Aula 12 - As células-tronco
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Aula 12 - As células-tronco


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gerar tanto músculo quanto 
osso, como garantir que as células injetadas vão assumir o comportamento 
\u201ccorreto\u201d? Devido a essas incertezas, esses tratamentos só são aplicados 
a pacientes sem nenhuma outra possibilidade terapêutica.
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Biologia Celular II | As células-tronco
O Brasil já utiliza células-tronco com fi ns terapêuticos
No ano 2001, foi realizado pela primeira vez no Brasil um procedimento em 
pacientes que haviam sofrido enfarto agudo do miocárdio: a injeção em seu coração de 
células-tronco autólogas (fi ltradas do sangue dos próprios pacientes). Dos 12 pacientes, 
todos na fi la para um transplante, 10 sobrevivem sem as enormes limitações que a 
insufi ciência cardíaca ocasionava. Antes do transplante, alguns mal tinham força para 
alimentar-se sozinhos. 
Esse procedimento, entretanto, ainda está nos seus primórdios, pois, como 
assinalado anteriormente, as células-tronco estromais podem se diferenciar em adipócitos, 
osteócitos e outros tipos celulares que não apenas não são contráteis como podem ocasionar 
maiores danos ao coração lesado. Uma pergunta que os pesquisadores se empenham 
em responder é: como ensinar as células-tronco a estabelecer-se nos locais onde são 
necessárias e diferenciar-se em um tipo específi co? Não há dúvida de que as moléculas da 
matriz extracelular e fatores secretados ou presentes na superfície das células de um tecido 
específi co exercem infl uência decisiva nesse processo. Aparentemente, uma vez colocadas 
junto ao tecido muscular cardíaco, as células-tronco são induzidas pelas células vizinhas 
a se diferenciar nesse mesmo tipo celular.
CÉLULAS-TRONCO NERVOSAS
A descoberta de células-tronco no cérebro causou grande euforia, 
pois abriu a perspectiva de cura para doenças degenerativas, como os 
males de Alzheimer e de Parkinson, além de possibilitar a recuperação 
de seqüelas causadas por acidentes. Apesar disso, no cérebro adulto essas 
células dão origem apenas a células da glia (astrócitos e oligodendrócitos), 
embora se saiba que durante o desenvolvimento embrionário as células 
das cristas neurais resultem tanto em células da glia como em neurônios 
e, conforme suas rotas de migração no embrião, em músculo liso e 
melanócitos. A indução da diferenciação dessas células em neurônios 
funcionais ainda não foi estabelecida.
Entretanto, continua havendo a possibilidade de que sejam 
descobertos fatores que induzam à proliferação e migração de células-
tronco do sistema nervoso central para áreas lesadas. Essa esperança 
provém da observação de que, em roedores, células-tronco provenientes 
do hipocampo foram cultivadas in vitro e reimplantadas próximo ao 
bulbo olfatório no cérebro do animal doador, onde formaram sinapses 
e passaram a se comportar como neurônios olfatórios.
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Um outro resultado animador foi obtido na Suécia, onde, graças 
a uma legislação particular, foram realizados implantes de células-tronco 
retiradas de embriões em pacientes portadores do mal de Parkinson, 
doença degenerativa em que os neurônios secretores de dopamina são 
destruídos. Esses pacientes apresentaram uma signifi cativa melhora do 
quadro clínico; entretanto, esse tipo de terapia não se tornou rotineiro 
nem naquele país. Além disso, o mesmo tipo de tratamento falhou em 
portadores do mal de Alzheimer.
A utilização de células-tronco neuronais possui um fator 
complicador adicional: os novos neurônios deverão refazer as rotas 
sinápticas perdidas com a destruição das fi bras nervosas (axônios, veja 
Aula 10) originais. Entretanto, estamos apenas assistindo ao nascimento 
da tecnologia das células-tronco, e os progressos nesta área não apenas 
têm sido fantásticos como também muito rápidos. 
A RENOVAÇÃO DOS EPITÉLIOS
No epitélio do trato digestivo, as células-tronco se localizam 
em criptas (Figura 12.8) e dão origem a muitos tipos celulares: células 
absortivas, secretoras (de muco), de Paneth (relacionadas à imunidade) 
e enteroendócrinas. A renovação desse epitélio é muito rápida, apesar 
de as células-tronco ali se dividirem apenas uma vez a cada 24 horas. 
Já o ciclo celular nas células intermediárias (ainda não completamente 
diferenciadas) leva apenas duas horas, evidenciando o efeito amplifi cador 
da proliferação dessas células.
O mais interessante nesse sistema é como essas células-tronco dão 
origem a células tão diferenciadas (só as células enteroendócrinas podem 
ser de mais de quinze tipos!); além disso, a distribuição dessas células 
também não é aleatória. As células de Paneth permanecem no interior 
das criptas, enquanto as demais migram para a superfície. Subtipos de 
laminina distribuídos diferencialmente na lâmina basal das criptas e das 
vilosidades parecem sinalizar o sentido de migração dos diferentes tipos 
celulares (Figura 12.8). 
Um ponto interessante é que, em camundongos com mutação 
para o gene da proteína sinalizadora notch (ela, de novo), é produzida 
uma quantidade excessiva de células enteroendócrinas, em detrimento 
dos demais tipos. Um outro tipo de mutação, em outro gene regulador, 
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A polêmica das células-tronco embrionárias
Embora muito se tenha avançado no conhecimento e na aplicação terapêutica das 
células-tronco de adultos, elas apresentam algumas limitações importantes. A primeira é 
que seu cultivo é mais difícil do que o de células obtidas a partir de blastocistos. Outra 
é o fato de que as células-tronco de vários tipos celulares (neurônios, por exemplo) são 
de difícil identifi cação. O tratamento de doenças geneticamente determinadas também 
não pode ser feito com células\u2013tronco de seu portador. Os implantes de células-tronco 
da medula óssea envolve riscos, muitos deles ainda desconhecidos, pois células com 
diferentes comprometimentos de diferenciação são injetadas num determinado tecido. 
Um dos riscos é terminar desenvolvendo tecido ósseo entremeado ao músculo cardíaco, 
o que já aconteceu em experimentos com animais.
A cada ano, as clínicas de fertilização são obrigadas a descartar um enorme 
número de blastocistos que \u201csobram\u201d dos tratamentos de fertilização assistida. Esses 
blastocistos nunca serão implantados no útero de nenhuma mulher. São células ainda 
muito distantes do que se poderia chamar de feto. Muito se poderia aprender sobre o 
processo de proliferação e diferenciação celular utilizando esses blastocistos. Muitas 
vidas poderiam ser salvas se essas células pluripotentes pudessem ser utilizadas para a 
recuperação funcional do pâncreas de um diabético ou das conexões nervosas de um 
paciente com mal de Alzheimer ou lesão da medula; entretanto, pressões de grupos 
religiosos têm conduzido os governos da maioria dos países a vetar essas pesquisas.
dá origem a camundongos em que as células estão todas na superfície e 
não há formação de criptas nem manutenção de células-tronco, o que 
impede a renovação do epitélio intestinal e causa a morte dos portadores 
logo após o nascimento.
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Figura 12.8: (a) A renovação do epitélio intestinal depende de células-tronco residentes em criptas. A rápida 
divisão dessas células dá origem a outras células, chamadas progenitoras, que ao alcançar a superfície das 
vilosidades geram os diferentes tipos celulares. As células de Paneth também se originam a partir das células-
tronco, mas migram na direção do fundo da cripta. (b) Corte histológico do intestino delgado. Estão apontadas 
(1) as células caliciformes (secretoras de muco) e (2) as células absortivas. Imagem cedida do Atlas digital do 
Laboratório de Microscopia eletrônica