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Aula 10 - A célula nervosa

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dopamina.
 A serotonina é outro neurotransmissor excitatório secretado apenas no cérebro. 
Atua sobre neurônios associados a sensações de prazer. 
 As endorfi nas também são neurotransmissores que induzem a uma sensação de 
euforia. O bem-estar relatado após a prática de exercícios como ginástica e corrida está 
relacionado à liberação de endorfi nas proporcionada por essas práticas.
BAINHA DE MIELINA: RAPIDEZ E EFICIÊNCIA
Embora a propagação de estímulo ao longo da membrana seja 
bastante rápida, alguns dos axônios de uma pessoa podem chegar a ter mais 
de 1 metro (e não estamos falando das girafas nem das baleias!). Além disso, 
como a transmissão ao longo do neurônio é toda feita através da abertura 
de canais ativados por voltagem, é importante que os neurônios estejam 
eletricamente bem isolados uns dos outros, para evitar que a despolarização 
de um neurônio induza à despolarização da membrana de um neurônio 
vizinho em momento indevido. 
Esse isolamento elétrico é proporcionado por células especiais, 
sobre as quais já comentamos na Aula 8 de Biologia Celular I: as células de 
Schwann (Figura 10.7). A membrana plasmática dessas células se enrola 
ao redor dos axônios, formando várias bicamadas lipídicas, o que é um 
ótimo isolante elétrico. Assim, o sinal elétrico trafega pelo interior do axônio 
e apenas nos nódulos de Ranvier, (intervalos entre duas células de Schwann 
vizinhas) ocorre a abertura de canais de Na+ e K+, seguida da repolarização 
pela bomba de Na+/K+. Como a despolarização ocorre apenas nos nódulos 
de Ranvier, diz-se que a propagação do estímulo é saltatória.
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Biologia Celular II | A célula nervosa
Figura 10.7: (a) As células de Schwann se enrolam, formando a bainha de mielina em torno do axônio, o que 
confere isolamento elétrico a essa membrana. (b) Microscopia eletrônica de transmissão da bainha de mielina, 
formando uma espécie de rocambole em torno do axônio (foto: Atlas digital da UERJ). 
Tão ou mais importante que o isolamento elétrico proporcionado 
pela bainha de mielina é a rapidez que sua presença confere à transmissão 
ao longo do axônio. O processo de mielinização só se completa cerca 
de dois anos após o nascimento e é essencial para que o indivíduo se 
desenvolva plenamente, tanto em termos de inteligência quanto de 
coordenação motora. A importância da bainha de mielina pode ser 
bem avaliada pela devastação provocada pela esclerose múltipla, doença 
degenerativa na qual ocorre a destruição das células de Schwann.
A TRANSMISSÃO DO ESTÍMULO PARA A CÉLULA EFETORA: 
QUÍMICA OU ELÉTRICA?
No início desta Aula, chamamos a atenção para o fato de que os 
neurônios são células especializadas em receber, conduzir e transmitir 
estímulos entre células. A região de contato funcional entre um neurônio 
e a célula seguinte é chamada sinapse. Repare que usamos o termo contato 
funcional porque nem sempre há um contato físico entre a membrana 
do neurônio e a membrana da célula efetora. 
Essa transmissão pode ser feita através de junções Gap, estudadas 
na Aula 6, havendo, portanto, contato entre as conexinas das duas células. 
Nesse caso, os íons que provocam a despolarização da membrana passam 
diretamente do citoplasma de uma célula para a célula vizinha. São 
chamadas sinapses elétricas e ocorrem apenas entre neurônios localizados 
no sistema nervoso central. A transmissão do estímulo nervoso é bem 
mais rápida nas sinapses desse tipo do que nas sinapses químicas, onde 
há a participação de um neurotransmissor (Figura 10.8). 
Bainha de mielina
Camadas
Nódulos de Ranvier
Axônio
de Schwann
1mm
1mm
a b
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A
U
LA
 
 
 
M
Ó
D
U
LO
 3
1
0
Figura 10.8: (a) Nas sinapses elétricas, o sinal elétrico passa diretamente do citoplasma de um neurônio para 
o vizinho por junções comunicantes. (b) Nas sinapses químicas, o estímulo elétrico trafega ao longo do axônio 
(seta longa), um neurotransmissor é exocitado na extremidade (seta espessa) e a célula seguinte o recebe através 
de receptores de superfície específi cos. 
TRANSMISSÃO SINÁPTICA QUÍMICA
De todos os sistemas de neurotransmissão química, o mais 
conhecido é o modelo da transmissão neuromuscular. Isso se deve 
principalmente ao fato de ser o tipo de sinapse mais comum e mais 
acessível, por se localizar fora do sistema nervoso central, permitindo 
assim a montagem de experimentos eletrofi siológicos. Do ponto de vista 
bioquímico, ajudou bastante a descoberta de que os peixes elétricos 
(veja o boxe) são capazes de gerar descargas elétricas usando o mesmo 
neurotransmissor encontrado nas células musculares esqueléticas dos 
mamíferos: a acetilcolina. Isso permitiu a purifi cação e o isolamento do 
receptor de acetilcolina a partir dos órgãos elétricos desses peixes.
VOCÊ SABIA?
Que o peixe elétrico da Amazônia, ou poraquê, pode chegar a medir 1,5m e pode 
gerar descargas elétricas de 200 volts? Essa corrente pode matar uma criança e provocar 
o desmaio de um adulto. O nome científi co do poraquê é Electrophorus electricus e ele 
também é conhecido como enguia elétrica. 2/3 do comprimento de seu corpo são ocupados 
por um tipo específico de tecido, os órgãos elétricos. Sendo quase cego, o poraquê 
emite descargas elétricas de baixa intensidade para sondar o ambiente e, para ataque 
ou defesa, descargas mais intensas.
 Que, além do poraquê, o Torpedo marmorata, uma espécie de raia de água salgada, 
também é muito utilizada em estudos da transmissão sináptica colinérgica?
 Que o curare, usado pelos índios para envenenar fl echas, é uma molécula que se liga 
ao receptor de acetilcolina na membrana das células musculares? Sob seu efeito, a musculatura 
se relaxa, isto é, o animal fi ca paralisado e pode ser facilmente capturado. 
a
b
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Biologia Celular II | A célula nervosa
A SINAPSE COLINÉRGICA
A contração voluntária dos músculos esqueléticos resulta da exocitose 
de acetilcolina nos terminais nervosos dos neurônios motores, da sua rápida 
difusão pelo espaço entre estes e a membrana da célula muscular e de seu 
reconhecimento pelos receptores localizados na membrana das células 
musculares (Figura 10.9). 
Figura 10.9: Na sinapse química, um neurotransmissor é exocitado na fenda sináptica, sendo reconhecido 
por um receptor na membrana pós-sináptica.
A primeira pergunta que nos fazemos é: como um estímulo 
elétrico que vinha percorrendo a membrana é convertido na exocitose 
de acetilcolina?
A acetilcolina é uma molécula sintetizada no retículo endoplasmático 
do neurônio, percorre o complexo de Golgi e, como muitas moléculas a 
serem secretadas, fi ca armazenada em vesículas de secreção, nesse caso 
chamadas vesículas sinápticas. A secreção das vesículas sinápticas é um típico 
processo de secreção regulada (recorde a Aula 25 de Biologia Celular I).
Do corpo celular do neurônio, onde fi cam o retículo endoplasmático 
e o complexo de Golgi, as vesículas são transportadas para o terminal 
sináptico por proteínas motoras que as fazem deslizar ao longo 
de microtúbulos. Tendo em vista o comprimento dos axônios dos 
neurônios motores, esse transporte axonal pode levar vários dias. As 
vesículas fi cam armazenadas no terminal sináptico, que, por ser mais 
dilatado que o axônio, também é chamado botão sináptico, até que 
a onda de despolarização chegue lá (observe a Figura 10.9). 
Axônio
Vesícula sináptica
Fenda sináptica
Receptor
Célula muscular
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A
U
LA
 
 
 
M
Ó
D
U
LO
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1
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O que provoca a exocitose do neurotransmissor é a existência, 
apenas na membrana do botão sináptico, de canais de Ca++ ativados 
por voltagem. Assim, quando a onda de despolarização

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