Instalações Elétricas - NBR 5410(2004) - Instalações Elétricas De Baixa Tensão - Comentada
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mais crítico no caso de DPS conectado entre
fase e neutro.

b) máxima tensão de operação contínua (Uc) ? A tensão máxima de operação contínua (Uc) do DPS deve
ser igual ou superior aos valores indicados na tabela 49.

C

C

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Tabela 49 ? Valor mínimo de Uc exigível do DPS, em função do esquema de aterramento

DPS conectado entre Esquema de aterramento

Fase Neutro PE PEN TT TN-C TN-S
IT com
neutro

distribuído

IT sem
neutro

distribuído

X X 1,1 Uo 1,1 Uo 1,1 Uo

X X 1,1 Uo 1,1 Uo Ö3 Uo U

X X 1,1 Uo

 X X Uo Uo Uo
NOTAS

1 Ausência de indicação significa que a conexão considerada não se aplica ao esquema de aterramento.

2 Uo é a tensão fase?neutro.

3 U é a tensão entre fases.

4 Os valores adequados de Uc podem ser significativamente superiores aos valores mínimos da tabela.

c) sobretensões temporárias ? O DPS deve atender aos ensaios pertinentes especificados na IEC 61643-1.

NOTA A IEC 61643-1 prevê que o DPS suporte as sobretensões temporárias decorrentes de faltas na instalação BT
e que os DPS conectáveis ao PE, e quando assim conectados, não ofereçam nenhum risco à segurança em caso de
destruição provocada por sobretensões temporárias devidas a faltas na média tensão e por perda do neutro.

d) corrente nominal de descarga (In) e corrente de impulso (Iimp) ? Na seleção da corrente nominal de
descarga e/ou da corrente de impulso do DPS, distinguem-se três situações:

? quando o DPS for destinado à proteção contra sobretensões de origem atmosférica transmitidas pela
linha externa de alimentação e contra sobretensões de manobra, sua corrente nominal de descarga
In não deve ser inferior a 5 kA (8/20 µs) para cada modo de proteção. Todavia, In não deve ser
inferior a 20 kA (8/20 µs) em redes trifásicas, ou a 10 kA (8/20 µs) em redes monofásicas, quando o
DPS for usado entre neutro e PE, no esquema de conexão 3 indicado na figura 13;

? quando o DPS for destinado à proteção contra sobretensões provocadas por descargas atmosféricas
diretas sobre a edificação ou em suas proximidades, sua corrente de impulso Iimp deve ser
determinada com base na IEC 61312-1; se o valor da corrente não puder ser determinado, Iimp não
deve ser inferior a 12,5 kA para cada modo de proteção. No caso de DPS usado entre neutro e PE,
no esquema de conexão 3 (ver figura 13), Iimp também deve ser determinada conforme a
IEC 61312-1; ou, caso o valor da corrente não possa ser determinado, Iimp não deve ser inferior a
50 kA para uma rede trifásica ou 25 kA para uma rede monofásica;

NOTA O ensaio para a determinação da corrente de impulso (Iimp) de um DPS é baseado num valor de crista de
corrente, dado em kA, e num valor de carga, dado em coulombs (A.s). Não é fixada uma forma de onda particular para a
realização desse ensaio e, portanto, essa forma de onda pode ser a 10/350 ms, a 10/700 ms, a 10/1 000 ms ou, ainda, a
8/20 ms, não se descartando outras. Também não são fixadas restrições quanto ao tipo de DPS que pode ser submetido
a tal ensaio ? curto-circuitante, não-curto-circuitante, ou combinado.

? quando o DPS for destinado, simultaneamente, à proteção contra todas as sobretensões
relacionadas nas duas situações anteriores, os valores de In e de Iimp do DPS devem ser
determinados, individualmente, como especificado acima.

e) suportabilidade à corrente de curto-circuito ? Tendo em vista a possibilidade de falha do DPS, sua
suportabilidade a correntes de curto-circuito, já levando em conta a ação do dispositivo de proteção
contra sobrecorrentes que o integrar ou for especificado pelo fabricante, deve ser igual ou superior à
corrente de curto-circuito presumida no ponto em que vier a ser instalado. Além disso, quando o DPS
incorporar centelhador(es), a capacidade de interrupção de corrente subseqüente declarada pelo
fabricante deve ser igual ou superior à corrente de curto-circuito presumida no ponto de instalação do

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dispositivo. Para os DPS a serem conectados entre neutro e PE, a capacidade de interrupção de
corrente subseqüente deve ser de no mínimo 100 A, em esquema TN ou TT, e deve ser a mesma dos
DPS conectados entre fase e neutro, no caso de esquema IT.

f) coordenação dos DPS ? Os fabricantes de DPS devem fornecer, em sua documentação, instruções
claras e suficientes sobre como obter coordenação entre os DPS dispostos ao longo da instalação.

6.3.5.2.5 Falha do DPS e proteção contra sobrecorrentes

A possibilidade de falha interna, fazendo com que o DPS entre em curto-circuito, impõe a necessidade de
dispositivo de proteção contra sobrecorrentes, para eliminar tal curto-circuito. As alíneas a) a c) a seguir
apresentam os cuidados a serem observados com vista ao risco de falha do DPS, bem como as alternativas
de arranjos que permitem, na hipótese de falha do DPS, priorizar a continuidade do serviço ou a continuidade
da proteção.

NOTA Para maior clareza e simplicidade, convencionou-se adotar, nesta subseção, a abreviação DP para designar
o dispositivo de proteção contra sobrecorrentes.

a) posicionamento do DP ? A proteção contra sobrecorrentes destinada a eliminar um curto-circuito que
ocorra por falha do DPS pode ser disposta:

? na própria conexão do DPS, representada pelo DP da figura 14-a, sendo que esse DP pode ser
inclusive o desligador interno que eventualmente integra o DPS;

? no circuito ao qual está conectado o DPS, representado pelo DP da figura 14-b, que corresponde
geralmente ao próprio dispositivo de proteção contra sobrecorrentes do circuito.

Supondo, como requer esta Norma, que todas as proteções contra sobrecorrentes da instalação sejam
devidamente coordenadas (seletivas), a primeira opção de posicionamento do DP (figura 14-a) assegura
continuidade de serviço, mas significa ausência de proteção contra qualquer nova sobretensão que venha a
ocorrer. Na segunda opção (figura 14-b), por sua vez, a continuidade de serviço pode ser afetada, uma vez
que a atuação do DP, devido à falha do DPS, interrompe a alimentação do circuito, situação que perdura até
a substituição do DPS.

Uma terceira opção, que oferece maior probabilidade de se obter tanto continuidade de serviço quanto
continuidade de proteção, é aquela descrita na figura 14-c. Neste caso, são usados dois DPS idênticos
(DPS1 e DPS2), cada um protegido por um DP específico, inserido na conexão do DPS respectivo, sendo os
dois DP também idênticos. A maior confiabilidade do esquema decorre, portanto, da redundância adotada.

b) seleção do DP ? O DP destinado a eliminar um curto-circuito que ocorra por falha do DPS, seja ele um
DP especificamente previsto para tal (como o DP da figura 14-a), seja ele o próprio DP do circuito ao
qual está conectado o DPS (dispositivo DP da figura 14-b), deve possuir corrente nominal inferior ou no
máximo igual à indicada pelo fabricante do DPS.

c) condutores de conexão ? A seção nominal dos condutores destinados a conectar um DP
especificamente previsto para eliminar um curto-circuito que ocorra por falha do DPS (como o DP da
figura 14-a) aos condutores de fase do circuito deve ser dimensionada levando-se em conta a máxima
corrente de curto-circuito suscetível de circular pela conexão.

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DP: dispositivo de proteção contra sobrecorrentes

DPS: dispositivo de proteção contra surtos

E/I: equipamento/instalação a ser protegida contra sobretensões

Figura 14 ? Possibilidades de posicionamento do dispositivo de proteção contra sobrecorrentes

6.3.5.2.6 Proteção contra choques elétricos e compatibilidade entre os DPS e dispositivos DR

Devem ser atendidas as prescrições a) e b) a seguir:

a) nenhuma falha do DPS, ainda que eventual, deve comprometer a efetividade da proteção contra
choques provida a um circuito ou à instalação;

b) quando os DPS forem instalados, conforme indicado em 6.3.5.2.1, junto ao ponto de entrada da linha
elétrica na edificação ou no quadro de distribuição principal, o mais próximo possível