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Aula 05 - Junções celulares - Junções ocludentes

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distintos na membrana desse tipo celular.
Superfície apical
Glicose
Glicose
Glicose
Uniporte de glicose
Porção basolateral
Junção ocludente
Sangue
Simporte de Na+ e glicose
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QUE PROTEÍNAS EXISTEM NAS JUNÇÕES DE OCLUSÃO?
Até o presente momento, já foram caracterizados três tipos de 
proteínas formando as junções de oclusão: as claudinas, as ocludinas
e as moléculas de adesão juncional – JAM. Pouco se conhece sobre as 
funções das moléculas JAM.
As claudinas são sufi cientes e altamente necessárias para a forma-
ção das junções tight e constituem uma família de mais de 20 proteínas. 
A claudina-5, por exemplo, é predominantemente expressa em junções 
tight de células endoteliais. Contudo, a maioria dos órgãos e tecidos 
possuem junções tight apresentando mais de um tipo de claudinas que 
podem interagir com claudinas da célula vizinha de forma homofílica
(interação entre claudinas do mesmo tipo) e algumas claudinas podem 
realizar adesões heterofílicas (interação entre claudinas de tipos diferen-
tes). Essa heterogeneidade de claudinas expressas em diferentes tecidos é 
responsável pela diferença de permeabilidade e seletividade paracelular 
dos diferentes órgãos e tecidos (Figura 5.6).
Já as ocludinas não possuem um papel tão fundamental para a 
formação das junções tight como as claudinas. Estudos realizados até 
o momento classifi cam as ocludinas como componentes facultativos 
das junções tight, uma vez que a sua deleção ou ausência em algumas 
junções tight não interferiram nem com a formação, nem com a função 
da barreira. As ocludinas são capazes de realizar somente a interação 
homofílica com ocludinas da célula vizinha (Figura 5.6).
Figura 5.6: As claudinas e as ocludinas são as principais proteínas formadoras de junções de oclusão. Enquanto 
duas claudinas de tipos diferentes podem se reconhecer e se ligar, apenas duas ocludinas idênticas se reconhecem.
Claudinas em interação 
heterofílica
Ocludinas
Célula 1
Célula 2
Claudinas em interação 
homofílica
BIOLOGIA CELULAR II | Junções celulares 1: Junções ocludentes
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QUANDO A BARREIRA É ROMPIDA
As junções tight têm como principal papel fazer com que as células 
epiteliais constituam um revestimento contínuo que limite dois ambientes. 
É fácil entender isso quando pensamos no conteúdo do intestino e da 
bexiga e quais as conseqüências para o resto do organismo se houver 
vazamento (transporte paracelular) por entre as células para o interior 
do organismo.
Entretanto, as células do epitélio intestinal são capazes de abrir 
transitoriamente as suas junções oclusivas. Isso permite a rápida absorção 
(via transporte paracelular) de uma grande quantidade de aminoácidos 
e monossacarídeos recém-digeridos. Nesse momento, o gradiente de 
concentração favorece a entrada dessas substâncias (Figura 5.7). Isso 
demonstra que:
1. essa barreira é variável e fi siologicamente regulada; 
2. é importante que existam proteínas de oclusão diferentes em 
diferentes tipos de epitélio, pois num tecido como o epitélio da bexiga a 
passagem paracelular de conteúdo seria um enorme desastre.
Figura 5.7: Esquema das vias de transporte transcelular e paracelular. Este último, 
quando acontece, sempre obedece ao gradiente de concentração das moléculas envolvidas.
Transcelular Paracelular
Junção light
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DOMÍNIOS E BARREIRAS EM OUTROS EPITÉLIOS
Outro exemplo que demonstra a importância da existência de dife-
rentes domínios (apical e basolateral) nas células epiteliais são as células 
pancreáticas (Figura 5.8). Essas células sintetizam e estocam em vesículas 
secretórias enzimas digestivas (relembre a aula de retículo endoplasmático 
e complexo de Golgi, da Biologia Celular I), que serão posteriormente 
liberadas através da região apical da célula para dentro do lúmen pan-
creático (interior do pâncreas). Em contrapartida, a região basolateral 
é responsável pela captação de nutrientes dos vasos sanguíneos para o 
interior das células pancreáticas, bem como pela interação com os vários 
hormônios que vão estimular a secreção dessas glândulas.
Figura 5.8: Células que formam o epitélio de glândulas secretoras como o pâncreas e as glândulas 
mamárias (a) também dependem da barreira formada pelas junções para garantir que a secreção se 
dê sempre na superfície apical. Na porção basolateral, são realizadas outras funções, como a absor-
ção de nutrientes e moléculas necessárias à síntese. Em (b), vemos uma dessas células em destaque.
Vesículas de secreção
Superfície apical
Secreção
Superfície basolateral
(a) (b)
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OCLUSÃO SIM, FORÇA NÃO
Embora sejam muito efi cientes no sentido de não permitir a passa-
gem de moléculas por entre as células, o cinturão de oclusão não confere 
ao tecido resistência para suportar tensões. Assim, à medida que um 
órgão como a bexiga fosse acumulando um volume maior (no caso de 
urina) a tensão desse líquido sobre as paredes do epitélio poderia acabar 
causando o rompimento das junções oclusivas. Isso não acontece porque, 
entre outras razões, além das junções de oclusão, as células possuem 
junções de adesão ou ancoragem, que conferem grande resistência à 
tensão e deformação. Na próxima aula, elas e as junções comunicantes 
serão nosso assunto. 
• Em tecidos organizados, as células são conectadas através de junções 
celulares, as quais são estruturas especializadas constituídas primariamente 
por proteínas. 
• Junções oclusivas ou tight selam a passagem de fl uidos entre os dois lados 
da camada celular e defi nem dois domínios na membrana plasmática: as 
regiões apical e basolateral. 
• A composição das junções tight ainda não está totalmente esclarecida. 
Entretanto, duas proteínas descritas (claudinas e ocludinas) têm sido bastante 
estudadas. Existem diferentes tipos de claudinas e ocludinas. Cada epitélio 
apresenta um conjunto próprio dessas proteínas. 
• As claudinas parecem ter papel fundamental para formação das junções 
oclusivas, podem realizar ligações heterofílicas ou homofílicas, enquanto 
as ocludinas só podem ligar-se com ocludinas do mesmo tipo (ligação 
homofílica) entre células vizinhas.
• Cada domínio contém lipídios e proteínas únicas que são responsáveis 
pelas funções especializadas de cada superfície celular, como as interações 
com hormônios ou fusão com vesículas intracelulares que contêm 
proteínas secretórias. 
RESUMO
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EXERCÍCIOS
1. Quais são as duas formas básicas de associação entre células?
2. Quais os três tipos de junções celulares e qual a função básica de cada um?
3. Por que as junções de oclusão receberam os seguintes nomes:
 Junção tight -
 Cinturão de oclusão - 
4. Por que o cinturão de adesão forma uma barreira?
5. O que é um domínio de membrana?
6. Quais são as proteínas que formam a junção de oclusão?
7. O que é transporte transcelular? Exemplifi que.
8. O que é transporte paracelular? Exemplifique uma situação em 
que ele ocorra.