Instalações Elétricas - NBR 5410(2004) - Instalações Elétricas De Baixa Tensão - Comentada
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em 5.3.5.5.1 e 5.3.5.5.2.

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5.3.5.5.1 A capacidade de interrupção do dispositivo deve ser no mínimo igual à corrente de curto-circuito
presumida no ponto onde for instalado. Só se admite um dispositivo com capacidade de interrupção inferior
se houver, a montante, um outro dispositivo com a capacidade de interrupção necessária; neste caso, as
características dos dois dispositivos devem ser coordenadas de tal forma que a energia que eles deixam
passar não seja superior à que podem suportar, sem danos, o dispositivo situado a jusante e as linhas por
eles protegidas.

NOTA Em certos casos pode ser necessário conferir as características do dispositivo de jusante quanto a esforços
dinâmicos e energia de arco. Detalhes das características que necessitam coordenação devem ser obtidos com os
fabricantes dos dispositivos.

5.3.5.5.2 A integral de Joule que o dispositivo deixa passar deve ser inferior ou igual à integral de Joule
necessária para aquecer o condutor desde a temperatura máxima para serviço contínuo até a temperatura
limite de curto-circuito, o que pode ser indicado pela seguinte expressão:

i2
0

t

ò dt £ k2 S2

onde:

i2
0

t

ò dt é a integral de Joule (energia) que o dispositivo de proteção deixa passar, em ampères
quadrados?segundo;

k2S2 é a integral de Joule (energia) capaz de elevar a temperatura do condutor desde a temperatura
máxima para serviço contínuo até a temperatura de curto-circuito, supondo-se aquecimento adiabático.
O valor de k é indicado na tabela 30 e S é a seção do condutor, em milímetros quadrados.

NOTA Para curtos-circuitos de qualquer duração em que a assimetria da corrente não seja significativa, e para
curtos-circuitos assimétricos de duração 0,1 s £ t £ 5 s, pode-se escrever:

I2 . t £ k2 S2

onde:

I é a corrente de curto-circuito presumida simétrica, em ampères, valor eficaz;

t é a duração do curto-circuito, em segundos.

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Tabela 30 ? Valores de k para condutores com isolação de PVC, EPR ou XLPE

Isolação do condutor

PVC

£ 300 mm2 > 300 mm2
EPR/XLPE

Temperatura

Inicial Final Inicial Final Inicial Final

Material do condutor

70°C 160°C 70°C 140°C 90°C 250°C

Cobre 115 103 143

Alumínio 76 68 94

Emendas soldadas em condutores de
cobre 115 ? ?

NOTAS

1 Outros valores de k, para os casos mencionados abaixo, ainda não estão normalizados:
? ? condutores de pequena seção (principalmente para seções inferiores a 10 mm2);
? ? curtos-circuitos de duração superior a 5 s;
? ? outros tipos de emendas nos condutores;
? ? condutores nus.

2 Os valores de k indicados na tabela são baseados na IEC 60724.

5.3.5.5.3 A corrente nominal do dispositivo destinado a prover proteção contra curtos-circuitos pode ser
superior à capacidade de condução de corrente dos condutores do circuito.

5.3.6 Coordenação entre a proteção contra sobrecargas e a proteção contra curtos-circuitos

5.3.6.1 Proteções providas pelo mesmo dispositivo

O dispositivo destinado a prover proteção contra sobrecargas, selecionado de acordo com 5.3.4, pode prover
também a proteção contra curtos-circuitos da linha situada a jusante do ponto em que for instalado se o
dispositivo possuir uma capacidade de interrupção pelo menos igual à corrente de curto-circuito presumida
nesse ponto e atender ao disposto em 5.3.5.5.2.

5.3.6.2 Proteções providas por dispositivos distintos

No caso de a proteção contra sobrecargas ser provida por um dispositivo e a proteção contra curtos-circuitos
por outro dispositivo, distinto, aplicam-se ao primeiro as disposições de 5.3.4 e, ao segundo, as disposições
de 5.3.5. Mas as características dos dois dispositivos devem ser coordenadas de tal maneira que a energia
que o dispositivo de proteção contra curtos-circuitos deixa passar, durante um curto-circuito, não seja
superior à que pode suportar, sem danos, o dispositivo de proteção contra sobrecargas.

5.3.7 Limitação das sobrecorrentes através das características da alimentação

São considerados naturalmente protegidos contra sobrecorrentes os condutores alimentados por uma fonte
com impedância, tal que a corrente máxima por ela fornecida não seja superior à capacidade de condução de
corrente dos condutores. É o caso, por exemplo, de certos transformadores para campainha, certos
transformadores de solda e certos geradores movidos por motor térmico.

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5.4 Proteção contra sobretensões e perturbações eletromagnéticas

5.4.1 Proteção contra sobretensões temporárias

5.4.1.1 Determinadas ocorrências podem fazer com que os circuitos fase?neutro sejam submetidos a
sobretensões que podem atingir o valor da tensão entre fases. Essas ocorrências são:

a) perda do condutor neutro em esquemas TN e TT, em sistemas trifásicos com neutro, bifásicos com
neutro e monofásicos a três condutores;

b) falta à terra envolvendo qualquer dos condutores de fase em um esquema IT.

No caso b), os componentes da instalação elétrica devem ser selecionados de forma a que sua tensão
nominal de isolamento seja pelo menos igual ao valor da tensão nominal entre fases da instalação (ver
6.1.3.1.1). No caso a), deve-se adotar idêntica providência quando tais sobretensões, associadas à
probabilidade de ocorrência, constituírem um risco inaceitável.

5.4.1.2 Em instalações segundo o esquema TT, deve-se verificar se as sobretensões temporárias
provocadas pela ocorrência de falta à terra na média tensão são compatíveis com a tensão suportável à
freqüência industrial dos componentes da instalação BT. Esta condição é considerada atendida se:

a) R ´ Im? ? 250 V, quando a falta à terra for eliminada pela proteção primária da subestação de
transformação MT/BT em um tempo superior a 5 s; ou

b) R ´ Im? ? 1 200 V, quando a falta à terra for eliminada pela proteção primária da subestação de
transformação MT/BT em tempo inferior ou igual a 5 s,

onde

R é a resistência de aterramento das massas da subestação de transformação MT/BT; e

Im é a parte da corrente de falta à terra na média tensão que circula pelo eletrodo de aterramento das
massas da subestação de transformação MT/BT.

NOTA (comum a 5.4.1.1 e 5.4.1.2) ? Na seleção dos dispositivos de proteção contra surtos (DPS), o exame da
máxima tensão de operação contínua a que eles estarão sujeitos, no ponto previsto para sua instalação, deve levar em
conta a probabilidade de sobretensões temporárias no ponto em questão e sua magnitude. Ver 6.3.5.2.4-b.

5.4.1.3 A verificação prescrita em 5.4.1.2 pode se limitar aos equipamentos BT da subestação de
transformação MT/BT se o eletrodo de aterramento do condutor neutro for eletricamente distinto do eletrodo
de aterramento das massas da subestação de transformação.

5.4.2 Proteção contra sobretensões transitórias

5.4.2.1 Proteção contra sobretensões transitórias em linhas de energia

5.4.2.1.1 Deve ser provida proteção contra sobretensões transitórias, com o uso dos meios indicados em
5.4.2.1.2, nos seguintes casos:

a) quando a instalação for alimentada por linha total ou parcialmente aérea, ou incluir ela própria linha
aérea, e se situar em região sob condições de influências externas AQ2 (mais de 25 dias de trovoadas
por ano);

b) quando a instalação se situar em região sob condições de influências externas AQ3 (ver tabela 15).

NOTA Admite-se que a proteção contra sobretensões exigida em 5.4.2.1.1 possa não ser provida se as
conseqüências dessa omissão, do ponto de vista estritamente material, constituírem um risco calculado e assumido.
Em nenhuma hipótese a proteção pode ser dispensada se essas conseqüências puderem resultar em risco direto ou
indireto à segurança e à saúde das pessoas.

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