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Fisiopatologia Reprodução de Animais
Rio, 02/03/2011
Alexandra Woods

Exames ginecológicos - Genitália interna
Palpação retal
Égua

Quais seriam as situações em que vcs indicariam um exame ginecológico?
O animal que está entrando pra reprodução, então seria aquela fêmea na puberdade (que está começando a vida reprodutiva dela). Aqui é imprescindível o exame ginecológico nessa égua, é perder dinheiro pro cara não fazer o exame. Para o pessoal de boi não é um problema, o proprietário aceita bem isso, o proprietário até procura o vet pra fazer o exame ginecológico, porque ele sabe que isso vai levar a uma perda de dinheiro se ele não fizer. Agora, temos que ter a mesma postura em relação às outras matrizes como: eqüino, cão, etc. vc tem que indicar o exame ginecológico no inicio da vida reprodutiva.
Outras indicações: um animal que apresenta uma alteração, que apresenta uma sintomatologia, ex: secreção, vulva mais hiperêmica, tem alguma alteração clinica.
Outras situações: animal com problema de fertilidade. É aquele animal que fica repetindo cio, porque um animal que tem uma sintomatologia pra reprodução ele tem um problema de fertilidade, então vale a pena colocar um animal que faz repetição de cio, porque existe um quadro chamado endometrite subclínica, que é um quadro subclínico, então esse animal não tem outro sinal que não seja repetição de cio. Só que tem que ter cuidado ao analizar o que é repetição do cio, como assim: vc tem que ter todas as variáveis, como: sêmen de qualidade, tem que ter um inseminador capacitado, senão entra aquela historia, as vezes vc entra numa propriedade com índices reprodutivos baixos, ai vc olha na planilha do inseminador a vaca nunca dá cio num domingo, nunca dá cio em feriado, dia de natal, etc. ai vc vai ver os índices da fazenda são baixos, mas não é culpa da vaca. Então quando agente pensa em repetição de cio, temos que observar todas as variáveis, eu tenho que estar com tudo certo pra poder dizer que o problema está no animal, porque o problema pode ser no sêmen, que pode ter uma qualidade ruim, as fêmeas vão estar repetindo o cio porque o sêmen está ruim.

	Outra coisa muito importante: indicação muito importante: exames de compra e venda. Ninguém faz, e isso é um prejuízo absurdo pro comprador.
Isso é com vaca também, é exigido um exame andrológico do macho pra poder entrar no leilão, exposição. Mas na vaca não.
Agente deve indicar o exame andrológico do animal ao proprietário que vai comprar.
Ou compra a fêmea prenha, que é o melhor atestado de fertilidade.
Sempre o veterinário responsável da fazenda que deve fazer o exame andrológico, pra evitar falsificações tanto da parte do outro veterinário quanto do peão.
Em eqüino nada é exigido. A única coisa exigida é a presença dos 2 testículos.
Pra touro entrar em exposição ele tem que ter exame andrológico.

Sempre ao inicio da estação reprodutiva, (é muito difícil conseguir isso, porque vc trabalha com um percentual de fêmeas alto) fazer um exame ginecológico nela. Quando vc trabalha com um individuo é mais fácil de fazer isso. Quando trabalha com altos números é mais difícil.

Qual o primeiro passo de um exame ginecológico? É o histórico detalhadíssimo desse animal.
Idade do animal, porque algumas alterações estão correlacionadas à idade. Ex. tem muitas alterações reprodutivas que em animais idosos acontece com maior freqüência do que no animal jovem. Ex. diagnostico por imagem, presença de cisto uterino, o cisto uterino acomete todas as espécies acontece com maior freqüência em animais idosos.

Raça: existe pré-disposição racial em algumas alterações. Ex. há algum tempo, a raça campolina era muito mais predisposta a cisto uterino do que as outras. Hoje em dia já não está tanto, mas há um tempo era assim.
Às vezes vc tem alterações ligadas à aptidão daquela raça. A raça predispõe a situações porque depende da aptidão. Ex.: égua de esporte: PSI se aposenta com 6 anos, ela não é jovem mas também não é idosa. Égua quarto de milha se aposenta: 16 anos.

Escore corporal: importantíssimo. O cio entra pela boca. Às vezes vc é chamado pra fazer uma avaliação ginecológica no animal e quando vc chega vc percebe que a causa é reprodutiva. O animal em confinamento tem que comer o dia todo (ex. vaca, égua). O escore corporal não pode estar nem muito alto nem muito baixo porque esses 2 extremos são muito prejudiciais, então as vezes é mais fácil falar pra acertar a alimentação desses animais e depois voltar pra avaliar.

Dados reprodutivos anteriores: procurar pegar o máximo possível de informações a respeito da reprodução daquela fêmea. Pariu? Quantas vezes pariu? Como foi o parto? Já abortou alguma vez? Já teve morte embrionária? Procurar saber tudo dessa fêmea. Saber se ela já fez algum tratamento reprodutivo, qual que ela fez. Etc.

Toda vez que forem enviar um animal pra se reproduzir em outro lugar é de praxe que vc mande um histórico daquele animal (macho ou fêmea, pros 2)

Tratamento pra performance. Que tipo de atividade esse animal exerce e qual a possibilidade dele ter feito um tratamento pra isso. Ninguém vai te contar que deu bomba pro animal, então vc tem que meio que observar a musculatura (se cresceu rápido, etc.). Vaca em concurso leiteiro, vc pode ter certeza que pura ela não está. Algumas éguas de prova. Cadelas de exposição, etc. Então vc corre risco de pegar animais que sofreram algum tratamento pra performance que interfere na reprodução. Ex. bomba.

Depois que vc faz esse histórico detalhado vc vai fazer um exame físico dessa fêmea, como:
Vai observar se ela está parasitada ou não, por que: às vezes a quantidade de parasitos debilita o animal, podendo comprometer a produção hormonal por exemplo.
A própria neoplasia pode levar a caquexia do animal.

O andar, se está ou não mancando. Se tem algum ferimento. Por que: às vezes vc tem uma alteração que causa por exemplo dor, e isso gerar um problema reprodutivo. Exemplo: laminite. Que é uma inflamação das laminas do casco, inflamação do casco do animal cujo o principal sinal clinico que vc vai ter é a dor do animal porque está tudo inflamado, é uma dor absurda. O que acontece nos eqüinos: a produção de prostaglandina sempre alta por causa da dor. O processo inflamatório e dor, a produção de prostaglantina fica alta. Imagina que essa égua tenha dado cio, foi inseminada, e emprenhou. O que acontece: a produção constante de prostaglandina lisa o CL, essa gestação então sofre morte embrionária. O problema não é reprodutivo pois ela emprenhou, só que ela está sentindo tanta dor que ela não consegue manter uma gestação. Isso é muito freqüente em égua, porque o limiar de dor do eqüino é muito baixa, mas não quer dizer que não aconteça em outras espécies, bovinos pro exemplo pode acontecer também, ai associado tanto a prostaglandina quanto o cortisol. O animal fica sentindo dor, tem aumento de cortisol, e no bovino isso pode levar ao abortamento, isso é comum em todas as espécies. Acontece com mais freqüência no eqüino pelo limiar de dor, mas pode acontecer em todas as espécies. É um problema clinico causando uma alteração reprodutiva, enquanto vc não resolver a clinica vc não vai conseguir uma resposta boa.

A própria doença pulmonar obstrutiva crônica pode levar a alteração reprodutiva. É tipo uma asma do eqüino. Quando o animal está em crise, a forca que ele faz pra respirar é tão grande, que alguns absorvem ar pela vagina, porque ela contrai tanto o abdômen pra poder respirar que ela acaba absorvendo ar pela vagina. Ai começa ai irritar a vagina, irritar a mucosa do útero, causar uma endometrite. A endometrite é secundária, o problema real é a doença pulmonar.

Depois da avaliação física, agente vai avaliar o comportamento da fêmea:
Qual o comportamento de uma fêmea no cio: aceitação da monta. Comportamento da fêmea fora do cio: não aceita a monta. Qualquer coisa diferente disso é alteração de comportamento, e muitas vezes a causa do nosso problema reprodutivo é a fêmea não aceitar o macho. Ex. cadelas que não aceitam a monta, ou até que faz uma