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Teorias latino-americanas 2012

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Abordagens latino-americanas
Da comunicação
•Inquietações políticas e sociais, mais do que científicas: 
marcas da dependência estrutural que evocam uma cultura do 
silêncio e de submissão, mas também de resistência e luta.
Desde da década de 30: estudos de jornalismo vinculados à 
discussão sobre liberdade de imprensa e legislação. Métodos 
historiográfico e bibliográfico.
1959: Ciespal (Centro Internacional de Estudos Superiores de 
periodismo para AL), fundado no contexto da Aliança para o 
Progresso de Kennedy, pela UNESCO: oferece cursos para o 
aperfeiçoamento de profissionais em comunicação de massa 
na região.
Principais abordagens teóricas:
•Temas sobre comunicação e modernização, rádio e tele-
educação, liderança de opinião, metodologias – pesquisa 
quantitativa e análise de conteúdo.
•Comunicação rural (Paulo Freire/Chile) •Comunicação rural (Paulo Freire/Chile) 
•Preocupação com a comunicação popular e a pesquisa 
participante.
Década de 60: perspectiva desenvolvimentista e a 
introdução acrítica das novas tecnologias, e teoria da 
dependência.
•Allende, 1970, CEREN ( Centro de Estudos da 
Realidade Nacional), coordenado por Armand Mattelart. 
•Pesquisas sobre o domínio das multinacionais na 
comunicação da AL; perspectiva marxista e conceitos de comunicação da AL; perspectiva marxista e conceitos de 
ideologia, relações de poder, conflitos de classe.
•México, ILET ( Instituto LA de Estudos Transnacionais): 
propostas alternativas para a democratização dos meios 
de comunicação. 
Referência : Christa Berger. “A pesquisa em comunicação na 
América Latina In: HOLFELD, A. et alli (orgs) Teoria da 
Comunicação..Vozes, 2001.
Entre o final dos 60 e início dos 70: Funcionalismo e 
Marxismo //Sociologia e Semiologia
•Reflexão efetiva da AL, pois as condições estruturais do 
subdesenvolvimento passam a ser consideradas e incorporadas 
na análise dos meios. A marca da reflexão é o panorama político 
da região. Oposição ao “american way of life”.
•Formas alternativas de comunicação popular frente à cultura •Formas alternativas de comunicação popular frente à cultura 
transnacional.
Duas áreas temáticas:
1.estudo da estrutura de poder dos meios – transnacional e 
nacional - e as estratégias de dominação dos países capitalistas;
2.estudo sobre as formações discursivas e as mensagens da 
cultura de massa desde suas estruturas de significação.
Crítica de Jesús Martin-Barbero:
•Meios de comunicação reduzidos a ferramentas; moralizados de 
acordo com o seu emprego: maus nas mãos das oligarquias 
reacionárias, mas bons quando o proletariado assumisse seu 
controle.
•Ideologização impediu que se interrogasse qualquer outra coisa 
nos processos além dos rastros do dominador. Nunca os do 
dominado, e muito menos os do conflito. dominado, e muito menos os do conflito. 
•Uma concepção teológica do poder – onipotente e onipresente 
– levou à crença de que bastava analisar os objetivos 
econômicos e ideológicos dos meios massivos para se 
descobrirem as necessidades que provocavam e como 
submetiam os consumidores. 
• entre emissores-dominantes e receptores-dominados, 
nenhuma sedução, nem resistência; só a passividade do 
consumo e da alienação decifrada na imanência de uma 
mensagem-texto.
• sem conflitos e contradições, muito menos por lutas.
•essas abordagens tornam impossível tudo o que na 
comunicação se mantém irredutível e não equiparável à comunicação se mantém irredutível e não equiparável à 
transmissão e à mediação de informações;
• não cabem no esquema emissor-receptor: bailes, cultos, 
cotidianos, que introduzem uma assimetria entre os códigos 
do emissor e do receptor implodindo a linearidade em que 
está baseado todo o modelo.
Final dos anos 80:
•Redefinição da cultura: é fundamental, a compreensão de sua
natureza comunicativa, do seu caráter de processo produtor de
significações e não de mera circulação de informações, no qual
o receptor não é um simples decodificador daquilo que o
emissor depositou na mensagem, mas também um produtor.
•Abandono do mediacentrismo (inovação tecnológica), já que o
sistema da mídia estaria perdendo parte de sua especificidade
para converter-se em elemento integrante de outros sistemas de
maior envergadura, como o econômico, cultural e político.
•Um novo modelo de análise: cultura no papel de mediação
social e teórica da comunicação com o popular, com a vida
cotidiana, com os meios.
MARTIN_BARBERO, Jesús. Dos meios às mediações. RJ: UFRJ
Estudos da recepção
•Mostra que os receptores lêem textos e os adapta aos seus usos
e prazeres, e estas leituras podem ser influenciadas por vários
fatores tais como raça, gênero, classe e experiências de vida.
•Não existiria correspondência necessária entre mensagens codifi-
cadas nos textos pelos produtores e o que é lido pelos leitores.cadas nos textos pelos produtores e o que é lido pelos leitores.
•Deslocamento dos “meios às mediações” leva ao resgate da 
figura do receptor, tomado não como mero receptáculo 
de mensagens veiculadas pelos meios, mas como participante 
ativo do processo que se desenrola.
• O desafio apresentado pela indústria cultural aparece com 
toda a sua densidade no cruzamento dessas duas linhas de 
renovação que inscrevem a questão cultural no interior do 
político e da comunicação. (Martín-Barbero, 1997:287)
•Crítica: os estudos da recepção se esquecem que a 
comunicação é um processo, reduzindo o problema da 
recepção à audiência. Enfatizam o pólo receptor, isolado no recepção à audiência. Enfatizam o pólo receptor, isolado no 
processo de comunicação e fora do contexto em que se dá a 
recepção.
Nos anos 90:
•As categorias não são mais a de ideologia, nem a de 
dependência, mas a de mediação e a de hibridização, que 
permitem repensar a relação do popular com o massivo, da 
comunicação com os movimentos sociais, do receptor com o 
meio, todas mediadas pelas estruturas socioculturais. 
•O contexto é enunciado através da problemática da •O contexto é enunciado através da problemática da 
mundialização. 
•Articulações entre práticas de comunicação e movimentos 
sociais.
Jesús Martin-Barbero:
1. O ambíguo processo de gestação do massivo a partir do
popular;
2. Os modos de presença/ausência, de afirmação/negação, de
confisco e de deformação da memória popular nos atuais
processos de “massmediación”;
3. Os usos populares do massivo, tanto de assimilação quanto3. Os usos populares do massivo, tanto de assimilação quanto
de ressemantização.
A pesquisa se torna independente do estudo dos meios para
compreender a vida cotidiana, onde os meios ingressam detendo
um lugar. A perspectiva que vai se afirmando é a comunicação
que deve ser tratada no cenário da cultura, que na AL encontra
eco na sua formação híbrida, que propicia múltiplas mediações
na recepção das mensagens.
Campo das mediações: constituído pelos dispositivos através dos 
quais a hegemonia transforma por dentro o sentido do trabalho e 
da vida da comunidade.
•Ex: o deslocamento do artesanato do étnico ou do típico: 
desconexão e recomposição; mediação dos objetos sagrados e 
dos ritos.
Diante do popular urbano ,a concepção mais frequente é negar 
pura e simplesmente a sua existência cultural:
1. elitismo aristocrático que reconhece a romântica identificação 
do popular com o identificável pela nitidez de seus traços, 
2. identifica o popular como uma resistência intrínseca, 
espontânea, que o subalterno oporia ao hegemônico.
•Nova percepção: popular enquanto trama, entrelaçamento de 
submissões e resistências, impugnações e cumplicidades.
•O estudo dos usos: deslocamento do espaço de interesse, dos 
meios para o lugar onde é produzido o seu sentido: para os 
movimentos sociais e, de um modo especial, para aqueles que 
partem dos bairros. 
•A maneira e os métodos como as coletividades sem poder 
político e sem representação social assimilam as ofertas a seu 
alcance, sexualizam o melodrama, extraem traços satíricos de 
um humor infamante, divertem-se e comovem-se sem