Aula 12 - As células-tronco
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Aula 12 - As células-tronco

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A impermeabilidade da pele depende de duas

de suas características: 1 – a camada mais externa, composta por células

mortas e queratinizadas que descamam constantemente (veja o boxe mais

adiante); 2 – das junções de adesão e de oclusão.

Figura 12.9: Sem a pele, seríamos verdadeiras

esponjas sob a chuva e secaríamos rapidamente

sob o sol. A pele nos protege de variações no

meio interno, mesmo que as condições externas

mudem o tempo todo.

MULTIESTRATIFICADA
Em muitas camadas,
ou estratos.

A estrutura MULTIESTRATIFICADA da pele (Figura 12.10) foi, certamente,

um dos fatores capitais para o sucesso da conquista do ambiente terrestre.

Em contato com a lâmina basal, as células são mais indiferenciadas. Nessa

camada estão as células-tronco. Acima desta, está a camada espinhosa,

que tem este nome pelo seu aspecto, resultante da grande quantidade de

desmossomas que se forma entre suas células. Após a camada espinhosa,

situam-se as células granulosas, onde, além de junções de adesão, junções

de oclusão formam uma barreira efi caz contra perda de líquidos e sais

para o meio externo. As células desta camada também contêm grânulos

de melanina, responsáveis pela coloração da pele. Progressivamente as

células granulosas vão morrendo, formando várias camadas de células

mortas e queratinizadas.

As camadas externas da pele são substituídas centenas de vezes

ao longo de nossa vida. Na camada basal, residem as células-tronco

indiferenciadas que capitaneiam o processo de divisão e diferenciação.

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A descamação das células queratinizadas é um dos principais constituintes do pó que se

acumula sobre os móveis de nossa casa. Ácaros microscópicos costumam se alimentar des-

sas células. Esses ácaros são poderosos alérgenos para diversas pessoas. Portanto, se você é

alérgico à poeira, temos uma novidade para você: sua alergia é causada por ácaros que se

alimentam de sua própria pele morta!

Nesse trajeto, diferentes tipos de queratina, característicos para cada

camada, vão sendo expressos, ao mesmo tempo que o núcleo e as organelas

citoplasmáticas vão se degradando através de uma rota de morte celular

programada, ou apoptose (esse assunto será estudado no futuro).

Figura 12.10: (a) Representação esquemática das diversas camadas da pele. (b) Corte histológico de pele apon-

tando (1) a camada de células mortas e queratinizadas e (2) as diversas camadas do epitélio. Imagem cedida do

Atlas digital da UERJ retirada do site http://www2.uerj.br/~micron/atlas/menu.htm.

Essas células são ricas na integrina β, que as mantém fortemente
aderidas à lâmina basal (onde estão os receptores para essa integrina).

Completada a divisão dessas células, as células-fi lhas que expressarem

menos integrinas se descolarão da membrana e iniciarão o processo de

migração e diferenciação para as camadas superiores da pele.

Célula queratinizada
descamando

Célula mortas
queratinizadas

Células granulosas

Células espinhosas

Células basais

Lâmina basal

Tecido conjuntivo

Célula basal
em divisão

Célula basal
subindo

a b

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Biologia Celular II | As células-tronco

A proliferação in vitro de células epiteliais já é uma realidade

e tem sido empregada no tratamento de queimados. Para isso muito

contribuíram as pesquisas sobre a interação entre células epiteliais e

moléculas da membrana basal, demonstrando mais uma vez que a pesquisa

básica não pode nem de longe ser considerada um luxo inútil. Quando

menos se espera, aqueles conhecimentos que pareciam tão teóricos tornam-

se fundamentais para a resolução de uma questão prática.

CONCLUSÕES

A terapia celular, utilizando células-tronco, vem avançando rapidamente.

As limitações decorrentes da proibição da utilização de embriões humanos em

quase todos os países, inclusive o Brasil, vêm sendo superadas pelos avanços obtidos

no conhecimento das potencialidades de diferenciação das células-tronco adultas.

A médio prazo essa tecnologia deverá substituir em larga escala, e com muitas

vantagens, os transplantes de órgãos.

Para que esse objetivo seja atingido, é fundamental tornar rotineiros os seguintes

processos:

• coleta e proliferação extensiva de células-tronco, a fi m de gerar quantidades

sufi cientes de células;

• domínio das etapas de indução da diferenciação em tipos celulares

predeterminados;

• integração anatômica e funcional das células transplantadas ao tecido

adjacente.

Um procedimento já disponível em alguns hospitais e centros de pesquisa é a

preservação, por congelamento, de células-tronco do cordão umbilical. Assim,

o indivíduo disporia de uma fonte de células-tronco do tipo e do doador ideais

(embrionárias e autólogas) para utilização em caso de necessidade.

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• Células-tronco são células indiferenciadas pluripotentes, isto é, podem se dividir

e originar diversos tipos celulares.

• No desenvolvimento embrionário, até o estágio de 16 células, as células do

embrião permanecem totipotentes, isto é, se dissociadas umas das outras cada

uma pode originar um indivíduo completo.

• Células retiradas da massa interna do blastocisto possuem potencial de originar

qualquer tipo celular, exceto a placenta.

• Ao se dividir, uma célula-tronco dá origem a uma célula igual a ela e outra

comprometida para diferenciação.

• Conforme se multiplica e se diferencia, esta célula amplifica o efeito de

propagação da célula-tronco original.

• Embora já tenham sido clonados animais completos, como a ovelha Dolly,

o grande potencial de manipulação de células-tronco embrionárias seria a

regeneração de tecidos e células danifi cados por traumas ou doenças, como

a artrose e a diabetes.

• No adulto, persistem células-tronco pluripotentes em diversos órgãos.

• Na medula óssea, coexistem dois tipos de células-tronco: as hematopoiéticas e

as estromais.

• A regeneração de neurônios é particularmente complicada, pois, além de

proliferar, os axônios dessas células devem seguir um caminho determinado e

recompor as sinapses com outras células.

• Na pele, as células-tronco permanecem na camada basal, enquanto no epitélio

intestinal residem em criptas. Um mesmo tipo de célula-tronco dá origem a vários

tipos de célula epitelial.

• A terapia celular já permite a “fabricação” em laboratório de pele para enxertos

em vítimas de queimaduras.

• Células-tronco estromais injetadas no coração de enfartados provocaram

melhora na contratilidade de áreas lesadas do coração dessas pessoas.

• Existe a possibilidade de recuperação funcional de ossos e cartilagens, assim

como de órgãos como pâncreas e fígado, com o uso da terapia celular.

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Biologia Celular II | As células-tronco

EXERCÍCIOS

1. O que caracteriza uma célula-tronco?

2. O zigoto é uma célula-tronco?

3. O que é o blastocisto?

4. De onde são retiradas as células-tronco embrionárias?

5. Como se pode produzir um animal clonado, como a ovelha Dolly?

6. Qual a principal desvantagem da clonagem de animais?

7. O que são células-tronco do adulto?

8. Que tipos de células-tronco existem na medula óssea?

9. Que tipos celulares podem originar-se a partir deles?

10. O que determina se, ao se dividir, uma célula-tronco vai entrar em diferenciação

ou permanecer indiferenciada?

11. Onde se localizam as células-tronco do epitélio intestinal?

12. Onde se localizam as células-tronco do tecido muscular esquelético?

13. Em que aplicações terapêuticas as células-tronco já estão sendo utilizadas?

14. Quais as perspectivas de uso dessas células para outras doenças?