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Caderno Responsabilidade Civil @catharinaorganiza

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Anna Catharina Garcia - 2020.2
@catharinaorganiza
Responsabilidade Civil
PROF. LEONARDO VIEIRA
BIBLIOGRAFIA
❏ Cristiano Chaves
❏ Anderson Schreiber
INTRODUÇÃO A RESPONSABILIDADE CIVIL
CONCEITO, NATUREZA JURÍDICA E ESFERAS DA RESPONSABILIDADE JURÍDICA
A essência do conceito de responsabilidade civil é a expressão: “dever de indenizar.” A
resposta do ordenamento diante de um dano injustificado que atinja o patrimônio ou os
direitos dá personalidade dá vítima, onde essa vítima se movimenta para obter a reparação
do seu dano material ou a compensação pelo seu dano extrapatrimonial. A responsabilidade
civil é uma das espécies do gênero responsabilidade jurídica, que podem ser:
❖ PENAL: PENAS RESTRITIVAS DE LIBERDADE, DE DIREITOS E MULTAS
❖ ÉTICO PROFISSIONAL: SANÇÕES PODEM SER sigilosas, públicas, cassação dá licença
para exercer a profissão
❖ ADMINISTRATIVA: ADVERTÊNCIA, SUSPEIÇÃO, AFASTADO DE SUA FUNÇÃO
❖ CIVIL: PAGAR O VALOR DA EXTENSÃO DO DANO e/ou RESSARCIR O STATUS QUO
ORIGINAL
O direito é a ciência do dever ser, se o cidadão descumrep as regras, elas desafiam as
sanções jurídicas que lhes serão impostas, e assim, a responsabilidade civil é apenas uma
dessas esferas. Por vezes, com um ato apenas, a pessoa pode desafiar todas as esferas de
vez, mas a priori, cada esfera é autônoma, é tanto que, o sujeito pode ser absolvida em uma
e condenada em outra.
NATUREZA JURÍDICA DÁ RESPONSABILIDADE CIVIL
● PABLO STOLZE E PAMPLONA: Sanção preventiva e reparadora.
OBS: Leo Vieira acha que é reparadora e preventiva, pois, a resp civil se caracteriza como
sanção diante do descumprimento de um dever jurídico primário, a resp civil é sempre uma
obrigação secundária, pois, antes dela se configurar alguém descumpriu um dever primário,
e se tratando das que derivam de contratos, são aquelas que derivam do contrato, já a
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extracontratual, o dever primário é aquele dever “neminem laedere” de coexistir em
sociedade sem impor danos a terceiros - que remete ao direito romano - que é o que é
imposto a todos.
SANÇÃO REPARADORA: Pois o objetivo primordial dá responsabilidade civil é o de
contemplar as vítimas desses danos de forma que seus patrimônios sejam recompostos ou
que recebam um valor que sirva de bálsamo diante dá ofensa aos seus direitos dá
personalidade.
SANÇÃO PREVENTIVA: Pois, na medida em que as pessoas sabem que se cometerem danos
injustos terão que pagar valores para responder pelo prejuízo que causaram e terão seus
bolsos atingidos, assim, a expectativa razoável que se pode ter é de que a pessoa evite
rescindir assim como evitar que outros cometam as lesões.
FUNÇÃO PUNITIVA: O direito brasileiro discute ainda se a responsabilidade civil teria essa
função, mas, Leo Vieira entende como pablo stolze e pamplona e pretende aprofundar o
tema depois, mas, ela acredita que ela não deveria ter.
PRESSUPOSTOS DÁ RESPONSABILIDADE CIVIL
● CONDUTA
● DANO
● NEXO CAUSAL
● NEXO DE IMPUTAÇÃO: Culpa, risco, equidade, disposição legal... (ainda discutido esse
nexo)
Os quatro devem estar presentes simultaneamente.
SCHREIBER: Erosão dos pressupostos dá responsabilidade civil.
CONCEITO DE RESPONSABILIDADE CIVIL:
Obrigação secundária decorrente de dever primário desrespeitado e que tenha decorrido
um dano e que se observe hora culpa e que se aplique a sanção para retomar o status quo
ou para compensar as ofensas a seus direitos de personalidade. Lembrando que os deveres
primários também podem decorrer dá inobservância de normas principiológicas como por
exemplo os deveres anexos dá boa fé objetiva.
● MARIA HELENA DINIZ: “A aplicação de medidas que obriguem alguém a reparar dano
moral ou patrimonial causado a terceiros em razão de ato do próprio imputado, de
pessoa por quem ele responde, ou de fato de coisa ou animal sob sua guarda ou,
ainda, de simples imposição legal.”
Leo Vieira critica esse conceito pois não traz o dano estético, pois, até o STJ coloca esse
terceiro dano sumulado, que é um pioneiro nos novos danos, ainda muito polêmico.
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● PLÁCIDO E SILVA: “Dever jurídico, em que se coloca a pessoa, seja em virtude de
contrato, seja em face de fato ou omissão, que lhe seja imputado, para satisfazer a
prestação convencionada ou para suportar as sanções legais, que lhe são impostas.
Onde quer, portanto, que haja obrigação de fazer, dar ou não fazer alguma coisa, de
ressarcir danos, de suportar sanções legais ou penalidades, há a responsabilidade,
em virtude da qual se exige a satisfação ou o cumprimento da obrigação ou da
sanção”
● SERGIO CAVALIERI FILHO: “A responsabilidade civil parte do posicionamento que
todo aquele que violar um dever jurídico através de um ato lícito ou ilícito, tem o
dever de reparar, pois todos temos um dever jurídico originário o de não causar
danos a outrem e ao violar este dever jurídico originário, passamos a ter um dever
jurídico sucessivo, o de reparar o dano que foi causado. O ato jurídico é espécie de
fato jurídico.”
Perceba que na doutrina clássica já houve uma época que ato ilícito era pressuposto dá
responsabilidade, mas, hoje em direito, o próprio Sérgio Cavalieri Filho mostra como pode
haver responsabilidade civil decorrente de ato lícito.
ANÁLISE HISTÓRICA (MUNDO)
Não é possível precisar a data do surgimento do responsabilidade civil no mundo, se você
entender responsabilidade civil como reação a um dano injusto talvez seja possível afirmar
que ela têm suas raízes junto com o próprio direito, de todas as maneiras a noção se dá
quando começa a ter um poder central político suficientemente forte para impedir a
vingança privada. Agostinho Alvim (“Dá culpa ao risco”) coloca esse poder central como
ponto de partida, pois ela cerceia a vingança privada e propõe uma individualização desse
ressarcimento, pois organiza a reação dá vítima a danos injustos, de modo que só responde
pelo dano que têm relação com a geração desse prejuízo. Marco histórico disso é a LEI DO
TALIÃO que dizia olho por olho, dente por dente, pois, antes dela, quando alguém por
exemplo furava o olho de alguém, a vítima ia lá e queimava a vila toda, então quando essa
lei chega, ela coloca a vingança privada mas estabelece nela um limite, por isso, é um degrau
evolutivo importante, perceba ainda, que aqui ainda não tinha a separação entre
responsabilidade penal e objetivamente civil, não havia essa noção de culpa como fator de
atribuição.
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Até que, o direito passa a não admitir mais a vingança privada, pois, ela causaria o duplo
dano, naquela situação do você fura meu olho e eu furo o seu, perceba que agora se têm
dois cegos. Assim, o próximo degrau evolutivo é o dá COMPOSIÇÃO VOLUNTÁRIA: Um poder
central diz que caso aconteça um dano, a vítima e o autor do dano deve sentar, discutir e
resolver uma solução, pois, o poder central não admite mais vingança privada/duplo dano
(até que ponto para a sociedade interessa ter dois cegos?), mas, também não admite que a
vítima fique irressarcida. Assim, o poder central retira a figura dá barbárie e manda as
pessoas resolverem.
Depois disso, surge a ideia dá COMPOSIÇÃO TARIFADA, aqui, o poder central evolui e impoe
essa composição de forma casuística (“se acontecer determinado dano, a composição têm
que girar em torno dessa indenização”). Exemplo disso, é na sociedade grega antiga se um
cidadão era morto, quem matou poderia morrer. Se estabelece aqui um padrão de valores
que a vítima do dano poderia almejar. Aqui, responsabilidade civil e penal ainda se
confundiam e a responsabilidade ainda era objetiva, pois não se tinha a ideia de culpa com
vínculo na responsabilidade jurídica.
Essa ideia de culpa, segundo Alvim, só começa a ser cogitada na LEX AQUILIA, que data de
286 a.C no Império Romano que é marco histórico pois:
● FOI A PRIMEIRA A TRATAR DE RESPONSABILIDADE CIVIL (de forma genérica). Perceba
que antes eram situações