Aula 09 - Parede celular
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Aula 09 - Parede celular


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e uma rede de moléculas 
de pectina. Enquanto as microfibrilas de celulose suportam forças de tensão, a pectina respon-
de pela resistência à compressão. A lamela média é formada principalmente por pectina.
Nas paredes secundárias, a deposição de celulose ocorre em 
orientações alternadas (Figura 9.6). Dessa forma, a planta adquire 
grande resistência ao rompimento.
!
DÊ UMA PARADINHA
Na presença de íons Ca++, a pectina forma um gel. Essa propriedade 
é utilizada na confecção de geléias. Aproveite a paradinha para 
ir à cozinha e conferir o rótulo daquela geléia que você comprou 
(e, talvez, fazer um lanchinho com ela!). 
Na Figura 9.5, se encontram esquematizados os principais 
componentes da parede celular primária. Compare este esquema ao da 
Figura 8.12 e veja como as duas estruturas são análogas. 
Lamela média
Parede celular 
primária
Membrana
plasmática
Pectina
Micro\ufb01 brila de 
celulose
Glicana
50nm
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Além da celulose, das glicanas e da pectina, outras moléculas se 
incorporam à parede celular conforme a célula se diferencia. A lignina é 
um composto fenólico que confere grande dureza, sendo por isso mesmo 
característica do lenho das árvores. Embora não sejam majoritárias, 
as proteínas correspondem a cerca de 5% das moléculas da parede e 
são principalmente enzimas envolvidas com o crescimento e modelagem 
desta. Entretanto, algumas proteínas parecem ser produzidas em resposta 
à invasão de agentes patogênicos, com o objetivo de proteger a planta.
FORMA E CRESCIMENTO
O crescimento de uma célula depende de dois fatores: expansão 
decorrente da pressão de turgor e remodelação da parede celular. 
Como observado em todas as células (Aulas 10 a 12 de Biologia 
Celular I), o meio intracelular é hipertônico em relação ao meio extracelular; 
assim, as células estão constantemente absorvendo água por osmose. 
O aumento do volume celular leva a uma pressão hidrostática, de modo que 
a água contida na célula empurra a parede celular. Isso é chamado pressão de 
turgor e é essencial tanto para que as células se expandam durante o crescimento 
quanto para manter a rigidez natural (Figura 9.7).
Figura 9.7: A pressão de turgor é a 
principal responsável pela sustentação 
das folhas (a). Sem o equilíbrio propor-
cionado por ela, as folhas murcham, 
como em (b). Fotos: Márcia Attias
Figura 9.6: Microscopia 
eletrônica de varredura 
(a) e de transmissão (b) 
da parede celular de 
uma alga. As \ufb01 bras de 
celulose de cada cama-
da se dispõem ortogo-
nalmente umas em 
relação às seguintes. 
Fotos: Márcia Attias
a b
a b
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A direção que esse crescimento tomará é determinada pela 
disposição das micro\ufb01 brilas de celulose (Figura 9.8). Assim, se as \ufb01 brilas 
de celulose estiverem dispostas numa determinada orientação, impedindo 
a expansão da célula naquele sentido, a célula se alongará no sentido 
oposto. Bem bolado, né?
As moléculas de celulose são sintetizadas em complexos enzimáticos 
existentes na própria membrana celular, sendo ejetadas diretamente no 
meio extracelular, onde se agregam espontaneamente em \ufb01 brilas, todas 
elas com aproximadamente a mesma orientação. Cada nova lamela de 
celulose forma-se sob a lamela mais antiga, que assim \ufb01 ca mais externa. 
A orientação das lamelas mais recentes (mais próximas da membrana) 
parece ter maior in\ufb02 uência sobre a direção do crescimento.
A pergunta lógica seria: \u201cTá bem, as \ufb01 brilas de celulose orientam o 
crescimento, mas o que orienta as \ufb01 brilas de celulose?\u201d Pois bem, sabe-se 
que abaixo da membrana plasmática dispõem-se paralelamente uns aos 
outros microtúbulos, e as \ufb01 brilas de celulose acompanham a orientação 
desses microtúbulos. Não se sabe bem como isso acontece, mas supõe-se 
que proteínas que conectem os microtúbulos à membrana acabem por 
delimitar um espaço que seria a única alternativa de deslocamento para 
os complexos de celulose sintase, \u201cobrigando\u201d as moléculas a assumir 
uma única orientação (Figura 9.9).
Figura 9.8: Como a orientação das microfibrilas 
de celulose orienta o crescimento celular. Duas 
células (a) e (b), inicialmente iguais, podem crescer 
em direções diferentes de acordo com a disposição 
de suas fibrilas de celulose da parede primária.
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Figura 9.9: Modelo hipotético para explicar a in\ufb02 uência dos 
microtúbulos corticais na orientação das \ufb01 brilas de celulose.
CONCLUSÃO
Muitas analogias e comparações são possíveis entre a matriz extracelular das células animais 
e a parede celular dos vegetais. Ambas são estruturas relacionadas à adesão entre células e sua 
estrutura é resistente à compressão e à tensão. Enquanto os animais podem se dar \u201cao luxo\u201d de 
sintetizar \ufb01 bras protéicas como o colágeno, as plantas contam com uma matéria-prima barata 
e abundante, a celulose. Em contrapartida, as GAGs e a pectina possuem muitas características 
em comum. A parede celular é uma estrutura plástica e importante, servindo para orientar 
o crescimento celular e apresentando, de acordo com moléculas que a ela se integram, diferentes 
graus de permeabilidade e resistência.
Meio extracelular
Fibras de celulose
Complexo celulose sintase
Microtúbulo ligado 
à membrana plasmática
Citossol
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EXERCÍCIOS
1. O que diferencia a parede primária da secundária?
2. A que estrutura são análogas a parede celular e a lamela média, 
respectivamente?
3. Quais os componentes \ufb01 brilares da parede celular?
4. Quais os componentes da parede celular que conferem resistência à tensão?
5. E à compressão?
6. Como são sintetizadas as moléculas de celulose?
7. O que orienta a deposição das \ufb01 brilas de celulose?
x\ufffdOs tecidos vegetais, mais rígidos que os das células animais, formam-se e 
se mantêm coesos através de um tipo especí\ufb01 co de matriz: a parede celular. 
Ela é formada por componentes \ufb01 brilares que conferem à planta resistência tanto 
à tensão quanto à compressão.
x\ufffdNovas células vegetais surgem a partir de mitoses que ocorrem na região dos 
meristemas. Entre as células-\ufb01 lhas forma-se uma parede primária \ufb01 na e extensível, 
permitindo o crescimento posterior das mesmas. 
x\ufffdCompletado o crescimento e definida a forma da célula, forma-se, pela 
deposição de novas camadas por baixo da parede primária, a parede secundária; 
conseqüentemente, o espaço disponível para a célula propriamente dita 
diminui. A parede secundária comumente é impregnada por moléculas que 
aumentam sua rigidez.
x\ufffdAs moléculas formadoras da parede celular são basicamente carboidratos: 
celulose, glicanas, pectina e lignina. 
x\ufffdA celulose é sintetizada em complexos de celulose sintase na membrana 
plasmática.
x\ufffd A disposição das fibrilas de celulose acompanha o sentido dos 
microtúbulos corticais.
R E S U M O