Aula 08 - Matriz extracelular as proteínas da matriz
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Aula 08 - Matriz extracelular as proteínas da matriz

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outras fi bronectinas, de modo que também pode formar

fi brilas. Essas fi brilas parecem ter um papel fundamental na progressão

das etapas do ciclo celular (Aula 1).

A FIBRONECTINA E A MIGRAÇÃO CELULAR

A fi bronectina é muito importante no desenvolvimento animal.

Experimentos em que um gene é inativado (e, portanto, não se

expressa) demonstram que a ausência de fibronectina em embriões

de camundongos resulta em tantos defeitos morfológicos – anomalias

na formação da notocorda, coração, vasos, tubo neural – que os

embriões morrem precocemente.

LÂMINA BASAL

Na Aula 7, comentamos que existem dois tipos “básicos” de

matriz extracelular: a do tecido conjuntivo e a lâmina, ou membrana,

basal. Até agora nos detivemos nos aspectos básicos da MEC do tecido

conjuntivo e pouco comentamos sobre a membrana basal.

A membrana basal é um tipo de matriz extracelular especializada.

Fina e fl exível, ela embasa todos os epitélios, formando uma interface

entre estes e o tecido conjuntivo propriamente dito (reveja a Figura 7.1).

Células individualizadas (musculares, adipócitos, células de Schwann)

também são envoltas por uma membrana basal (Figura 8.9).

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O papel das lâminas basais não se limita ao revestimento da

superfície basal dos epitélios e dos outros tipos celulares mencionados.

A lâmina basal determina a polaridade celular, infl uencia o metabolismo

celular e organiza proteínas em membranas plasmáticas adjacentes,

atuando na migração e diferenciação celular.

Figura 8.9: Células musculares isola-

das são envoltas por membrana basal.

Já os epitélios repousam sempre sobre

um tapete formado pela lâmina basal.

A LÂMINA BASAL E A FILTRAÇÃO DO SANGUE

É comum nos referirmos aos rins como os órgãos que fi ltram o sangue, retirando

dele moléculas que serão eliminadas através da urina. Essa fi ltração ocorre em estruturas

chamadas glomérulos renais, nos quais verdadeiros novelos de capilares e o epitélio do

glomérulo fi cam em íntimo contato, separados apenas pela lâmina basal (Figura 8.10).

As células do epitélio renal, assim como a desses vasos, são relativamente espaçadas, e é

justo pelos espaços entre elas que o sangue é fi ltrado. Até aí, talvez não tenhamos contado

nenhuma novidade, mas o que apostamos que você não imaginava é que essa lâmina basal

é que atua como fi ltro, selecionando as moléculas que passarão para a urina e as que

continuarão no sangue.

Figura 8.10: No glomérulo renal (a), a membrana basal é compartilhada pelo endotélio do vaso

capilar e pelo epitélio glomerular (b).

Músculo

Epitélio

Lâmina basal

Membrana da célula

Matriz

Tecido conjuntivo Lâmina basal

SangueCapilares

Epitélio

Célula endotelial

Lâmina basal
Célula epitelial

Urinaa b

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PROTEÍNAS DA LÂMINA BASAL: LAMININA E COLÁGENO
DO TIPO IV

A membrana basal é secretada pelas células que ela envolve e, por

sua vez, se ancora à matriz extracelular do tecido conjuntivo por fi brilas

de colágeno do tipo VII. Entretanto, os colágenos característicos da

lâmina basal são os do tipo IV, que não formam fi brilas e sim uma lâmina,

reticulada e fl exível. Além do colágeno IV, compõem a lâmina basal a

proteoglicana perlecan e as glicoproteínas laminina e nidogênio.

A laminina é uma proteína composta por três longas cadeias

peptídicas denominadas alfa, beta e gama (Figura 8.11). Juntas, essas

cadeias dão à proteína a forma de uma cruz.

Figura 8.11: A molécula de laminina é

formada por três polipeptídeos que se

associam, formando uma cruz. Vários

domínios globulares se dispõem nas

extremidades livres das cadeias.

As lamininas podem conectar-se entre si através dos braços da

molécula. Além disso, o perlecan e o nidogênio se ligam tanto à laminina

quanto ao colágeno do tipo IV, estabelecendo pontes entre eles. Receptores

na membrana das células, a maioria pertencente à família das integrinas,

reconhecem e se ligam ao colágeno do tipo IV e à laminina, promovendo a

adesão das células à lâmina basal. Você pode ter uma idéia de como essas

moléculas se dispõem na membrana basal observando a Figura 8.12.

Figura 8.12: Modelo da lâmina

basal. Não estão representadas a

membrana plasmática e a asso-

ciação de proteínas integrais

desta a componentes da lâmina.

Domínio globulares

Cadeia alfa Cadeia gama

Cadeia beta

Nidogênio

Perlecan

Laminina

Colágeno IV

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A MEC INFLUENCIA A FORMA CELULAR

Quando fibroblastos são cultivados sobre um gel de

colágeno, em poucos dias eles são capazes de orientar as moléculas

de colágeno em fibras sobre as quais eles mesmos

se orientarão (Figura 8.13).

Figura 8.13: Dois fibroblastos de embrião de pinto migram um em direção

ao outro sobre um feixe de fibras colágenas organizado por eles mesmos.

(Foto: D. Stopak & A. AK. Haris, Dev. Biol. 90:383-398, 1082 © Academic Press)

Em contrapartida, a matriz extracelular também é capaz de

influenciar a organização do citoesqueleto (daí a forma) celular.

Observa-se que células cancerosas produzem menos fi bronectina que

células normais em cultura, sendo também menos aderentes (daí a maior

facilidade de se destacarem e darem origem aos tumores secundários, as

metástases). Em alguns casos, quando se adiciona fi bronectina a essas

culturas, as células tumorais se comportam como se fossem normais,

aderindo e formando contatos focais com o substrato.

Assim como o citoesqueleto pode exercer forças que orientam a

matriz extracelular secretada, as moléculas da matriz podem, por sua vez,

propagar a ordenação entre células, como ocorre, por exemplo, nos tendões

(Figura 8.14). Nesse caso, as integrinas atuam como proteínas adaptadoras

desse ordenamento entre as células e a matriz em torno delas.

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BIOLOGIA CELULAR II | Matriz extracelular: as proteínas da matriz

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Figura 8.14: O esquema ilustra como a matriz pode propagar a orientação de uma

célula para as demais a fi m de formar uma estrutura orientada, como os tendões.

CONCLUSÕES

A cada dia novas descobertas são feitas a respeito da participação da matriz extracelular em

processos biológicos. Essas moléculas atuam tanto na síntese como na degradação de estruturas

(como a absorção da cauda do girino) e, da mesma forma que são secretadas as proteínas da

matriz, nessas ocasiões, os fi broblastos produzem enzimas, como a colagenase, que degradam

a matriz e conferem enorme plasticidade aos tecidos conjuntivos. Graças a essas propriedades,

é possível o realinhamento da arcada dentária, a regeneração de fraturas, a regressão do

tamanho do útero após o parto e muitas outras, pequenos milagres sem os quais nossas vidas

seriam, certamente, muito mais limitadas.

Orientação do citoesqueleto

da célula ������� orienta

a disposição das moléculas

de matriz secretadas

em torno dela.

1

A matriz orientada alcança

as células e 3 e orienta

o citoesqueleto dessas células.

2 3

As células e agora

secretam uma matriz

orientada em sua vizinhança;

assim, a organização de seu

citoesqueleto é propagada às

células vizinhas ( e ).

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R E S U M O

• Além das proteoglicanas e glicosaminoglicanas, a matriz extracelular possui

proteínas fi brosas, os colágenos e a elastina; e proteínas adesivas, a fi bronectina

e a laminina, esta última na lâmina basal.

• O colágeno é formado por três hélices de um polipeptídeo rico em

prolina e glicina.

• Existem diversas formas de colágeno, que podem ser classifi cadas em: fi brilares,

associados a fi brilas e formadores de rede.

• O colágeno é sintetizado pelas células e secretado na forma de pró-colágeno.

Depois de clivada a extremidade da cadeia, formam-se espontaneamente

as fi brilas.

• A elastina é outra proteína fi brilar que forma redes que podem se distender

pelo maior ou menor enrolamento