Aula 06 - Junções celulares - Junções ancoradouras e junções comunicantes
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Aula 06 - Junções celulares - Junções ancoradouras e junções comunicantes


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botões pelas laterais das células 
epiteliais, ligando-se a uma rede de filamentos intermediários. Em (b), vemos em detalhe 
a organização de um desmossoma. As caderinas se ligam umas às outras pelo lado 
extracelular. Pelo lado citoplasmático se ligam a uma placa formada por diversas 
proteínas que, por sua vez, se ligam a \ufb01 lamentos intermediários. 
Embora sejam bem pequenos, os desmossomas são facilmente 
reconhecidos ao microscópio eletrônico de transmissão, pois a placa 
citoplasmática de proteínas intermediárias e os \ufb01 lamentos intermediários 
que dali partem lhes dão um aspecto único (Figura 6.8).
Figura 6.8 : (a) Uma seqüência de três desmossomas une duas células adjacentes. (b) Maior 
aumento de um desmossoma, onde se pode observar claramente a placa citoplasmática de onde 
partem os filamentos intermediários e a densidade intercelular que corresponde às caderinas. 
Fotos: (a) N.B. Gilula, (b) D. E. Kelly (solicitar permissão).
Filamentos
intermediários
Caderinas
Caderinas
Filamentos
intermediários
Membranas das 
duas células
Espaço intercelular
Placa de proteínas 
adaptadoras
(a)
(b)
(a) (b)
BIOLOGIA CELULAR II | Junções celulares 2: Junções ancoradouras e junções comunicantes
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Fogo selvagem, mas que diabo é isso?
Algumas pessoas desenvolvem uma doença auto-imune chamada pên\ufb01 go ou 
fogo-selvagem, em que a pele se abre em bolhas, exatamente como numa queima-
dura. Por razões ainda pouco compreendidas, essas pessoas produzem anticorpos 
que destroem proteínas como a desmogleína e a desmocolina, rompendo, assim, a 
ligação entre as células, causando inchações e vazamento de \ufb02 uidos corporais para o 
epitélio frouxo. Essa doença é tratada com corticóides, que inibem a resposta imune, 
e substâncias que aliviam os sintomas bastante dolorosos e incômodos da doença. 
Testes de laboratório mostraram que os anticorpos produzidos pelas pessoas afeta-
das reconhecem apenas os desmossomas da pele, sugerindo que os desmossomas são 
bioquimicamente diferentes daqueles presentes em outros tecidos.
AS JUNÇÕES SEPTANTES
Em invertebrados, o papel do cinturão de adesão é desempenha-
do pelas junções septantes, amplamente distribuídas nos seus tecidos. 
Estas possuem várias características em comum com os cinturões de 
adesão. As junções septantes também formam uma banda contínua ao 
redor da borda apical das células epiteliais e parecem ajudar a manter 
as células unidas, bem como servem como sítios de ligação para os 
\ufb01 lamentos de actina. Elas possuem morfologia bastante distinta, sendo 
formadas por proteínas pouco caracterizadas que estão dispostas em 
\ufb01 leiras paralelas com periodicidade regular unindo as membranas cito-
plasmáticas das células vizinhas (Figura 6.9).
Figura 6.9: Junção septante entre duas 
células de molusco. (Foto: N. B.Gilula).
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JUNÇÕES CÉLULA-MATRIZ EXTRACELULAR 
 Além das ligações aderentes célula-célula, também é fundamental 
que as células epiteliais permaneçam aderidas à lâmina basal. No tecido 
conjuntivo, as células também estabelecem contatos com as proteínas 
da matriz extracelular que as envolve. Essas junções célula-matriz 
também estão esquematizadas na Figura 6.2, e sua principal diferença 
com relação às junções célula-célula é que as proteínas transmembrana 
que fazem o reconhecimento e a conexão entre o meio extracelular 
e o citoesqueleto são da família das integrinas. As junções entre a 
porção basal dos epitélios e a lâmina basal são os hemidesmossomas.
Já as células do tecido conjuntivo estabelecem com a matriz 
extracelular os contatos focais.
HEMIDESMOSSOMAS NÃO SÃO DESMOSSOMAS 
PELA METADE
Embora o nome e o aspecto ultra-estrutural sugiram que os 
hemidesmossomas são exatamente a metade de um desmossoma 
(daí seu nome), não podemos esquecer que nos desmossomas a pro-
teína transmembrana é sempre uma caderina e esta só se liga a outra 
caderina. Como a lâmina basal não é uma membrana e, muito menos, 
possui caderinas, no hemidesmossoma, a proteína transmembrana é 
sempre uma integrina, que reconhece uma proteína da lâmina basal, 
como a laminina. Além disso, a placoglobina, uma das proteínas que 
formam a placa citoplasmática dos desmossomas, não é encontrada nos 
hemidesmossomas. No mais, os hemidesmossomas são bem semelhantes 
aos desmossomas, com proteínas intermediárias formando uma placa que 
Hemidesmossomas
Figura 6.10: Os filamentos intermediários inter-
ligam os desmossomas e os hemidesmossomas. 
Desmossomas
Lâmina basal
Filamentos intermediários
as liga a \ufb01 lamentos intermediários. Na prática, 
desmossomas e hemidesmossomas se interligam 
através da rede de \ufb01 lamentos intermediários 
(Figura 6.10) e, assim como o pênfigo é 
uma doença que destrói os desmossomas, a 
epidermólise bullosa é uma doença geneticamen-
te determinada em que os hemidesmossomas são 
frágeis e o rompimento entre estes e a lâmina basal 
propicia a formação de bolhas que também se 
assemelham a queimaduras. 
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A BOLHA
Uma experiência que quase todo mundo já deve ter tido é a de usar um 
sapato novo que, por roçar ou apertar continuamente o pé, acaba causando 
uma bolha d\u2019água. Isso mostra bem a importância das junções de adesão: 
nossa pele é formada por diversas camadas de células epiteliais unidas por 
muitos desmossomas. As camadas superiores são formadas por células 
mortas, das quais resta principalmente a rede de \ufb01 lamentos de queratina. 
Essa cobertura impermeável nos protege tanto dos agentes ambientais 
(chuva, sol) quanto suporta a tensão exercida pelos 
fluidos extracelulares. O atrito contínuo do calça-
do sobre essas camadas protetoras acaba provocando seu 
desgaste; assim, o \ufb02 uido extracelular acaba preenchendo a epider-
me a\ufb01 nada, resultando na incômoda bolha. Para nossa felicidade, 
as células da pele estão em constante renovação (como vimos na 
Aula 2) e em poucos dias a camada protetora de células mortas 
se recompõe (Figura 6.11).
Figura 6.11: O desgaste das camadas queratinizadas da epiderme destrói 
o equilíbrio capaz de suportar a tensão do \ufb02 uido extracelular, provocando as bolhas. 
Célula queratinizada 
descamando
Células mortas 
queratinizadas
Lâmina basal
Tecido conjuntivo
Célula basal em divisãoCélula basal subindo
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CONTATOS FOCAIS
Células capazes de migrar, como os \ufb01 broblastos, estabelecem 
com o substrato (o equivalente ao chão celular) pontos de adesão, 
chamados contatos focais, onde proteínas transmembrana da família 
das integrinas se ligam a moléculas da matriz extracelular. Pelo lado 
citoplasmático, as integrinas se ligam a proteínas como alfa-actinina, 
talina e vinculina e, \ufb01 nalmente, a \ufb01 lamentos de actina (Figura 6.12). A actina 
se organiza em feixes paralelos, constituindo as \ufb01 bras de tensão, estu-
dadas na aula de micro\ufb01 lamentos, de Biologia Celular I.
Figura 6.12: Os contatos focais são 
regiões da membrana onde as inte-
grinas aderem à matriz extracelular 
pelo lado extracelular e, indireta-
mente, a feixes de \ufb01 lamentos de 
actina, pelo lado citoplasmático.
A grande diferença entre os contatos focais e as demais junções 
de adesão é que, como essas células se movem, esse tipo de junção se 
desfaz em um ponto da célula e se reorganiza mais adiante, permitindo 
a mudança de forma e de posição da célula (Figura 6.13).
Filamentos de actina
Proteínas acessórias
Contato focal
Lâmina basal
Integrina
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Figura 6.13: A dinâmica de formação de contatos focais em um ponto 
da célula e seu desaparecimento em outros levam à mudança de 
forma e deslocamento desta.
AS JUNÇÕES COMUNICANTES
A necessidade de comunicação e de cooperação metabólica entre 
as células de um organismo pluricelular faz