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preferência com exclusividade, o que torna patológico. Porque preferência existe, pode acontecer e é normal, o que não pode acontecer é exclusividade que é patológico. Então quando a fêmea não aceita nenhum macho é distúrbio de comportamento, muito comum na égua, cadela, que são animais domesticados e que agente interfere demais na vida desses animais.

Observar o comportamento da espécie. Ex. vaca tem comportamento homossexual, então vaca sobe em outra vaca, cadela também. Égua não tem esse comportamento, se vc começar a ver a égua subindo em outra égua é patológico.

Vamos então iniciar a avaliação da genitália, do trato reprodutor feminino.
Primeiro vamos avaliar a genitália externa. O que agente tem que avaliar aqui:
- Conformação do períneo e vulva. Eles têm que estar perpendiculares ao eixo principal do quadrúpide (que é o longitudinal). O que pode acontecer: uma inclinação de períneo que puxa a vulva, o problema disso são as fezes caindo direto em cima da abertura vulvar. Isso pode acontecer tanto por má formação (nasceu desse jeito, o que é pouco freqüente) como pode acontecer pela idade do animal (a musculatura vai ficando mais flácida, mais frouxa, o ânus retrai inclinando o períneo). É uma retração do ânus com inclinação de períneo. Vc pode fazer cirurgia pra tentar melhorar a condição do animal. O que também facilita muito é a transferência do embrião porque ai vc coleta o embrião e ai vc não exige uma gestação, vc exige apenas o embrião.

- Lábios vulvares bem coaptados. O que é isso: fechamento regular, os lábios têm que estar encostadinhos um do outro, no cio só abre um pouquinho quase nada, na verdade é relaxada. Não é aberta. Podemos encontrar lábios que sobrepõe um em cima do outro, isso está interferindo no fechamento, na coaptação, podendo comprometer a fertilidade.

- Avaliar a abertura vulvar. Como: vamos pegar um paquímetro comum e medir a abertura vulvar. O que é considerado normal: não conseguimos chegar a um valor normal, porque depende do porte, numero de partos, etc. então tem uma dica, que vc consegue definir se essa abertura está excessiva ou não: olhando o animal por trás, vc vai achar a tuberosidade do coxal isquiática, ai vai localizar de um lado e do outro, ai vc traça uma linha imaginária ligando essas duas tuberosidades, o que é considerado anormal: toda abertura acima da linha imaginária. O que vai considerar como patologia: abertura acima da linha imaginária. Só que tem um porém, a vulva abriu porque precisou abrir, alguma coisa passou ali pra ela precisar abrir, então agente tem que ter muito cuidado pra afirmar que aquilo é um problema, porque tem fêmea com vulva muito aberta que emprenha todo ano e pari todo ano, então nessa fêmea a abertura vulvar não comprometeu a fertilidade, nessas fêmeas eu não costumo mexer em nada, deixo ela quieta, ser inseminada normalmente. Se vc identifica que aquilo é o seu problema, vc pode fazer uma vulvoplastia, que é costurar a vulva, e ai vc tem que ter o seguinte cuidado: não pode fechar muito. Mesmo se vc fecha pouco, 1 semana a 15 dias antes do parto vai lá e abre, porque ela abriu daquele jeito era porque ela precisava daquela passagem. Já houve casos horríveis de laceração de vulva, porque não é uma vulva fechada que vai segurar o potro. (onde fecha forma uma fibrose).
Tem gente que quando a égua precisa fechar a vulva pra emprenhar, tem gente que pega e só aproxima usando grampo ou fio absorvível e aproxima os lábios enquanto que ela está gestante, sem fazer incisão na pele.

Vamos iniciar a avaliação da genitália interna:
	- Palpação retal: Um dos métodos que agente usa pra avaliar a genitália interna da fêmea é a palpação retal, que logicamente só pode ser realizada em animais de grande porte. Só posso fazer palpação retal em égua e vaca.
Como faço a avaliação interna dos diversos animais? Vc pode usar um exame complementar como um exame USG, que é muito importante nessa avaliação aqui.

Palpação retal na vaca:
	Divido os achados na fase estrogênica e na fase progesterônica da fêmea: mesmo sabendo que a vaca tem proestro e metaestro eu divido só em estro e diestro. Porque na verdade são achados na fase estrogênica, e achados na fase progesterônica.
	Temos que saber o que avaliar numa fêmea em estro.

ESTRO: O que eu espero encontrar no ovário de uma vaca no estro? Espero encontrar um folículo pré-ovulatório (européia tem em media 2cm, na zebu em media 1cm, que vc consideraria o pré-ovulatório nessas fêmeas)

DIESTRO: vou ter o folículo produzindo uma alta concentração de estrógeno. Qual vai ser o efeito desse estrógeno no útero? Edema. Então esse útero vai ficar edemaciado. Qual a sensação desse edema na vaca? O útero edemaciado na vaca te dá a sensação de túrgida, contraída, ele fica durinho. Quando vc palpa o útero de uma vaca no cio ele é bem durinho, bem certinho os cornos, cornos grandes, quando vc palpa sente o útero túrgido (que é o útero mais contraído).

(o inverso na égua, que fica molinho)
Cuidado: está turgido, mas é edema!

Produção de estrógeno causou edema no útero, a cérvix vai estar aberta (mas aberta eu não consigo palpar, porque aberta é visual, aberta e fechada eu vou ver), pra palpar, eu vou palpar ela relaxada.

DIESTRO: estrutura que vou encontrar no ovário: CL, palpável na vaca, sente a massinha.
Esse CL é produtor de progesterona. O útero pela ação da progesterona não tem edema. Então esse útero vai estar sem edema. A sensação dele, o que agente vai sentir, esse útero vai estar com pouco tônus, (não é flácida! Porque flácida é sem forma), é um útero molinho, só que ele tem contorno, vc consegue sentir os cornos bonitinhos. Então o útero da progesterona na vaca é um útero “mole” porque tem pouco tônus uterino.

Cérvix: contraída. Fechada (o que vemos). Na palpação vamos perceber ela contraída.
Sentir as alterações da cérvix é a parte mais difícil que tem por conta dos anéis. Segurar a cérvix é fácil, mas sentir as alterações, que ela está contraída ou relaxada é o mais difícil no trato reprodutor da vaca.

ANESTRO: não vou encontrar nada no ovário, nenhuma estrutura significativa.
Não tem nem CL nem folículo, então esse útero vai estar flácido, totalmente sem forma, é difícil de palpar e definir cornos, corpo, tudo isso, porque é um bolo de coisa tudo flácido.
Cérvix: também vai estar flácida, mas é mais difícil de perceber isso por causa dos anéis.

Existem maneiras de vc unir essas informações. Quando vc vai fazer um ginecológico, dificilmente vc faz num animal só, então imagina todo mundo que vc vai avaliar e escrever isso tudo. Então existem formas de escrituração que facilitam a sua vida, mas essa escrituração não é uma regra.

Exemplo:
OD: folículo (ovário direito tem um folículo significativo)
OE: liso (ovário esquerdo está liso, não tem nada que interessa nele)

Útero (U):
+ : Flácido
++ : Relaxado
+++ : Túrgido

Cérvix (C):
+
++
+++

Ex. OD: Folículo, OE: liso. U: ++, C: ++
Todas as informações que eu consegui com a palpação retal eu resumi nisso.

Vamos imaginar que eu queira trabalhar numa planilha de exel, como eu faço:
Nome das éguas, dia do mês. E cada dia que eu palpo eu anoto todas as informações referentes há aquele dia naquele quadradinho. Com isso eu tenho uma visão do grupo o mês inteiro.
Ex. pegar todas as suas vacas, resumir nessas informações e colocar numa planilha, pra te facilitar.

Claro que se estou fazendo um exame ginecológico e vou dar um laudo, eu tenho que colocar uma legenda. Então eu posso até escrever daquela maneira, mas eu vou escrever uma legenda pra ela poder ler aquilo. (porque pode ser a forma que ela não está acostumada a ler)

O que eu observo na Palpação retal da égua
Agente comentou que no útero da égua, no estro, estaria edemaciado, mas essa característica de edema vai se caracterizar por um útero relaxado. O útero da égua no cio é grande, pesado (pesado, por exemplo, de não caber na mão, vc não consegue palpar ele direito, ele está grande, edemaciado), é um útero relaxado.
	O folículo pré-ovulatório da égua, agente considera pré-ovulatório