Apocalipticos e Integrados

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Disciplina:Metodologia de Pesquisas1164 materiais18601 seguidores

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a mesma") está superado pela consciência 
diversa que a cultura ocidental elabarou do livro, da 
escrita e das suas capacidades expressivas, ao estabe- 
lecer que, através. do usa da palavra escrita, pode tomar 
corpo uma forma capaz de ressoar no ânimo de quem 
a frua de modos sempre variados e mais ricos. 
�sse trecho do Fedro, no entanto, fôra citado 
para lembrar-nos de que tôda madificação dos instru- 
mentos culturais, na história da humanidade, se apre- 
senta como uma profunda calocação em crise do "mo- 
dêlo cultural" precedente; e seu verdadeiro alcance só 
se manifesta se cansiderarmos que os novos instrumen- 
tos agirão no contexta de uma humanidade profunda- 
mente modificada, seja pelas causas que provocaram 
o aparecimento daqueles instrumentos, seja pela uso 
dêsses mesmos instrumentos. A invenção da escrita, 
embara reConstituída através do mito platônico, é um 
exemplo disso; a da imprensa, ou a dos novas instru- 
mentas audiavisuais, outro. 
Avaliar a função da imprensa segundo as medidas 
de um modêla de homem típico de uma civilização 
baseada na comunicação oral e visiva é um gesto de 
miopia histórica que não poucos cometeram; mas o 
processo é outro, e o caminha a seguir é o que recen- 
temente nos mostrou Marshall McLuhan com o seu 
The Gutenberg Galaxyl, onde procura enuclear exata- 
mente os elementos de um nôvo "homem gutenber- 
(I) MAASHALL MCLUHAN. i'hC Gl�tenl7Clg G4iaXy. UnlVerSlty  
O£ TO- 
ronto Press, I%2. Sbbre a noção de um homem que está "mudando" 
cf tambóm EANes'ro ua MAArINo "Simbolismo mitico-rituale e mezzi di 
comunicazione di massa" In· Cultura e sottocultura ("I problemi di 
LJlisse", Florença, Julho dc 1%1). 
 
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#guiano", com o seu sistema de valores, ém relação ao 
qual será avaliada a nova fisiono�mia assumida pela 



comunicação cultural. 
Assim ocarre, em geral, com os mass media: al- 
guns os julgam catejando-lhes o mecanismo e os efeitos 
com um modêlo de homem renascentista, que, eviden- 
temente (nâo só par causa dos mass media, mas também 
dos fenômenos que tornaram possível o advento dos 
mass media), não mais existe. 
É evidente, no entanto, que será preciso discutir 
os vários prablemas partindo da assunção, a um só 
tempo histórica e an`ropológico-cultural, de que, com 
o advento da era industrial e o acesso das classes su- 
balternas ao contrôle da vida associada, estabeleceu-se, 
na história contemporânea, uma civilização dos mass 
media, cujos sistemas de valores serão discutidos, e em 
relação à qual no�vos modelos ético-pedagógicas serão 
elaboradosl. Nada disso exclui o juízo severo, a con- 
denaçâo, a atitude rigorista: mas aplicados em relação 
ao nôvo modêlo humano, e não em nastálgica referência 
ao velho. Em outros têrmos: exige-se, par parte dos 
homens de cultura, uma atitude de indagação constru- 
tiva; ali onde habitualmente se opta pela atitude mais 
fácil, e ante o prefigurar-se de um nôvo panorama 
humano, do qual é difícil individuar as confins, a forma, 
as tendências de desenvolvimento, muitos preferem 
candidar-se* camo o Rutilio Namaziano da nova 
transição. E é lógico que um Rutilia Namaziana não 
arrisca nada, tem sempre direita aa nosso comovido 
respeito, e co�nsegue passar para a história sem com- 
prameter-se com o futuro. 
(2) Cf. o ensaio de D�rriec Be�c. "Les formes dc I'cxpérience cul- 
turelle". In: Communtcatfons n. 2 (o ensalo aparecerá no volume The 
Evolution oJ Amerlcan Thought, organizado por A. M. Schlesinger Jr. e 
Morton White). Cf., tambóm, CAMILLO PeLLIzzI. "Qualche idea sulla cul- 
tura". In: Cultura e sottocultura, op. cit. No decorrcr do prcsente ensaio, 
consideraremos, em particular, o problema da cultura de massa sob o 
&ngulo da circulação dos valores estéticos. Portanto, não levaremos em 
conta, senão na medida do indispensável, todos os aspectos sociolbgicos 
do problema e t8da a bibliografia conexa. Não obstante, amplaa refe- 
r8ncias bibliográficas poderão ser encontradas em publicações como Mass 
rulture, sob os cuidados de Bernard Rosenberg e David Manning White, 
Glencoe, 1%0. 
( · ) Latinismo do A., empregado na forma pronominal e com o sen- 
tido fìgurado de "revestir-se de candura", isto é, "eximir-se de responsa- 
bilidades" (N. da T.). 
 
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#A cultura de massa no� banco dos réus 
 
As acusações contra a cultura de'massa, quando 
sustentadas por agudos e atentos escritores, têm uma 
função dialética própria dentra de uma discussão sôbre 
o fenômeno. Os pamphlets contra a cultura de massa 
são, portanta, lidos e estudados camo documentos a 
inserir numa pesquisa equilibrada, levando-se em conta, 
porém, os equívo�cos que, não raro, Ihes residem na 
base. 
Na verdade, a primeira tomada de posição sôbre 
o problema foi a de Nietzsche, com a sua individua- 
ção da "`enfermidade histórica" e de uma de suas fór- 
mas mais aparatosas, a jornalismo. 4u melhor, no filó- 
sofo alemão já existia em germe a tentação presente a 
tôda polêmica do gênera: a desconfiança ante o igua- 
Lztarismo, a ascensãa democrática das multidões, o 
discurso feito pelos fracos para os fracos, o universo 
construída não segundo as medidas do super-homem, 
mas do homem comum. Parece-nos que é a mesma 
raiz que anima a polêmica de 4rtega y Gasset; e certa- 
mente não é sem motivos buscarmos na raiz de cada 
ato de intolerância para com a cultura de massa uma 
raiz aristocrática, um desprêzo que só aparentemente 
se dirige à cultura de massa, mas que, na verdade, 
aponta contra as massas; e só aparentemente distingue 
entre massa como grupo gregário e comunidade de 
indivíduos auto-responsáveis, subtraídos à massificação 
e à absorção em rebanho; porque, no fundo, há sempre 
a nostalgia de uma época em que as valores da cultura 
eram um apanágio de classe e nãa estavam postos, 
indiscriminadamente, à disposição de todos�. 
Mas nem todos os críticos da cultura de massa 
são classificáveis nesse filão. Sem falarmos em Adorno, 
cuja posição é por demais conhecida para que a te- 
nhamos de trazer à baila, pensemos em tôda a multidão 
de radicals narte-americanos que conduzem uma feroz 
polêmica contra os elementos de massificação pre- 
sentes no corpo social de seu país; sua crítica é in- 
dubitàvelmente progressista nas intenções, e a descon- 
(3) Sbbre o caráter classista de certo tipo de polémica cf tamb�m 
Uoo Seisrro, "Cultura per pochi e cultura per tutti" In: Culturo c sotto- 
culturo, op. cit. 
 
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#fiança em relação à cultura de massa é, para êles, 



desconfiança em relação a uma forma de poder inte- 
lectual capaz de levar os cidadãos a um estado de 
sujeição gregária, terreno fértil para qualquer aventura 
autaritária. Exemplo típico é o de Dwight MacDanald 
que, nos anos 30, formou nas posições trotskistas, e 
portanto, pacifistas e anárquicas. Sua crítica representa, 
talvez, c ponto mais equilibrado que se alcançou no 
âmbito dessa palêmica, e como tal, vai citada. 
MacDonald parte da distinção, agora canônica , 
dos três níveis intelectuais, high, middle e lowbro�rv 
(distinção que deriva daquela entre highbraw e low- 
braw, proposta por Van Wyck Brooks, em America's 
Coming of Age), mudanda-Ihes a denominação de acôr- 
do com um intenta polêmico mais violento: contra as 
znanifestações de uma arte de elite e de uma cultura 
pròpriamente dita, erguem-se as manifestações de uma 
cultura de massa que não é tal, e que, par isso, êle não 
chama de mass culture, mas de masscult, e de uma 
cultura média, pequeno-burguesa, que êle chama de 
midcult. Òbviamente, sãa masscult as estórias em qua- 
drinhos, a música gastronômica tipo rock'n roll, ou 
os piores filmes de TV, ao passo que o midcult é re- 
presentada por obras que parecem possuir todos. os 
requisitas de uma cultura procrastinada, e que, pelo 
contrária, constituem, de fata, uma paródia, uma de- 
pauperação da cultura, uma falsificação realizada com 
fins comerciais. Algumas das mais saborosas páginas 
críticas de MacDonald são dedicadas à análise de um 
romance como O Velho e o Mar, de I�emingway, que 
êle considera um típico produto