ç
nam um arranjo sintático ta conferem um luga prescn oes determi-

r definido aos vários
têrmos selecionados· portanto, tambóm a referência ao contexto implica
uma referência