Aula 12 - As células-tronco
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Aula 12 - As células-tronco

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da UERJ http://www2.uerj.br/~micron/atlas/Menu.htm.

Células epiteliais migram do seu local
de “nascimento” no fundo da cripta
até o topo da vilosidade intestinal,
onde se desprendem. Esse trajeto
dura de 3 a 6 dias

Vilosidade intestinal
(não há divisão celular)

Vista da vilosidade
intestinal em corte

Vista da cripta
intestinal em corte

Células epiteliais

Cripta

Tecido conjuntivo frouxo

Direção da
migração celular

Células diferenciadas
(não se dividem)

Células progenitoras
que se dividem a cada
2 horas

Células-tronco
(se dividem a cada
24 horas)

Células de Paneth
(não se dividem)

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Biologia Celular II | As células-tronco

Enquanto ao epitélio digestivo cabe absorver todos os nutrientes

atuando como uma barreira seletiva entre o meio extra e o intracorporal,

daí sua estrutura – uma fi na camada de células fortemente ligadas

umas às outras através de junções de adesão e de oclusão (Aulas 5 e

6) – a pele, é essencialmente relacionada à função de revestimento.

A absorção de substâncias através da pele é muito pequena, cabendo a

este verdadeiro órgão impedir, por um lado, a perda excessiva de fl uidos

e sais corporais e, pelo outro, o efeito de agentes ambientais sobre o

organismo (Figura 12.9). A impermeabilidade da pele depende de duas

de suas características: 1 – a camada mais externa, composta por células

mortas e queratinizadas que descamam constantemente (veja o boxe mais

adiante); 2 – das junções de adesão e de oclusão.

Figura 12.9: Sem a pele, seríamos verdadeiras

esponjas sob a chuva e secaríamos rapidamente

sob o sol. A pele nos protege de variações no

meio interno, mesmo que as condições externas

mudem o tempo todo.

MULTIESTRATIFICADA
Em muitas camadas,
ou estratos.

A estrutura MULTIESTRATIFICADA da pele (Figura 12.10) foi, certamente,

um dos fatores capitais para o sucesso da conquista do ambiente terrestre.

Em contato com a lâmina basal, as células são mais indiferenciadas. Nessa

camada estão as células-tronco. Acima desta, está a camada espinhosa,

que tem este nome pelo seu aspecto, resultante da grande quantidade de

desmossomas que se forma entre suas células. Após a camada espinhosa,

situam-se as células granulosas, onde, além de junções de adesão, junções

de oclusão formam uma barreira efi caz contra perda de líquidos e sais

para o meio externo. As células desta camada também contêm grânulos

de melanina, responsáveis pela coloração da pele. Progressivamente as

células granulosas vão morrendo, formando várias camadas de células

mortas e queratinizadas.

As camadas externas da pele são substituídas centenas de vezes

ao longo de nossa vida. Na camada basal, residem as células-tronco

indiferenciadas que capitaneiam o processo de divisão e diferenciação.

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A descamação das células queratinizadas é um dos principais constituintes do pó que se

acumula sobre os móveis de nossa casa. Ácaros microscópicos costumam se alimentar des-

sas células. Esses ácaros são poderosos alérgenos para diversas pessoas. Portanto, se você é

alérgico à poeira, temos uma novidade para você: sua alergia é causada por ácaros que se

alimentam de sua própria pele morta!

Nesse trajeto, diferentes tipos de queratina, característicos para cada

camada, vão sendo expressos, ao mesmo tempo que o núcleo e as organelas

citoplasmáticas vão se degradando através de uma rota de morte celular

programada, ou apoptose (esse assunto será estudado no futuro).

Figura 12.10: (a) Representação esquemática das diversas camadas da pele. (b) Corte histológico de pele apon-

tando (1) a camada de células mortas e queratinizadas e (2) as diversas camadas do epitélio. Imagem cedida do

Atlas digital da UERJ retirada do site http://www2.uerj.br/~micron/atlas/menu.htm.

Essas células são ricas na integrina β, que as mantém fortemente
aderidas à lâmina basal (onde estão os receptores para essa integrina).

Completada a divisão dessas células, as células-fi lhas que expressarem

menos integrinas se descolarão da membrana e iniciarão o processo de

migração e diferenciação para as camadas superiores da pele.

Célula queratinizada
descamando

Célula mortas
queratinizadas

Células granulosas

Células espinhosas

Células basais

Lâmina basal

Tecido conjuntivo

Célula basal
em divisão

Célula basal
subindo

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Biologia Celular II | As células-tronco

A proliferação in vitro de células epiteliais já é uma realidade

e tem sido empregada no tratamento de queimados. Para isso muito

contribuíram as pesquisas sobre a interação entre células epiteliais e

moléculas da membrana basal, demonstrando mais uma vez que a pesquisa

básica não pode nem de longe ser considerada um luxo inútil. Quando

menos se espera, aqueles conhecimentos que pareciam tão teóricos tornam-

se fundamentais para a resolução de uma questão prática.

CONCLUSÕES

A terapia celular, utilizando células-tronco, vem avançando rapidamente.

As limitações decorrentes da proibição da utilização de embriões humanos em

quase todos os países, inclusive o Brasil, vêm sendo superadas pelos avanços obtidos

no conhecimento das potencialidades de diferenciação das células-tronco adultas.

A médio prazo essa tecnologia deverá substituir em larga escala, e com muitas

vantagens, os transplantes de órgãos.

Para que esse objetivo seja atingido, é fundamental tornar rotineiros os seguintes

processos:

• coleta e proliferação extensiva de células-tronco, a fi m de gerar quantidades

sufi cientes de células;

• domínio das etapas de indução da diferenciação em tipos celulares

predeterminados;

• integração anatômica e funcional das células transplantadas ao tecido

adjacente.

Um procedimento já disponível em alguns hospitais e centros de pesquisa é a

preservação, por congelamento, de células-tronco do cordão umbilical. Assim,

o indivíduo disporia de uma fonte de células-tronco do tipo e do doador ideais

(embrionárias e autólogas) para utilização em caso de necessidade.

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• Células-tronco são células indiferenciadas pluripotentes, isto é, podem se dividir

e originar diversos tipos celulares.

• No desenvolvimento embrionário, até o estágio de 16 células, as células do

embrião permanecem totipotentes, isto é, se dissociadas umas das outras cada

uma pode originar um indivíduo completo.

• Células retiradas da massa interna do blastocisto possuem potencial de originar

qualquer tipo celular, exceto a placenta.

• Ao se dividir, uma célula-tronco dá origem a uma célula igual a ela e outra

comprometida para diferenciação.

• Conforme se multiplica e se diferencia, esta célula amplifica o efeito de

propagação da célula-tronco original.

• Embora já tenham sido clonados animais completos, como a ovelha Dolly,

o grande potencial de manipulação de células-tronco embrionárias seria a

regeneração de tecidos e células danifi cados por traumas ou doenças, como

a artrose e a diabetes.

• No adulto, persistem células-tronco pluripotentes em diversos órgãos.

• Na medula óssea, coexistem dois tipos de células-tronco: as hematopoiéticas e

as estromais.

• A regeneração de neurônios é particularmente complicada, pois, além de

proliferar, os axônios dessas células devem seguir um caminho determinado e

recompor as sinapses com outras células.

• Na pele, as células-tronco permanecem na camada basal, enquanto no epitélio

intestinal residem em criptas. Um mesmo tipo de célula-tronco dá origem a vários

tipos de célula epitelial.

• A terapia celular já permite a “fabricação”